Reinventando a 'cidade': disputas simbólicas em torno da produção e exibição audiovisual de... por Guilhermo André Aderaldo - Versão HTML

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS

DEPARTAMENTO DE ANTROPOLOGIA

Reinventando a “cidade”:

disputas simbólicas em torno da produção e exibição audiovisual de

“coletivos culturais” em São Paulo

Guilhermo André Aderaldo

Versão corrigida

São Paulo

2013

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS

DEPARTAMENTO DE ANTROPOLOGIA

Reinventando a “cidade”:

disputas simbólicas em torno da produção e exibição audiovisual de

“coletivos culturais” em São Paulo

Versão Corrigida

De acordo:__________________________________

Prof. Dr. Heitor Frúgoli Jr (Orientador)

Guilhermo André Aderaldo

Tese de doutorado apresentada ao Programa de Pós-

Graduação em Antropologia da Faculdade de Filosofia,

Letras e Ciências Humanas da Universidade de São

Paulo, para a obtenção do título de doutor em

Antropologia Social.

Orientador: Prof. Dr. Heitor Frúgoli Jr.

São Paulo

2013

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Nome: Guilhermo André Aderaldo

Título: Reinventando a “cidade”: disputas simbólicas em torno da produção e exibição

audiovisual de “coletivos culturais” em São Paulo

Tese de doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em

Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da

Universidade de São Paulo, para a obtenção do título de doutor em

Antropologia Social.

Orientador: Prof. Dr. Heitor Frúgoli Jr.

Aprovado em: _________________________________

Banca Examinadora

Profa. Dra. Lícia do Prado Valladares

Instituição: Universidade de Lille

Assinatura:__________________________________________________________

Profa. Dra. Karina Kuschnir

Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Assinatura:__________________________________________________________

Profa. Dra. Maria Elisa Cevasco

Instituição: Universidade de São Paulo (USP)

Assinatura:__________________________________________________________

Profa. Dra. Heloísa Buarque de Almeida

Instituição: Universidade de São Paulo (USP)

Assinatura:__________________________________________________________

Suplentes: Prof. Dr. Alexandre Bergamo Idargo (UFSC); Profa. Dra. Maria Filomena

Gregori (UNICAMP); Prof. Dr. Vagner Gonçalves da Silva (USP); Prof. Dr. José

Guilherme Cantor Magnani (USP); Profa. Dra. Lilia Moritz Schwarcz (USP).

São Paulo, 2013

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Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer

meio convencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, desde que citada

a fonte.

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Esta tese é dedicada à minha companheira

Gleicy, à minha avó Rosa e à minha mãe

Eulália, pelo apoio nas horas mais duras e

pelo amor mais importante com o qual posso

contar.

Também a dedico à memória de meu avô

Afonso e meu querido tio Luís, por tudo.

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Agradecimentos

Ao longo da pesquisa que forneceu os dados analisados nestas páginas,

caminhei por muitos lugares (no Brasil e no exterior) e, em todos eles, partilhei

momentos importantes ao lado de pessoas que contribuíram de modo crucial para

minha formação intelectual e humana. Entre ônibus, aviões, trens e caminhadas,

muitas foram as vezes que me emocionei ao lembrar dos ensinamentos aprendidos

nessas relações.

Colocando esses momentos e a concretização deste trabalho em

perspectiva, começo agradecendo à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de

São Paulo (FAPESP) e à Coordenação Para o Aperfeiçoamento de Pessoal de

Nível Superior (CAPES) pelas bolsas obtidas no Brasil e na França, durante o

estágio “sanduíche” realizado em Paris por um ano. Aqui cabe um agradecimento

especial ao parecerista da Fapesp que, de forma generosa e atenta, sempre me

incentivou com valiosas dicas e sugestões, retiradas da leitura dos meus relatórios

de pesquisa.

Agradeço também de um modo mais do que especial a meu orientador

Heitor Frúgoli Jr., pelas rigorosas observações e críticas aos textos que produzi,

mas também e, sobretudo, por me possibilitar a chance de aprender a trabalhar em

equipe, além de ensinar-me a enxergar as cidades de um outro modo.

Sou imensamente grato a todos os colegas que, durante esses quatro anos e

meio de doutorado, passaram pelo Grupo de Estudos de Antropologia da Cidade

(GEAC) e, além de contribuírem de forma madura com os trabalhos acadêmicos

que todos produzimos, também tornaram almoços, conversas, caminhadas e

diversos outros momentos extremamente prazerosos. Agradeço especialmente a

Giancarlo Machado e sua amável generosidade “mineira”, assim como a Enrico

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Spaggiari, Laís Silveira, Mayã Martins, Weslei Estradiote, Julho Talhari, Bianca

Chizzolini, Marina Rebeca, Juliana Blasi Cunha, Natália Fazzioni e Bruno

Puccinelli. Queridos amigos que me ensinaram tantas coisas...

Ao professor Michel Agier e aos colegas do atelier DADA, especialmente

David Puaud (que me ensinou a diferença entre “empatia” e “simpatia”), Lawson

Mariano, Fillipo Furri, Giulia Mensitieri, Hala Abou-Zaki, Martin Lamotte, Maria

Anita Palumbo, Federica Gatta e Anne Claire, agradeço pelas importantes

discussões e lições aprendidas durante nossas tardes de encontro na salinha do

Centre D’Études Africaines (CEAF) e nas aulas da École Des Hautes Études En

Sciences Sociales (EHESS).

Agradeço a todos os professores que, de algum modo, contribuíram

decisivamente em minha formação, especialmente a Maria Filomena Gregori (a

Bibia), Alexandre Bergamo Idargo, Heloísa Pontes, Heitor Frúgoli Jr., Heloísa

Buarque de Almeida, novamente Michel Agier e Laura Moutinho (que tanto me

incentivou neste doutorado, com dicas, conversas e aulas preciosas, além de sua

fundamental participação em minha banca de qualificação).

Também sou grato aos professores que aceitaram participar de minha

banca de defesa. Pessoas que produziram trabalhos fundamentais para o

desenvolvimento desta pesquisa: às professoras Lícia do Prado Valladares, Heloísa

Buarque de Almeida, Maria Elisa Cevasco e Karina Kuschnir, que compuseram o

papel de titulares, além dos professores: Lilia Schwarcz, José Guilherme Magnani,

Vagner Gonçalves da Silva, Alexandre Bergamo e Bibia, que ocuparam o papel de

suplentes.

Agradeço também a meus queridíssimos amigos “da França” –

especialmente da Cité Universitaire e, em particular, da Maison du Méxique

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Ixchel Garces, Javier Buenrostro, Shisleni Macedo (Shis), Judith Porras, Ana

Roznar, Daniel, Sabrina, Vincent Goulet e Christian Laepple. Muito obrigado

pelas conversas, pelo carinho, pelo respeito e por mais um milhão de coisas...

espero revê-los algum dia!

Deixo também um agradecimento mais do que especial a meu “vecino y

hermano” José Porras, com quem aprendi a atravessar fronteiras e a entender que

com algumas madeiras velhas, gesso e criatividade é possível inventarmos

cidades. Obrigado amigo, por me ensinar tanto! E como não agradecer à Veronica

Bape que, apesar do pouco tempo que passamos juntos, tornou-o tão marcante.

Deixo outro agradecimento especial ao querido amigo Damien Roy, bem

como a Vinícius Kauê, Julien Henrique e Astrid Garderes, pelo apoio, pelo

respeito, pelas viagens, pelas importantes discussões, e por fazerem do frio

congelante de Paris um obstáculo quase imperceptível.

A meus colegas Rosenilton Oliveira, Samantha Gaspar, Eduardo Dullo,

Alexandre Barbosa Pereira, Íris Araújo, Bruna Angotti, Rebeca Campos Ferreira,

Ana Paula Silva, Nayara Alvim, Carlos Gutierrez, Isabela Oliveira, Andrea

Cavalheiro, Julien Zeppetella, Oto e Taniele Rui, agradeço pelos momentos

compartilhados e pelos inúmeros ensinamentos aprendidos.

Um espaço todo especial deixo para agradecer à Janaína Damasceno.

Amiga que teve um papel mais do que importante nesta minha trajetória. Foi a

partir de seu convite para que eu me tornasse debatedor em uma mesa na qual o

professor Agier apresentaria seu livro “Antropologia da Cidade”, na Universidade

de São Paulo, que uma etapa fundamental de minha formação ganhou lugar.

Janaína sempre me incentivou e esteve comigo em horas decisivas desse

doutorado. Obrigado, amiga!

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Impossível deixar de lado a “turma da Mooca”. Meus amigos Fábio Gracia,

Yara Krugel, Thiago Sapienza, Emanoel Guedes, Bruno Tripode Bartaquini (que

me ajudou especialmente com algumas discussões e correções de pontos deste

trabalho) e Mariana Pinterich de Castilho pelos momentos tão importantes e

descontraídos de sempre.

À minha família, particularmente às tias Cida e Márcia, ao tio Chico, ao

primo Álvaro, à avó Rosa, além de minha mãe Eulália, meus sogros José (seu Zé)

e Ivone, à Meguinha e à minha amada companheira (e parceira intelectual) de toda

a vida Gleicy Silva, agradeço por rirem e chorarem cada momento ao meu lado.

Amo vocês demais!

Ao meu avô Afonso e tio Luís que, infelizmente não puderam chegar até

aqui em vida, mas que seguem e sempre seguirão em minha memória e no meu

coração, sou grato por tudo... Saudades...

Agradeço de maneira geral a todos os que, de alguma forma, me deram

informações, concederam entrevistas e abriram portas.

E, por último, gostaria de agradecer às pessoas mais importantes para a

realização deste trabalho. Gente que aprendi a respeitar e admirar. Que me recebeu

de forma generosa e acolhedora em momentos que se tornaram edificantes em

minha vida, e que, acima de tudo, me ensinou com quantos pixels se faz uma

cidade! Ao pessoal que conheci nas reuniões do Coletivo de Vídeo Popular,

especialmente, Vanessa Reis, Diogo Noventa, Evandro Santos, Wilq Vicente e

Luiz Barata. Aos mais do que queridos amigos do coletivo Cinescadão e do Peri:

Flávio Galvão, Renata Saito, Rica Saito, Cézar Sotaque, Shirley Casa Verde,

Paulinho, Thiago Go, Rogério Batom e Rodrigo Roninha. Aos queridíssimos:

Renato Cândido, Rogério Pixote, Juliana Santos e Luciana Dias, do coletivo

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Cinebecos e Vielas. Ao Fernando Solidade, Daniel Fagundes e Diego Soares, do

NCA, além da querida Ivaloo Gusmão, esposa de Daniel, e seus filhos João e

Flora, que me acolheram de forma sempre tão amável em sua casa. Também

agradeço ao pessoal do Imargem, especialmente João Cláudio Sena e Mauro Neri.

Impossível retribuí-los por tudo o que me ofereceram. Espero que essa tese os

ajude a repensar questões, servindo como mais um meio de incentivá-los a

continuarem na luta por uma cidade e um sistema de comunicações mais justos e

democráticos.

Obrigado a todos!

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Resumo: A presente pesquisa tem como principal interesse compreender o modo

pelo qual a relativa democratização do acesso a dispositivos de comunicação

(sobretudo audiovisuais) – em um contexto animado por expressivas mudanças

nos paradigmas responsáveis pela orientação de políticas culturais e sociais no

Brasil – tem gerado condições para a produção e o fortalecimento de novos

imaginários sobre a cidade e suas divisões, os quais vêm estimulando leituras

concorrenciais relacionadas às distintas interpretações dadas à fronteira que regula

o cruzamento entre as noções de “centro” e “periferia”. Para tanto, centra-se na

investigação das relações e representações produzidas pelo Coletivo de Vídeo

Popular (CVP); uma rede formada por diversas associações (coletivos) cuja

integração decorre de vínculos entre conjuntos heterogêneos de pessoas

interessadas no uso de ferramentas audiovisuais como forma de “ocupação” de

espaços urbanos precários. Ao analisar o campo de relações e disputas simbólicas

nos quais esses agentes se engajam, atentando para o modo como as noções de

“centro” e “periferia” aparecem em variados contextos interacionais, pretende-se

compreender as inúmeras implicações ligadas à polissemia desses conceitos e à

maneira pela qual os mesmos podem ser utilizados “taticamente” em distintas

“situações sociais”.

Palavras Chave: Periferia, Centro, Sociabilidade Urbana, Cidade, Audiovisual.

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Abstract: This research has the primary interest to understand the way in which

the relative democratization of access to communication devices (especially

audiovisual) - in a context animated by expressive changes in paradigms

responsible for cultural and social policy guidance in Brazil – they have been

generating conditions for the production and strengthening of new imaginary of

the city and its divisions, which have been stimulating concurrent readings related

to the different interpretations given to the border which regulates the crossing

between the notions of "center" and "periphery." To do so, it focuses on the

investigation of relations and representations around the Coletivo de Vídeo

Popular (CVP). A network of various associations (collectives) whose integration

stems from links between heterogeneous sets of people interested in the use of

audiovisual tools as a way of "occupation" of precarious urban spaces. When

analyzing the field of relationships and symbolic disputes in which these agents

are engaged, paying attention to how the notions of "center" and "periphery"

appear in a variety of interactional contexts, the aim is to understand the many

implications related to the polysemy of these concepts and how they can be used

"tactically" in different "social situations".

Keywords: Periphery, Center, Urban Sociability, City, Audiovisual.

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Résumé : La présente recherche vise à comprendre comment, dans un contexte

d'évolution significative des paradigmes définissant les orientations des politiques

culturelles et sociales au Brésil, la relative démocratisation des dispositifs de

communication – principalement audiovisuels – a permis l'émergence de nouveaux

imaginaires sur la ville et ses divisions, lesquels sont venues nourrir des lectures

alternatives et concurrentes de la frontière définissant les notions de "centre" et de

"périphérie". Pour ce faire, ce travail se concentre sur l'exploration des relations et

représentations produites par le Coletivo de Vídeo Popular (CVP), un réseau de

diverses associations (collectifs) qui réunit un ensemble hétérogène de personnes

utilisant l'outil audio-visuel comme un moyen d'"occuper" les espaces urbains

précaires. En analysant le champ des relations et des disputes symboliques dans

lesquelles s'engagent ces agents, et en accordant une attention toute particulière

aux manières dont les notions de "centre" "et de "périphérie" apparaissent dans

différents contextes interactionnels, cette recherche espère être en mesure de

comprendre les indénombrables implications liées à la polysémie de ces concepts,

ainsi que la façon dont ces derniers peuvent être utilisés "tactiquement" au cours

de "situations sociales" distinctes".

Mots-clés : Périphérie, Centre, Sociabilité urbaine, Ville, Audio-visuel.

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LISTA DE SIGLAS/ABREVIAÇÕES

AIC – Associação de Imagens Comunitárias

ABVP - Associação Brasileira de Vídeo Popular

CAGÊBE – Cada Gênio do Beco

CEASM – Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré

CMP – Central de Movimentos Populares

CEDECA – Centro de Defesa da Criança e do Adolescente

CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica

COHAB – Companhia Metropolitana de Habitação

CPF – Cadastro de Pessoa Física

CUFA – Central Única das Favelas

CVP – Coletivo de Vídeo Popular

ECA - Escola de Comunicações e Artes

FASE - Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional

FEPA – Fórum de Experiências Populares em Audiovisual

FUNARTE – Fundação Nacional de Artes

LISA – Laboratório de Som e Imagem em Antropologia

MINC – Ministério da Cultura

MMC – Movimento de Moradia do Centro

MMRC – Movimento de Moradia da Região Centro

MST – Movimento Sem Terra

MTSTRC – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto da Região Central

NCA – Núcleo de Comunicação Alternativa

ONG – Organização Não Governamental

PROAC – Programa de Ação Cultural

PROUNI – Programa Universidade Para Todos

PSDB – Partido da Social Democracia Brasileiro

PT – Partido dos Trabalhadores

SAV – Secretaria do Audiovisual

USP – Universidade de São Paulo

UFF – Universidade Federal Fluminense

VAI – Programa para a Valorização das Iniciativas Culturais

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES E MAPAS

Figura 01: Fotografia da caixa (bolsa) com DVDs distribuída pelo coletivo NCA ... ......42

Figura 02: Imagem Videolência (NCA, 2009, 60 Min).....................................................50

Figura 03: Imagem Videolência (NCA, 2009, 60 Min) ....................................................50

Figura 04: Imagem Videolência (NCA, 2009, 60 Min) ....................................................50

Figura 05: Imagem Videolência (NCA, 2009, 60 Min) ....................................................51

Figura 06: Imagem Videolência (NCA, 2009, 60 Min) ....................................................51

Figura 07: Thiago “Go” fazendo sua pintura. ...................................................................57

Figura 08: Low Bike, inspirada em modelos feitos nas “periferias mexicanas”...............60

Figura 09: Grafite realizado por Thiago “Go”, na Favela do Flamengo ..........................63

Figura 10: Grafite realizado por Thiago “Go”, na Favela do Flamengo ..........................63

Figura 11: Imagem da zona norte tirada a partir da laje de Thiago “Go” na Favela do

Peri, base das atividades do coletivo Cinescadão...............................................................73

Figura 12: Imagem captada a partir de um pequeno trecho da Av. Masao Watanabe, em

frente à casa de Cézar e Shirley, membros do Cinescadão.................................................73

Figura 13: Imagem da escadaria de Rodrigo “Roninha” em dia de evento do

Cinescadão..........................................................................................................................75

Figura 14: Tela onde são exibidos os vídeos do Cinescadão.............................................75

Figura 15: Grua construída por Valmir “Vras 77”............................................................80

Figura 16: Grua de Valmir sendo utilizada durante filmagem..........................................80

Figura 17: Cartão Alessandro Buzo...................................................................................81

Figura 18: Roninha montando a tela de projeção..............................................................88

Figura 19: montagem improvisada de uma base para o projetor.......................................89

Figura 20: montagem improvisada de uma base para o projetor.......................................89

Figura 21: Go se preparando para fazer seu grafite na viela que dava acesso ao local do

evento na Brasilândia..........................................................................................................90

Figura 22: crianças manifestando-se diante da câmera do coletivo Cinescadão...............94

Figura 23: Cena do documentário Imagens Peri-féricas (Cinescadão, 2010, 60 Min)......97

Figura 24: Cena do documentário Imagens Peri-féricas (Cinescadão, 2010, 60 Min)......97

Figura 25: Momento da transição entre a imagem do centro de São Paulo e a Favela do

Peri......................................................................................................................................98

Figura 26: Inscrições presentes no início do vídeo Imagens Peri-féricas

(Cinescadão/Temporal Filmes, 2010).................................................................................98

Figura 27: Cézar dando orientações aos jovens durante a oficina de Hip-Hop no

NPPE.................................................................................................................................108

15

Figura 28: Imagem do prédio “ocupado”, visto a partir do pátio central........................116

Figura 29: Flávio filmando o pátio da ocupação.............................................................118

Figura 30: Lateral do prédio e a região, vistas a partir da cobertura...............................118

Figura 31: Lateral do prédio e a região, vistas a partir da cobertura...............................118

Figura 32: Apresentação do grupo CaGeBe....................................................................119

Figura 33: Flávio ao lado de Alex no terraço da “ocupação”..........................................120

Figura 34: Fotografia com a pergunta: “Quem te representa?”.......................................120

Figura 35: Debate promovido pelo coletivo Cinebecos na Casa de Cultura de M’Boi

Mirim, na zona sul de São Paulo.......................................................................................125

Figura 36: Imagem da rua onde está localizado o Sacolão das Artes..............................127

Figura 37: Fachada colorida do Sacolão das Artes, na região do Pq. Santo Antônio.....128

Figura 38: Videoteca coordenada pelo coletivo NCA, localizada no próprio Sacolão...128

Figura 39: Imagem da edição de maio de 2007 da versão impressa da Agenda da

Periferia.............................................................................................................................140

Figura 40: Imagem da edição de setembro de 2011 da versão impressa da Agenda da

Periferia.............................................................................................................................140

Figura 41: Imagem do Cartaz da edição de 2011 do Seminário e Mostra Cultural Estética

da Periferia........................................................................................................................200

Figura 42: Imagem do Cartaz da edição de 2012 da Mostra e Seminário Estéticas das

Periferias. .........................................................................................................................200

Figura 43: Imagem de um dos momentos do encontro do CVP no Sacolão das Artes em

dezembro de 2010. ...........................................................................................................236

Figura 44: Imagem da Revista do Vídeo Popular Nº 5...................................................243

Figura 45: Logotipo da edição de 2010 do Festival Visões Periféricas..........................254

Figura 46: Crianças de escolas públicas indo acompanhar a mostra Periferia Animada no

Festival Visões Periféricas 2010………………………………………………………...256

Figura 47: Crianças de escolas públicas indo acompanhar a mostra Periferia Animada no

Festival Visões Periféricas 2010.......................................................................................256

Figura 48: Vans responsáveis por transportar parte do público do festival Visões

Periféricas até o morro do Pavão Pavãozinho...................................................................262

Figura 49: Chegada ao local das projeções no morro do Pavão-Pavãozinho, onde as

crianças jogavam futebol. ................................................................................................265

Figura 50: Público da exibição no morro do Pavão Pavãozinho, praticamente reduzido às

pessoas que participavam do festival. ..............................................................................265

Figura 51: Cartaz do Circuito de Exibição do Vídeo Popular 2011................................281

Figura 52: Exibição do filme “Fulero Circo” no Espaço Arsenal da Esperança, na região

da Mooca, zona leste de São Paulo...................................................................................282

16

Figura 53: Debate promovido pelo circuito de Exibição do Vídeo Popular no Arsenal da

Esperança, após a projeção dos filmes “Qual o Centro?” e “Fulero Circo”.....................283

Figura 54: Cena de “Fulero Circo” exibida no Cinescadão, pelo Circuito de Exibição do

Vídeo Popular...................................................................................................................287

Figura 55: Cartaz da Mostra Cinema de Quebrada, organizada por Renato Cândido no

Cinusp, em 2012...............................................................................................................291

Figura 56: Manifestão Imargem (Grajaú, 2011)..............................................................301

Figura 57: Manifestão Imargem (Grajaú, 2011) .............................................................301

Figura 58: Manifestão Imargem (Grajaú, 2011) .............................................................301

Figura 59: Manifestão Imargem (Grajaú, 2011) .............................................................302

Figura 60: Manifestão Imargem (Grajaú, 2011) .............................................................302

Figura 61: Manifestão Imargem (Grajaú, 2011) .............................................................302

Figura 62: Panfleto contendo a programação do Manifestão com a menção ao apoio

recebido pelo programa VAI. ...........................................................................................309

Figura 63: Muros pintados por Jonato e outros artistas do Grajaú no projeto “Morro da

Macumba” ........................................................................................................................310

Figura 64: Grafite “Ver a Cidade” feito por Mauro Neri................................................314

Figura 65: Grafite “Ver a Cidade” feito por Mauro Neri................................................314

Figura 66: Imagem de intervenção do Imargem em muro “pintado” pela prefeitura......324

Figura 67: Imagem de intervenção do Imargem em muro “pintado” pela prefeitura......325

Mapa 1: Prédios na Rua Voluntários da Pátria no caminho seguido pelo ônibus Jardim

Antártica 1758/10................................................................................................................71

Mapa 2: Chegada à Favela do Peri/Zona Norte – Base do Coletivo Cinescadão..............71

Mapa 3: Mapa da distribuição de salas de cinemas na cidade de São Paulo.....................85

Mapa 4: Trecho que liga a Rua General Jardim à Coordenadoria da Juventude.............163

Mapa 5: Vista aérea do local da projeção, assinalado pela marcação.............................299

Mapa 6: Visão aproximada do local da projeção no Grajaú, assinalado pela

marcação...........................................................................................................................299

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SUMÁRIO

Entrada ..................................................................................................................................... 20

A) Apresentação do tema e do contexto da análise .................................................................... 20

B) Delimitação do “objeto” e da questão central da investigação ............................................. 26

C) Observando “situações”: questões teóricas e metodológicas ................................................ 31

D) Seguindo mobilidades: os caminhos da escrita ..................................................................... 35

1 Fronteiras Movediças: conhecendo e seguindo as redes de relações entre

realizadores e exibidores de vídeos nas “periferias” de São Paulo ...................................... 38

1.1 Conhecendo as redes e ajustando as lentes: primeiras experiências etnográficas ............. 40

1.2 O evento na Favela do Flamengo ....................................................................................... 56

1.3 Formação ........................................................................................................................... 64

1.4 O Cinescadão e suas redes .................................................................................................. 68

1.5 “É da TV Cultura, tia? De que TV é, hein?” ..................................................................... 83

1.6 “Ocupações Audiovisuais” ................................................................................................. 95

1.7 Entre os “projetos”, a região! Outras situações etnográficas .............................................. 103

1.8 Ampliando o quarteirão ...................................................................................................... 115

1.9 Umas voltas pela Zona Sul ................................................................................................. 121

2 Trajetos e trajetórias: condições de emergência da “cultura de periferia” e

diferenciação social entre sujeitos “periféricos” na arena pública paulistana ................... 135

2.1 Trajetos ............................................................................................................................... 141

2.2 Trajetórias ........................................................................................................................... 164

2.2.1 Flávio Galvão ............................................................................................................. 164

2.2.2 Fernando Solidade ..................................................................................................... 177

2.3 Encontros e desencontros .................................................................................................... 190

3 Entre produtos e processos: tramas institucionais e desdobramentos reivindicativos .. 195

3.1 Estar “na periferia do mercado” ou representar “a periferia” do mercado: uma situação

ilustrativa .................................................................................................................................... 199

3.2 Coletivo de Vídeo Popular: lutas pela representatividade de modelos audiovisuais

políticos e não comerciais ......................................................................................................... 209

3.2.1 Diogo Noventa: educador social e militante audiovisual ......................................... 212

3.3 Fórum de Experiências Populares em Audiovisual (FEPA): um divisor de águas ........... 216

3.4 O Coletivo de Vídeo Popular visto “de dentro” ................................................................ 223

3.5 Acertando os ponteiros ...................................................................................................... 230

3.6 “Identidade” e “Identificação” .......................................................................................... 245

4 A cidade para o cinema e o cinema para a cidade: festivais e circuitos .......................... 250

4.1 Festival Visões Periféricas 2010 ........................................................................................ 252

4.1.1 Márcio Blanco: “eu havia demarcado esse espaço já dando um nome para ele” ..... 266

4.2 Circuito de Exibição do Vídeo Popular 2011 .................................................................... 275

4.3 Relações ambivalentes ....................................................................................................... 288

5 Cidades em conflito: câmeras, lugares e movimentos ....................................................... 292

5.1 “Geografias imaginárias” .................................................................................................. 294

Saída: Reinventar a cidade ..................................................................................................... 327

Referências Bibliográficas ....................................................................................................... 334

Anexos ....................................................................................................................................... 352

18

(...) A expressão reta não sonha.

Não use o traço acostumado.

A força de um artista vem das suas derrotas.

Só a alma atormentada pode trazer para a voz um formato de pássaro.

Arte não tem pensa:

O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê.

É preciso transver o mundo (...).

(BARROS, 1996, p. 75)

Parasita era a palavra que o capitão de polícia tinha usado: o campo de Jakkalsdrif, um ninho de

parasitas dependendo de uma linda cidade ensolarada, devorando sua substância, sem dar nenhuma

nutrição em troca. Para K, porém, deitado, ocioso em sua cama, pensando desapaixonadamente (o

que eu tenho com isso, afinal?, pensou), não era mais tão evidente quem era o parasita, o campo ou

a cidade. Se o verme devorava a ovelha, por que a ovelha engolia o verme? E se houvesse milhões

de pessoas, mais milhões do que qualquer um pudesse imaginar, vivendo em campos, vivendo de

esmolas, vivendo de terra, vivendo de fraudes se encolhendo pelos cantos para escapar de sua

época, espertos demais para levantar bandeiras e chamar a atenção para si mesmos, para serem

contados? E se os hospedeiros fossem muito menos numerosos que os parasitas, os parasitas da

preguiça e os outros parasitas secretos do exército e da polícia, das escolas, fábricas e escritórios,

os parasitas do coração? Será que os parasitas poderiam ainda ser chamados de parasitas? Parasitas

também tinham carne e substância; parasitas também podiam servir de presas. Talvez, na verdade,

o campo ser declarado parasita da cidade ou a cidade parasita do campo, dependia, nada mais, nada

menos, de quem fizesse sua voz ser ouvida mais alto (COETZEE, J. M., 2003, p. 135).