Resposta imune frente à Bothropstoxina -1 irradiada com 60Co: identificação das principais... por Janaina Baptista Alves - Versão HTML

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INSTITUTO DE PESQUISAS ENERGÉTICAS E NUCLEARES

Autarquia Associada à Universidade de São Paulo

Resposta imune frente à Bothropstoxina-1

irradiada com 60Co: identificação das principais

citocinas envolvidas e a participação de

substâncias scavengers

Janaína Baptista Alves

Tese apresentada como parte dos

requisitos para obtenção do Grau

de Doutor em Ciências na Área de

Tecnologia Nuclear - Aplicações

Orientadora:

Profa. Dra. Nanci do Nascimento.

São Paulo

2009

Dedico este trabalho

A minha família: meus pais, Geni e Manoel, e

meus irmãos, Lissandra e André. Por

acreditarem em mim e por seu amor

incondicional. Sem o apoio de vocês nada

disso teria sentido.

Ao meu companheiro Andrés, meu grande

amor, por estar a meu lado em todos os

momentos, e por me dar a oportunidade de

ser eu mesma.

Filosofia do “TUBARÃO”

Os japoneses sempre gostaram de peixe fresco. Porém, as águas

próximas ao Japão não produzem muitos peixes há décadas. Assim,

para alimentar a sua população os japoneses aumentaram o

tamanho dos navios pesqueiros e começaram a pescar mais longe do

que nunca. Quanto mais longa a viagem, mais tempo levava para o

peixe chegar. Então, o peixe já não era mais fresco. E, os japoneses

não gostaram do gosto destes peixes.

Para resolver este problema, as empresas de pesca instalaram

congeladores em seus barcos. Eles pescavam e congelavam os peixes

em alto-mar. Porém, os japoneses conseguiram notar a diferença

entre peixe fresco e peixe congelado e, é claro, eles não gostaram do

peixe congelado.

Então, as empresas de pesca instalaram tanques de peixe nos

navios pesqueiros. Eles podiam pescar e colocar esses peixes nos

tanques e mantê-los vivos. Depois de certo tempo, pela falta de

espaço, eles paravam de se mover. Eles chegavam vivos, porém

cansados e abatidos. Infelizmente, os japoneses ainda podiam notar a

diferença no gosto.

Como os japoneses resolveram este problema? Como eles

conseguiram trazer ao Japão peixes saudáveis e frescos?

Para conservar os peixes, as empresas de pesca japonesas

ainda os colocam dentro de tanques, nos seus barcos. Mas eles

também adicionam um pequeno tubarão em cada tanque. O tubarão

come alguns peixes, mas a maioria deles chega muito vivo e fresco

no desembarque. Isso porque, os peixes são desafiados nos tanques.

Quando as pessoas atingem seus objetivos, elas podem perder as

suas paixões. Elas podem começar a pensar que não precisam mais

trabalhar tanto, então, relaxam.

Para esses problemas, inclusive no caso dos peixes dos

japoneses, a solução é bem simples:

L. Ron Hubbard observou no começo dos anos 50: "O homem

progride, estranhamente, somente perante a um ambiente

desafiador." Quanto mais inteligente, persistente e competitiva uma

pessoa é, mais ela gostará de um bom problema. Se seus desafios estão

de um tamanho correto e você consegue, passo a passo, conquistar

esses desafios, você fica muito feliz. Você pensa em seus desafios e se

sente com mais energia. Você fica com vontade de tentar novas

soluções. Você se diverte. Você fica vivo!

Portanto, como norma de vida, ao invés de evitar desafios,

mergulhe dentro deles. Massacre-os. Curta o jogo. Se seus desafios são

muito grandes e numerosos, não desista, se reorganize! Busque mais

determinação, mais conhecimento e, principalmente, busque mais

ajuda!

Se você alcançou seus objetivos, almeje objetivos maiores. Uma

vez que suas necessidades pessoais ou familiares forem atingidas, vá

ao encontro dos objetivos do seu grupo, da sociedade e até mesmo da

humanidade. Crie seu sucesso pessoal e não se acomode nele. Você

tem recursos, habilidades e destrezas para fazer a diferença.

"Ponha um tubarão no seu tanque e veja quão longe você realmente

pode chegar!"

(Marco Fabossi)

AGRADECIMENTOS

A Deus pelo milagre da vida.

À Dra.Nanci do Nascimento, minha orientadora, pela amizade, confiança,

pelos conhecimentos transmitidos e por me mostrar sempre o melhor caminho,

principalmente nos momentos de dúvida.

Ao Dr. Heitor Franco de Andrade Jr, pelos constantes ensinamentos e, por

manter sempre abertas as portas de seu laboratório no Instituto de Medicina

Tropical de São Paulo.

A Dra. Olga Zazuco Higa, por possibilitar a utilização de aparelhos e

materiais de seu laboratório.

A Dra. Lígia Ely Morganti Ferreira Dias, pelas sugestões na avaliação do

seminário de área e, por possibilitar a utilização de aparelhos e materiais de seu

laboratório.

A Dra. Maria Aparecida Pires Camilo, pelas sugestões dadas durante os

seminários do grupo.

A Drª Maria Helena Belini Marumo, pelas sugestões na avaliação do

seminário de área e, por possibilitar a utilização de aparelhos e materiais de seu

laboratório.

Ao Dr. Paolo Bartolini, por possibilitar a utilização de equipamentos dos

laboratórios do TBM.

Ao Dr. Patrick Jack Spencer, meu querido amigo, pelos ensinamentos

diários e por sempre nos mostrar uma maneira prática e inteligente de resolver um

problema.

Ao amigo Dr. João Ezequiel de Oliveira, “Johnninho”, por estar sempre

disposto a ajudar.

Ao Dr. Carlos Jorge Roberto Soares, pelas sugestões dadas durante a

qualificação deste trabalho e pela parceria durante os processos seletivos de

bolsas da pós-graduação.

Ao Dr. Luiz Augusto Corrêa Passos, pelas sugestões importantes dadas na

qualificação deste trabalho e pelas constantes parcerias.

Ao amigo Dr. Rui Seabra Ferreira Júnior, pelos trabalhos realizados em

conjunto.

A Dra. Maria Teresa de Carvalho Pinto Ribela, pelas sugestões dadas na

avaliação do seminário de área.

A Dra. Cibele Nunes Peroni, pelas conversas do dia-a-dia.

A Dra. Regina Affonso, pelos momentos divertidos nos almoços e nos

seminários do grupo.

Ao meu amado amigo Dr. Andrés Jimenez Galisteo Jr, pelo auxílio no

ensaio de Real Time PCR e, por todo seu carinho e dedicação.

Ao amigo José Alberto Alves da Silva, parceiro de prazos e bolsas, pelos

momentos compartilhados ao longo de quase 9 anos de amizade.

Ao amigo Dr. Jean Queiroz, “Jéã”, pelas conversas a cerca da Ciência e,

principalmente, pelo carinho e amizade.

Ao amigo Dr. Murilo Casare, pelo carinho, conversas e pelo auxílio com o

preparo das substâncias scavengers utilizadas neste projeto.

Ao amigo Marcos Antônio Júnior, Xúnior, por sua amizade e apoio num

momento muito importante de minha vida.

A minha querida amiga Priscila Caproni, companheira de bancada, pelos

momentos compartilhados no laboratório, principalmente os mais difíceis, o que

nos proporcionou criar uma grande amizade.

Ao amigo Tiago Luiz de Almeida, “Mano”, por ser esta pessoa maravilhosa

que sempre nos faz sorrir com suas “teorias” do dia-a-dia.

Ao amigo Antônio Carlos Martinho Júnior, Jú, pela amizade, carinho, por

nossas conversas a cerca da Biologia e pelas muitas barras de chocolate.

A amiga Stéfani Plumeri Santin, pelo carinho e amizade.

A amiga Daniele Yoshito, “minha filha”, por sua amizade, doçura e

delicadeza.

A amiga Jéssica Mirco, pelo carinho e pela ajuda nos experimentos finais

deste trabalho.

A minha querida amiga Fernanda de Mendonça, Cobrinha, pela amizade e

pelas inúmeras conversas via e-mail e telefone.

Ao amigo Dr. Daniel Perez Vieira, nosso “Mixirica”, pelo auxílio nos ensaios

de Real Time PCR e pelos momentos compartilhados na pós-graduação.

Ao amigo José Maria, por ser um exemplo para todos nós.

A amiga Miriam F. Suzuki, Mimi, pela amizade e carinho de todos os dias.

A amiga Renata Damiani, Renatinha, pelas conversas nos bastidores e por

seu humor sempre perspicaz e inteligente.

A amiga Karina Corleto, Ká, por sua alegria e carinho de todos os dias.

Aos amigos Rodrigo Queiroz e Tamara, pelo carinho e amizade.

A amiga Fernanda Calvo, pela amizade, carinho e pelas trocas de auxílios

no laboratório.

A amiga Rute Batista, por sua constante ajuda e por nossas longas

conversas.

A Rosa Churra e Keli Nunes Balduino, pelas trocas de materiais e

experiências no laboratório.

A Natália Malavasi Vallejo, pelos seus divertidos “ensaios musicais”.

A Cláudia, Elisa, Fernandinha, Geisa, Taís e Larissa, pelos momentos

compartilhados durante os almoços na copa.

A amiga Arlete Corrêa, por sua imensa alegria e constante bom humor.

À amiga Drª Andréa Rodas, pelas dicas importantes com relação ao

trabalho no laboratório.

A Aninha, Gislene, Ilze, Rose, Romério e Verinha, pelo trabalho e constante

atendimento na secretaria de pós-graduação.

Ao amigo Fábio Camargo, pela parceria na representação do corpo

discente.

Aos integrantes da Comissão de Pós Graduação do IPEN, pelo empenho e

dedicação para oferecer todas as condições necessárias aos pós-graduandos.

À CNPq pelo apoio financeiro.

Aos engenheiros Carlos e Elizabeth e ao Hélio, do CTR, por possibilitarem

o tratamento com raios gama da proteína utilizada neste projeto.

Ao Eduardo de Moura, por seu trabalho, cuidado e organização dos

equipamentos e materiais presentes no laboratório.

A Genivalda e José Longino, pelo cuidado e limpeza dos materiais do

laboratório.

A amiga Maria Neide Mascarenhas, “Neidinha”, Técnica do Biotério, pelo

cuidado e tratamento dispensado aos animais.

Aos funcionários do Biotério, Antônio Calixto, Cícero, André e Marcos, pela

manutenção dos materiais utilizados.

A Beth, pela limpeza dos laboratórios e salas de estudo.

Ao Junqueira e a Rosângela, pelo auxílio nos laboratórios do TBM.

Aos amigos do Laboratório de Protozoologia do IMTSP/USP, pelo carinho e

amizade.

Aos funcionários e responsáveis pelo Laboratório de Virologia do

IMTSP/USP, por disponibilizarem o aparelho de Real Time PCR.

A todos aqueles que, direta ou indiretamente, colaboraram para a

realização deste trabalho, meu sincero obrigada.

Resposta imune frente à Bothropstoxina-1 irradiada com 60Co: Identificação das

principais citocinas envolvidas e a participação de substâncias scavengers

Janaína Baptista Alves

Resumo

Considerando os efeitos da radiação gama sobre proteínas e a capacidade do

sistema imune de reconhecer macromoléculas modificadas, decidimos pesquisar as

principais citocinas envolvidas no padrão de resposta de células Th1 ou Th2 em

camundongos (B10.PL, BALB/c ou Knockout- IFN-/-) imunizados com a Bothropstoxina-1

(BTHX-1), uma miotoxina do veneno de Bothrops jararacussu, na forma nativa ou

irradiada, na presença ou não de substâncias scavengers.

Para avaliar prováveis modificações estruturais na molécula da proteína após o

processo de irradiação (radiação  de 60Co), foi realizada a eletroforese em gel de

poliacrilamida 15% para a BTHX-1, na forma nativa e irradiada, na presença ou não de

substâncias scavengers. Os resultados mostraram que a radiação  foi capaz de

promover alterações na molécula da BTHX-1. Na presença dos scavengers, mesmo após

a irradiação da toxina, houve a preservação da banda principal (14 kDa).

Com relação aos aspectos imunológicos, foram realizados ensaios de produção e

identificação de anticorpos, nos quais, os animais foram imunizados com a BTHX-1, na

forma nativa ou irradiada, na presença ou não dos scavengers. Observou-se que a

proteína nativa induziu, preferencialmente, uma resposta do tipo Th2, enquanto que a

proteína irradiada induziu uma resposta do tipo Th1. A toxina irradiada na presença do t-

butanol induziu menor produção de IgG2b, quando comparada a toxina irradiada sem

scavengers.

Para a quantificação da expressão de citocinas em células esplênicas obtidas dos

camundongos, foi realizado o Real-time PCR para a detecção das citocinas IFN-, IL-2, IL-

4 e IL-10. As células dos camundongos B10.PL e dos BALB/c imunizados com a BTHX-1

nativa e estimuladas in vitro com a toxina irradiada, apresentaram maior expressão de IFN- e IL-2 (padrão de resposta Th1). As células dos Knockout- IFN-/- imunizados com a

BTHX-1 nativa apresentaram maior expressão de IL-4 (padrão de resposta Th2). As

células dos camundongos B10.PL e dos BALB/c imunizados com a BTHX-1 + t-butanol

apresentaram maior expressão de IL-4 e IL-10, respectivamente. Estes fatos reforçam a

participação do OH na modulação da resposta imune contra a toxina irradiada.

Immune response against the irradiated Bothropstoxin-1: Identification of

main cytokines involved and the participation of scavengers substances

Janaína Baptista Alves

Abstract

Considering the effects of gamma radiation on proteins and the ability of

immune system to recognize modified macromolecules, we have identified the

major cytokines involved in immune response of B10.PL, BALB/c and Knockout-

IFN-/- mice exposed to native or irradiated bothropstoxin-1 (BTHX-1), in the

presence and absence of scavengers substances. In order to evaluate possible

molecule structural modifications after being irradiated (60Co gamma rays),

bothropstoxin-1 was submitted to SDS-PAGE analyses. Our results indicated that

irradiation process has promoted modifications in the BTHX-1 molecule, however,

in the presence of scavengers and even after irradiation process, the main band of

toxin was preserved (14 kDa). Sera of animals immunized with the native or

irradiated toxin, in the presence or not of scavengers, were analyzed in order to

quantify specific isotypes. While the native BTHX-1 induced a predominant Th2

response, the irradiated toxin apparently promoted a switch towards a Th1 pattern.

The toxin, when irradiated in the presence of t-butanol, induced to a lower

production of IgG2b (Th1 response) if compared with the irradiated toxin without

scavengers. We also performed a Real-time PCR to quantify the expression of

cytokines IFN-, IL-2, IL-4 and IL-10 in spleen cells from mice. The cells of B10.PL

and BALB/c mice immunized with native BTHX-1 and in vitro stimulated with

irradiated toxin, showed higher expression of IFN- and IL-2 (Th1 response) than

the control sample. The cells of Knockout- IFN-/- mice immunized with native BTHX-1

showed higher expression of IL-4 (Th2 response). The cells obtained of B10.PL

and BALB/c mice immunized with BTHX-1 + t-butanol, showed higher expression

of IL-4 and IL-10, respectively. These facts reinforce the involvement of OH• in the

modulation of immune response against the irradiated toxin.

SUMÁRIO

Página

I – INTRODUÇÃO........................................................................................

1

1.1 Radiação Ionizante...........................................................................

1

1.2 Venenos...........................................................................................

5

1.3 Atenuação de Venenos Animais......................................................

8

1.4 Sistema Imune..................................................................................

11

II – OBJETIVOS..........................................................................................

18

III - MATERIAL E MÉTODOS......................................................................

19

3.1 Reagentes........................................................................................

19

3.2 Animais.............................................................................................

19

3.3 Purificação da BTHX-1.....................................................................

20

3.4 Cálculos das concentrações dos scavengers..................................

21

3.5 Irradiação das Proteínas..................................................................

23

3.6 Eletroforese (SDS-PAGE)...............................................................

23

3.7 Produção de anticorpos específicos contra BTHX-1 nativa ou

irradiada............................................................................................

24

3.8 ELISA (Enzyme Linked Immuno Sorbent Assay)……………………

25

3.8.1 Índice de Reatividade (IR)………………………………………. 26

3.9 Cultivo de Células Esplênicas..........................................................

27

3.10 Avaliação da expressão relativa de IFN-, IL-2, IL-4 e IL-10, em

esplenócitos murinos, por Real-Time PCR..................................................

28

3.10.1 Extração e quantificação de RNA..........................................

28

3.10.2 Síntese de cDNA....................................................................

28

3.10.3 Confecção dos primers e eficiência de detecção..................

29

3.10.4 Condições da reação e análise dos resultados......................

30

IV – RESULTADOS.....................................................................................

31

4.1 Eletroforese (SDS-PAGE)...............................................................

31

4.2 Produção de Anticorpos..................................................................

33

4.3 Quantificações relativas das citocinas em esplenócitos murinos.

44

V – DISCUSSÃO.........................................................................................

52

VI – CONCLUSÕES....................................................................................

64

VII – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................

66

VIII – ANEXOS............................................................................................

79

ANEXOS

Anexo 1 – Ensaio imunoenzimático para a avaliação da produção de anticorpos

IgG total, IgG1 e IgG2b contra BTHX-1 nativa ou irradiada por

camundongos B10.PL.

Anexo 2 - Ensaio imunoenzimático para a avaliação da produção de anticorpos

IgG total, IgG1 e IgG2b contra BTHX-1 nativa ou irradiada por

camundongos BALB/c.

Anexo 3 - Ensaio imunoenzimático para a avaliação da produção de anticorpos

IgG total, IgG1 e IgG2b contra BTHX-1 nativa ou irradiada por

camundongos Knockout-IFN--/-.

Anexo 4 - Ensaio imunoenzimático para a avaliação da produção de anticorpos

IgG total, contra BTHX-1 nativa ou irradiada, com ou sem scavengers,

em camundongos B10.PL.

Anexo 5 - Ensaio imunoenzimático para a avaliação da produção de anticorpos

IgG total, contra BTHX-1 nativa ou irradiada, com ou sem scavengers,

em camundongos BALB/c.

Anexo 6 - Ensaio imunoenzimático para a avaliação da produção de anticorpos

IgG1 e IgG2b, contra BTHX-1 nativa ou irradiada, com ou sem

scavengers, em camundongos B10.PL.

Anexo 7 - Ensaio imunoenzimático para a avaliação da produção de anticorpos

IgG1 e IgG2b, contra BTHX-1 nativa ou irradiada, com ou sem

scavengers, em camundongos BALB/c.

Anexo 8 – Quantificação relativa por Real-Time PCR: IFN-, IL-2, IL-4 e IL-10 de

células esplênicas de camundongos B10.PL, imunizados com BTHX-1

nativa ou irradiada.

Anexo 9 - Quantificação relativa por Real-Time PCR: IFN-, IL-2, IL-4 e IL-10 de

células esplênicas de camundongos BALB/c, imunizados com BTHX-1

nativa ou irradiada.

Anexo 10 - Quantificação relativa por Real-Time PCR: IFN-, IL-2, IL-4 e IL-10 de

células esplênicas de camundongos Knockout-IFN--/-, imunizados com

BTHX-1 nativa ou irradiada.

Anexo 11 - Quantificação relativa por Real-Time PCR: IFN-, IL-2, IL-4 e IL-10 de

células esplênicas de camundongos B10.PL, imunizados com BTHX-1

nativa ou irradiada, na presença de scavengers.

Anexo 12 - Quantificação relativa por Real-Time PCR: IFN-, IL-2, IL-4 e IL-10 de

células esplênicas de camundongos BALB/c, imunizados com BTHX-1

nativa ou irradiada, na presença de scavengers.

Produção científica no período

Anexo 13 - Alves, J.B.; Vieira, D.P.; Galisteo JR, A.J.; Caproni, P.; Casare, M.;

Andrade Jr, H.F.; Spencer, P.J.; Nascimento, N. Immunological

properties of 60Co gamma-rays irradiated bothropstoxin-I. Journal of

Radioanalytical and Nuclear Chemistry, v. 279, p. 817-821, 2009.

Anexo 14 – Ferreira Junior, R.S.; Nascimento, N.; Couto, R.; Alves, J.B.; Meira,

D.A.; Barraviera, B. Young ovine death during hyperimmunization:

crotalic envenomation or copper toxicosis?. Journal of Venomous

Animals and Toxins Including Tropical Diseases (Online), v. 14, p. 738-

749, 2008.

Anexo 15 - Baptista, J.A.; Spencer, P.J.; Oliveira, J.E.; Casare, M.; Nascimento,

N. Immune response against antigens irradiated with 60Co gamma-

rays. Journal of Radioanalytical and Nuclear Chemistry, Budapeste -

Hungria, v. 269, n. 3, p. 565-569, 2006.

Anexo 16 - Ferreira Junior, R.S.; Nascimento, N.; Couto, R.; Alves, J. B.; Meira,

D. A.; Barraviera, B. Laboratory evaluation of young ovines inoculated

with natural or 60co-irradiated Crotalus durissus terrificus venom during

hyperimmunization process. Journal of Venomous Animals and Toxins

Including Tropical Diseases (Online), v. 12, p. 620-631, 2006.

Anexo 17 - Baptista, J.A.; Vieira, D.P.; Galisteo JR, A.J.; Miyagui, C.Y.; Caproni,

P.; Casare, M.; Andrade Jr, H.F.; Spencer, P.J.; Nascimento, N.

Structure alteration and immunological properties of Bothropstoxin-I

irradiated with 60Co gamma rays. In: International Nuclear Atlantic

Conference (INAC 2007), 2007, Santos.

Anexo 18 - Galisteo Jr., A.J.; Zorgi, N.E.; Baptista, J.A.; Hiramoto, R.M.;

Nascimento, N. ; Andrade Jr, H.F. Humoral immune response of

C57Bl/6j and BALB/c mice immunized with irradiated tachyzoites of

Toxoplasma gondii RH strain and oral challenge with ME-49 strain. In:

International Nuclear Atlantic Conference (INAC 2007), 2007, Santos.

Anexo 19 - Caproni, P.; Baptista, J.A.; Almeida, T.L.; Passos, L.A.C.;

Nascimento, N. Study of irradiated toxins with 60Co gamma rays:

immune system behavior. In: International Nuclear Atlantic Conference

(INAC 2007), 2007, Santos.

Anexo 20 - XVI World Congress of the International Society on Toxinology and X

Congresso da Sociedade Brasileira deToxinologia, 2009, Recife -

Pernambuco - Brasil.

Anexo 21 - XVI World Congress of the International Society on Toxinology and X

Congresso da Sociedade Brasileira de Toxinologia, 2009, Recife -

Pernambuco - Brasil.

Anexo 22 - Toxoplasma Centennial Congress, 2008, Búzios.

Anexo 23 - Recent Developments and Applications of Nuclear Technologies,

2008, Bialowieza, Polônia.

Anexo 24 - IX Symposium of the Brazilian Society on Toxinology, 2007,

Fortaleza.

Anexo 25 - IX Symposium of the Brazilian Society on Toxinology, 2007,

Fortaleza.

Anexo 26 - IX Symposium of the Brazilian Society on Toxinology, 2007,

Fortaleza.

Anexo 27 - III Simpósio de Imunologia: Imunidade Inata, 2006, Botucatu - SP.

Anexo 28 - XXXIII Annual Meeting on Basic Research in Chagas Disease & XXII

Annual Meeting of the Brazilian Society of Protozoology, 2006,

Caxambú.

index-16_1.jpg

Janaína Baptista Alves

I - INTRODUÇÃO

1.1 Radiação Ionizante

A radiação ionizante consiste de ondas eletromagnéticas que se propagam

com alta velocidade, energia e, ao interagir com a matéria pode produzir efeitos

variados, como a ionização e excitação, possuindo um alto poder de penetração

(Figura 1). A ionização consiste na produção de íons, radicais e elétrons livres na

matéria que sofreu a interação. Dependendo de sua energia, a radiação ionizante

pode atravessar vários centímetros do tecido humano, por isso é muito utilizada em

aplicações médicas como a radioterapia (GROSH & HOOPYWOOD, 1979; BOYER

et al, 2001).

Figura 1 – Ilustração esquemática de alguns tipos de radiação e sua

capacidade de penetração na matéria.

1

Janaína Baptista Alves

Seus efeitos podem ser diretos ou indiretos, sendo o primeiro uma

conseqüência da interação direta da radiação com componentes celulares como o

DNA, proteínas e lipídeos, provocando alterações estruturais em suas moléculas, o

que constitui cerca de 30% do efeito biológico das radiações. O efeito indireto se dá

quando a radiação interage com as moléculas de água presentes no meio

intracelular, formando os produtos da radiólise da água (OH•, H•, elétron aquoso, por

exemplo). A radiólise da água corresponde à cerca de 70% do efeito biológico

produzido pelas radiações e sua maior ocorrência, deve-se ao fato de a água ocupar

grande parte da composição celular (MICHAELS & HUNT, 1978).

Nas moléculas de água os átomos estão unidos através de ligações químicas

formadas por um par de elétrons. Quando a radiação interage com as moléculas de

água, estas ligações químicas se desfazem e, cada fragmento molecular passa a

conter um único elétron em sua órbita externa, agora não pareado e ávido por

estabelecer nova ligação. Estes fragmentos carregados, instáveis e reativos

constituem os produtos da radiólise da água (Figura 2) (STEFANIC et al, 2009).

2

index-18_1.png

index-18_2.png

Janaína Baptista Alves

Figura 2 – Resumo das reações da radiólise da água (BURTON, 1947; ALLEN,

1948).

Dentre os produtos da radiólise da água, destaca-se o radical hidroxila (OH•),

que é responsável pela abstração dos hidrogênios do carbono alfa e de grupamentos

sulfidrilas, além de reagir com anéis aromáticos de aminoácidos como o triptofano,

tirosina e fenilalanina, formando radicais altamente reativos. O elétron aquoso (e−aq.),

além de reagir com os hidrogênios dos aminoácidos aromáticos, pode promover a

desaminação de aminoácidos como a alanina, glicina, histidina, cisteína e cistina

(BUTLER et al, 1984). O OH• pode ser o principal responsável pela agregação das

proteínas, devido a sua capacidade de formar ligações cruzadas entre elas

(HAWKINS & DAVIES, 2001).

As alterações químicas que a radiação causa em proteínas são:

fragmentação, “cross-linking”, agregação e oxidação pelos produtos gerados na

radiólise da água (MOON & SONG, 2000).

3

Janaína Baptista Alves

A irradiação de proteínas, no estado seco ou em solução aquosa, pode induzir

uma série de alterações na estrutura protéica, indo desde simples ionizações, até

alterações drásticas na sua estrutura primária. Podem ocorrer alterações oxidativas

decorrentes da interação dos radicais livres primários, produzidos após a radiólise da

água, com a molécula de proteína, alterando sua estrutura e podendo conferir à

mesma, cargas negativas (WALES & KUSEL, 1992).

Contudo, estas alterações podem ser minimizadas pela adição, no momento

da irradiação, de substâncias scavengers que competem no meio pelas espécies

reativas específicas, impedindo a ação das mesmas sobre a molécula protéica

(ZHOU et al, 2007). Como exemplo destas substâncias pode-se citar o nitrato de

sódio (NaNO3), que atua como scavenger do elétron aquoso e, o t-butanol, que

apresenta afinidade pelo radical hidroxila.

O ânion nitrato (NO -

3 ) reage rapidamente com o elétron aquoso, tanto que

concentrações de NaNO3, acima de alguns milimolares, são suficientes para

promover reações de redução das moléculas de elétron aquoso geradas na radiólise

da água (HIROKI et al, 2002).

Alcoóis como o t-butanol são amplamente utilizados como scavengers de

espécies reativas formadas através de radiólise ou fotólise. A neutralização do

radical hidroxila (OH) pelo t-butanol se dá através de reações de abstração que

ocorrem predominantemente no carbono alfa, formando radicais menos reativos que

serão subseqüentemente eliminados (MEZYK & MADDEN, 1999).

4

Janaína Baptista Alves

1.2 Venenos

Envenenamentos provocados

por picadas de animais peçonhentos

representam um relevante problema de saúde pública mundial. No caso de picadas

de serpentes, estima-se a ocorrência de mais de 5 milhões de casos por ano, sendo

50.000 - 100.000 casos fatais, havendo sérios impactos sócio-econômicos,

particularmente em países em desenvolvimento (GUTIÉRREZ et al, 1995).

No Brasil são encontrados quatro gêneros de serpentes peçonhentas de

importância médica: Bothrops (jararacas), Crotalus (cascavéis) e Lachesis

(surucucus), pertencentes à família Viperidae, e Micrurus (corais), pertencente à família Elapidae (TOKARNIA & PEIXOTO, 2006). Cerca de 29.000 casos de

acidentes ofídicos são registrados anualmente no país, dos quais, aproximadamente

88% estão relacionados às serpentes do gênero Bothrops (MINISTÉRIO DA SAÚDE,

2005; ARAUJO et al. , 2008).

Venenos animais compreendem uma grande variedade de toxinas, muitas das

quais são proteínas e polipeptídeos que apresentam inúmeros efeitos deletérios

(GUTIÉRREZ et al, 2003). Venenos de serpentes das subfamílias Crotalinae e

Viperinae, por exemplo, são ricos em enzimas proteolíticas capazes de provocar

hemorragias locais e sistêmicas (CARNEIRO et al, 2002).

A composição dos venenos de serpentes varia de acordo com a espécie das

mesmas, idade, localização geográfica, condições climáticas e dieta. A

heterogeneidade

desses

venenos

pode

contribuir

para

as

5

Janaína Baptista Alves

diferenças nos sintomas clínicos observados após envenenamento sistêmico

(FRANCISCHETTI et al, 1998).

Os venenos botrópicos, por exemplo, possuem uma grande quantidade de

enzimas, dentre elas, a fosfolipase A2 e a L-aminoácido oxidase. Apesar da

complexidade de componentes presentes nestes venenos, seus efeitos estão

relacionados às suas propriedades proteolíticas, hemorrágicas e coagulantes. Nos

acidentes botrópicos, as lesões locais podem ser atribuídas à atividade proteolítica

destes venenos sendo que, após sua absorção, ocorrem hemorragias em diversos

órgãos e tecidos (ZAMUNÉR et al, 2004).

A bothropstoxina-1 (BTHX-1), objeto deste estudo, é um homodímero do

veneno de Bothrops jararacussu, caracterizada como uma miotoxina com 13721 Da

(SPENCER et al, 1998).

Apesar de não apresentar atividade catalítica, a BTHX-1 pode ser considerada

uma fosfolipase A2 por apresentar homologia com as fosfolipases A2 de venenos de

serpentes da família Crotalidae (CHO et al, 1988; ANDRIÃO-ESCARSO et al, 2000) .

As fosfolipases A2 são uma classe de enzimas cálcio-dependentes que

catalisam a hidrólise da ligação 2-acil-ester do 3-sn-fosfolipídeo, sendo constituídas

por uma cadeia simples de 122 resíduos de aminoácidos, com massa molecular em

torno de 14000 Da (SOARES et al, 2002). Essas enzimas podem ser isoladas de

venenos de serpentes e artrópodes, apresentando propriedades tóxicas e digestivas;

venenos de mamíferos, como o ornitorrinco e, mais recentemente, de extratos de

plantas medicinais (LIZANO et al, 2003). Os venenos de serpentes contêm um

6

Janaína Baptista Alves

grande número de isoenzimas de fosfolipase A2, que podem apresentar propriedades

neurotóxicas, miotóxicas, cardiotóxicas ou anticoagulantes (GUILLEMIN et al, 2003).

Conforme mencionado, a bothropstoxina-1 (BTHX-1) é uma miotoxina e sabe-

se que o grande problema dos envenenamentos com serpentes cujo veneno encerra

miotoxinas, é a neutralização ineficiente destes componentes pelo soro específico

(antibotrópico) (DIAS DA SILVA et al, 1989).

Os anti-soros, único tratamento eficaz para uso humano (soros heterólogos),

são medicamentos contendo imunoglobulinas específicas, purificadas, geralmente, a

partir de plasma de eqüídeos hiperimunizados com venenos de animais

peçonhentos. Após o processo de purificação e de concentração são feitas as

adequações necessárias para que o produto final, sob a forma líquida ou liofilizada,

atenda às exigências de potência e de segurança, estabelecidas pela Organização

Mundial de Saúde (SOERENSEN, 1990).

A produção de plasma ou soro hiperimune depende da imunogenicidade de

cada veneno sendo que alguns gêneros de serpentes apresentam veneno com baixa

capacidade imunogênica e alta toxicidade. Isto impede a inoculação de doses

capazes de estimular uma resposta imunológica adequada, além de prejudicar o

animal produtor, tendo, como conseqüência, a produção de soro pouco imunogênico

(CAMEY et al, 2002). E, além destes fatores, a eficácia do antiveneno depende tanto

da especificidade e afinidade dos anticorpos ao amplo espectro de componentes do

veneno, bem como, de sua capacidade em neutralizar tais componentes in vivo

(GUTIÉRREZ et al, 2003).

7

Janaína Baptista Alves

Por estas razões é necessário o desenvolvimento de técnicas que reduzam a

toxicidade do veneno, além de proteger os animais soroprodutores, resultando na

produção de antivenenos com anticorpos que apresentem maior poder neutralizante.

Uma vez que os venenos de serpentes são constituídos basicamente de

proteínas, a radiação ionizante vem sendo empregada como ferramenta para

modificar algumas propriedades das toxinas, buscando diminuir a toxicidade sem,

contudo, descaracterizar as propriedades imunológicas.

1.3 Atenuação da Toxicidade de Venenos Animais

Venenos de serpentes, geralmente, são altamente tóxicos e pouco

imunogênicos. Acidentes envolvendo serpentes do gênero Bothrops (p.ex.,

jararacuçu, jararaca e urutu), normalmente desencadeiam efeitos locais, tais como

hemorragia, isquemia e necrose, bem como sistêmicos, que vão desde alterações na

coagulação sanguínea até quadros de insuficiência renal aguda (IRA). As serpentes

do gênero Bothrops são responsáveis pela maior parte da mortandade humana

relacionada a acidentes ofídicos quando comparadas às serpentes peçonhentas de

outros grupos (OSHIMA-FRANCO et al, 2004).

No intuito de diminuir a toxicidade destes venenos, muitos métodos têm sido

aplicados. CARMICHAEL (1927) utilizou o ricinoleato de sódio para diminuir a

toxicidade do veneno de cascavel. Trata-se de um processo lento que envolve várias

etapas de precipitação e filtração das soluções. KOCHOLATY e colaboradores

(1968) diminuíram a toxicidade do veneno da cascavel sul-americana utilizando um

8

Janaína Baptista Alves

procedimento denominado foto-oxidação, para o qual foi preparada uma solução

contendo o referido veneno e azul de metileno, diluídos no tampão adequado e

submetidos a leituras em um equipamento denominado respirômetro. FREITAS e

colaboradores (1998) encapsularam a crotoxina (toxina do veneno de Crotalus

durissus terrificus) em lipossomas e concluíram que houve redução na sua

toxicidade. Dentre outras metodologias utilizadas estão a radiação ultra-violeta (U.V),

formaldeído, carboximetilcelulose, raios-x, glutaraldeído, iodação e raios gama

(NASCIMENTO et al, 1996). A radiação ionizante (fonte de 60Co) tem se destacado,

mostrando ser uma excelente ferramenta na destoxicação de venenos totais ou

frações isoladas dos mesmos, por manter ou até mesmo melhorar suas propriedades

imunológicas.

SOUZA e colaboradores (2002) trabalharam com o veneno total de Bothrops

jararacussu, o qual apresenta miotoxinas em sua composição. Os autores utilizaram

o veneno na forma nativa ou irradiada, radiação gama de 60Co, e observaram que o

veneno irradiado não apresentou efeitos miotóxicos nas preparações musculares

testadas in vitro, quando comparado ao veneno nativo. Tal fato os levou a concluir

que a radiação gama foi eficiente na neutralização da toxicidade do referido veneno.

BAPTISTA e colaboradores (2005) observaram que a bothropstoxina-1, do

veneno de Bothrops jararacussu, irradiada (radiação gama de 60Co) apresentou uma

diminuição de toxicidade de cerca de cinco vezes, quando comparada à forma nativa

da proteína. Esta análise foi feita empregando-se ensaio de citotoxicidade celular

realizado em células CHO ( Chinese hamster ovary).

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Janaína Baptista Alves

HIRAMOTO e colaboradores (2002) trabalhando com o parasita intracelular

Toxoplasma gondii observaram que não houve alterações nas características de

biologia celular do referido parasita, após o mesmo ter sido submetido aos efeitos da

radiação gama a uma dose de 255 Gy. Este fato também foi comprovado por

GALISTEO e colaboradores (2005), ou seja, os autores observaram que as

características de invasão in vitro dos parasitas, foram preservadas mesmo após a

irradiação.

CAPRONI (2009) realizando um ensaio de citotoxicidade celular para o

veneno total de Bothrops jararacussu, nativo ou irradiado, utilizando macrófagos

peritoneais de camundongos, observou que o veneno irradiado foi 40% menos

tóxico, quando comparado com a sua forma nativa.

Todos os fatos acima referidos reforçam o fato de que a radiação gama

caracteriza-se como uma importante ferramenta para a destoxicação de venenos e

toxinas, bem como microrganismos patogênicos, preservando as suas características

imunogênicas.

Destruição de aminoácidos, com o conseqüente rompimento de cadeias

peptídicas, alterações de ligações (H-H e S-S) intramoleculares e reorganização da

molécula protéica por agregação (FERRY et al, 2008), são algumas das alterações

estruturais que podem ocorrer, levando à mudanças nas propriedades biológicas

(enzimáticas, farmacológicas e imunológicas) das proteínas irradiadas (DU &

GEBICKI et al, 2004). Existem indicações de uma diferença quanto à

radiossensibilidade dessas várias funções biológicas, sendo as propriedades

imunológicas as mais radiorresistentes.

10

Janaína Baptista Alves

1.4 Sistema Imune

O sistema imune é uma entidade biológica altamente dinâmica. Como

conseqüência, a resposta imune observada nos organismos superiores é, na

verdade, produto de um longo período de interação entre os seres vivos. Por esta

razão, é absolutamente pertinente conceber a idéia de que selecionamos organismos

e moléculas novas a todo o momento, bem como também somos selecionados

(LITMAN et al, 2005). Desta maneira, impõe-se à resposta imune uma elevada

variabilidade, a qual pode ser observada através da adoção de diferentes

estratégias, muitas simultâneas e, sistematicamente direcionadas com o propósito de

obter uma situação de equilíbrio. Este amplo espectro de resposta foi e sempre será

determinante à sobrevivência das espécies (MURPHY & REINER, 2002).

Há dois tipos fundamentais de resposta imune: a inata (ou natural) e a

adaptativa. A resposta inata ocorre sem exigir uma prévia exposição ao agente

infeccioso, enquanto a resposta adaptativa lança mão da produção de anticorpos

contra um determinado agente e é adquirida durante a vida de um indivíduo como

reação adaptativa à presença de patógenos específicos (DELVES & ROITT, 2000).

Tanto a imunidade inata como a adaptativa dependem da atividade de células

brancas do sangue, ou seja, os leucócitos. A imunidade inata é mediada,

principalmente, por granulócitos, macrófagos e células NK ( natural killer). Já as

respostas adaptativas são mediadas por linfócitos, que proporcionam a imunidade

duradoura (JANEWAY et al, 2002).

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Janaína Baptista Alves

Os componentes solúveis da resposta inata incluem as proteínas do sistema

complemento, proteínas de fase aguda, citocinas e interferons ( e ). Enquanto a

resposta adaptativa envolve a proliferação antígeno-específica de células B e T, que

ocorre mediante a interação de receptores de superfície destas células com os

antígenos (O´GARRA & VIEIRA, 2004) .

As células B secretam imunoglobulinas e anticorpos antígeno-específicos,

responsáveis pela eliminação extracelular de patógenos. Quando ativadas pelo

antígeno, as células B diferenciam-se em células produtoras de anticorpos, havendo

cinco classes de imunoglobulinas, IgG, IgA, IgM, IgD e IgE, sendo quatro subclasses

de IgG (IgG1, IgG2, IgG3 e IgG4) e duas de IgA (IgA1 e IgA2), em humanos (ROITT

& DELVES, 2004). Em camundongos as subclasses de IgG são IgG1, IgG2a, IgG2b

e IgG3 (COUTELIER et al, 1987). Todas as imunoglobulinas são glicoproteínas e

podem conter de 3 a 13 % de carboidratos, dependendo da classe de anticorpo,

apresentando diferentes funções e sendo essenciais para a manutenção da estrutura

do anticorpo (McHEYZER-WILLIAMS & McHEYZER-WILLIAMS, 2005).

As moléculas de anticorpo possuem forma em Y que consiste em três

segmentos de igual tamanho, conectados por uma porção flexível. As ligações de

hidrogênio estão presentes entre as cadeias leves e pesadas e nas cadeias pesadas

entre si. Estas ligações, bem como as ligações dissulfídricas possibilitam este

arranjo em Y (Figura 3) (BRADEN et al, 1998).

Embora as imunoglobulinas apresentem algumas diferenças estruturais, que

caracterizam as suas classes, elas possuem uma estrutura básica muito consistente

e semelhante. A região de ligação ao antígeno, que varia amplamente entre as

12

Janaína Baptista Alves

moléculas de anticorpos, é conhecida como Região Variável (V). Essa variabilidade

permite o reconhecimento e ligação a uma ampla gama de antígenos (BRADEN &

POLJAK, 1995). A região responsável pelas funções efetoras (biológicas) da

molécula de anticorpo é denominada Região Constante (C) e, embora apresente

cinco formas principais, ou isotipos, especializados na ativação de diferentes

mecanismos efetores imunes, ela não apresenta a mesma variabilidade estrutural da

região V (FABER et al, 1998).

A estrutura da imunoglobulina é responsável pela sua função graças à

associação existente entre seus componentes. Ou seja, no terminal amina há as

porções variáveis (V) da cadeia leve e da cadeia pesada. São as zonas responsáveis

pela ligação ao antígeno. Já as porções constantes (C) da cadeia pesada e da

cadeia leve são as responsáveis pelas atividades biológicas das imunoglobulinas

como, por exemplo, ativação de linfócitos T, ativação do sistema complemento e

promover a fagocitose (KIM et al, 1995).

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Janaína Baptista Alves

Figura 3 – Estrutura básica da molécula de anticorpo, mostrando detalhe

da região de ligação com o antígeno (AMABIS E MARTHO, 2004).

As células T auxiliam as células B na produção de anticorpos e podem

eliminar patógenos intracelulares através da ativação de macrófagos e pelo

aniquilamento de células infectadas. As células T também produzem citocinas que

estimulam o crescimento de células B conduzindo, assim, a sua divisão e maturação

para a produção de anticorpos (McHEYZER-WILLIAMS et al, 2003).

Existem dois tipos majoritários de células T efetoras, os linfócitos T

auxiliadores ( helper) (Th) e os linfócitos T citotóxicos (Tc), que carregam em suas

superfícies moléculas CD4 ou CD8, respectivamente. As células Th CD4+ são as

orquestrantes da resposta imune, reconhecendo antígenos externos, e ativando

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Janaína Baptista Alves

outros caminhos da resposta imune mediada por células a fim de erradicar o

patógeno (DELVES & ROITT, 2000).

As células Th CD4+ reconhecem antígenos ligados às moléculas MHC de

classe II e apresentam dois subtipos, células Th1 e células Th2, que surgem de um

precursor Th0 e são diferenciadas de acordo com as citocinas que produzem, pois

morfologicamente são indistinguíveis (Figura 4) (BRADLEY et al, 2000). Contudo, a

resposta gerada é muito diferente. Algumas linhagens de camundongos apresentam

diferentes padrões de resposta celular Th1 e Th2, como é o caso dos camundongos

C57BL/6 e BALB/c. Os camundongos da linhagem C57BL/6 desenvolvem

preferencialmente resposta celular do tipo Th1 enquanto que a linhagem BALB/c

prima pela resposta de células Th2 (PINCHUK & FILIPOV, 2008).

Figura 4 – Esquema com os subtipos de células Th CD4+. Imagem obtida de

JANEWAY et al, (2002).

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Janaína Baptista Alves

As citocinas são proteínas pequenas (15-25 kDa) liberadas por várias células

do organismo, normalmente em resposta a um estímulo ativador e, induzem

respostas por meio de ligações a receptores específicos (PARKIN & COHEN, 2001).

A maioria das citocinas apresenta múltiplos efeitos biológicos, os quais dependem da

célula-alvo, ou seja, células T, células B, macrófagos, células de tecidos, etc

(SPRENT & SURH, 2002).

As células Th1 produzem a interleucina 2 (IL-2), que induz a proliferação das

células T, incluindo aquelas células CD4+ da resposta autócrina. A interleucina 2

também estimula a divisão das células T CD8+ e sua citotoxicidade. Outra citocina

produzida pelas células Th1 é o interferon-, responsável pela ativação de

macrófagos que eliminam patógenos intracelulares e ainda, induzem a citotoxicidade

das células “natural killer”. Portanto, as citocinas produzidas pelas células Th1, são

as principais responsáveis pela indução da resposta inflamatória (PARKIN &

COHEN, 2001; CHANG, et al, 1990).

Existe um feedback positivo que se refere ao fato do interferon  estimular as

células Th0 a transformarem-se em células Th1 e, ao mesmo tempo, inibindo a

diferenciação de células Th2. Estas últimas produzem as interleucinas 4, 5, 6 e 10,

que favorecem a produção de anticorpos. A interleucina 4 induz as células B a

produzir IgE, por exemplo, e também promove um feedback positivo ao favorecer a

indução da resposta Th2 e suprimir a diferenciação de células Th1. Assim, a

resposta Th2 está associada com doenças alérgicas (DELVES & ROITT, 2000;

PARKIN & COHEN, 2001).

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Janaína Baptista Alves

O mecanismo que controla a diferenciação das células Th CD4+ ainda não

está bem definido, mas sabe-se que ele pode ser muito influenciado pelas citocinas

presentes durante a fase proliferativa inicial da ativação das células T (JANEWAY et

al, 2002).

Considerando a capacidade da radiação em modificar proteínas, melhorando

seu potencial imunológico, e que estudos recentes indicaram a predominância de

uma resposta de células Th1 para proteínas irradiadas (BAPTISTA et al, 2006), uma

avaliação das principais citocinas envolvidas na resposta imunológica gerada contra

uma proteína irradiada é de extrema importância, principalmente nos casos onde a

substância é um mau imunógeno.

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Janaína Baptista Alves

II – OBJETIVOS

Geral

Pesquisar as principais citocinas envolvidas no padrão de resposta de células

Th1 ou Th2 em camundongos imunizados com a Bothropstoxina-1 (BTHX-1), uma

miotoxina do veneno de Bothrops jararacussu, na forma nativa ou irradiada.

Específicos

- Comparar a produção de anticorpos específicos após imunização com a

BTHX-1 nativa ou irradiada entre as linhagens de camundongos B10.PL e BALB/c.

- Avaliar a produção de anticorpos específicos por parte de camundongos

Knockout- IFN-/-, após imunização com a BTHX-1 nativa ou irradiada.

- Avaliar a produção de anticorpos específicos em camundongos B10.PL e

BALB/c, após imunização com a BTHX-1 nativa ou irradiada, na presença de

substâncias scavengers.

- Quantificar a expressão das citocinas IFN-, IL-2, IL-4 e IL-10 em células

esplênicas de camundongos B10.PL, BALB/c ou Knockout- IFN-/-, imunizados com a

BTHX-1 nativa ou irradiada.

- Quantificar a expressão das citocinas IFN-, IL-2, IL-4 e IL-10, em células

esplênicas de camundongos B10.PL e BALB/c, imunizados com a BTHX-1 nativa ou

irradiada, na presença de substâncias scavengers.

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Janaína Baptista Alves

III – MATERIAL E MÉTODOS

3.1 Reagentes

Todos os reagentes utilizados neste projeto são de qualidade pró-análise e

foram obtidos comercialmente.

3.2 Animais

Camundongos isogênicos BALB/cJ, B10.PL ( Background C57BL/10Sn) e

Knockout- IFN-/- ( Background C57BL/6-INF-γ-/- Ko) foram obtidos da colônia do

Biotério do IPEN/CNEN/SP e mantidos em mini-isoladores com meio absorvente

esterilizado, recebendo água e comida . Os ensaios seguiram as regras de cuidados

de animais de laboratório (NIH publ. No 86-23, revisado em 1985) e estiveram de

acordo com os princípios de ética de experimentação animal (SBCAL/COBEA).

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Janaína Baptista Alves

3.3 Purificação da BTHX-1

A BTHX-1 foi purificada do veneno total de Bothrops jararacussu, através de

uma cromatografia de troca iônica, mais especificamente, de troca catiônica.

Para tanto, 60 mg do veneno total de Bothrops jararacussu cristalizado (Instituto

Butantan) foi diluído em tampão fosfato de sódio 25 mM, pH 7,8 e centrifugado a

3000 g em uma micro centrífuga (Eppendorf®), por três minutos. O sobrenadante foi

filtrado em uma membrana com poro de 0,22 m e injetado em uma coluna de troca

catiônica Resource-S de 1 mL, conectada a um sistema FPLC (Pharmacia®),

previamente equilibrada com tampão fosfato de sódio 25 mM, pH 7,8 (tampão A). O

tampão B era constituído de fosfato de sódio 25 mM/NaCl 2M, pH 7,8. Após a

injeção, a coluna foi lavada com 10 mL de tampão B 7,5%, com um fluxo de 2,5

mL/minuto para eluição da fração não adsorvida à matriz. Em seguida, iniciou-se um

gradiente linear (1%/mL) do tampão B, por 25 mL. Então, a coluna foi regenerada

com 10 mL de tampão B, seguidos de 10 mL de A. A absorbância do eluato foi

monitorada em 280 nm (SPENCER et al, 1998).

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Janaína Baptista Alves

3.4 Cálculos das concentrações dos scavengers

Para os referidos cálculos, levou-se em consideração que a concentração

relativa entre os produtos formados (na radiólise da água) e os scavengers é igual a

1 (um), isto é, para cada molécula de radical livre formada, haverá uma molécula de

scavenger atuando no meio.

Da seguinte maneira:

De Gy para ev:

1 Gy ― 6,6 x 1015 ev

2000 Gy ― 1,32 x 1019 ev

100 ev ― 2,7 e- aq

1,32 x 1019 ev ― 3,56 x 1017 e- aq

100 ev ― 3,2 OH•

1,32 x 1019 ev ― 4,22 x 1017 OH•

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Janaína Baptista Alves

Irradiação de 2kGy:

1 mol – 6,02 x 1023 moléculas

X mol – 3,56 x 1017 e-aq. ; portanto, a concentração do scavenger para elétron aquoso

é de 0,60 M.

1 mol – 6,02 x 1023 moléculas

X mol – 4,22 x 1017 OH; portanto, a concentração do scavenger para radical hidroxila

é de 0,70 M.

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Janaína Baptista Alves

3.5 Irradiação das Proteínas

A bothropstoxina-1 (BTHX-1) (2mg/mL) em solução salina, na presença ou

não de substâncias scavengers, foi submetida à ação de raios gama de uma fonte de

60Co (GammaCell®, Atomic Agency of Canada Ltd) a uma dose de 2000 Gy, com

taxa de dose de 3,51 kGy/hora. Todo o processo de irradiação foi desenvolvido sem

a utilização de atenuador, de forma homogênea, na presença de oxigênio, e uma

amostra controle foi mantida fora do irradiador durante todo o tempo de tratamento.

3.6 Eletroforese (SDS-PAGE)

Trata-se de um procedimento no qual macromoléculas são separadas, de

acordo com sua carga ou tamanho, pela migração diferencial através de uma matriz

de gel sob a influência de um campo elétrico. A eletroforese de proteínas é

normalmente realizada em géis de agarose ou poliacrilamida com tamanho de poros

característicos.

Amostras contendo 40g das proteínas, na forma nativa ou irradiada, foram

diluídas em tampão de amostra, com -mercaptoetanol, e aquecidas a 95oC por 5

minutos. Em seguida, as amostras foram aplicadas em um gel de poliacrilamida a

15%, seguindo o protocolo descrito por LAEMMLI (1970). Também foram aplicados

padrões de peso molecular conhecidos e a voltagem foi fixada em 90 v. Terminada a

eletroforese, o gel foi corado com Coomassie blue 250-R.

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Janaína Baptista Alves

3.7 Produção de anticorpos específicos contra a BTHX-1 nativa ou irradiada

Anticorpos antiproteínas, específicos, foram obtidos pela imunização de

camundongos (BALB/c, B10.PL e Knockout- IFN--/-) com amostras de BTHX-1, nativa

ou irradiada, com ou sem substâncias scavengers, seguindo o método clássico de

imunização preconizado por HARLOW & LANE (1988) com ligeiras modificações.

Foram utilizados de 5 a 7 animais por grupo.

Durante todo o processo os camundongos foram inoculados, via subcutânea,

no dorso, com soluções de 20µg/mL (4 µg/animal) de cada amostra de proteína,

diluída em solução salina 0,9%. Passados 15 dias do primeiro inóculo, procedeu-se a

coleta de sangue dos animais através do plexo retro-orbital, com o objetivo de

pesquisar anticorpos específicos no plasma. Após a 1ª coleta de sangue realizou-se

o 2º inóculo e, após 7 dias do mesmo, procedeu-se nova coleta. Seguiu-se o mesmo

intervalo de tempo para a coleta após o 3º inóculo.

O sangue dos animais foi colhido em tubos cônicos Eppendorf® de 1,5 mL,

contendo 5µL de heparina (Liquemine - ROCHE®), para evitar a coagulação. O

plasma foi separado dos elementos figurados do sangue por centrifugação

(Eppendorf® Centrifugue 5810 R) (500 g, 10 minutos), imediatamente aliquotado e

estocado (freezer -80oC).

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Janaína Baptista Alves

3.8 ELISA (Enzyme Linked Immuno Sorbent Assay)

O plasma, obtido dos animais imunizados com a BTHX-1, na forma nativa ou

irradiada, na presença ou não de substâncias scavengers, foi submetido ao ensaio

de ELISA a fim de pesquisar-se a presença de anticorpos decorrente do processo de

imunização e a reatividade das proteínas, na forma nativa, com os mesmos.

Para

tanto, o ELISA foi feito em micro placas, às quais era adsorvida a proteína purificada

(1,0µg/poço/100µl), em tampão carbonato/bicarbonato pH 9,6, overnight a 4oC. Após

sucessivas lavagens com PBS contendo 0,5% de Tween 20, eventuais sítios de

ligação foram bloqueados com solução de bloqueio (PBST + Leite-3g/100mL) por 1

hora, à 37°C. Após novas lavagens, o plasma foi diluído, adicionado às placas e

incubado por 1 hora, a 37°C. Seguindo a fase de lavagem acima descrita, os

conjugados de peroxidase com IgG total, IGg1 e IGg2b de camundongo, diluídos a

1/10000 em solução de bloqueio, foram adicionados nos poços predeterminados e

incubados por 1 hora, à 37°C. As últimas lavagens foram seguidas pela adição de

cromógeno OPD (o-fenil-n-diamine), 0,5mg/mL de tampão citrato de sódio/ácido

cítrico (0,05 M e pH 5,0), contendo 10µL de H2O2 à 30%, adicionado no momento do

uso. A reação foi interrompida pela adição de 50µL de ácido cítrico 0,2M por poço e a

absorvância, a 450nm, foi determinada em leitor de micro placas. Os resultados

foram expressos arbitrariamente em Índice de Reatividade (IR).

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Janaína Baptista Alves

3.8.1 Índice de Reatividade (IR)

O cálculo do Índice de Reatividade foi realizado através da razão entre a

média dos valores de absorvância obtidos para as amostras dos animais imunizados,

pela média dos valores de absorvância das amostras do grupo controle (não

imunizado).

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Janaína Baptista Alves

3.9 Cultivo de Células Esplênicas

Realizou-se o cultivo de células esplênicas a fim de obter-se o RNA dos

esplenócitos de camundongos imunizados com a BTHX-1 nativa ou irradiada.

O conteúdo do baço, retirado de camundongos BALB/c, B10.PL e knockout-

INF-/- (2 a 3 animais por grupo) de forma estéril, foi lavado e homogeneizado com

meio de cultura RPMI 1640 com 10% de SFB (soro fetal bovino) suplementado com

antibióticos e transferido para tubos cônicos (Falcon®) de 15 mL. Em seguida, esses

tubos foram submetidos à centrifugação, em centrífuga CELM LS-3 plus, a 840 g, por

15 minutos. Posteriormente, trabalhando em fluxo laminar, o sobrenadante foi

descartado, o pellet foi homogeneizado com 5 mL de solução de lise [cloreto de

amônio 0,16M/Tris (hidroximetil) aminometane 0,17M] para romper as hemácias e

novamente submetido à centrifugação. Após a mesma, o sobrenadante foi

descartado e o pellet, onde estavam os esplenócitos, foi homogeneizado com meio

de cultura. Então, essa solução foi diluída para uma concentração de 1/1000 e