Revanche por Carlos da Terra - Versão HTML

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Carlos da Terra Revanche

© 2011 de Carlos da Terra

Foto da capa: Photopront

Terra, Carlos da

Revanche/Carlos da Terra - São Paulo

1- literatura Contos Romances

conto policial, ficção,

É PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida, copiada, transcrita ou mesmo

transmitida por meios eletrônicos ou gravações sem a permissão, por escrito, do autor. Os

infratores serão punidos pela Lei nº 9.610/98

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Carlos da Terra Revanche Este é um romance fictício e seus

personagens são igualmente construídos

pelo autor.

Qualquer semelhança com fatos

verdadeiramente ocorridos ou pessoas

terá sido mera coincidência.

o autor

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Carlos da Terra Revanche Revanche

E era mesmo uma linda festa, como havia dito Jaqueline.

Uma empresa internacional estava se estabelecendo em São Paulo e

Jaqueline havia passado no teste para trabalhar como relações públicas.

Mariana, que não fora convidada mas era vizinha de

Jaqueline, arrumou o seu melhor vestido para acompanhá-la. Não que ela

fosse sempre bem vestida assim, em festas; isso não. É que ela foi informada

que Daniel estaria lá.

Nas portas monumentais do magnífico salão, homens em

ternos de gala, aguardavam a chegada dos convidados e enquanto uns

recolhiam os seus carros ao estacionamento, outros os conduziam até uma

moça, bonita e elegantemente trajada, que após um sorriso formal os levava a

uma mesa previamente reservada.

Lá os convidados deixavam suas bolsas penduradas no

encosto das cadeiras e procuravam amigos, ou saiam para dançar sob o som

de afinadíssima orquestra que tocava Wagner primeiro e depois boleros ou

canções populares suaves, românticas.

Mariana assim fez! Colocou sua bolsa e saiu andando a

esmo pelo salão; não procurava amigos, mas sim por determinada pessoa: o

Daniel!

Ansiosa ela olhava para todos que entravam pela

magnífica porta do clube Holmes, que era frequentado apenas pelas estirpes

nobres a qual ela, Mariana Gonçalves, almejava, ardentemente, pertencer.

Atenta ela fixava o olhar nas pilastras gigantescas do clube; Daniel poderia

entrar por essa porta a qualquer momento.

As escadarias, todas em mármore italiano, do clube

Holmes lembravam-lhe o percurso social que ela gostaria de fazer... ela

sonhava em subir, por caminhos tão luxuosos como esse.

Daniel era, a seu ver, mais ou menos como aquela

escada que a levaria a esse patamar da sociedade. Para muitos, esta atitude

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Carlos da Terra Revanche seria considerada desonesta mas, não para ela que, sendo baixinha, com um

metro e sessenta de altura, um rosto apenas comum e um corpo igualmente

sem atrativos, não vislumbrava essa possibilidade, pelos caminhos éticos.

Observava Mariana, que as mulheres do salão eram

bonitas e bem vestidas e tinham perfumes e joias caras, como, julgava, era o

direito inalienável de qualquer mulher. Por que não o dela? - se perguntava -

Era ali mesmo, naquela festa, que estaria marcado, para

Mariana, o fim de sua solidão, de suas carências sociais e materiais e das

constantes brigas com sua mãe, que nessa hora lhe dirigia pesados termos

para definir sua solidão. A mãe dizia que ninguém a queria, porque ela,

efetivamente, não era uma boa menina. Pior que isso, dizia também que estava

sozinha ainda porque suas qualidades morais eram indignas de uma esposa e

mãe.

E sua mãe, frequentemente arrematava com um chavão,

já decorado e que lhe provocava arrepios:

- E tanto sacrifício eu fiz para criar sozinha essa menina,

depois que o malandro do seu pai me abandonou por outra mulher! Não podia

dar outra coisa, mesmo! – sentenciava -

E essa menina já estava com vinte anos de idade e até

agora nenhum namorado a aceitou seriamente. Todos queriam apenas flertar.

Saia com homens que prometiam telefonar, mas no dia seguinte,quando ela

esperava ardentemente, o desejado telefonema não vinha.

E o Daniel, que ela já havia visto nas proximidades de

seu trabalho, sempre com carros e roupas bonitas, era bem o tipo de homem

que ela buscava.

Repentinamente deparou-se com uma roda de

convidados e viu Daniel; sim, ali estava o seu objetivo, bem à sua frente!

Procurou um ângulo onde ela pudesse ser vista

facilmente e abriu-se toda, em sorrisos para Daniel, que falava muito alto

destacando-se no grupo de amigos, segurando uma taça na mão.

Conversavam alegremente sobre política e viagens.

- Ah! Quantas viagens ele deveria fazer... –divagou -

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Carlos da Terra Revanche Houve um lapso de tempo relativamente grande para que

Daniel notasse sua presença ao lado do grupo; a conversa com os amigos

parecia mais interessante.

Finalmente Daniel notou aquela moça que o olhava e

procurou dissuadir mas, poderia ser – pensou Daniel - aquela mulher que

sorria, alguma amiga ou namorada de algum parente ou amigo ali presente;

Ignorá-la poderia não ser polido;

Daniel, sorridente, cumprimentou-a sem qualquer outro

interesse senão o do verniz que era esbanjado no salão.

Mas, se a etiqueta seria apenas formalidade para ele, foi

suficiente para que Mariana vibrasse e chegasse bem perto de seu alvo

disparando frases de efeito, falando como uma matraca, impedindo – o de

voltar à conversa com os amigos.

Após uma breve conversa Daniel se apresentou...

- Eu me chamo Daniel! Posso saber o nome da elegante

dama? – e curvou-se reverenciando-a!

- Mariana - ela respondeu, sorrindo e faceira – levando a

sério o galanteio tão formal nessas situações e envaideceu-se ressaltando o

“elegante dama”!

Ao pronunciar seu nome. Daniel lembrou-se e virou

rapidamente a cabeça em direção à uma outra Mariana, muito graciosa, de

corpo esbelto e que conversava alegremente em meio à outra roda de amigos

a uma distância de dois ou três metros, vestida elegantemente, combinando

magistralmente os tons de preto e vermelho.

Essa jovem chamava-se Mariana Pera, por quem Daniel

nutria grande afeto e esperava uma oportunidade para tê-la mais do que como

amiga; queria-a como namorada. Eles já haviam conversado em outras

ocasiões, mas nunca ele a viu tão disposta, bela e receptiva como naquele

momento. Percebeu com clareza sua boa vontade para conversar, quando

retribuía sempre sua cortesia, com gestos e palavras meigas.

Seus olhares se cruzaram e as pupilas dilatadas

disseram mais do que as palavras poderiam exprimir. Havia mesmo, grande

empatia no casal, e ali se prenunciava um grande romance.

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Carlos da Terra Revanche Mariana, a que estava conversando, observou a troca de

olhares e sorrisos e ficou visivelmente perturbada.

A afeição de Daniel não se dava apenas pela beleza

exterior de Mariana; ele sabia da extraordinária força de vontade para lutar, que

ela dispunha. E pensava...

-Tão bela essa mulher, cuida-se bem e ainda arranja

tempo para estudar o curso de Direito... tão puxado!

Daniel estava prestes a se formar advogado.

Escolheu essa carreira por ser a mesma de seu pai; um

digno advogado, que desde a sua meninice despertava-lhe admiração. Vibrava

ao ver seu pai em ação nos tribunais da federação defendendo pessoas,

sempre que ele as julgasse boas e honestas mas, vítimas dos possíveis

enganos pelo poder judiciário.

Ele sabia, porque era estudante, que o advogado pode,

eticamente, defender qualquer pessoa que o escolha, mas orgulhava-se que

seu pai trabalhava apenas para os verdadeiramente bons.

Não havendo nada perfeito, Daniel pensava que os

enganos fatalmente ocorrem e qualquer pessoa pode ser vítima deles; e era

para isso mesmo, - concluía - , que o seu curso de Direito o preparava sendo

também a razão pura e simples da existência dos inúmeros tribunais

espalhados por toda a cidade.

Para ele, quem gostava de ver tudo certo, deveria

estudar Direito.

Os enganos acontecem mesmo, vê-se; mas outras vezes

não são propriamente enganos; são, isso sim, verdadeiras armadilhas terríveis

e aniquiladoras que são montadas, por diversos motivos, para destruir

socialmente uma pessoa. E nesse caso, o advogado tem proeminência para

fazer a justiça prevalecer.

- Puxa! E Mariana Pera também gostava de advocacia...

que bom! Poderíamos vazar a noite dialogando... – pensava -

Divagava quando se deu conta de que quem estava ali,

falando com ele, bem pertinho, não era a Mariana Pera e sim a Mariana

Gonçalves, de quem ele muito pouco sabia.

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Carlos da Terra Revanche Sorrindo, Daniel comentou a coincidência, apontando e

dizendo que aquela linda mulher também se chamava Mariana; seguiu-se uma

carranca expressão de desagrado e, enfática, Mariana Gonçalves determinou:

- Chame-me apenas Mári... gosto mais!

E por toda a suntuosa festa, Mári pedia licença, saia um

pouco daquela roda de amigos e logo depois retornava sorrindo e com uma

taça na mão, oferecendo, por diversas vezes a Daniel, que continuava se

mostrando polido e formal.

Mári não! Apelou para toda a informalidade possível e

intensificou o assédio, sendo notada por outras mulheres que a olhavam com

um ar de desprezo.

E como diz um ditado popular “água mole em pedra dura,

tanto bate até que fura”, em certo momento Daniel começou a se interessar por

Mári, ainda que de maneira superficial, procurando apenas distrair-se naquela

hora.

Queiram ou não aqueles que se postam como os

baluartes do moralismo, a verdade é que para a consecução do ato sexual

puramente, e aos olhos de pessoas do sexo masculino – principalmente

quando instigados por uma mulher ou mesmo fotografias – não existe mulher

sem nenhum atrativo.

Dito de outra maneira é incompreensível, para as

mulheres, que os homens as queiram por razões tão superficiais, banais.

Pensam sempre que há, em qualquer aproximação, alguma intenção do

homem, de casamento ou pelo menos, de um namoro mais duradouro.

Assim, Mári julgou ter conseguido inteiramente o seu

intento e saiu da festa no carro de Daniel, passeando e conversando pela

cidade, terminando a noite em um motel luxuoso.

A intensa volúpia motivou mais ainda Mári, que dias

depois, quando o prometido telefonema não vinha, como em tantas vezes

similares, ligava para Daniel e insistia convidando-o a sair; Também como

quase todos os homens na mesma situação, ele relutava; mas também, do

mesmo modo, acabava cedendo.

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Carlos da Terra Revanche E assim, depois de vários passeios e idas ao motel, Mári,

que nunca tomou qualquer precaução para evitar filhos e, pelo contrário, até

favorecia, acabou, deliberadamente engravidando.

Continuou passeando com Daniel, mas sem lhe revelar

seu estado gravídico. Receava uma muito provável rejeição e mais que isso,

receava que Daniel lhe sugerisse um aborto. Quando já não era mais possível

esconder a barriga, sem qualquer justificativa ausentou-se, para que a criança

nascesse sem qualquer impedimento.

Por isso, durante toda a gravidez, como não foi chamado,

Daniel não foi visitá-la ou sequer conversar e supôs ter havido, por parte de

Mári, o esquecimento ou o natural enfraquecimento da paixão.

O embaraço resultou no nascimento de Eliana.

Mas depois da concepção, ela mesma – Mári - voltou à

carga e telefonou, dando-lhe a notícia de modo frio e repentino, deixando- o

constrangido, impactado, confuso.

- Daniel... tenho uma surpresa pra você!! Querido, tive

um bebê e você é que é o pai!

Diante do silêncio do outro lado da linha, ela prosseguiu:

- Sua filha é uma linda menina e nós, aqui, demos-lhe o

nome de Eliana. Espero que goste...

“Demos-lhe o nome de Eliana” – repercutia em sua

cabeça!

Assim foi a apresentação de Eliana.

Escolher o nome de um filho é uma atividade

empolgante. Não há pai que não se interesse por isso e, como não poderia se

esperar outra coisa, Daniel se sentiu marginalizado, excluído.

Ser pai é o sonho de muitos homens que se preparam

para isso, construindo imagens e propósitos. Quando esses ideais são

frustrados, tudo fica sem sentido e parece irreal.

Imediatamente veio a reação de Daniel, negando-se a

ser o pai da criança; argumentou que seu sonho de ser pai, passava pela

escolha da mãe e da hora adequada para o nascimento. Não podia ser assim,

“acidental”, sem qualquer preparação e dedicação à tão sublime ato.

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Carlos da Terra Revanche Nesse momento lhe veio a imagem de Mariana Pera.

Aquela que ele escolheria para ser mãe de seus filhos.

Mas Mári nem se incomodou com os sentimentos

expressados e vibrou com tudo. Mais do que tudo, para ela, essa era uma

vitória; agora teria o Daniel em suas mãos, como seu marido e, tudo estaria

resolvido! Fim das brigas com sua mãe e fim das dificuldades econômicas que

tanto a preocupavam, fim da solidão; Finalmente ela conseguiu... ia

desencalhar, como se diz por aí!

Mas, o surpreso pai sequer suportou a sugestão de

casar-se com ela, sendo tomado de um profundo sentimento de desprezo ao

compreender a trama, quase que imediatamente.

Mesmo diante dessa situação, - especialmente

constrangedora - foi visitar a menina sendo logo cativado por seu sorriso e

gestos graciosos. Tendo a menina os seus traços fisionômicos, Daniel se viu

tomado de surpreendente júbilo e ao mesmo tempo, de atribulação de seu

espírito.

É que a semelhança não foi suficiente para fazê-lo crer

na sinceridade de Mári, e pediu que fossem feitos exames médicos para

atestar a paternidade.

O DNA confirmou a afirmação de Mári. Era mesmo

verdade.

Os sentimentos de Daniel se misturaram à mais um. Já

surpreso, também irritado e também feliz, agora juntava-se o medo.

Reagiu deflagrando uma fuga e sofrendo intensamente

pelos sentimentos contraditórios que lhe explodiam no peito.

Como homem, também pela formação profissional –

advogado que era – sabia ser sua obrigação assumir a paternidade, mas

enquanto a lei tem força para submeter e controlar as atitudes humanas,

efetivamente não consegue fazer o mesmo com os sentimentos. E assim,

Daniel ficou passivo diante do fato com o sentimento embotado e o desprezo

pelas atitudes de Mári.

Mári, por sua vez, levou o caso à justiça, requerendo

uma pensão alimentícia; não por precisar tanto dela para seu sustendo ou para

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Carlos da Terra Revanche o de Eliana. Usou-a apenas como nova e poderosa forma de pressão para

obter o casamento.

O casamento não ocorreu mas a Daniel foi determinado

suprir os proventos requeridos por ela.

Mesmo ganhando a causa, Um sentimento de profunda

humilhação e recusa, explodiu na alma de Mári.

Humilhou-a quando não aceitou casar e agora o fazia

mais ainda pela passividade como aceitou o pagamento. Ele parecia, até,

depois de tudo, estar vivendo uma certa felicidade; Enquanto ela mesma sofria

nova humilhação, quando sua mãe, em casa, descarregava todo o vocabulário

pejorativo que podia, em cima das suas fraquezas e desilusões, não lhe

restando outra alternativa senão entrar no quarto e esmurrar o colchão.

E todas as vezes que ela olhava para a criança, via

estampado o rosto de Daniel, naquela menina graciosa que já nos primeiros

movimentos, mostrava inteligência e graça. Roía suas unhas quando lembrava-

se de tudo o que fez e no fracasso resultante.

Por diversas vezes, ela continuou tentando a

aproximação com Daniel.

Essa tentativa de Mári sempre envolvia o bebê e assim, a

afeição entre Daniel e Eliana foi se fortalecendo.

Nos fins de semana e feriados, por determinação judicial,

Mári deixava a menina com Daniel e aproveitava para sair comparecendo aos

bailes na tentativa de arranjar um namorado.

Frequentemente fracassava; e ao chegar em casa,

algumas vezes de madrugada, sua mãe ainda estava acordada e se dava início

à amarga ladainha...

- Você não tem jeito mesmo! Veja se isto é hora de uma

mulher direita chegar em casa? E você tem sua filha para cuidar... não liga para

a própria filha?

Humilhada e revoltada, ela se recolhia ao quarto e e sua

fúria se voltava contra Daniel, iniciando um plano para puni-lo. Chorava e

acrescentava que, além de não ter conseguido seu casamento tão almejado,

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Carlos da Terra Revanche ainda acabou ficando com uma menina para cuidar, o que lhe dificultava ainda

mais, conseguir algum namorado sério.

Agora, além de gostar dela mesma, o namorado ainda

teria que gostar ou aceitar a Eliana. Ficou mais difícil – ela pensava - .

Culpou Daniel por este destino.

Seu rancor crescia dia a dia e recordando-se até com

saudades de quando sua vida era melhor, sem Eliana, quando ela não tinha

horários para respeitar. Mas se isso era incômodo, era também um grande

trunfo para ferir Daniel;

Apenas para isso – ferir Daniel - entrou com um novo

pedido de aumento do valor pecuniário da pensão alimentícia e novamente não

obteve o êxito pretendido; conseguiu apenas um aumento insignificante.

Nova humilhação, então, lhe foi imposta e o palavrório

pejorativo de sua mãe foi ganhando proporções ainda mais ofensivas:

- Você é mesmo uma puta! Teve essa menina e não teve

capacidade para pegar seu homem! E ainda por cima, vai para os bailes e

larga a menina comigo. Eu não sou a mãe dela, sou a avó, viu?

- Aquilo um dia teria um final... Eles não sabem com

quem estão brincando! – pensava Mári – cerrando os punhos e roendo as

unhas.

Enquanto todo esse drama se desenrolava pelos lados

dela, o Daniel conseguia conquistar a Mariana Pera, e um grande amor ia

surgindo, naturalmente para agravar a ira de Mári. Eles iam se casar!

Ficou tão nervosa quando sua amiga Luciana lhe contou

sobre esse romance, que saiu sem dizer nada e foi para sua casa.

Mári imaginou que o destino tinha sido cruel para com ela

e não era justo que o homem que ela idealizou, Daniel, estivesse para se

casar com aquela mulher odiosa. – pensava -

E ela ficava mais irritada ainda quando se lembrava que

a escolhida por Daniel, tinha o mesmo nome que ela: Mariana!

Apesar de Mári usar a própria filha como empecilho para

Daniel, em muitos fins de semana, mesmo assim, ela não conseguiu impedir o

casamento.

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Carlos da Terra Revanche Casar-se com uma mulher bonita, amável, sincera e

ainda por cima com um nome igual ao dela, significou, para Mári, uma

verdadeira agressão.

Agredida, considerou ter sido uma nova e fortíssima

humilhação que seria anotada em seu caderninho, já repleto de juras de

vingança..

E o casamento de Daniel e Mariana Pera aconteceu e ia

correndo bem , tendo já uma filha que brincava nos finais de semana com

Eliana.

Quando, nasceu a segunda filha do casal, eles

consideraram que a casa estava ficando pequena e a Eliana manifestava

firmemente o propósito de mudar-se para a casa deles, sendo então três o

número de filhos. Queriam muito a Eliana com suas meio-irmãs.Tinham

posses de uma família da classe média.

As crianças cresceram e essa família, a despeito de

alguns problemas, se tornava dia a dia mais sólida.

Eliana nunca foi rejeitada por Daniel ou Mariana que a

recebiam para brincar com suas irmãs, praticamente todos os finais de

semana, quando Mári ia para os bailes.

A amizade de Eliana com as outras irmãs era muito forte

e o clima era de marcante harmonia. Novamente, a cada final de semana, ela

insistia que gostaria de morar com o pai.

E Daniel comprou um apartamento em um prédio novo e,

mobiliou-o com moveis novos e um quarto destinado à Eliana, que ansiava

pela privacidade. O sonho de Eliana, de morar com Daniel, Mariana e as irmãs

estava prestes a se realizar.

Percebendo o desagrado de Mári, sua mãe, com a

situação que se evidenciava, Eliana procurava dissuadir...

- Mamãe, eu vou morar lá, mas não precisa ficar triste

porque eu virei todos os fins de semana para ver você. Será como eu faço com

o papai agora – completava-.

Mári ouvia, fingia que gostava e sorria falsamente. No

seu peito alimentava o ódio, irritada, principalmente quando sua mãe atribulada

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Carlos da Terra Revanche pelas tarefas domésticas, dizia que nem a filha dela queria mais sua

companhia, como mãe, porque havia achado mais compreensão na casa de

Mariana madrasta.

Mais esse vexame se somou como derrota, por que

perderia até mesmo, a irrisória pensão alimentícia... restaria apenas solidão e

os maus tratos que sua própria mãe lhe impingia.

Daniel não poderia ser tão feliz, deixando-lhe um

sofrimento e um trabalho exaustivo – segundo ela – que a filha, lhe causava.. E

tudo por causa dele – ela arrematava sempre – . Ela não admitiria esse triunfo

do seu algoz.

O tempo foi passando e a menina Eliana estava agora

com 5 anos de idade e muito bonitinha.

Desde os primeiros meses, quando houve a primeira

decepção de Mári, ela já vinha alimentando um ódio mortal do casal.

O desempenho de Eliana, na escola, era bom e a

professora sempre a elogiava quando Daniel, espontaneamente aparecia para

conversar com a diretora sobre o rendimento da filha.

Quando ela via o pai passar pelos corredores, se enchia

de orgulho.

Chegava em casa e relatava para a mãe a gostosa visita,

não percebendo Eliana, a cólera que despertava em sua mãe.

Mári retomou seu antigo desejo de vingança e começou

então a imaginar o que poderia, definitivamente, acabar com Daniel e sua

família.

Um plano foi articulado para vingar aqueles longos anos

de solidão... todos os dias.

Ela se recolhia, em seu quarto, e passava noites em

claro, ensaiando a trama.

Os jornais traziam muitos casos de abusos de pedófilos e

alguns desses casos eram praticados pelos próprios pais. Embora fossem,

esses pais, geralmente, pessoas alcoolizadas ou drogadas, de caráter

duvidoso, o que não era o caso de Daniel, poderiam servir aos seus próprios

projetos, com algumas alterações.

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Carlos da Terra Revanche Essas notícias atraíam-lhe de modo especial. Não

deixava de comprar nenhuma revista ou jornal que estampasse esse tipo de

notícia.

- Ah! Como seria bom arranjar para o Daniel, um

processo desses. Acabaria com sua bonita família permitindo que ela

desmentisse seu desejo de conquistá-lo, alegando que já seria conhecedora de

sua personalidade psicopata Ao mesmo tempo aplacaria a sanha de sua mãe

e aplicar-lhe-ia, simultaneamente, discreta, mas merecida punição.

Mas como fazer?

Para que esse plano desse certo, as coisas teriam que

acontecer dentro da casa de Daniel onde seu acesso não era livre porque

deixava Eliana na porta e imediatamente se retirava.

Além do mais, ela era mulher, não poderia executar a

trama engenhada. Precisava de um homem para isso.

Por muito tempo Mári esperou que qualquer coisa

parecida pudesse acontecer espontaneamente e sempre especulava com a

filha sobre a conduta do pai. Mas sempre verificava que a conduta era

irrepreensível. Seria mesmo necessário que ela providenciasse um ato

libidinoso, cruel, como aqueles dos jornais, tão frequentes.

Sim... seria, agora, necessário conseguir um homem

para executar o plano.

Esse homem entraria no apartamento e forçaria um ato

sexual. Uma violência contra Eliana, imperdoável sobre todos os pontos de

vista. Pedofilia é um crime odioso.

Não havendo outra pessoa do sexo masculino no

apartamento, fatalmente o bárbaro crime seria imputado ao pai, não causando

estranheza na sociedade devido à tantas notícias idênticas.

Assim, para Mári, todas as pessoas que a trataram com

escárnio, sentir-se-iam responsáveis pela tragédia.

Em um dos finais de semana em que ela foi levar Eliana

à casa do pai, viu trabalhando nos corredores, um pedreiro magro, de baixa

estatura, tez levemente amorenada, muito jovem, aparentando uns dezoito ou

vinte anos.

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Carlos da Terra Revanche Após um sorriso, em uma breve conversa , disparou a

lamentar-se dizendo que “tinha que trazer sua filha, todos os fins de semana

para o Daniel”, o que lhe causava enorme trabalho.

O pedreiro levantou-se e limpou suas mãos nas calças

enquanto ela completava:

- É ruim, mas o que resta de bom, é que, assim, eu fico

completamente livre para ir a um baile que gosto muito! – e sorriu -

A frase continha uma intenção de seduzir, mas passou

despercebida ao jovem pedreiro que não tinha o costume de conversar com

mulheres do nível sócio econômico de Mári.

Percebendo que não surtiu o efeito desejado, Mári foi

mais incisiva:

- Vou sempre a um baile aqui perto; é no salão do clube

dos bancários. Você conhece?

- Não, não conheço, mas gosto de bailes. – mentiu o

jovem-

O semblante de Mári iluminou-se em um sorriso... ia dar

certo!

Combinaram encontrar-se no clube dos bancários, e Mari

explicou com todos os detalhes, a localização do clube.

E lá no baile, enquanto o casal dançava podia-se

perceber a expressão de Mári, pelo costado do jovem pedreiro Rubens,

contrastando com o que ela dizia e com o seu dançar de rosto colado. Seus

olhos retratavam malícia enquanto ele, o pedreiro Rubens empolgava-se,

sobremaneira, com o início de um romance inusitado.

Mári simulou grande interesse por Rubens e

demonstrava felicidade ,extática por estar com ele, não aceitando, nenhuma

vez, dançar com qualquer outro par que lhe solicitasse.

Puxava, deliberadamente, assuntos referentes ao

trabalho dos pedreiros, em geral, executado nos grandes e altos edifícios.

Dançando e murmurando ao pé do ouvido de Rubens,

ela se mostrava especialmente interessada na extraordinária habilidade que

esses profissionais demonstram ao se movimentarem nos prédios em

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Carlos da Terra Revanche construção, andando e mudando de andar, utilizando apenas os parapeitos dos

prédios no lado exterior. Subiam, segundo ela, feito aranhas pelas paredes.

- Parece mágica, - ela enfatizava eufórica -,têm-se a

impressão de que à qualquer momento um daqueles homens vai despencar e

se estatelar mortalmente no chão. Magnificamente isso não acontece!

Rubens enchia o peito de orgulho e pouco falava, quando

ela completava...

- Certa vez – e isso era verdade, porque ela havia ficado,

não uma, mas muitas vezes – eu parei para olhar os pedreiros de um altíssimo

prédio em construção, jamais utilizando escadas ou elevadores, mas como

verdadeiros pássaros, desprovidos de asas, eles se elevavam para o andar

superior ou se deslocavam para os lados, corajosamente, portando ainda

baldes e objetos, mas que nem assim desgrudavam das vigas e janelas nas

quais se sustentavam. À uma mulher, como eu, essa mágica é totalmente

incompreensível. Tenho admiração especial por homens corajosos! – ela

concluía e examinava a reação

- Que coragem! Que capacidade! – repetia –

Havia momentos, durante a dança em que ela pensava

em desistir do plano macabro e, talvez, ficar com o Rubens, como namorado.

Mas, mesmo assim, isso não apagaria seu sofrimento e, ainda dançando,

quando lhe vinha à mente a figura de Daniel junto com Mariana, seu ciúme

exacerbava e sua ira vagava entre os rostos que ela imaginava estarem felizes

enquanto todas as amarguras lhe eram impostas.

Depois que o Rubens fizesse o que ela querida, seria

fácil convencer a filha que o pai, que ela tanto amava, era um homem sem

caráter, haja visto o que tinha feito.

A destruição daquela família que ela tanto invejava,

ocupava-lhe o pensamento, seguidamente, varando a madrugada fria.

Sua tentativa de dissuadir o afeto de Eliana pelo casal,

havia de todo fracassado. Embora ela tenha tentado muitas vezes, não

adiantava...

Vinha-lhe então ao espírito, com espanto, as imagens do

quarto já preparado para a menina lá na casa de Daniel, preparado com aquele

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Carlos da Terra Revanche carinho que, certamente, todos esperavam, deveria partido dela, enquanto

mãe. No entanto outra mulher lhe tomava o lugar; e o pior: uma mulher que lhe

tomava o lugar e tinha o mesmo nome que o seu. Uma ironia do destino.

O pensamento de Mári lhe prenunciava novas

humilhações...

Era preciso agir logo porque a mudança de lar de Eliana

estava prestes a acontecer. Era preciso rapidez porque se tudo continuasse

correndo como estava é certo que todos diriam que o casal Daniel amava a

Eliana mais que sua própria mãe e que então, ela não mereceu conquistar o

Daniel, e se Eliana preferiu a casa de Daniel, estaria comprovada a sua

incompetência como mãe e provavelmente como uma possível esposa.

A humilhação estaria completa.

A perspectiva clara e insofismável é que haveria um

agravamento de todas as chacotas e humilhações sofridas até agora, tornando

sua vida insuportável, mais do que já considerava ser.

Urgia impedir esse acontecimento e agir, colocando o

plano em prática, o quanto antes.

Também por Rubens, ela já nutria uma certa antipatia,

mas controlava-se, quando lhe vinha ao pensamento que um homem franzino,

baixo assim como ela mesma – mas era perdoável, por ser ela mulher-, rude e

com um passado desconhecido, pudesse ostentar o status de ser seu

namorado. Mári julgava-se digna de um namorado bonitão e rico, assim como

ela via o Daniel.

Rubens vagava de emprego em emprego e, nos fins de

semana, bebia com os amigos, deixando transparecer seu caráter instável,

quando discorria sobre algumas atividades ilegais, jactando-se ao dizer que

nada lhe apavorava, exceto o sobrenatural para o qual não via defesas. não

tinha, portanto, medo de enfrentar quem quer que fosse em sua vida cujo

passado foi repleto de acontecimentos perigosos.

Mári achou essa a melhor oportunidade para dar um

passo a mais, voltou ao assunto dos prédios e perguntou novamente,

demonstrando grande admiração:

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Carlos da Terra Revanche

- E você não tem mesmo, medo de altura? Sobe sem

medo pelas paredes de um prédio? Perguntou Mári, com os olhos arregalados

e um grande sorriso nos lábios.

- Não.. não tenho medo. Subo em qualquer prédio pelo

lado de fora! -Respondeu Rubens mais orgulhoso ainda, depois do interesse

demonstrado -

Mári ouvia atentamente, entre sorrisos; e o que parecia a

Rubens, ser um interesse apenas feminino, tão comum para os namorados, era

na verdade, a articulação do plano macabro de Mári.

Vislumbrava, com clareza que poderia usá-lo. Ele servia

como uma luva.

Em uma de suas idas ao prédio de Daniel, quando Eliana

já estava com 5 anos de idade, ela olhou atentamente para o edifício. Parou do

outro lado da rua e olhava de cima à baixo, como se apenas admirasse a bela

fachada.

Mas estava imaginando que Rubens poderia subir no

prédio ou pelo lado de fora, ou melhor ainda, caso estivesse em um

apartamento ao lado do de Daniel, ele poderia passar para o parapeito e entrar

no oitenta e um, onde iria praticar o ato libidinoso contra a menina. As

varandas entre os apartamentos eram separadas apenas por uma estreita viga

de concreto, vertical.

Teria que ser tapado os olhos da menina ou desacordá-la

de alguma forma, de modo que ela própria, ao acordar, não saberia quem lhe

teria lhe causado tal desgraça.

Rubens entraria quando eles não estivessem em casa, e

ficaria escondido no próprio quarto destinado a Eliana; Esperaria que ela

dormisse e cometeria o crime; ainda na penumbra, durante a noite,sairia em

surdina enquanto todos estivessem dormindo. Ficaria então escondido em um

apartamento ao lado – que se sabia estar vazio – e pela manhã, sairia

calmamente pela porta da frente, não despertando qualquer suspeita.

A cada dia o plano que à principio se mostrava absurdo,

ganhou contornos de realidade.

19

Carlos da Terra Revanche Mais do que possível, começou a parecer fácil. A sua

simplicidade, segundo ela, faria com que ninguém suspeitasse de nada.

Também não lhe seria imputada suspeita porque ela

ficaria sem a pensão que era irrisória, insignificante é verdade, mas não

deixaria de ser uma desvantagem.

Também era desconhecido de todos o seu afã de

arrumar um namorado. Ela jamais dizia isso à ninguém.

Apenas ela sabia ser Eliana, o principal empecilho para

conseguir esse objetivo.

- Quem iria querer uma mulher já com uma filha? –

tornava a pensar, Mári-.

A decisão era irrevogável...

Mári pôs mãos à obra:

Foram ao cinema diversas vezes, sempre em algum

lugar distante de sua casa, evitando que amigas pudessem vê-la na companhia

de Rubens, envergonhada que ficava pela simplicidade das vestimentas do

namorado.

Usava ela de todas as forças para incrementar,

sobremaneira, o falso romance.

Depois,quando Rubens já estava bastante envolvido,

quase que perdidamente apaixonado, começou ela, deliberadamente, a faltar

aos encontros românticos, previamente combinados.

Era um fato inusitado para Rubens. Ele comparecia,

ficava esperando por longo tempo, mas ela não vinha.

Sempre esperava por um tempo demasiadamente longo

e depois, ao concluir que ela não viria, retornava à sua casa, contrariado,

intrigado e irritado.

- Que teria, afinal, acontecido?

Telefonava para Mári, para ouvir dela que gostaria muito

ter comparecido ao encontro, mas não tinha sido possível por motivo de força

maior e que lhe explicaria a qualquer hora. Pedia-lhe compreensão.

Após a explicação um tanto vaga, Rubens foi levado a

pensar que ela poderia estar doente ou que sua mãe teria adoecido, uma vez

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Carlos da Terra Revanche que a idade se acentuava; porém, com as sucessivas repetições do

desencontro sua desconfiança aumentou juntamente com sua ira.

Após um desses encontros malogrados ele telefonou

para Mári, exigindo explicações, dizia ser esta uma situação insuportável, que

estaria levando-o a alimentar uma desconfiança causando-lhe um ciúme

doentio.

Fingindo grande preocupação Mári fez-lhe a desvalida

promessa de explicar tudo no próximo encontro.

E no encontro de Rubens, carregado de expectativas e

Mári, falsamente constrangida, iniciaram-se as explicações que eram parte

fundamental do plano...

- Rubens... eu gosto tanto de você, mas andei pensando

e acho que estou, sem querer, lhe prejudicando...

- O que? Por que diz isso? - Perguntou aflito –

- Eu não quero que você se envolva em meus problemas

particulares. Eu gosto tanto de você que não tenho nenhum empenho em lhe

causar preocupações. – e chorava lágrimas de crocodilo -

- Gosto de você, Mári, e faço questão de lhe ajudar, no

que eu puder. Diga-me o que a preocupa!

- Sabe... é difícil de falar... – titubeava em fingimento -

Fez um silêncio e disse, em tom lamurioso...

- Talvez fosse melhor nos separarmos... você não merece

que os meus problemas lhe causem aflição.

- Não ! – intercedeu energicamente Rubens – de maneira

nenhuma! Seus problemas também são meus.

- Não sei como lhe contar estas coisas. Está você,

totalmente seguro, de que não lhe causarei aborrecimento? – voltou a dizer -

- Quero saber, Mári, tudo o que se passa com você e

prometo que vou lhe ajudar... conte-me agora.

- Vou tentar, então... – pegou um lencinho, enxugou os

olhos e continuou -...

- É a minha filha Eliana!

- Está doente? Perguntou imediatamente Rubens.

21

Carlos da Terra Revanche

- Não...não é isso! É que é por causa dela que eu não

posso sair com você para namorarmos.

- Por que não pode? Tantas pessoas têm filhos e têm

namorado também. Você pode trazê-la para passear conosco sempre que

quiser. Será um prazer! Eu gosto de crianças!

- Não dá! Ela não aceita ninguém ao meu lado. Ela quer

unir-me ao Daniel, mas eu não quero porque não gosto mais dele. Gostava

antes, quando então namorávamos. Mas sabendo, depois, de seu mau caráter

afastei-me, para o bem de Eliana.

Quando Rubens demonstrou maior interesse pela

personalidade de Daniel, ela continuou...

- O pai dela é muito mau caráter. Depois do nascimento

de Eliana, ele quis casar-se comigo, mas não aceitei... não gosto dele – repetiu

-. É violento e dificilmente Eliana gostaria dele também, mas ele compra

brinquedos e roupas prometendo muitas outras coisas, só para convencê-la a

escolher morar lá. A verdadeira intenção dele é fazê-la virar-se contra mim,

vingando-se do desprezo que lhe dei. – disse –

- Filho da mãe – disse Rubens com raiva -.

- Pois é... e agora ele fica enchendo mais ainda a