Segurança do paciente em unidades de terapia intensiva: estresse, coping e burnout da equipe de... por Rafaela Andolhe - Versão HTML

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

ESCOLA DE ENFERMAGEM DA USP

RAFAELA ANDOLHE

SEGURANÇA DO PACIENTE EM

UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA:

ESTRESSE, COPING E BURNOUT DA EQUIPE DE ENFERMAGEM E

OCORRÊNCIA DE EVENTOS ADVERSOS E INCIDENTES

São Paulo – SP

2013

RAFAELA ANDOLHE

SEGURANÇA DO PACIENTE EM

UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA:

ESTRESSE, COPING E BURNOUT DA EQUIPE DE ENFERMAGEM E

OCORRÊNCIA DE EVENTOS ADVERSOS E INCIDENTES

Tese apresentada ao Programa de Pós-

Graduação em Enfermagem na Saúde do

Adulto da Escola de Enfermagem da

Universidade de São Paulo para a obtenção do

título de Doutor em Ciências

Área de concentração: Enfermagem na saúde

do Adulto

Orientadora: Profª Drª Katia Grillo Padilha

Co-orientadora: Profª Drª Ana Lúcia Siqueira

Costa

São Paulo – SP

2013

AUTORIZO A REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL

DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU

ELETRÔNICO, PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE

CITADA A FONTE.

Assinatura: _______________________________ Data: ____/____/______

Catalogação na Publicação (CIP)

Biblioteca “Wanda de Aguiar Horta”

Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo

Andolhe, Rafaela

Segurança do paciente em unidades de terapia intensiva:

estresse, coping e burnout da equipe de enfermagem e ocorrência de

eventos adversos e incidentes / Rafaela

Andolhe. -- São Paulo, 2013.

244 p.

Tese (Doutorado) – Escola de Enfermagem da Universidade de

São Paulo.

Orientadora: Profª Drª Kátia Grillo Padilha

Co-orientadora: Profª Drª Ana Lúcia Siqueira Costa

1. Pacientes – Segurança 2. Unidades de terapia intensiva

3. Estresse profissional 4. Carga de trabalho 5. Enfermagem

I. Título.

Nome: Rafaela Andolhe

Título: Segurança do paciente em Unidades de Terapia Intensiva: estresse,

coping e burnout da equipe de enfermagem e ocorrência de eventos

adversos e incidentes.

Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem na Saúde

do Adulto da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo como

requisito parcial para a obtenção do título de Doutor em Ciências.

Aprovada em: ___/___/_____

BANCA EXAMINADORA

Prof. Dr: ______________________ Instituição: _____________________

Julgamento: ___________________ Assinatura: _____________________

Prof. Dr: ______________________ Instituição: _____________________

Julgamento: ___________________ Assinatura: _____________________

Prof. Dr: ______________________ Instituição: _____________________

Julgamento: ___________________ Assinatura: _____________________

Prof. Dr: ______________________ Instituição: _____________________

Julgamento: ___________________ Assinatura: _____________________

Prof. Dr: ______________________ Instituição: _____________________

Julgamento: ___________________ Assinatura: _____________________

DEDICATÓRIA

Aos meus pais, Deomira e Manoel, pelo apoio e incentivo,

meu amor e reconhecimento. Souberam enfrentar comigo a

distância e a saudade. A vocês, dedico todas as minhas

conquistas e, da mesma forma, este trabalho. Amo vocês!

Ao meu irmão, Daniel, exemplo de dedicação ao que faz, a

cunhada Lidiane e sobrinha Valentina. Vocês me deram

inspiração para realizar este caminhar. Amo vocês!

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus, pela vida e oportunidades vividas.

A Profª Drª Katia Grillo Padilha, exemplo de docente,

profissional e pessoa, pelo privilégio de sua orientação. Seu

acolhimento, dedicação, competência, ensinamentos e carinho

foram imprescindíveis para minha formação profissional e

pessoal. Obrigada por ter acreditado comigo que esse trabalho

seria possível. Meu reconhecimento e gratidão.

A Profª Drª Ana Lúcia Siqueira Costa, pelo presente da

co-orientação deste trabalho, pela dedicação, compromisso,

competência, carinho e sensibilidade. O seu olhar foi fundamental

para concretizar este caminhar. Obrigada por tudo!

Às Professoras Drª Miako Kimura e Drª Regina

Cardoso de Souza, pelas brilhantes colocações e sugestões na

banca do Exame de Qualificação. Suas contribuições foram

fundamentais para o direcionamento deste trabalho.

A Profª Drª Estela Regina Ferraz Bianchi, pelo

acolhimento e recepção a cidade de São Paulo; pela

disponibilidade e valiosas contribuições a esse trabalho. Muito

obrigada!

Ao Meu Amor, Bruno, pelo companheirismo, apoio,

incentivo, compreensão e segurança. Obrigada por enfrentar

comigo a saudade, a distância e os desafios que essa trajetória

nos impôs. Tua presença em minha vida iluminou os meus dias e

tornou esse caminhar mais leve, colorido e feliz. Te amo, para

sempre!

A Profª Drª Maria Cecília Toffoletto, pela receptividade,

carinho e aprendizado vivenciado junto ao Programa de Pós-

Graduação em Enfermagem da Universidade Andrés Bello, Chile,

durante Estágio de Curta Duração. Suas contribuições para

melhorar este trabalho foram muito importantes. Meu

reconhecimento e carinho.

Ao Prof Dr Ricardo Luis Barbosa, pela análise estatística,

sugestões e aprendizado. As várias discussões sobre o método e

execução desta pesquisa foram decisivas para que ela se

concretizasse. Obrigada.

Às gurias do Laboratório de Enfermagem, em especial, a

Simone Nunes e a Eliane Vitoreli Parreira, pela amizade,

carinho, companheirismo e por me fazerem sentir em família.

Aprendi muito com vocês! Levo-as no coração.

Às amigas e colegas Karla Albuquerque, Daiana

Bonfim, Patrícia Tavares e Graziele Menzani, pela amizade,

companheirismo e cafés-extra-fracos-com-adição-de-água. Vocês

tornaram esse caminhar mais leve. Levo vocês no coração.

Às colegas de apartamento, especialmente a Jaqueline,

por receber uma quase desconhecida em sua casa; e a Caroline,

pela convivência durante quase quatro anos, em São Paulo. Meu

agradecimento pela amizade e troca de sotaques.

A minha querida amiga Gisela Flores, pela amizade,

incentivo e apoio. Tua presença, ainda que de longe, foi

fundamental para esse caminhar. Minha admiração e

agradecimento.

Às Professoras do Departamento de Enfermagem

Médico-Cirúrgica, em especial, a Profª Drª Aparecida de

Cássia Giane Peniche e Profª Drª Sílvia Regina Secoli, pelo

convívio e aprendizado.

A Secretaria de Pós-Graduação, em especial, a Silvana,

pelas informações, disponibilidade e acolhimento.

A EEUSP, pela receptividade, acolhimento e aprendizado.

As vivencias que tive nesse centro de excelência do saber foram

únicas e de importância imensurável.

Às colegas do Grupo de Pesquisa em UTI, especialmente, a

Elaine Machado, Maria Nilda Barreto e Adriana Ducci, pela

convivência,

partilhar

de

inquietações,

experiências

e

responsabilidades para a execução deste trabalho; e aos

colaboradores da tecnologia da informação, especialmente a

Kelsy. Meu reconhecimento.

Aos monitores que auxiliaram na coleta, processamento e

análise de dados. Meu agradecimento.

Aos enfermeiros da UTI e Semi-Intensiva do Hospital

Universitário da Universidade de São Paulo e das UTI do

Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de

Medicina da Universidade de São Paulo.

Aos colegas da Universidade Federal do Pampa,

especialmente a Neila Santini, pela receptividade, apoio e

amizade.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal

(CAPES), pela bolsa de estudos.

A Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo

(FAPESP), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico

e Tecnológico (CNPq) e Fundación Maphre pelo financiamento

desta investigação.

A todos aqueles que, de algum modo, contribuíram para a

realização deste trabalho. Minha profunda gratidão.

“Hoje me sinto mais forte,

Mais feliz, quem sabe

Só levo a certeza

De que muito pouco sei,

Ou nada sei”.

Almir Sater

Andolhe R. Segurança do paciente em Unidades de Terapia Intensiva: estresse, coping

e burnout da equipe de enfermagem e ocorrência de eventos adversos e incidentes

[tese]. São Paulo (SP): Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo; 2013.

RESUMO

Objetivo: Este estudo objetivou analisar a associação entre características biossociais e

clínicas dos pacientes, carga de trabalho de enfermagem, nível de estresse, coping e

burnout da equipe de enfermagem e a ocorrência de Eventos Adversos/Incidentes

(EA/I) em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Método: Trata-se de investigação

observacional, analítica, transversal, realizada em diferentes UTI, no mês de outubro de

2012. Utilizaram-se informações extraídas dos prontuários dos pacientes para coleta de

EA/I. Para a carga de enfermagem, utilizou-se o Nursing Activities Score (NAS). A

obtenção das informações da equipe de enfermagem ocorreu pela utilização de: Escala

de Estresse no Trabalho (EET), Lista de Sinais e Sintomas de Stress (LSS), Escala de

Coping Ocupacional (ECO) e Inventário Maslach de Burnout (IMB). No tratamento

estatístico utilizaram-se: Teste Qui-quadrado para associação entre estresse, coping,

burnout e variáveis biossociais e do trabalho da equipe de enfermagem para as

variáveis qualitativas, Análise de Variância e Teste de Tukey para as quantitativas e

regressão logística para identificação dos fatores associados a elas. Utilizou-se a

Correlação de Pearson para análise entre variáveis biossociais e clínicas dos pacientes,

NAS, estresse, coping, burnout e EA/I. Resultados: Participaram do estudo 111

pacientes, a maior parte eram homens (54,10%), com idade média de 51 anos,

procedentes da enfermaria (87,40%), sobreviveram à internação (97,30%), com escore

de gravidade de 27,05 e probabilidade de morte de 12,00%. Os 111 pacientes sofreram

1.055 ocorrências durante a internação, 64,83% foram incidentes e 35,17% foram

eventos adversos, que envolveram 46,85% e 53,15% pacientes, respectivamente. As

principais ocorrências relacionaram-se a: procedimento/processo clínico (48,53%),

falhas com documentação (28,06%), administração de medicamentos ou relacionados a

fluídos endovenosos (8,63%) e acidentes com paciente (6,26%). A variável EA/I

correlacionou-se com gravidade (p=0,00 e r=0,27) e probabilidade de morte (p=0,00 e

r=0,27) e o tempo de internação (p=0,00 e r=0,41). Referente à equipe de enfermagem,

participaram do estudo 287 sujeitos, sendo 34,84% enfermeiros, 12,89% técnicos e

52,27%, auxiliares de enfermagem. Tratavam-se, de mulheres (83,97%), com

companheiro (50,53%) e filhos (63,07%). 74,47% dos sujeitos estavam com médio

nível de estresse verificados pela EET e 46,13% dos profissionais apresentou médio

nível de estresse verificado pela LSS. O percentual de pessoas com burnout foi de

12,54%. As variáveis relacionadas às características do trabalho tiveram associação

com o estresse. A equipe de enfermagem utilizou, predominantemente, o coping

controle (79,93%). Houve associação estatisticamente significante entre presença de

burnout e avaliação da efetividade das horas de sono dormidas (p=0,03) e intenção de

deixar a instituição (p=0,04). A maior média de ocorrências de EA/I foi nas unidades

com maior NAS, estresse ou burnout. Houve correlação positiva alta e estatisticamente

significativa entre EA/I e tempo de internação (r=0,78 e p=0,02). Não houve correlação

estatisticamente significativa entre EA/I, gravidade, NAS, estresse (EET), sinais e

sintomas de estresse (LSS) e burnout. Conclusões: Apesar da hipótese deste estudo ter

sido refutada, essa pesquisa avança pela elucidação de variáveis relacionadas ao

estresse no trabalho, ao coping ocupacional e ao burnout e indica direções sobre a

ligação dos EA/I, carga de trabalho de enfermagem, estresse e burnout.

Palavras-chaves: Enfermagem. Segurança do paciente. Unidades de Terapia Intensiva.

Estresse Ocupacional. Esgotamento Profissional.

Andolhe R. Patient safety in intensive care units: stress, coping and burnout of nursing

staff and the occurrence of adverse events and incidents [thesis]. São Paulo (SP):

School of Nursing, University of São Paulo, in 2013.

ABSTRACT

Objective: This study aimed to examine the association between biosocial and clinical

characteristics of patients, nursing workload, level of stress, coping and burnout of

nursing staff, with the occurrence of Adverse Events/Incidents (AE/I) in Adult

Intensive Care Units. Method: Observational analytic cross-sectional study, performed

in different ICU during the month of October, 2012. Data of patients was collected

from medical records; to measure the workload of nursing, it was used the Nursing

Activities Score (NAS); to collect data regarding the nursing staff it were used the

following instruments: Stress Scale at Work (SSW), List of Signs and Symptoms of

Stress (LSS), Occupational Coping Scale (OCS) and the Maslach Burnout Inventory

(MBI). The statistical treatment used were: chi-square test for association between

stress, coping, burnout and biosocial and work variables from the nursing staff for

qualitative variables; analysis of variance and Tukey's test for quantitative variables;

logistic regression to identify the associated factors. It was used the Pearson correlation

test for analysis of biosocial and clinical variables, NAS, stress, coping, burnout and

AE/I. Results: The study included 111 patients; the majority were men (54.10%), mean

age 51 years, coming from the hospitalization unit (87.40%), who survived to the

hospitalization (97.30%), with severity score of 27.05 and probability of death of

12.00%. The 111 patients had 1,055 occurrences during hospitalization, 64.83% were

incidents and 35.17% were adverse events, involving 46.85% and 53.15% patients,

respectively. The main occurrences related to procedure/clinical process (48.53%),

documentation failures (28.06%), medication administration or related to intravenous

fluids (8.63%) and accidents with the patient (6, 26%). The variable AE/I correlated

with severity (p = 0.00 and r = 0.27), probability of death (p = 0.00 and r = 0.27) and

length of stay (p = 0.00 and r = 0,41). Concerning the nursing staff, 287 individuals

participated in the study, 34.84% were nurses, 12.89% were nursing technicians and

52.27% were nursing auxiliaries. Most were women (83.97%), with a partner (50.53%)

and children (63.07%), 74.47% scored with medium stress level measured by the SST

and 46.13% of the professionals scored medium stress level in the LSS. The percentage

of people with burnout was 12.54%. The work variables were associated with stress.

The nursing staff used predominantly coping control (79.93%). There was a

statistically significant association between the presence of burnout and evaluation of

the effectiveness of hours of sleep (p = 0.03) and intention to leave the institution (p =

0.04). The highest average occurrences of AE/I were in units with higher NAS score,

stress or burnout. There was a high, positive statistically significant correlation

between AE/I and length of stay (r = 0.78 and p = 0.02), but there was not significant

correlation between AE/I, gravity, nursing workload, stress (SSW), signs and

symptoms of stress (LSS) and burnout. Conclusions: Although the hypothesis of this

study has been refuted, this research advances through elucidation of variables

associated to stress at work, occupational coping and burnout, also providing some

directions for the connection of AE/I, nursing workload, stress and burnout.

Keywords: Nursing. Patient Safety. Intensive Care Units. Occupational Stress.

Burnout.

LISTA DE FIGURAS

Figura 3.1 – Modelo do Queijo Suíço .................................................................. 42

Figura 5.1 – Distribuição da equipe de enfermagem, segundo a formação

profissional e classificação dos níveis de estresse (EET). São

Paulo, 2012 .................................................................................... 115

Figura 5.2 – Distribuição da equipe de enfermagem, segundo a categoria

profissional e classificação dos níveis de estresse (LSS). São

Paulo, 2012 .................................................................................... 117

Figura 5.3 – Distribuição da equipe de enfermagem, segundo a categoria

profissional e classificação por fatores da ECO. São Paulo,

2012

119

Figura 5.4 – Distribuição do burnout na equipe de enfermagem, segundo a

categoria profissional e presença de burnout (IMB). São

Paulo, 2012 .................................................................................... 121

LISTA DE TABELAS

Tabela 5.1 – Distribuição dos pacientes internados nas UTI, segundo

variáveis biossociais e clínicas. São Paulo, 2012 ......................... 101

Tabela 5.2 – Estatísticas descritivas dos dados biossociais e clínicos dos

pacientes, carga de trabalho e EA/I. São Paulo, 2012 .................. 102

Tabela 5.3 – Distribuição dos tipos de ocorrências. São Paulo, 2012 ............... 103

Tabela 5.4 – Tipo de dano decorrentes dos EA/I identificados nas

diferentes UTI. São Paulo, 2012 .................................................. 104

Tabela 5.5 – Gravidade do dano decorrente dos EA identificados nas

diferentes UTI. São Paulo, 2012 .................................................. 104

Tabela 5.6 – Gravidade do dano decorrente dos EA identificados nas

diferentes UTI. São Paulo, 2012 .................................................. 104

Tabela 5.7 – Distribuição da equipe de enfermagem, segundo tipo de UTI

e número de leitos. São Paulo, 2012 ............................................ 106

Tabela 5.8 – Distribuição da equipe de enfermagem, segundo as variáveis

biossociais. São Paulo, 2012 ........................................................ 106

Tabela 5.9 – Distribuição da equipe de enfermagem, segundo turno,

horário e outro vínculo empregatício. São Paulo, 2012 ............... 108

Tabela 5.10 – Distribuição da equipe de enfermagem segundo a percepção

motivacional do trabalho, da instituição e da profissão. São

Paulo, 2012 ................................................................................... 108

Tabela 5.11 – Distribuição da equipe de enfermagem, segundo percepção

sobre recursos estruturais e qualidade dos cuidados na UTI.

São Paulo, 2012 ............................................................................ 110

Tabela 5.12 – Estatísticas descritivas dos dados biossociais e do trabalho da

equipe de enfermagem em UTI. São Paulo, 2012 ........................ 111

Tabela 5.13 – Estatísticas descritivas das horas de sono necessárias e

efetivamente dormidas pela equipe de enfermagem das UTI.

São Paulo, 2012 ............................................................................ 112

Tabela 5.14 – Estatísticas descritivas do tempo de deslocamento de casa até

o local de trabalho pela equipe de enfermagem. São Paulo,

2012

113

Tabela 5.15 – Resultados da confiabilidade dos instrumentos EET, LSS,

ECO e MBI. São Paulo, 2012 ...................................................... 114

Tabela 5.16 – Distribuição da equipe de enfermagem, segundo a categoria

profissional e classificação dos níveis de estresse (EET). São

Paulo, 2012 ................................................................................... 114

Tabela 5.17 – Estatísticas descritivas da pontuação de estresse (EET) pela

equipe de enfermagem. São Paulo, 2012 ..................................... 115

Tabela 5.18 – Estatísticas descritivas das questões mais e menos pontuadas

de estresse (EET) pela equipe de enfermagem. São Paulo,

2012

116

Tabela 5.19 – Distribuição da equipe de enfermagem, segundo a categoria

profissional e classificação dos níveis de estresse (LSS). São

Paulo, 2012 ................................................................................... 116

Tabela 5.20 – Estatísticas descritivas da pontuação de estresse (LSS) pela

equipe de enfermagem. São Paulo, 2012 ..................................... 117

Tabela 5.21 – Estatísticas descritivas dos sinais e sintomas de estresse

(LSS) mais e menos pontuados pela equipe de enfermagem.

São Paulo, 2012 ............................................................................ 118

Tabela 5.22 – Distribuição da equipe de enfermagem, segundo a formação

profissional e classificação dos fatores de coping (ECO). São

Paulo, 2012 ................................................................................... 118

Tabela 5.23 – Estatísticas descritivas por fatores de coping (ECO) pela

equipe de enfermagem. São Paulo, 2012 ..................................... 119

Tabela 5.24 – Estatísticas descritivas das questões mais e menos pontuadas

de coping (ECO) pela a equipe de enfermagem. São Paulo,

2012

120

Tabela 5.25 – Distribuição da equipe de enfermagem, segundo a categoria

profissional e presença de burnout (IMB). São Paulo, 2012 ........ 120

Tabela 5.26 – Estatísticas descritivas dos fatores das dimensões de burnout

(IMB) pela equipe de enfermagem. São Paulo, 2012 ................... 121

Tabela 5.27 – Estatísticas descritivas das questões mais e menos pontuadas

de burnout (IMB) pela equipe de enfermagem. São Paulo,

2012

122

Tabela 5.28 – Correlação entre os escores das dimensões de burnout (IMB).

São Paulo, 2012 ............................................................................ 122

Tabela 5.29 – Associação entre estresse (EET) e variáveis biossociais e do

trabalho da equipe de enfermagem. São Paulo, 2012 ................... 123

Tabela 5.30 – Associação entre estresse (EET) e variáveis biossociais e do

trabalho da equipe de enfermagem. São Paulo, 2012 ................... 124

Tabela 5.31 – Modelo de regressão logística dos fatores associados ao nível

de estresse no trabalho (EET) e variáveis biossociais. São

Paulo, 2012 ................................................................................... 124

Tabela 5.32 – Associação entre a presença de sinais e sintomas de estresse

(LSS) e variáveis biossociais e do trabalho da equipe de

enfermagem São Paulo, 2012 ....................................................... 125

Tabela 5.33 – Associação entre sinais e sintomas de estresse (LSS) e

variáveis biossociais e do trabalho da equipe de

enfermagem.. São Paulo, 2012 ..................................................... 126

Tabela 5.34 – Modelo de regressão logística dos fatores associados aos

sinais e sintomas de estresse (LSS). São Paulo, 2012 .................. 126

Tabela 5.35 – Associação entre coping prevalente (ECO) e variáveis

biossociais e do trabalho da equipe de enfermagem. São

Paulo, 2012 ................................................................................... 127

Tabela 5.36 – Associação entre o coping prevalente (ECO) e variáveis

biossociais e do trabalho da equipe de enfermagem. São

Paulo, 2012 ................................................................................... 128

Tabela 5.37 – Modelo de regressão logística dos fatores associados ao

coping prevalente (ECO). São Paulo, 2012 .................................. 128

Tabela 5.38 – Associação entre presença de burnout (IMB) e variáveis de

biossociais e do trabalho da equipe de enfermagem. São

Paulo, 2012 ................................................................................... 129

Tabela 5.39 – Associação entre presença de burnout (IMB) e variáveis

biossociais e do trabalho da equipe de enfermagem. São

Paulo, 2012 ................................................................................... 129

Tabela 5.40 – Modelo de regressão logística dos fatores associados à

presença de burnout (IMB). São Paulo, 2012............................... 130

Tabela 5.41 – Associação entre estresse (EET), sinais e sintomas de

estresse (LSS), coping (ECO) e presença de burnout (IMB).

São Paulo, 2012 ............................................................................ 130

Tabela 5.42 – Correlação entre tempo de internação, gravidade, EA/I, carga

de trabalho de enfermagem e estresse (EET) da equipe de

enfermagem. São Paulo, 2012 ...................................................... 131

Tabela 5.43 – Correlação entre tempo de internação, gravidade, EA/I, carga

de trabalho de enfermagem e estresse (LSS) da equipe de

enfermagem. São Paulo, 2012 ...................................................... 131

Tabela 5.44 – Correlação entre tempo de internação, gravidade, EA/I, carga

de trabalho de enfermagem e coping controle (ECO) da

equipe de enfermagem. São Paulo, 2012 ..................................... 132

Tabela 5.45 – Correlação entre tempo de internação, gravidade, EA/I, carga

de trabalho de enfermagem e burnout (IMB). São Paulo,

2012

133

Tabela 5.46 – Médias de estresse (EET e LSS), coping (ECO) e burnout

(MBI) e variáveis de interesse. São Paulo, 2012 .......................... 134

Tabela 5.47 – Correlação entre escores de estresse (EET e LSS), coping

prevalente (ECO), burnout (MBI) e variáveis de interesse.

São Paulo, 2012 ............................................................................ 135

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ..................................................................................... 27

2 OBJETIVOS .......................................................................................... 35

2.1 OBJETIVO GERAL ............................................................................. 37

2.1.1 Objetivos específicos .................................................................................... 37

3 REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................ 39

3.1 ERRO HUMANO: O MODELO DE JAMES REASON ...................... 41

3.2 SEGURANÇA DO PACIENTE: EPIDEMIOLOGIA DOS EA/I

EM UTI ................................................................................................. 45

3.3 ESTRESSE: TRAJETÓRIA CONCEITUAL ....................................... 50

3.4 COPING: DEFINIÇÕES E MODELOS TEÓRICOS ........................... 52

3.5 BURNOUT ........................................................................................... 55

3.5.1 Fatores de risco para burnout ........................................................................ 58

3.5.2 Sinais e sintomas de burnout ........................................................................ 62

3.5.3 O impacto do burnout para as organizações hospitalares ............................. 64

3.6 ESTRESSE, COPING E BURNOUT EM ENFERMAGEM EM

UTI ........................................................................................................ 66

3.7 SEGURANÇA DO PACIENTE: ESTRESSE, COPING E

BURNOUT E A OCORRÊNCIA DE EA/I EM UTI ............................. 74

4 CASUÍSTICA E MÉTODO ................................................................. 79

4.1 LOCAL DO ESTUDO .......................................................................... 81

4.2 AMOSTRA DO ESTUDO .................................................................... 82

4.3 DEFINIÇÕES OPERACIONAIS ......................................................... 82

4.4 DESCRIÇÃO DAS VARIÁVEIS ......................................................... 83

4.4.1 Variável dependente ..................................................................................... 83

4.4.1.1 Variáveis independentes relacionadas ao pacientes ............................................... 84

4.4.2 Variáveis independentes relacionadas a equipe de enfermagem .................. 84

4.5 COLETA DE DADOS .......................................................................... 86

4.5.1 Instrumentos de coleta de dados ................................................................... 86

4.5.1.1 Ficha de levantamento de EA/I ............................................................................... 86

4.5.1.2 Instrumento de medida da carga de enfermagem na UTI ....................................... 88

4.5.1.3 Instrumento para o levantamento das características biossociais e do

trabalho da equipe de enfermagem ......................................................................... 89

4.5.1.4 Escala de Estresse no Trabalho (EET) ................................................................... 90

4.5.1.5 Lista de Sinais e Sintomas de Estresse .................................................................... 90

4.5.1.6 Escala de Coping Ocupacional ............................................................................... 91

4.5.1.7 Inventário Maslach de Burnout (IMB) .................................................................... 92

4.5.2 Operacionalização da coleta de dados .......................................................... 93

4.5.2.1 Pré-teste dos instrumentos ...................................................................................... 93

4.5.2.2 Implantação do NAS nas UTI do estudo ................................................................. 93

4.5.2.3 Armazenamento e organização dos dados .............................................................. 95

4.5.2.4 Identificação e análise dos EA/I.............................................................................. 95

4.5.2.5 Coleta de dados referentes à equipe de enfermagem .............................................. 96

4.6 TRATAMENTO ESTATÍSTICO E ANÁLISE DOS DADOS ............ 97

4.7 PROCEDIMENTOS ÉTICOS .............................................................. 98

5 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS........................................... 99

5.1 CARACTERÍSTICAS BIOSSOCIAIS E CLÍNICAS DOS

PACIENTES, CARGA DE TRABALHO DE ENFERMAGEM E

CARACTERIZAÇÃO DE EA/I.......................................................... 101

5.2 CARACTERÍSTICAS BIOSSOCIAIS E DO TRABALHO DA

EQUIPE DE ENFERMAGEM............................................................ 105

5.3 CONFIABILIDADE DOS INSTRUMENTOS DE ESTRESSE,

COPING E BURNOUT ...................................................................... 113

5.4 ESTRESSE, COPING E BURNOUT DA EQUIPE DE

ENFERMAGEM DAS UTI ................................................................ 114

5.4.1 Associação entre estresse, coping, burnout e variáveis biossociais e do

trabalho da equipe de enfermagem ............................................................. 123

5.5 ASSOCIAÇÕES ENTRE AS VARIÁVEIS DE INTERESSE ........... 130

6 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ................................................... 137

6.1 CARACTERÍSTICAS BIOSSOCIAIS DOS PACIENTES,

CARGA DE TRABALHO DE ENFERMAGEM E

CARACTERIZAÇÃO DOS EA/I ....................................................... 139

6.2 CARACTERIZAÇÃO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM DAS

UTI ...................................................................................................... 145

6.3 ESTRESSE, COPING E BURNOUT ................................................. 159

6.4 ASSOCIAÇÕES ENTRE AS VARIÁVEIS DE INTERESSE:

CARACTERÍSTICAS BIOSSOCIAIS E CLÍNICAS DOS

PACIENTES, CARGA DE TRABALHO DE ENFERMAGEM,

ESTRESSE, COPING, BURNOUT DA EQUIPE DE

ENFERMAGEM E EA/I EM UTI ....................................................... 168

7 CONCLUSÕES ................................................................................... 171

7.1 CARACTERÍSTICAS BIOSSOCIAIS DOS PACIENTES,

CARGA DE TRABALHO DE ENFERMAGEM E

CARACTERIZAÇÃO DOS EA/I ....................................................... 173

7.2 CARACTERÍSTICAS BIOSSOCIAIS E DO TRABALHO DA

EQUIPE DE ENFERMAGEM E ANÁLISE DE ASSOCIAÇÃO

ENTRE AS VARIÁVEIS ESTUDADAS ........................................... 174

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................. 179

REFERÊNCIAS ....................................................................................... 185

ANEXOS ................................................................................................... 209

ANEXO A .................................................................................................. 211

ANEXO B .................................................................................................. 221

ANEXO C .................................................................................................. 225

ANEXO D .................................................................................................. 228

ANEXO E .................................................................................................. 231

ANEXO F ................................................................................................... 232

ANEXO G .................................................................................................. 234

ANEXO H .................................................................................................. 236

ANEXO I .................................................................................................... 238

ANEXO J ................................................................................................... 239

APÊNDICE ............................................................................................... 241

APÊNDICE A ............................................................................................ 243

1 Introdução

Introdução 29

1 INTRODUÇÃO

A segurança do paciente tem sido fortemente evidenciada na

atualidade, seja pela busca de excelência dos serviços de saúde, seja pelos

resultados de estudos sobre eventos adversos publicados na literatura

científica ou divulgados nos veículos de comunicação. O tema não é novo,

mas ganhou maior expressão nas duas últimas décadas, especialmente pela

magnitude do problema estimado pelo Institute of Medicine dos Estados

Unidos (1). Para a enfermagem, no entanto, essa preocupação existe desde o

nascimento da profissão, com Florence Nigthtingale, que utilizava

estratégias para gerenciar erros no cuidado prestado aos pacientes (2).

Assim, a preocupação com a segurança do paciente tem ganhado

cada vez mais notoriedade quanto à sua importância e necessidade de

implementação desta nos serviços de saúde. Isso porque o cuidado seguro

tem sido fortemente associado à qualidade da assistência, bem como à

satisfação do paciente com o atendimento recebido. Por essa razão, os

sistemas de acreditação hospitalar têm tido expressiva participação mundial,

promovendo a melhoria da qualidade dos serviços com ênfase na prevenção

de erros e falhas que possam comprometer a segurança do paciente.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) (3),

incidentes são eventos ou circunstâncias que podem resultar ou resultaram

em dano desnecessário ao paciente. Há quatro grupo de sub-grupos de

incidentes: circunstância de risco – situação em que há potencial de dano,

mas este não ocorreu; quase-erro – incidente que não atingiu o paciente;

incidente sem dano – incidente que ocorreu com o paciente, mas não

resultou em dano a ele e incidente com dano ou evento adverso – incidente

que ocorreu com o paciente e resultou em dano.

Importante considerar que os Eventos Adversos (EA) ou incidentes

com danos são definidos por outros autores como injúrias causadas pelo

tratamento médico e que não estão relacionadas à doença base, prolongando

a hospitalização ou desabilitando o paciente para a alta, ou ambos (4). Essas

lesões podem ser mensuráveis nos pacientes afetados não apenas

30 Introdução

prolongando o tempo de internação, mas também, provocando óbito do

paciente (5).

Os incidentes sem danos são complicações não intencionais

decorrentes do cuidado prestado, que não envolvem lesão mensurável,

prolongamento do tempo de internação ou óbito nos pacientes afetados (6).

Portanto, tais ocorrências, de natureza prejudicial ou danosa ao

paciente, sejam decorrentes ou não de falha do profissional, comprometem a

segurança do cliente colocando em risco a sua vida (7). Embora essas falhas

sejam frequentes na prática assistencial, elas são preveníveis, especialmente,

se forem analisadas dentro de um enfoque sistêmico (8-9).

Neste estudo, o termo Evento Adverso (EA) será utilizado como

sinônimo de incidente com dano e o termo Incidente (I), para incidentes sem

dano.

Segundo Reason (10) a avaliação da qualidade dos serviços de saúde

apóia-se no tripé: estrutura (planta física, recursos humanos, materiais e

modelo administrativo), processo (atividades assistenciais propriamente

ditas, realizadas utilizando-se dos recursos da estrutura) e resultado

(consequências das atividades para o estado de saúde do paciente) (11). Nesse

enfoque, a análise sistêmica dos Eventos Adversos/Incidentes (EA/I)

permite a identificação de pontos vulneráveis existentes em todas as

diferentes fases do atendimento à saúde, abrindo perspectivas para a

prevenção efetiva dessas ocorrências.

Particularmente na assistência hospitalar, a Unidade de Terapia

Intensiva (UTI), como unidade de destino de pacientes gravemente

enfermos, é considerada por diversos autores como a unidade onde mais

ocorrem EA/I. Isto porque os pacientes que exigem cuidados intensivos

requerem intervenções terapêuticas complexas e em maior número, ficando,

assim, mais vulneráveis a falhas na assistência (10,12-13).

Essa unidade, caracterizada pela utilização de materiais e

equipamentos de alta tecnologia para prestar assistência ao paciente crítico,

exige de seus profissionais elevado padrão de conhecimento técnico e

Introdução 31

científico e competências específicas para o trabalho em equipe. No entanto,

apenas o rigor na capacitação de seus profissionais não impede que falhas

na assistência ocorram, uma vez que o ser humano é falível (10).

Diversos estudos têm evidenciado elevados percentuais de

ocorrência de EA/I em UTI e relacionados à: administração de

medicamentos (14-15); procedimentos diagnósticos e terapêuticos e o cuidado

de enfermagem (13,16); quedas (17), extubação não programada (18), entre

outros, o que se configura em preocupante realidade a ser investigada para a

implantação de estratégias interventivas, visando prevenir ou reduzir ao

mínimo possível, tais ocorrências.

Os erros de medicação são as ocorrências mais frequentemente

apontadas pela literatura (19-20). Estudo realizado em hospitais americanos,

com uma amostra de 393 enfermeiros, evidenciou que mais da metade dos