Sempre a Menininha do Papai por H. Norman Wright - Versão HTML

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Sempre a Menininha do Papai

Descubra até onde seu pai influenciou

a mulher que você é hoje

H. Norman Wright

Título original: Always Daddy's Girl

Tradução de Neyd Siqueira

Editora Mundo Cristão, 1998

Digitalizado por Alicinha

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SUMÁRIO

1. Fale Sobre o Seu Pai

2. Imagens de Seu Pai

3. Por que Meu Pai Me Desapontou?

4. Por que Meu Pai Me Abandonou?

5. Por que Meu Pai Não Mora Mais Aqui?

6. Quem Era Aquele Fantasma?

7. Porque Meu Pai Continua Controlando a Minha Vida?

8. Minha Família Era Sadia?

9. Papéis Disfuncionais: Eu Tenho Um?

10. A Sua Identidade: Em Qual Pai Ela Baseia?

11.Tire Seu Pai do Anzol

12. Oferecendo o Dom do Perdão

13. Libertando Seu Pai

14. Carta Para os Pais Que Têm Filhas

FALE SOBRE O SEU PAI

– Fale-me sobre o seu pai.

Como você, uma filha adulta, reage a esse pedido? Estou

certo de que inúmeros pensamentos e sentimentos sobre o seu

pai sobem à superfície. Muitos talvez sejam agradáveis, mas

outros, certamente, desagradáveis.

Goste ou não – seu pai causou uma impressão duradoura

em você. Quer ele tenha sido próximo ou distante, presente ou

ausente, frio ou cordial, amoroso ou abusivo, seu pai deixou a

sua marca em você.

E o seu pai continua influenciando a sua vida hoje –

provavelmente mais do que você pensa.

- H. N. W.

1. FALE SOBRE O SEU PAI

– Fale sobre o seu pai.

Júlia olhou para mim com expressão de surpresa quando lhe fiz esse

pedido. Ela era uma profissional de meia-idade, e ocupava um cargo de

gerência. – O que meu pai tem a ver com a minha presença a aqui? –

retrucou ela. – Vim consultá-lo por causa de problemas no escritório. Meu

pai morreu há vários anos.

– Fale sobre o seu pai.

Loreta olhou para o chão, numa atitude defensiva, e depois levantou

os olhos para mim, com lágrimas escorrendo pelo rosto. – Tenho

dificuldades até de pensar em meu pai – começou ela baixinho – Acho que

bloqueei minhas experiências com ele. Não me lembro de nada sobre ele

antes dos meus 12 anos. É engraçado que me peça isto. Há alguma ligação

entre ele e minhas razões para consultá-lo? – Loreta viera aconselhar-se

comigo por causa do seu hábito de namorar homens que não serviam para

ela, e para me falar sobre seus vários relacionamentos desfeitos.

– Fale sobre o seu pai.

Os olhos de Jane brilharam com o meu convite para que falasse. –

Meu pai era um vencedor – disse ela sorrindo – Todos nós, seus filhos,

gostávamos de nosso relacionamento com ele enquanto crescíamos. Era

fácil conversar com meu pai e ele não se encolhia como muitos homens

costumam fazer. Acho que o que eu apreciava mais nele era a confiança

que ele tinha em mim como mulher. Ele me deu bastante segurança em

quem eu sou e não sono que faço. Papai deixou uma profunda impressão

sobre mim.

– Fale sobre o seu pai.

Como você, uma filha adulta, reagiria a este pedido? Estou certo de

que inúmeros pensamentos e sentimentos sobre seu pai sobem à superfície.

Muitos podem ser agradáveis e outros, quem sabe, desagradáveis. Ainda

neste capítulo vou lhe dar oportunidade para você colocá-lo por escrito.

Que influência o seu pai teve na sua vida até hoje? Assim como Jane

compreendeu o impacto que o pai causara em sua vida, do mesmo modo –

quer goste ou não – o seu pai também causou uma impressão duradoura em

você. Quer ele tenha sido próximo ou distante, presente ou ausente, frio ou

cordial, amoroso ou abusivo, seu pai deixou a sua marca em você.

Seu Pai e os Homens da Sua Vida

Seu pai continua influenciando a sua vida hoje – provavelmente mais

do que você pensa. Por exemplo, seus pensamentos e sentimentos atuais a

seu próprio respeito e seus relacionamentos presentes com outros homens

refletem o impacto de seu pai sobre você. Muitas vezes, o que o pai à

filha influência as suas expectativas com relação aos homens que surgirão

em sua vida. Do mesmo modo, o que o pai nega à filha pode afetar

também as expectativas dela com relação a outros homens.

Michele veio aconselhar-se por causa do seu desejo de casar-se com

um homem amoroso, que a tratasse bem, e de ter um lar feliz. Ela

procurava um marido há mais de 20 anos. Embora tivesse encontrado

vários homens que se apaixonaram por ela, nunca encontrara o homem

ideal. Tinha o hábito de se relacionar precipitadamente com os homens que

demonstravam gostar dela, mas com o tempo descobria inúmeros defeitos

em cada um deles.

Michele fantasiava sobre o “Sr. Perfeito”. Mas ela sabia

intelectualmente que tal criatura não existia, porém sentia-se

emocionalmente impelida a continuar procurando.

Enquanto conversávamos, Michele revelou que, quando criança, era

a favorita do pai – a sua “menininha”. Ele a mimara e a estragara de muitas

maneiras por causa do lugar especial que Michele ocupava no seu coração.

Aos olhos de Michele o pai estava sempre certo. E por sua vez, o Papai só

mostra à filha o seu lado positivo; ele nunca apontou as fraquezas ou as

falhas da filha.

Como a vida de Michele fora influenciada pelo pai nos últimos 20

anos? Ela buscara em vão um homem que a mimasse como o pai fazia, e

que vivesse tão perfeitamente como o pai parecera viver. O pai de Michele

era o modelo com o qual a filha comparava todos os seus candidatos. Em

conseqüência, ela não conseguia tolerar as imperfeições e fragilidades

normais deles. Michele jamais conseguira olhar além da imagem do seu pai

perfeito para compreender que ele era tão humano quanto os homens que

ela rejeitara.

Fiquei surpreso quando outra cliente, vou chamá-la de Clara,

descreveu-me o tipo de tratamento que aceitava dos homens. Ela permitia

que a maltratassem até o ponto da crueldade. No esforço de agradá-los, ela

terminava se tornando uma vítima.

– Gostaria de encontrar pelo menos um homem que me tratasse

decentemente – disse ela – Parece que sou atraída por aqueles que acabam

me maltratando, mas não sei a razão disso. Cheguei a um ponto em que

não quero ser mais maltratada por homem algum. Nunca mais! Não quero

nem tentar outro relacionamento, mas sei que não saberia viver sozinha. O

que está acontecendo comigo?

Durante o processo de aconselhamento, a falta de auto-estima de

Clara tornou-se bem visível. Ela carregava feridas profundas devidas ao

abandono emocional que experimentara quando criança. O relacionamento

entre os pais era marcado pela ira e insatisfação. O pai de Clara tinha

pouco tempo para ela, controlando-a com a sua ira. Não houve abuso

físico, mas muito abuso emocional. Ela se sentia indigna e insignificante,

especialmente aos olhos do pai.

Clara hoje sente a mesma coisa. Ela espera que os homens a tratem

como o pai a tratava. Clara parece ter a necessidade inconsciente de ser

uma vítima, o que a leva a envolver-se com homens que a amedrontam e

abusam dela.

Com o passar do tempo descobrimos que as relações abusivas de

Clara com os homens satisfaziam uma outra necessidade em sua vida. Seu

relacionamento negativo com o pai a deixara cheia de tristeza, depressão,

ira e amargura. Esses sentimentos eram difíceis de enfrentar. Mas, quando

ela se envolvia com um parceiro abusivo, sua dor íntima era

temporariamente esquecida. Clara tinha de usar toda a sua energia

emocional para sobreviver ao relacionamento, e a dor do presente

transformava-se em um escudo contra a dor do passado.

Compreendo que a situação de Clara pode parecer estranha. Muitas

mulheres, porém, sofrem hoje de problemas similares devido ao poderoso

impacto negativo que seus pais causaram em suas vidas.

Denise veio ver-me totalmente frustrada com o marido. Ela o

descreveu como um homem agradável, mas passivo e ineficaz. Admitiu

também que estivera tentando mudá-lo durante dez anos, mas sem nenhum

resultado.

Enquanto falávamos, Denise falou-me eventualmente sobre o pai,

que era também amável, mas de caráter fraco. Ele tinha tremenda

habilidade e potencial, porém jamais alcançou o sucesso. A mãe de Denise

o criticava e depreciava constantemente. Denise sentia às vezes que

precisava apoiar e proteger o pai. Ela não conseguia compreender porque

ele não tivera sucesso, mas nunca deixou de acreditar nele.

Denise foi atraída para o marido por ver nele qualidades semelhantes

às do pai. Ela entrou no casamento acreditando que poderia estimular e

encorajar o parceiro a fazer coisas maravilhosas. Isso não funcionou, mas

ela continuou tentando. Por que Denise escolheu um homem de caráter

fraco, tão parecido com seu pai? Porque ela queria ter êxito onde a mãe

falhara. Queria provar pelos seus próprios esforços com o marido por que o

pai era inerentemente um vencedor. O pai poderia ter tido sucesso se

tivesse escolhido a mulher certa.

O caso de Denise pode parecer pouco comum, mas não é certamente

isolado. Há multidões de mulheres cujos casamentos sofrem sob a

influência negativa de seus relacionamentos com os pais.

A Influência de Seu Pai

Se você tivesse de descrever o seu relacionamento com seu pai, o que

diria? Como a relação com seu pai afetou as suas relações com outros

homens, a sua carreira profissional e seus sentimentos a respeito de si

mesma? Use algum tempo para avaliar o seu relacionamento passado e/ou

presente com seu pai, respondendo às 11 perguntas seguintes:

1. Quais são/eram as qualidades positivas do seu pai?

2. Quais são/eram as qualidades negativas do seu pai?

3. Como você se sentia sobre seu pai até os dez anos?

E dos 11 aos 20 anos?

E dos 20 aos 30 anos?

No presente?

4. Que emoções seu pai expressava abertamente? Como ele as

expressava?

5. Descreva como você e seu pai se comunicavam ?

6. Quais as experiências mais agradáveis que teve com seu pai?

7. Qual a experiência mais desagradável que teve com seu pai?

8. Qual é/era o objetivo de seu pai na vida?

9. Em que aspectos você é parecida com seu pai?

10. Em que aspecto você é diferente do seu pai?

11. Na sua opinião, de que forma seu pai influenciou você na sua

escolha de um homem?

As duas primeiras perguntas são as que mais revelam a influência de

seu pai sobre sua vida. No decorrer dos anos como conselheiro, fiz essas

perguntas a centenas de mulheres entre 20 e 30 anos. Algumas das

respostas que recebi talvez lhe dêem mais discernimento sobre seu

relacionamento com seu pai e com os homens em sua vida. Nos capítulos

seguintes discutiremos vários dentre os tópicos sugeridos nas perguntas 3 a

11. Mas, por agora, leia cuidadosamente as qualidades positivas e

negativas influentes que as mulheres identificaram em seus pais:

Qualidades Positivas

Ele é afetuoso, generoso, bondoso, amoroso, gosta de brincar, gosta

de estar com a família. Ama o Senhor, trabalha muito. É inteligente, dá

apoio, pensa no que é melhor para a família.

É honesto, amigável, instruído, inteligente, confiável, pronto para

aprender, atualizado, amigo do trabalho.

Meu pai era um homem amoroso. Ele demonstrava facilmente seu

amor por nós. Era também trabalhador – mantinha-se sempre

preocupado. Era igualmente um cristão dedicado

Caráter forte, respeitável, líder, em boa forma física, leal,

trabalhador.

Meu pai é realmente orientado para o sucesso. Não sei ainda se isso

é positivo ou negativo. Em certa época ele fazia três coisas ao mesmo

tempo. Quando eu estava crescendo, nunca o via, o que considero

negativo, pois ele não me acompanhou durante os dez primeiros anos da

minha infância. Não acho que conheço meu pai muito bem e não consigo

pensar em qualidades positivas e negativas. Ele não se entusiasma

facilmente. Tenta tudo que aparece. Tem opinião e é assim que ele é.

Meu pai é auto disciplinado, responsável. Ele cresceu demonstrando

seus sentimentos de amor profundo pela família. Tenta ser muito

compreensivo e permite o diálogo. As prioridades familiares estão em

primeiro lugar – lar, educação, recreação, espiritualmente. Ele é bonito e

muito respeitado.

É um homem de iniciativa, aceita qualquer experiência nova, hobby

ou recreação, embora não tenha as habilidades necessárias. Ama minha

mãe. Mostra grande lealdade para com a esposa. Suas emoções são

profundas e ele demonstra habilidades admiráveis em seu progresso

profissional. É estável e consistente. Gosta de ser provocado e de implicar

com as filhas. Aprendeu a jogar bem e admiro sua capacidade de

aprendizado. É honesto, bondoso e generoso. É capaz de mudanças e

deixa o passado para trás.

Compassivo, orientado para um objetivo, terno, piedoso, amoroso,

comunicativo, compreensivo, amável.

Meu pai tem muita paciência e persistência. Ele sempre se mantém

ocupado e termina o que começa. É a figura de autoridade em nossa casa.

Tem muitas responsabilidades e as cumpre todas. Bom senso de humor.

Estabeleceu alvos definidos para si mesmo e para a família.

Trabalhou para alcançar esses alvos. É bondoso, leva alimentos para os

necessitados (geralmente idosos) e “esquecidos” da sua comunidade (isto

não era de conhecimento público). Ama demais a família. É prudente e

cuidadoso. Ofereceu oportunidades de trabalho a jovens e idosos,

ajudando-os a desenvolver sua auto-estima e a alcançar seus objetivos.

Muitos procuram aconselhar-se com ele sobre assuntos pessoais e

comerciais.

Meu pai é uma pessoa bondosa, amorosa e compreensiva. Ele é

considerado e se comunica bem. É amável e cordial com os outros. É

bondoso comigo e me apóia. Sinto que me aceita bem. Eu o respeito como

uma pessoa inteligente que trabalha duro e sinto orgulho dele. É generoso,

de bom gênio. É estável, amoroso e boa companhia

Antes do divórcio, ele sempre me escutava quando eu queria falar.

Dava-me muito apoio e encorajamento. Reservava tempo para estar

comigo, me incluía nas suas atividades e me fazia sentir especial. Era o

meu melhor amigo, pronto para demonstrar afeição quando eu precisava.

Ele é muito sensível e estável, e tem senso de humor.

Meu pai é amável, sensível, bondoso, humilde, amoroso,

inteligente(instruído), carinhoso, bom ouvinte, espiritualmente sólido,

muito sábio, justo, de fácil trato e paciente.

Muito generoso, extremamente interessado em crianças, pacato. Ele

permanece calmo em situações tensas. É fácil de tratar, aceita quase tudo,

encoraja e apóia – sempre ele mesmo!

Meu pai controla a sua vida, família, empregados, etc. Homem forte

e autoritário – não é fácil aproveitar-se dele. Organizado, mostra o que

quer da vida.

Meu pai é um homem carinhoso. Ele sempre esteve presente para me

apoiar e servir de modelo. Estava sempre disposto a ajudar e aliviar

qualquer fardo. Meu pai é muito gentil. Ele raramente levanta a voz. Meu

pai é bom com as pessoas. Ele se esforça para que ela se sintam aceitas e

à vontade.

Meu pai foi sempre o provedor da família, marido fiel, e nos

apoiava, embora tivesse dificuldade em demonstrar seu apoio. Estava

sempre pronto para participar das nossas atividades da melhor maneira

possível, geralmente como espectador.

Qualidades Negativas

Não era bom ouvinte. Algumas vezes muito “Poliana” (jogo do

contente) evitando o conflito. Não era fisicamente disciplinado.

Ele absolutamente não se comunica. Não é sensível às necessidades

da esposa. Não compreende muito bem o lado emocional das pessoas. Não

se esforça pela qualidade em seu trabalho.

Teimoso, imaturo nas relações interpessoais, íntimo com os parentes,

mas solitário. Algumas vezes tem uma visão tipo túnel, impulsivo,

emocionalmente distante.

Não era muito bom na administração do dinheiro.

Pelo fato de não se comunicar bem, eu nunca pude falar com ele

sobre o que estava acontecendo em minha vida, portanto, não nos

aproximamos.

Ele tem mau gênio e às vezes grita. A televisão parece dominar sua

vida em casa. É um cristão novo, mas não está muito interessado em

crescer ou ler a Bíblia no momento.

Bebe demais, tenta manipular-me nas minhas decisões, agarra-se ao

passado. Não cuida de si mesmo, não é cristão. Tem mau gênio, preocupa-

se demais com dinheiro, é negativo em relação à vida. Não mostra afeto

nem emoção amorosa, nunca chora. Tem dificuldade em ser honesto, não

confia nas pessoas – especialmente nas mulheres. Ressente-se de minha

mãe.

Tem um temperamento difícil e às vezes violento, gosta de ficar

sozinho. Não aceita a responsabilidade pelas coisas erradas que comete.

Não compreende os sentimentos das pessoas, nem sabe como tratar as

pessoas. Nunca cresceu. Tem ainda acessos de ira como os de uma

criança.

É um “viciado em trabalho” bem-sucedido. Gosta de controlar,

abusa verbalmente das pessoas e acha que eu sou um fracasso. O sucesso

é tudo, o materialismo é tudo. Pensa negativamente e deprecia as pessoas.

Não demonstra emoções nem amor.

Dá apoio condicional. Usa minha mãe como único mediador da

comunicação. Algumas vezes intimidante, frio, fechado para qualquer

assunto que possa desapontá-lo, desafiar suas crenças ou magoá-lo.

Espírito crítico.

Controlador, teimoso e obstinado. È repetitivo. Parece só considerar

a si mesmo e a mais ninguém. Era mesquinho, quase brutal com minha

irmã até que ela saiu de casa. Ele não “conhece” realmente minha mãe.

Ou, se a conhece, decidiu evitá-la trabalhando noite e dia, sem reservar

tempo para ela. Como resultado, depois de 44 anos há um afastamento e

uma tristeza entre eles. Ele constantemente deixa que seus sentimentos de

domínio atrapalhem a alegria de fazer projetos junto com a família. Eu

não quero esse tipo de parceiro.

Tem pavio curto, guarda rancores. Se alguém pisa no seu calo, não

deixa nada passar! Graças a Deus que é mais fácil ajeitar as coisas

quando toda a família está envolvida. Ele é intenso, nunca fica cansado.

Acho que ele até trabalha nas férias!

Não parece saber comunicar sentimentos ou admitir e tratar

problemas de relacionamentos. Embora não perca a paciência, pode

tornar-se passivamente agressivo ou obstinado.

Impaciente, estrito, falto de sensibilidade. Não expressa seus

sentimentos ou emoções muito bem. É impaciente com respeito a certos

assuntos. Exige muito das pessoas. Às vezes fala sem pensar.

Meu pai jamais cuidou de minhas necessidades emocionais. Por

causa disto, nunca me aproximei muito dele como desejaria. Ele não me

dá crédito pelo meu crescimento como pessoa, mas me deprecia ou ignora.

Pouco comunicativo, tem dificuldade em compartilhar suas

emoções. Usa o silêncio para ferir os outros. Teimoso. Pouco espontâneo.

Muito rotineiro. Não enfrenta os conflitos. Prefere ignorá-los a confrontá-

los, mesmo quando o confronto resolveria o problema.

Falha em cumprir suas obrigações e compromissos. Fica zangado e

guarda rancor. Não consegue se aproximar de ninguém.

Às vezes tem falta de bom-senso. Não-motivado. Perde-se as vezes

em seu pequeno mundo interior. Excessivamente protetor.

Levemente anti-social, demasiado dependente de minha mãe. Não

compartilha dos serviços domésticos. Espírito crítico, mau ouvinte, às

vezes negativo. Difícil de perdoar, guarda raiva dos sogros. Fala antes de

pensar, de vez em quando.

Antes de continuar lendo o livro, leia esta lista novamente duas

vezes. Sublinhe cada palavra ou frase que represente as qualidades

positivas e negativas de seu pai. Você pode desejar refletir sobre as suas

percepções a respeito dele em três estágios da sua vida: quando era criança,

quando adolescente, ou agora como adulta. Se o seu pai já faleceu, avalie

as suas qualidades pelas suas últimas lembranças dele. Este exercício vai

ajudar você a descobrir e lidar com a influência de seu pai sobre a sua vida.

Valores de Seu Pai, Seus Valores

Seu pai comunicou, ou pelo menos tentou comunicar, alguns valores

a você. Você sabe quais são esses valores? Lembra-se das crenças de seu

pai em certas áreas da vida? Passe alguns minutos refletindo sobre como os

valores de seu pai causaram impacto na sua vida. Listados abaixo acham-se

vários pontos importantes da vida. Pense cuidadosamente no que seu pai

pensava sobre cada um deles. Em seguida, complete a declaração que

começa com “Meu pai sempre dizia”, de acordo com cada ponto. Note que

dois exemplos são dados para cada tópico.

Complete depois a declaração que começa com “Eu acredito agora

em”, resumindo a sua posição sobre cada assunto. Compare as duas

declarações para ver como os seus valores e crenças são paralelos aos de

seu pai.

NO QUE EU E MEU PAI ACREDITAMOS

Dinheiro

Exemplos:

Meu pai sempre dizia: “Não gaste o seu dinheiro com coisas triviais”.

Meu pai sempre dizia: “O dinheiro não dá em árvore”.

Meu pai sempre dizia: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Eu acredito agora em: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Alimento

Exemplos:

Meu pai sempre dizia: “Coma sempre os alimentos certos”.

Meu pai sempre dizia: “Se comer tudo isso vai ficar gorda demais”.

Meu pai sempre dizia: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Eu acredito agora em: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Sexo

Exemplos:

Meu pai sempre dizia: “O sexo é um dom de Deus. Mas só tem lugar no

casamento”.

Meu pai sempre dizia: “Tome cuidado para não criar problemas com seu modo de

se vestir”.

Meu pai sempre dizia: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Eu acredito agora em: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Mulheres

Exemplos:

Meu pai sempre dizia: “As mulheres são emotivas e inconstantes demais”.

Meu pai sempre dizia: “As mulheres estão aqui com um propósito”.

Meu pai sempre dizia: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Eu acredito agora em: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Cristianismo

Exemplos:

Meu pai sempre dizia: “A sua fé em Cristo é a decisão mais importante da sua

vida.”.

Meu pai sempre dizia: “Os valores da nossa fé são muito difíceis de obedecer”.

Meu pai sempre dizia: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Eu acredito agora em: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Tempo Livre

Exemplos:

Meu pai sempre dizia: “Use com sabedoria o seu tempo”.

Meu pai sempre dizia: “Relaxe e divirta-se. Quando ficar adulta, terá de

trabalhar”.

Meu pai sempre dizia: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Eu acredito agora em: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Trabalho

Exemplos:

Meu pai sempre dizia: “Você ainda não tem idade para arranjar emprego”.

Meu pai sempre dizia: “Trabalhe bem em qualquer emprego que tiver e terá

sucesso”.

Meu pai sempre dizia: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Eu acredito agora em: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Homens

Exemplos:

Meu pai sempre dizia: “Cuidado quando namorar. Os homens só querem uma

coisa”.

Meu pai sempre dizia: “Procure um homem inteligente e rico, em vez de

aparência”.

Meu pai sempre dizia: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Eu acredito agora em: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Escola

Exemplos:

Meu pai sempre dizia: “Aplique-se o mais possível, traga boas notas e me

orgulharei de você”.

Meu pai sempre dizia: “Porque uma menina deve entrar na faculdade? É perda de

tempo...”.

Meu pai sempre dizia: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Eu acredito agora em: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Profissão

Exemplos:

Meu pai sempre dizia: “Você poderia ser uma boa professora”.

Meu pai sempre dizia: “Você vai acabar médica”.

Meu pai sempre dizia: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Eu acredito agora em: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Auto-estima

Exemplos:

Meu pai sempre dizia: “Cuidado para não ficar impressionada demais consigo

mesma”.

Meu pai sempre dizia: “Eu não valia muito”.

Meu pai sempre dizia: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Eu acredito agora em: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Meus Amigos

Exemplos:

Meu pai sempre dizia: “Escolhi bons amigos”.

Meu pai sempre dizia: “Passei tempo demais com meus amigos quando era

adolescente”.

Meu pai sempre dizia: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Eu acredito agora em: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Medos

Exemplos:

Meu pai sempre dizia: “Não é preciso ter medo de nada neste mundo”.

Meu pai sempre dizia: “Tenho medo que você não venha a ser aquilo que

queremos”.

Meu pai sempre dizia: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Eu acredito agora em: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Emoções

Exemplos:

Meu pai sempre dizia: “Emoções e sentimentos são pura perda de tempo...”.

Meu pai sempre dizia: “Quase nunca entendo os seus sentimentos”.

Meu pai sempre dizia: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

Eu acredito agora em: ...............................................................................................

...................................................................................................................................

O que você aprendeu sobre a sua pessoa e seu pai? Talvez possa

partilhar algumas de suas percepções com ele. É possível que se

surpreenda ao saber que você ainda lembra das coisas em que ele acredita.

Neste capítulo você lembrou e expressou várias coisas sobre o seu

pai. Você já deu um passo gigantesco no sentido de compreender e

responder à influência dele na sua vida. O próximo passo é investigar as

imagens que as filhas têm de seus pais. Como seu pai era/é? Ele representa

o ideal de um pai perfeito? Continue lendo.

2. IMAGENS DE SEU PAI

Pai. A palavra evoca muitas imagens na mente de uma filha. Ele é

chamado de pai, papai,ou papaizinho. Para a decepção de muitas mães, a

primeira palavra que sua filha diz é muitas vezes “papá” em vez de

“mamã”.

O pai entra no mundo da menina impressionando-o por vários

aspectos. Ela no geral o percebe como diretor da sua vida, seu mentor e

guia. Talvez o veja como seu provedor e fonte da sua segurança. Muitas

meninas crescem ouvindo a frase reconfortante “Quando o papai chegar

em casal, ele conserta isso”. Você certamente tem lembranças de um pai

que sabe resolver cada problema endireitar as piores confusões. Ou não

tem?

É possível que você tenha crescido num lar bastante tradicional, onde

seu pai era a principal fonte de renda. Ele pagava as contas e dava mesadas

em dias certos. Levava a família para viajar nas férias, e quando iam ao

restaurante era ele quem fazia o pedido para todos. Na sua inocência

infantil, você via seu pai como todo-poderoso. As filhas gostam do

sentimento de segurança e força que esta imagem proporciona.

A imagem que você tem de seu pai pode incluir as características

bíblicas de um líder familiar, tal como a descrição do homem piedoso em

1ª Timóteo 3:4 “Que (ele) governe bem a sua própria casa, criando os

filhos sob disciplina, com todo o respeito”

Quem sabe ele tenha sido (ou é) um bom exemplo das diretrizes

bíblicas para os pais, tais como: “Estas palavras que hoje te ordeno, estarão

no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em

tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te” (Dt 6:6-

7); “E vós pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na

disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef.6.4); e “Pais, não irriteis os

vossos filhos, para que não fiquem desanimados” (Cl.3.21).

A paternidade é um chamado espiritual sublime. Os pais devem

ensinar, encorajar, guiar e prover o essencial para seus filhos. Se o seu pai

cumpriu o papel de líder espiritual do lar, você é abençoada e deve sentir-

se profundamente grata.

Falamos até agora sobre os pais que deixaram uma imagem positiva

em suas filhas adultas. Mas você talvez não possa identificar-se

plenamente com a figura do líder e provedor familiar forte e piedoso, por

não ter tido esse tipo de pai. Seu pai pode ter sido mais como os pais da

Bela Adormecida e de Cinderela, que afetaram a vida de suas filhas de

maneira nada positiva.

O pai de Bela Adormecida era também o rei. Ele amava a filha,

infelizmente esqueceu-se de convidar uma das fadas mais velhas e mais

poderosas para o batismo dela em seu reino. O esquecimento dele resultou

em 100 anos de sono e inatividade para a filha.

O pai de Cinderela também criou problemas para a filha. Ele

permitiu que uma segunda esposa dominadora o subjugasse. Em vista

disto, Cinderela foi condenada pela madrasta a vestir-se de trapos e servir

como empregada da casa.

Nos dois contos de fadas, os pais estavam presentes na vida das

filhas, mas sem eficácia. A glória de cada história é que ambas as heroínas

foram resgatadas dos cárceres de seus lares por príncipes jovens e belos.

Da mesma forma, muitas mulheres cresceram em lares governados por pais

menos que ideais, se agarraram ao primeiro “príncipe” que lhes propôs

casamento, esperando encontrar a segurança e proteção que faltou aos seus

pais.

É também possível que a imagem que você carrega não seja a de um

pai ideal ou a de um pai presente mas ineficaz, e, sim, a de um pai abusivo

ou ausente. As suas lembranças de seu pai talvez estejam tão anuviadas

pelas suas qualidades negativas que você tem de lutar para descobrir em

seu íntimo pensamentos ou sentimentos positivos a respeito dele. Não

importa qual seja a imagem que tem de seu pai, os capítulos seguintes irão

ajudá-la a lidar com as experiências passadas e com a sua situação presente

de maneira significativa e produtiva.

A Contribuição Ímpar do Pai

Os pais têm um papel único e definido na moldagem do futuro de

seus filhos. Williard Gaylin, autor do livro Feelings (Sentimentos),

descreve isso

Se tivermos experimentado algo forte demais no passado,

podemos esperar o mesmo onde não devemos, e percebê-lo

onde ele não existe. Se, por exemplo, fomos intimidados por

um pai excessivamente severo que nos aterrorizava, podemos

considerar todas as figuras de autoridade com a prevenção

que essa lembrança predominante do passado provoca. A

lembrança dessa autoridade pode ser mais real para nós do

que a figura de autoridade atual com quem estamos

envolvidos. Por mais amável e não-desafiadora que seja esta

figura, iremos provavelmente abordar cada professor, cada

empregador, como se ele tivesse tanto o poder como a

personalidade daquele pai prepotente que antes governou a

nossa vida.

Em suas entrevistas com mulheres, Suzanne Fields identificou alguns

aspectos da influência do pai sobre a vida da filha:

À medida que as mulheres adultas descrevem as suas

lembranças, elas tocam em aspectos-chave da maturidade

sexual e psicológica do adulto. As mulheres vêem paralelos

pai-filha em seus casamentos e relacionamentos de amor,

quando o pai lança uma sombra alongada sobre a

sexualidade, trabalho, procriação e recreação.

Competência e Feminilidade são os valores gêmeos que a

maioria das mulheres que entrevistei salientou como sendo os

valores fortemente influenciados por seu pai, as qualidades

positivas que nutrem a sua auto-estima, seu trabalho, e

relação de amor.

Seus pais foram os seus primeiros modelos e cada pai desempenhou

um papel diferente em seu desenvolvimento. É certo que os papéis de mãe

e pai se sobrepuseram em muitas áreas da sua educação e

desenvolvimento. Vamos examinar especialmente alguns pontos em que a

contribuição de seu pai se destaca do papel da mãe.

Introdução à masculinidade: Seu pai foi o veículo usado para

apresentá-la ao sexo oposto. Quão cuidadosamente você foi ensinada sobre

a masculinidade – tanto direta como indiretamente – por seu pai, e quão

bem aprendeu essas lições, se evidenciará na sua interação com os homens

em sua vida pessoal e profissional. Seu pai coloriu a sua percepção dos

homens e moldou as suas expectativas de como eles irão ou deverão

comportar-se com você

O amor do pai: As mães e os pais expressam seu amor pelas filhas

de maneiras diferentes. O amor da mãe tende a ser incondicional,

oferecendo um sentido geral de segurança. Mas o amor do pai é quase

sempre oferecido como uma recompensa pelo desempenho da filha,

fazendo com que ela suponha que o amor dele deve ser, por assim dizer,

comprado.

A expressão do amor do pai é ainda mais complicada pelo fato de

que muitos deles são incapazes de oferecer um afeto espontâneo, direto, às

filhas. Eles tendem a ocultar suas emoções ternas. As mães precisam no

geral traduzir para as filhas o amor não-expresso dos pais. “Seu pai ama

realmente você”, a mãe irá consolar a filha “mas ele não consegue mostrar

isso abertamente”. A filha que tem a felicidade de possuir um pai que sabe

expressar seus sentimentos mais profundos recebeu um dom precioso que

irá enriquecer a sua vida e suas lembranças sobre ele.

E você? Como seu pai compartilhou o seu amor com você,

especialmente as suas mais ternas emoções? Sua mãe se envolveu na

tradução desse amor em termos que você pudesse entender?

“Essa é a minha garota”. A validação e a aprovação que o pai

demonstra à filha em seus primeiros anos é diferente da que é demonstra à

filha em seus primeiros anos é diferente da que é demonstrada pela mãe. A

mãe está muito mais presente do que o pai, portanto, os comentários e

reações dele causaram mais impacto. Por quê? Por serem expressos de

modo diferente e com menos freqüência. Seu envolvimento positivo pode

ajudar a impedir que a filha se torne excessivamente dependente da mãe.

A confiança do pai na filha e nas suas habilidades, irá incutir nela a

confiança necessária para sobreviver sozinha.

É importante que o pai respeite, admire e, acima de tudo, leve a sério

o fato de que sua menininha se encontra no processo de tornar-se mulher.

Se o pai não liberta a “garotinha” em algum ponto, uma dependência

psicológica pouco sadia pode nascer. Quando a superdependência persiste

depois que a filha chega à idade adulta, os dois irão continuar a interagir

como pai e filha, em vez de alcançarem um nível de relacionamento como

adultos. Seu pai pode ser sempre uma figura de autoridade na sua vida de

certas formas, mas não deve ser tão predominante na sua existência adulta

como era na sua infância.

Moldando o futuro. Os pais têm um meio ímpar de apresentar suas

filhas ao futuro e de moldar seus papéis. Alguns pais incutem nas filhas

uma visão expandida de seu potencial, como ilustrado pelos comentários

de uma mulher de negócios bem-sucedida com quem falei recentemente.

“Quando eu era muito jovem”, disse ela, “meu pai me sentava sobre os

seus joelhos e me dizia que não havia nada que eu não pudesse fazer. Eu

tinha condições de realizar tudo que decidisse tentar. Ele me transmitiu fé

em mim mesma e nas minhas habilidades”.

Outros pais, infelizmente, só dão às filhas uma visão limitada de seu

papel no mundo. Eles comunicam que as mulheres devem seguir os papéis

prescritos de esposa, mãe, dona de casa, voluntária, etc. Esses papéis são

excelentes, desde que sejam a escolha da filha entre uma variedade de

opções para as mulheres de hoje. Mas, muitas filhas não são encorajadas a

serem tudo o que poderia ser. E muitas mulheres que alcançam êxito fora

de casa, apesar das idéias estreitas dos pais, têm medo do sucesso em

grandes doses. Elas projetam as perspectivas dos pais sobre os

colaboradores do sexo masculino e sobre a possibilidade de se tornarem

uma ameaça para os maridos.

Os pais desempenham um papel crucial na percepção da ambição,

sucesso e competência por parte das filhas. O pai sábio irá transmitir a

idéia de que nenhuma dessas características é incompatível com a

feminilidade. As mulheres também aprendem com os pais sobre o poder

nas relações de trabalho. Esperamos que também aprendam a futilidade de

tentar alcançar êxito excessivo e de construir a sua identidade sobre esse

sucesso.

O Fator Feminino

O seu relacionamento com seu pai foi a sua primeira interação com o

gênero masculino. Ele foi o primeiro homem cuja atenção você quis

conquistar. Foi o primeiro homem com quem flertou, o primeiro a abraçá-

la e beijá-la, o primeiro a considerá-la como uma garota muito especial

entre todas as outras. O conjunto dessas experiências com seu pai foi vital

para cultivar o elemento que a torna diferente dele e de todos os outros

homens: a sua feminilidade. A atenção dedicada do pai pela filha, a prepara

para o seu papel feminino único como namorada, noiva e esposa.

Se algo faltou no seu relacionamento com seu pai quando criança, o

desenvolvimento da sua feminilidade foi a maior vítima. Por quê? Quando

menina, você expressou pela sua natureza, todos os traços em botão do

gênero feminino. Se seu pai este emocionalmente ou fisicamente ausente,

ou se era rude, rejeitador ou irado em relação a você, é natural que

automática e subconscientemente tenha ligado a desaprovação dele à sua

feminilidade.

Você não tinha a capacidade intelectual de compreender a rejeição

dele, nem possuía a estrutura defensiva interior para isolar-se contra ela.

Simples e ingenuamente raciocinou: “Quero que meu pai goste de mim;

papai não gosta de mim como sou; vou mudar meu modo de ser para que

ele venha a gostar de mim”.

Quando o pai não valoriza ou responde à feminilidade da filha, o

desenvolvimento dela se atrofia. Quando a filha não sente que agrada o pai

na infância, ela fica incompleta; tem de descobrir sozinha a sua

feminilidade, no geral com resultados trágicos em seus relacionamentos

com os homens.

Os pais afetam a feminilidade das filhas. O pai que não se sente

muito ameaçado pela sexualidade da filha e se mostra caloroso e aprovador

em relação a ela, ajuda essa menina a chegar à maturidade de maneira

normal. É fato que a sexualidade da mulher se desenvolve no correr de

toda a sua vida, suas primeiras interações com o pai. A sua feminilidade é

encorajada pelo sorriso de seu pai quando pisca para ele e pela sua

expressão de prazer com seu corte de cabelo, vestido ou sapatos novos.

Você se lembra da alegria de comprar uma roupa nova e ficar

aguardando para ver a reação de seu pai? Você esperou que ele se

mostrasse feliz e lhe dissesse como estava bonita? Ele a pegou no colo e

dançou com você? A auto-imagem sexual da mulher é parcialmente

moldada pelas reações do pai a ela.

Leon Hammer, um psicoterapeuta que lida com frigidez sexual nas

mulheres, discute o papel do pai no desenvolvimento da sexualidade da

filha:

Este homem deve ser, sentir, apreciar e reagir a cada aspecto

da feminilidade da filha – cabelo, corpo, roupas, riso, voz,

andar e gestos. Ele deve mostrar seu prazer abraçando-a,

beijando-a, fazendo cócegas e brincando com ela. O prazer

que recebe e o prazer que oferece em resposta espontânea

determinarão até que ponto a menina pode sentir prazer com

a presença e existência de um homem.

Quando a garota chega à idade adulta sem os benefícios da afirmação

da sua feminilidade pelo pai, ela pode tornar-se como descreveu um

escritor, uma “amazona encouraçada”. Ela reage contra o pai negligente

assumindo algumas das funções masculinas da paternidade. Desde que o

pai não proveu a imagem masculina que precisava, decide desempenhar

então este papel. Constrói uma auto-identidade forte e masculina, mediante

realizações pessoais ou lutando agressivamente por uma causa. Pode

refletir os traços paternais, controlando as pessoas e as situações e

“estabelecendo as regras”. Passa a ser um dínamo humano em função, e em

casa governa a família como se fosse uma empresa.

Esta pseudo-masculinidade serve como uma concha protetora da

mulher. É a sua armadura e escudo contra a dor de ter sido abandonada ou

rejeitada pelo pai. Ela usa sua armadura para proteger o lado feminino

suave e vulnerável que foi rejeitado em vez de afirmado pelo pai.

Mas, a armadura que impede efetivamente que o exterior penetre,

também impede que o interior externe. A amazona encouraçada tem

dificuldade de mostrar seus sentimentos femininos, o lado naturalmente

suave de seu caráter. Ela se afasta dos relacionamentos sadios com os

homens e da vida plena para a qual foi criada como mulher.

Você se identifica de alguma forma com esta descrição? Pode ver

alguns traços da amazona encouraçada na sua personalidade? Percebeu de

repente que a sua vida de hoje reflete a negação da sua feminilidade pelo

seu pai quando criança? Os capítulos que seguem irão ajudá-la a aceitar a

si mesma e aos seus sentimentos sobre seu pai.

O Pai Que Afirma

Uma das contribuições mais importantes que um pai pode fazer para

a vida de sua filha em crescimento é a sua afirmação quanto a ela. Se seu

pai modelou algumas das características do pai afirmador discutidas nas

páginas seguintes, as chances são que tenha um bom relacionamento com

ele (se estiver vivo), uma auto-imagem positiva e relacionamentos

saudáveis com os homens da sua vida. Mas se o seu pai não correspondeu

ao perfil descrito aqui, você provavelmente tem dificuldade em conviver

com ele agora. Dependendo do nível da privação que experimentou, pode

ter também dificuldade em aceitar a si mesma e em se relacionar com

outros homens.

Ao comparar seu pai com as características abaixo, tenha cuidado

para não condená-lo ou ter piedade de si mesma pelas falhas dele. O

propósito desta seção é ajudar você a compreender como o comportamento

do seu pai moldou a sua vida, e pavimentar o caminho para que seu

relacionamento com ele melhore.

Uma abordagem equilibrada. É importante que o pai afirme as

qualidades físicas da filha, mas não minimize outras qualidades tais como

empreendimentos, valores e atitudes, especialmente as ensinadas na Bíblia.

A filha precisa ter amor e aprovação exatamente pelo que é e não pelo que

o pai desejaria que fosse.

Elogios e afirmações devem ser expressos freqüentemente e

incondicionalmente. Ouvi pais dizerem às filhas “Se não cuidar melhor da

sua aparência, ninguém vai convidá-la para sair”, ou “Se não perder alguns

quilos, pode desistir de arranjar namorado”. Comentários desse tipo,

mesmo que contenham um grão de verdade, são o oposto da afirmação. Os

padrões do pai para o que a filha deveria ser são obviamente mais

importantes do que aquilo que ela é, magoando profundamente os

sentimentos dela.

Como seu pai afirmou você? Houve um equilíbrio nos comentários,

ou ele enfocou demasiado a sua aparência física? A afirmação que lhe deu

foi incondicional ou baseada na sua obediência aos padrões dele para com

você?

Foco no feminino. Alguns pais encorajam o lado feminino das

filhas, mas outros sentem ameaçados por ele. Esses homens não sabem

como lidar com a adoração da filha e se afastam então das reações

femininas dela. Esta rejeição do pai pode levar a filha a sentir-se pouco

confortável em suas futuras relações com os homens, desde que sua

experiência inicial de “namoro” com o pai não foi compensadora.

Alguns pais podem ter outros motivos para afirmar a feminilidade

das filhas, como relatado por William Woolfolk e Donna W. Cross:

Os pais de caráter forte ou prepotente podem influenciar

demasiado as filhas. De fato, podem moldar o caráter das

filhas como uma compensação por não ter tido o tipo de mãe

ou esposa que desejavam. Para alguns pais, as filhas se

tornam a esperança do seu futuro. As filhas são alguém que

podem plasmar, transformando-as no tipo de pessoa que irá

trazer-lhes a felicidade que nunca tiveram. A influência

paterna é transmitida tão indiretamente que muitos

subestimaram a extensão da sua influência no decorrer dos

anos.

O pai é o veículo através do qual a filha chega à compreensão do seu

valor. William Reynolds na obra, “The American Father” (O Pai

Americano), disse que nem “pai, filho, mãe ou amante pode dar ao pai o

que a filha dá: aprovação e admiração sem que seja necessário fazer

absolutamente nada”. A menininha do papai pode cobri-lo com as vestes do

verdadeiro herói e a única exigência é que ele simplesmente compareça.

Em qualquer outro lugar que vá, o pai tem de esforçar-se para obter amor,

respeito, dinheiro, etc. Só sua filha o recompensa gratuitamente.

O pai que admira as roupas da filha, seus primeiros esforços para

maquilar-se, seus enfeites e sua atração como mulher, ajuda a desenvolver

nela a confiança que precisa para relacionar-se mais tarde com outros

homens. Infelizmente, alguns pais se sentem tão pouco à vontade com as

tentativas de feminilidade da filha que as ridicularizam em vez de afirmá-

las. Eles tendem a encolher-se quando ela mostra seu charme ou a afastam

por estarem cansados ou irritados demais para responder afirmativamente.

Os resultados dessas rejeições serão vistos na insegurança da jovem e nas

suas dúvidas quanto à sua habilidade para atrair um homem.

Seu pai apreciou e afirmou a sua feminilidade, ou se sentia

desconfortável com ela? Você pode ver como as reações dele à sua

feminilidade moldaram a sua vida atual?

Afirmando a pessoa total. A afirmação genuína é importante não só

pelo sentimento momentâneo de segurança que oferece, como também

abre a porta para relacionamentos saudáveis no futuro. A jovenzinha

precisa saber pelos lábios do pai que é atraente, que sua conversa é

interessante e que a sua criatividade tem valor.

Se o pai aplaudir seus atributos mentais e espirituais durante os anos

formativos, ela aprenderá a não confiar apenas nas qualidades superficiais

como o apelo sexual para atrair os homens quando adulta. A afirmação do

pai em doses apropriadas irá convencê-la de que é uma pessoa importante e

não um objeto sexual.

Se o pai for perceptivo, irá começar bem cedo na vida da filha a fazer

com que ela saiba como está satisfeito com ela como pessoa. Ele irá

afirmá-la por ser e não só por fazer. Irá insistir para que imite os traços

admiráveis da mãe.

Mediante a aprovação e afirmação, ele irá destacar constantemente as

suas capacidades em desenvolvimento. Irá ressaltar os empreendimentos

valiosos de outras mulheres que estão realizando coisas no mundo e

encorajá-la a empreendimentos dignos de nota. À medida que aprende a

agradá-lo dessa forma, ela saberá comportar-se com confiança entre os

outros homens quando crescer. Seus relacionamentos adultos com os

homens serão de um calibre extremamente elevado se o pai permitir que

tenha um relacionamento de alto calibre com ele.

O Pai que Fere

Seria esplêndido se um número maior de pais pudesse afirmar as

filhas deste modo. Mas, por causa do ambiente em que viveram, das suas

experiências pessoais ou por falta de oportunidade para se desenvolverem,

muitos pais acabaram machucando as filhas em vez de cultivá-las mediante

a afirmação.

Alguns pais de caráter fraco, ou que mudam constantemente de

emprego, os consumidos pelo álcool, ou os jogadores compulsivos são uma

fonte constante de vergonha para as filhas. Eu os encontrei. O pai pode

ferir a filha com a sua ausência, seja através do divórcio, doença, morte ou

falta de envolvimento. Ele pode também feri-la deixando de estabelecer

limites para ela e ignorando as diretrizes bíblicas para a sua vida. Pode

mimá-la tanto que ela nunca desenvolve limites, valores ou respeito pela

autoridade em sua vida.

Alguns pais podem inconscientemente apaixonar-se pelas filhas e de

alguma forma mantê-las numa prisão pessoal. Outros são preconceituosos

e "machos", deleitando-se com o seu poder e autoridade, depreciando as

filhas e desvalorizando suas características e qualidades femininas. Outros

ainda trabalham 80 horas por semana e alcançam muito sucesso, mas ferem

as filhas por serem passivos e desligados em casa.

O pai precisa estar presente para a filha física, emocional, intelectual

e espiritualmente. Ao comprometer-se em ser um pai afirmador, ele pode

ajudar a filha a desenvolver-se também em todas estas dimensões

Muitas mulheres foram feridas pelos pais por falta de aceitação,

criando sentimentos de insegurança, desinteresse e isolamento. Em

conseqüência, essas mulheres não sabem conviver com homem algum.

Algumas delas aprendem a não esperar amor, cordialidade, proximidade ou

intimidade por parte do homem, porque essas qualidades jamais estiveram

evidentes em seus pais. Essas mulheres que foram privadas do amor e

atenção paternal sentem-se geralmente enganadas. Elas têm muita raiva

dos pais e dos homens em geral.

Quando qualquer outro homem falha em relação a elas, sua ira

sufocada explode. Muitos homens são punidos e afastados dessas

mulheres, não por causa do que fizeram, mas pelas atitudes negativas

anteriores dos pais na vida das filhas.

Algumas mulheres feridas reagem à privação do amor paterno de

maneira oposta: mostrando um apetite excessivo por homens. Elas exigem

dos homens relacionamentos marcados por dedicação total. Tive

oportunidade de conhecer mulheres feridas que queriam vier num estado