Sempre a Menininha do Papai por H. Norman Wright - Versão HTML

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perpétuo de namoro. Quando o relacionamento se tornava rotineiro e

previsível, ela o termina e busca outro homem que possa satisfazer o seu

desejo intenso de amor e aceitação

A imagem de seu pai contém algumas das características do pai que

fere aqui descrito? Você se identifica com os traços de mulher ferida? As

boas notícias são que seus ferimentos e seu relacionamento com o seu pai

podem ser curados.

O Desafio da Adolescência

A influência do pai sobre a vida da filha é decisiva na infância. Mas

que efeito tem o pai sobre a filha quando ela chega à adolescência? Ele

continua tendo uma influência significativa. A jovem está iniciando o

processo de separação emocional do pai. Este fato, por si mesmo, provoca

um certo sofrimento e perturbação no relacionamento pai-filha, mesmo

quando essa relação é positiva.

O pai pode prejudicar a filha adolescente emocional e sexualmente

nessa época, reagindo de modo negativo à sua sexualidade em

desenvolvimento. Quando o corpo da menina começa a amadurecer,

muitos pais se afastam inconscientemente das filhas. Os pais ficam às

vezes perturbados com o efeito sexual que as filhas exercem sobre eles ou

que eles podem ter sobre elas. Como resultado, sentar no colo, beijos e

abraços tendem a diminuir.

Mas as garotas adolescentes continuam tendo necessidade de contato

com os pais. Certos tipos de brincadeiras podem não ser mais apropriados,

mas o afeto físico deve continuar sendo expresso de maneiras não sexuais.

As meninas que se tornam promíscuas na adolescência, muitas vezes vêm

de lares onde os pais não foram muito afetuosos. Esses pais falharam em

suprir as necessidades das filhas de serem tocadas e afirmadas fisicamente.

Quando o pai recua ou se afasta da filha por sentir-se ameaçado pelo

seu desenvolvimento físico, ele abandona grande parte de seu papel

paternal de aconselhamento e interação e o entrega à mãe. A sua retirada a

essa altura também deixa a filha despreparada para reagir adequadamente

aos homens ao nível do amor romântico. O Dr. William S. Appleton

declara:

Feliz a adolescente que tem um pai cordial, sem ser

sedutor, e atento, sem interferir, que possui um bom grau

de paciência para suportar a rebelião e agressão dela. Aos

14 ou 15 anos ela pode gritar: "Eu te odeio" e ele não irá

revidar iradamente ou afastar-se dela. Os dois se

esforçam ao máximo para ajustar-se à idéia dela tornar-se

uma mulher sexual, em vez de fingir que continua sendo

uma menina.

Ele gosta de ver o corpo da filha amadurecer sem

comentários ou medo. À medida que aceita o

desenvolvimento sexual da adolescente, o mesmo

acontece com ela, embora ambos sintam um tanto

desconfortáveis a respeito disso.

A reação positiva e aceitação do pai ajudam a mulher a

crescer sexualmente. Ao procurar não ser um rival dos

namorados dela, nem ser mais brilhante ou mais atraente

do que eles, mas agir como pai mesmo quando isso

requer posições que a filha não aprecia e que a fazem

ficar zangada, ele permite que alguém a afaste dele.

A adolescência da filha é um problema principalmente para o pai. A

separação se torna iminente e isso o deixa desconfortável. Por causa da sua

ansiedade, qualquer problema entre pai e filha durante a adolescência. O

fato da sua menininha estar prestes a sair de casa sublinha vividamente a

realidade do seu processo de envelhecimento – e isso é muito

desconfortável para ele!

Os anos da adolescência da filha são também um problema para o pai

por coincidirem com os outros conflitos da meia idade: o emprego, o

casamento, etc. Ela pode ficar embaraçada com a menor coisa que ele

disser ou fizer, tornando tenso o relacionamento.

Ele quer que a filha seja previsível, mas ela está mais imprevisível do

que nunca. Ele quer prendê-la, mas sabe que tem de libertá-la da infância

para que se torne um "semi-adulto" mais independente. Todavia, permitir

que se torne independente e não precise mais tanto dele, deixa um vazio

em sua vida.

Como seria diferente a vida da família se o pai pudesse falar de seus

sentimentos de desconforto e mudança com a mulher e a filha nessa época!

Mas bem poucos pais fazem isso. Se a família pudesse trabalhar nessas

mudanças em conjunto, todos os envolvidos se sentiriam melhor.

Outro ajuste importante para o pai durante a adolescência da filha é

quando os rapazinhos começam a rodear a casa ou quando ouve vozes de

barítono, em tom rachado, perguntando por ela ao telefone. Os pais podem

sentir-se perturbados com a invasão dos garotos porque acham que está

acontecendo cedo demais – embora saibam que é inevitável. É um sinal de

que ele está perdendo a sua menina. Pode sentir-se então indefeso,

enciumado, protetor e solitário – ou tudo isso ao mesmo tempo!

O pai autoritário tenta impor-se durante a adolescência da filha,

controlando-a para bloquear o desenvolvimento da independência que ela

precisa para entrar na idade adulta. Muitos pais querem que as filhas sejam

independentes – mas só de acordo com as regras deles. Sua desculpa é: "Só

quero o melhor para ela. Como sou mais velho e mais experiente, penso

que sei o que é esse melhor".

O pai passivo tende a afastar-se mais ainda nesse período. Suas

mágoas – inclusive sentimentos de estar sendo traído pela filha – não são

expressas verbalmente, mas através de seu comportamento.

A filha adolescente precisa, entretanto, do pai. Se ele recuar

emocionalmente, ela pode sentir-se abandonada e até culpada. Um escritor

fez esta bela declaração: "Para que uma jovem possa passar para a idade

adulta como mulher, o pai deve permitir-se chorar pela perda da sua

menina e depois celebrar a chegada de uma jovem mulher".

Durante a adolescência da filha, o pai sente-se deslocado. Ela

costumava perguntar-lhe se gostava do seu penteado, agora pergunta ao

namorado. Estes e outros comportamentos fazem com que alguns pais se

sintam expulsos da vida das filhas. Eles ficam também freqüentemente

perplexos com o novo e estranho comportamento delas. As emoções dela

sobem, descem e andam de lado; a previsibilidade da menina desapareceu

Os pais precisam ser pacientes e compreensivos durante esta transição. O

pai deve aceitar o fato de que não é mais o homem mais importante da vida

da filha. O seu amor e aprovação, porém, continuam sendo muito

importantes para ela.

Uma das maneiras através da qual o pai pode preparar a filha para a

juventude e os desafios dos relacionamentos com os jovens é partilhando

com ela alguns dos seus discernimentos sobre os homens e como eles

reagem às mulheres. Infelizmente, poucos homens aproveitam esta

oportunidade. Eles caracteristicamente exageram a recomendação: "Tenha

cuidado, e não vá cair em dificuldades com os garotos". Esse conselho

geralmente reflete a ansiedade do pai sobre o desenvolvimento da

sexualidade da filha. Sua ansiedade pode refletir também a maneira como

ele se comportava durante a adolescência

Mas o pai que dá à filha uma idéia do que os rapazes pensam sobre

as moças, sobre a pressão dos amigos que eles enfrentam para

desempenhar-se sexualmente e sobre como prever algumas das situações

rapaz-moça que ela vai encontrar, irá ajudá-la a lidar com o turbulento

período da adolescência. Ele pode assegurá-la antecipadamente e

reassegurá-la nos momentos em que ela enfrentar decepções com os

rapazes em sua vida, de que o seu valor não está baseado nas reações de

outros. Se o pai ajudar a preparar a filha antecipadamente para os desafios

da adolescência e escutá-la em meio aos mesmos, ela irá provavelmente

voltar-se para ele nas horas de desespero, sabendo que ele estará à sua

disposição.

Lembro-me de inúmeras vezes em que minha filha, Sheryl,

aproximou-se de mim durante seus anos de adolescência com os seus

problemas. Por eu ter a tendência de dar conselhos e buscar soluções

(características típicas de um homem e de um professor!), aprendi a

perguntar-lhe: – Você quer que eu só ouça ou quer algumas sugestões? –

Na maioria das vezes ela respondia: – Gostaria de algumas sugestões. –

Mas, houve vezes em que tudo que necessitava era de um ouvido atento.

Devo admitir que só escutar nem sempre foi a coisa mais fácil para fazer

no meu caso.

O que você lembra do envolvimento de seu pai com você durante a

adolescência? Ele era autoritário ou passivo com respeito ao seu

desenvolvimento sexual e seus primeiros envolvimentos com os meninos?

Era acessível ou distante quando se tratava de discutir os problemas da

adolescência?

Quando a Filha Deixa o Ninho

Quando as filhas se tornam adultas, alguns sabem como soltá-las,

mas outros continuam a mantê-las presas. É vital para o desenvolvimento

da filha que o pai encoraje a sua transição para o mundo profissional e

aceite a saída dela de casa. Isto não significa que ele via desaparecer da

vida dela. Sua disponibilidade é tão importante – e essa é a palavra-chave:

disponibilidade. A filha adulta tem a opção e não mais a responsabilidade

de recorrer ao pai.

A transição da filha para a idade adulta geralmente envolve uma certa

tristeza para o pai. Mas se ele puder chorar, aceitar a perda e recuperar-se,

irá passar para uma nova fase de relacionamento com a filha adulta,

igualmente agradável.

A maneira como a filha se separa do pai irá colorir a maneira como

ela se relacionará com outros homens em sua vida. A filha que experimenta

rejeição por parte do pai, ou que considera a saída do pai da sua vida como

rejeição, pode sentir ira e ansiedade com relação aos homens em geral.

O medo de uma futura rejeição pelos homens irá promover

hostilidade, e isto aumenta a probabilidade de outros homens virem a

rejeitá-la. A filha que interpreta o divórcio do pai como uma rejeição

pessoal, pode viver com o medo contínuo de ser rejeitada algum dia pelo

marido.

Os pais geralmente dão presentes às filhas. Muitos deles são caros,

escolhidos com cuidado. Mas alguns presentes materiais são dados como

um substituto para os dons de amor e tempo que a filha precisa receber do

pai, mais do que precisa de jóias, de um carro ou de uma educação de nível

superior.

O melhor presente que um pai pode dar à filha que está de partida é

seu apoio e crença nela – uma crença que irá encorajá-la a desenvolver

todo o seu potencial como pessoa e mulher. Espera-se que este presente

inclua introduzi-la de maneira saudável ao amor do Pai celestial e da Sua

aceitação dela como pessoa e mulher.

Como seu pai lidou com a sua transição para a idade adulta? Até que

ponto ele lhe deu o dom do apoio e da confiança? Até que ponto ele reteve

esses dons? De que forma a separação de seu pai causou impacto sobre

suas relações com outros homens, inclusive seu marido?

Ao escrever este capítulo, a transição de minha filha para a idade

adulta ainda está fresca em minha mente. Há alguns meses tive o privilégio

de levá-la ao altar para unir-se com um jovem em casamento Fiquei, na

verdade, imaginando como poderia lidar com minhas emoções naquele dia.

A mãe dela e eu havíamos passado por várias tempestades enquanto

observávamos Sheryl entrar na idade adulta e preparar-se para o casamento

aos 27 anos. Ficamos à espera desse dia durante muito tempo. Foi uma

ocasião extremamente alegre para nós.

Parte da minha preocupação estava em como iria conduzir a

cerimônia nupcial. Mas os meus temores eram infundados. Mantive a

compostura e controlei minhas emoções (coisa muito importante para os

homens!). Dois dias depois, porém, enquanto assistia ao vídeo da

cerimônia de casamento, alguma coisa aconteceu. Enquanto observava

Sheryl e eu andando pela nave da Igreja juntos, minha sensação de perda

misturada com alegria veio à superfície e as lágrimas correram pelo meu

rosto.

E imagine só, bem no meio da minha explosão sentimental o telefone

tocou! – Oi pai, – disse a voz familiar, – O que você está fazendo? –

Enquanto começava a contar a Sheryl o que eu estava sentindo naquele

momento, minha voz ficou embargada e as palavras não conseguiram sair.

Por ser sensível e perspicaz, Sheryl sabia o que eu estava experimentando.

– Papai, – disse ela, – vou ser sempre a sua menininha.

Isso não ajudou absolutamente a aquietar as minhas emoções! Mas

não podia ter pedido uma palavra de conforto melhor. É verdade, ela é

minha filha adulta, casada, mas continua sendo minha menininha. Trata-se

apenas de um novo relacionamento para nós, parte de um estágio de

transição normal da vida.

Os pais têm influência sobre as filhas. Enquanto continua lendo,

tenha em mente estas três perguntas importantes.

1. De que forma você é um produto do seu relacionamento com seu pai?

2. De que forma você gostaria de mudar alguns dos resultados do seu

relacionamento com seu pai?

3. Se você é mãe de uma filha, qual o padrão que já está se desenvolvendo

entre seu marido e sua filha? Vocês já conversaram juntos sobre o

relacionamento deles? Fale a respeito. Use os princípios deste livro

para ajudála a preparar um roteiro positivo me vez de permitir que

esses relacionamentos apenas aconteçam. Junto com seu marido, você,

como filha adulta, tem uma oportunidade de influenciar positivamente

sua própria filha.

3. POR QUE MEU PAI ME DESAPONTOU?

O restaurante super lotado vibrava com a conversa barulhenta de

hora do almoço. Duas mulheres comprimidas numa mesinha perto da

minha, discutiam acaloradamente suas decepções sobre os namorados. Elas

compararam aspectos desconcertantes de como os dois as tratavam. Depois

de ouvir a amiga descrever uma experiência de especial grosseria, Denise

levantou as mãos e explodiu em voz alta: – Bem, o que você esperava, ele

é homem, não é?

Ao ouvir as palavras violentas de Denise, vários clientes pararam de

falar e se viraram para ela. Foi interessante observar as diferentes respostas

não-verbais dos que a ouviram. Os homens apresentavam uma expressão

perplexa ou franziam a sobrancelha, mas as mulheres sorriam ou

balançavam a cabeça apoiando.

A pergunta era boa. O que você espera de um homem? Eu gostaria de

fazer uma pergunta paralela: O que você esperava de seu pai? Você tinha

certas expectativas quando criança no seu relacionamento com seu pai e

tem expectativas agora como filha adulta. Muitas de nossas expectativas

para as pessoas refletem nossos desejos em vez de nossas necessidades.

As expectativas que teve com respeito a seu pai eram realistas e ele

tinha condições de atingi-las? Seu pai realizou todas as suas expectativas

infantis? E as suas expectativas atuais? Estão sendo satisfeitas por ele?

Conflitos ocorrem quando um pai não pode ou não vive de acordo com as

expectativas da filha, ou quando as expectativas não realizadas se

transformam em exigências.

Os pais e as filhas, se chocam quanto às expectativas, porque os

homens são diferentes das mulheres. Os homens são construídos de modo

diferente por dentro e por fora. Por exemplo, a pele do homem enruga mais

tarde do que a da mulher – o que muitas mulheres consideram injusto! Os

homens falam menos de si mesmos, mas se preocupam mais do que as

mulheres. Essa diferença surpreende você? Pense sobre isto: Quantos

homens se abrem e lhe contam o que os preocupa?

Os homens possuem características diferentes das mulheres e com

essas características surgem limitações que freqüentemente impedem os

pais de satisfazerem as expectativas das filhas. Compreender as diferenças

e limitações masculinas pode ajudar você a compreender porque seu pai

não pôde ou não quis viver de acordo com os seus ideais para ele. Este

discernimento pode ajudá-la também a compreender melhor seu

relacionamento com outros homens em sua vida: marido, amigos íntimos,

colegas de emprego e filhos.

A fraqueza da Força

Os homens gostam de ser considerados fortes, estáveis e de estar

definitivamente no controle. Alguns parecem programados para lidar com

empregos, atacar problemas, superar obstáculos e vencer os desafios com

agressividade e competitividade. Inúmeros homens parecem rejuvenescer

com suas realizações e conquistas e outros tentam incutir esta idéia nas

filhas.

Esta é a descrição de um homem e pode ser aplicada a muitos pais:

A armadura com a qual se protege é difícil de penetrar. Ele

parece forte, estável, não se deixando abalar pelas emoções

ou sentimentos. Procura dominar e superar outros, mas não

dá a aparência de esforçar-se muito nesse sentido. Tem

relacionamento com outros homens baseados no respeito e

não numa amizade próxima, íntima. Os relacionamentos

íntimos constituem um enigma para ele.

A tendência para parecer forte e dominar a situação pode evidenciar-

se no seu trato com os animais de estimação. Pense em seu pai e nos

animais. Ele preferia cães ou gatos? Se era como a maioria dos homens,

preferia os cães. Por quê? Os homens apreciam a lealdade e obediência dos

cachorros. Eles são dedicados e submissos. Quando você chama um cão

ele atende. Mas os gatos são basicamente indiferentes e distantes, a não ser

que queiram comida ou atenção. O homem e o gato no geral não se

entendem porque o primeiro quer dominar e o segundo não quer ser

dominado.

Seu pai era obcecado pelo trabalho? Muitas filhas ansiaram pelo

tempo e atenção de um pai completamente envolvido em sua ocupação ou

carreira. Desde que a principal arena para a competição na vida de um

homem é o seu trabalho, ele tende a concentrar a atenção, tempo e energia

nele em vez de na família.

O sucesso do homem no trabalho contribui muito para seus

sentimentos de masculinidade. O seu emprego afirma quem ele é e oferece

um escape para o seu lado criativo. Infelizmente, os homens extraem seu

senso de identidade e auto-estima de seu desempenho no trabalho. O alto

investimento físico e emocional drena sua atenção e energia, desviando-as

da família.

O impulso interior masculino de conquistar e vencer tem o seu lado

negativo. Ninguém pode vencer o tempo todo e a força nem sempre

satisfaz as necessidades das mulheres em sua vida. Esta é uma das

melhores descrições que já li sobre o conflito interior do homem.

Os homens são criados para cuidar das coisas, mas nem

todos podem ser seus próprios chefes.

Os homens são criados para ser os principais provedores,

mas estão agora vivendo durante a inflação e a recessão.

Os homens são criados para concentrar-se nos

empreendimentos,

mas o sucesso é no geral uma

experiência momentânea.

Os homens são criados para ser auto-suficientes, mas

precisam sustentar sistemas.

Os homens são criados para expressar emoções “fortes”,

mas muitos sentem também as “fracas”, como o medo e a

tristeza.

Os homens são criados para trabalhar em equipe, mas no

geral é “cada um por si”.

Os homens são criados para ser o Meninão do Papai, mas

espera-se que sejam o Menininho da Mamãe.

Os homens são criados para ser independentes, mas

acabam impelidos a se unir e construir seu ninho.

Os homens são criados para seguir seus sonhos, mas

exige-se que sejam realistas com respeito a segurança.

As pressões que os homens exercem um sobre os outros – e que a

sociedade como um todo exerce sobre os homens – para que mostrem

desempenho, dominem, controlem e pareçam fortes, tende a torná-los

irritadiços. Falta-lhes a flexibilidade das mulheres. Os homens tendem a

sobrepor-se aos seus sofrimentos e fraquezas, o que faz com que lhes falte

a sensibilidade e empatia ao reagir ao sofrimento e fraqueza dos outros.

As mulheres têm maior facilidade para mostrar força ou fraqueza,

dependência ou independência, passividade ou domínio, emoção ou

raciocínio, coragem o u medo, sem que qualquer dessas coisas ameace a

sua auto-estima. Mas, para o homem, é difícil afastar-se muito do lado

forte, sob controle, dessas características.

Estas descrições se aplicam de algum modo ao seu pai? Caso

positivo, como estas tendências afetam as suas expectativas para com ele?

Você esperava calor, ternura ou intimidade da parte dele, mas foi posta de

lado pelo seu desejo de sucesso e controle? Como a inclinação de seu pai

pela força coloriu sua visão de outros homens na sua vida?

As Restrições da Independência

Os homens tendem a ser independentes e no geral preferem que

outros se apóiem neles do que pedir apoio a outros. Frases como “Pode

deixar que eu faço isso sozinho”, “Posso descobrir isso sozinho” e “Posso

aprender sozinho”, refletem a sua tendência para não pedir ajuda.

Você se lembra de ter estado no carro com sua família quando seu pai

não tinha idéia de onde se achava? Sua mãe dizia: – Olhe aquele posto ali,

querido. Vamos parar e pedir informação. – Mas seu pai respondia: – Não

estou perdido. Posso encontrar sozinho o lugar. – Ele encontrava, mas

levava o dobro do tempo que levaria se tivesse parado para se informar.

Você pode ter ouvido sua mãe oferecer uma sugestão útil a seu pai

sobre um projeto doméstico. De acordo com a sua independência

masculina, ele quase sempre ficava indiferente ou ignorava a idéia dela. No

dia seguinte, porém, aparecia com uma “grande e nova idéia” que tivera –

a qual não passava na verdade da sugestão original de sua mãe disfarçada.

Você carrega cicatrizes da independência de seu pai? À medida que

cresceu, você esperava que ele valorizasse as suas idéias e sugestões,

pedisse conselho nas áreas de sua especialização, ou procurasse ajuda em

algo que não pudesse mais fazer? Seu pai pode estar ainda agora

bloqueando as suas expectativas pela sua necessidade masculina de

independência algumas vezes obstinada.

Os Limites do Controle Emocional

Como seu pai era emocionalmente? Era uma pessoa orientada pelos

sentimentos ou respondia principalmente com fatos? Se ainda está vivo,

que sentimentos ele expressa hoje em suas interações com você?

Fiz a centenas de mulheres as seguintes perguntas no decorrer dos

últimos anos: “Que emoções seu pai expressa e como as expressa?” Esta é

uma das perguntas que você respondeu no capítulo 1. A primeira resposta

abaixo reflete a figura típica dos pais e suas emoções. Ela talvez descreva o

seu pai. Caso negativo, você provavelmente irá ver seu pai em uma das

outras respostas tiradas da minha pesquisa:

Ele só expressa ira de maneira violenta. Faz isso

gritando e condenando.

Não me lembro de vê-lo expressar muita emoção. Não é

possível dizer quando está entusiasmado com alguma

coisa e quando está frustrado. Ele se fecha.

Emoções e sentimentos? Oh, ele expressa muito bem a

sua reprovação, quer diretamente ou insinuando o que

pensa. Pode ser barulhento quando assiste eventos

esportivos na TV. Não me lembro de qualquer emoção

positiva que expresse, a não ser seu entusiasmo pelos

seus próprios hobbies.

Meu pai expressa ira. Ele faz isto tendo ataques de

nervos e infligindo sofrimento. Gosta da dor e faz uso

dela para controlar os outros. Os demais sentimentos

que demonstra são infelicidade, frustração e tristeza, e

no geral expressa isso por meio de queixas. Algumas

vezes seus sentimentos explodem com violência.

Outras mulheres são mais afortunadas em seus relacionamentos com

os progenitores, desde que tiveram o privilégio de ver uma escala mais

ampla das reações emocionais. Muitas relataram que seus pais

expressavam compaixão chorando e mostrando amor por meio de um

toque especial ou abraços. Estas são algumas das suas respostas:

Vi meu pai chorar em inúmeras ocasiões, geralmente

numa discussão sobre diferenças familiares. Quando ele

se sente magoado, tende a internalizar os sentimentos e

a se culpar.

Meu pai expressa tudo, desde tristeza e choro até

felicidade e entusiasmo. Ele não mostra na verdade

muita ira, mas pode ficar tenso.

Meu pai expressou amor verbalmente e por meio de

ações bondosas. Quando ficava zangado era sincero e

direto em relação aos seus sentimentos. Eu o vi triste

com a morte de um membro da família. Isto demorou

para ele aprender, mas ele aprendeu com seus filhos e

netos.

Meu pai expressava alegria em seu rosto, tristeza

mantendo-se reservado, frustrações mostrando-se ativo e

ocupado, e amor mostrando e falando comigo sobre esse

sentimento.

Você se identificou com qualquer das respostas acima? Como a

expressão emocional de seu pai, ou a falta dela, afeta você? Não é de

admirar que os homens tendam a ser relutantes para expressar os

sentimentos, desde que também relutam em compartilhar outras

informações pessoais sobre eles mesmos.

Muitos homens não sentem a necessidade de uma aproximação mais

íntima. Isto é infeliz porque ficam no geral isolados das mulheres em sua

vida. Se o seu pai era calado e introspectivo, sua mãe provavelmente

sentiu-se isolada no seu relacionamento e talvez você também se sentisse.

Os homens reagem quase sempre menos emocionalmente do que as

mulheres, por várias razões. Por exemplo, os homens desejam o controle e,

como os sentimentos expressos não podem ser facilmente controlados, eles

são reprimidos. Muitos homens ficam emocionalmente prejudicados por

terem crescido sem ver os seus modelos masculinos expressarem

positivamente as suas emoções. Além do mais, a maioria dos meninos é

encorajada a aprender um vocabulário para emoções / sentimentos

enquanto cresce. E a maioria dos homens considera a expressão dos

sentimentos um traço feminino.

Outra razão tem a ver com a maneira como Deus criou os homens e

as mulheres para serem respectivamente únicos. As mulheres usam os seus

cérebros holisticamente, enquanto os homens mudam de um lado do

cérebro para o outro. As mulheres têm muito mais intuição por possuírem

milhares de ligações nervosas-extras entre o lado direto e o lado esquerdo

do cérebro. Cerca de 75% de todos os homens tendem a ser orientados pelo

cérebro esquerdo, pensando analítica, seqüencial e racionalmente.

Alguns homens extremamente orientados pelo cérebro esquerdo

consideram as emoções e os sentimentos uma língua estranha! (Para

informação adicional sobre este assunto, veja Understanding the Man in

Your Life – Compreendendo o Homem da Sua Vida – Word Books, deste

autor).

Os homens se esforçam ao máximo para construir paredes que

protejam as suas emoções e impeçam a entrada dos sentimentos alheios.

Alguns deles acabam eremitas completos. Gosto da maneira como Ken

Druck descreve como os homens tendem a parecer emocionalmente

distantes e no controle. Algumas destas declarações descreve seu pai ou os

outros homens na sua vida?

Os homens racionalizam um curso de inação, dizendo a

si mesmos “De que vale conversar sobre isso? Não vai

mudar nada”.

Os homens preocupam demais por dentro, mas nunca

enfrentam o que eles realmente sentem.

Os homens escapam para novos papéis ou se escondem

por trás dos velhos.

Os homens tomam a atitude de que os “sentimentos” vão

passar e os desprezam como sendo pouco importantes.

Os homens se mantêm ocupados, especialmente com o

trabalho.

Os homens substituem um sentimento por outro –

ficando zangados em vez de magoados ou com medo.

Os homens negam completamente os sentimentos.

Os homens deixam os sentimentos em suspenso – eles os

colocam na gaveta do arquivo e procuram esquecer o

rótulo que lhes deram.

Os sentimentos são confrontados com drogas e álcool.

Os homens são excelentes cirurgiões. Eles criam um

“desvio” para substituir os sentimentos por pensamentos

e lógica.

Os homens evitam, às vezes, as situações e as pessoas

que provocam certos sentimentos neles.

Alguns homens ficam doentes ou se comportam

descuidadamente e se machucam para ter uma razão para

justificar seus sentimentos.

O Silêncio da Comunicação Superficial

Há uma outra área de preocupação a ser considerada quando se trata

de identificar as limitações dos homens e seu impacto sobre as filhas

adultas: a comunicação. Reflita sobre o seu relacionamento com seu pai.

Qual era o estilo de comunicação dele? A interação entre vocês era grande,

ou você acabava se sentindo insatisfeita quando se comunicavam? Estavam

no mesmo comprimento de onda, ou um de vocês compartilhava fatos

enquanto o outro compartilhava sentimentos?

Seu pai se inclinava a ser um amplificador da conversa – dando

detalhes suficientes e usando adjetivos descritivos? Ou ele era um

condensador – chegando ao resultado com a maior rapidez possível? Ele se

atinha ao ponto ou ficava fazendo rodeios antes que você soubesse do que

estava falando?

Seu pai revelava informação pessoal sobre si mesmo e seus

sentimentos, ou era reservado? Você sentia que ele a entendia? Ele sentia

que você o entendia? Na sua opinião, você e seu pai se comunicavam bem?

Os homens são em geral menos adeptos da conversação verbal do

que as mulheres. Os homens tendem a falar sobre fatos em vez de

emoções, querendo trocar dados objetivos em vez de expressar sentimentos

subjetivos. Eles são geralmente condensadores em lugar de amplificadores,

resumindo tudo e chegando rapidamente ao ponto principal. Compreender

essas diferenças básicas pode dar a você uma idéia de algumas das

dificuldades no seu relacionamento com seu pai.

Como mulher, você queria ter uma troca emocional enquanto ele

estava mais interessado na troca de informações. Você queria “falar tudo o

que precisava” e ele preferia “sintetizar tudo”. Ele provavelmente falhou

em satisfazer as suas expectativas na comunicação.

Várias mulheres entre os 20 e 35 anos, falaram sobre a sua

interação verbal com os pais; elas estavam respondendo ao exercício que

você completou no capítulo 1: “Descreva como você e seu pais se

comunicam(vam)”. A maioria das respostas revelou uma reticência

característica por parte dos pais em envolver em comunicação mais

profunda com as filhas. Algumas das seguintes respostas refletem o seu

relacionamento com seu pai?

Ele estava num nível superior e eu abaixo dele.

Falávamos de fatos e não de sentimentos e emoções

Não nos comunicamos muito.

Quando eu tentava falar com meu pai, sentia que ele

nem sempre dava atenção ao meu ponto de vista. Ele

parecia ter dificuldade em compreender meu raciocínio.

Eu escuto a maior parte do tempo. Esforço-me para

falar de mim porque ele geralmente não me faz muitas

perguntas. Mas nossa conversa é boa. Ele confia em

mim.

Gostaria que tivéssemos uma comunicação melhor.

Geralmente não conversamos muito sobre coisas

pessoais. Mas, no decorrer dos anos sempre soube que

podia falar com ele a qualquer hora sobre qualquer

coisa.

A comunicação entre meu pai e eu era tensa na melhor

das hipóteses. Ela quase sempre permanecia num nível

impessoal de “trivialidades”.

Eu na verdade procuro evitá-lo. Quando as

circunstâncias nos unem, ambos nos tratamos com todo

o cuidado. Tentamos não nos aproximar muito

emocionalmente.

Mesmo neste estágio da nossa vida a comunicação é

forçada e superficial. Enquanto crescia, nunca expressei

meus verdadeiros sentimentos. Obedecia às ordens dele

em silêncio, mas com um monólogo interno de rebeldia

se processando em meu íntimo. Não havia interação

física e o contato ocular era evitado. Nossa comunicação

não era nada bonita

Nós nos vemos cerca de duas vezes por ano e a única

comunicação que temos é superficial – nossos empregos,

etc.

Não me sinto à vontade conversando com ele sobre

coisas realmente importantes para mim e ele não me faz

perguntas.

Outras mulheres tiveram comunicação mais positiva com os pais:

Sabia que sempre podia conversar com meu pai sem

medo de rejeição ou insensibilidade.

Meu pai e eu nos comunicávamos conversando

simplesmente um com o outro.

Se tínhamos diferenças, resolvíamos negociando.

Se eu não queria falar, ele esperava até que eu estivesse

pronta ou me encorajava a contar-lhe como me sentia.

Esse foi um verdadeiro presente para mim.

Quando eu era menor, a última palavra era sempre a

dele. Isso acontecia talvez porque eu ficava frustrada

demais para continuar falando. Sentia-me nervosa, tensa

e perturbada, perdendo o fio das idéias. As coisas estão

muito melhores agora. Nós dois crescemos e posso

contar a ele o que penso e como me sinto, e ele escuta.

Nos comunicamos geralmente de maneira racional e

pacífica. Meu pai não é tão ocupado que eu tenha de

marcar uma entrevista com ele. E não é inacessível.

Posso quase sempre contar-lhe tudo o que penso,

embora minha comunicação seja mais íntima com minha

mãe.

O Que Faz Papai Reagir?

Um outro fator deve ser mantido em mente enquanto você se esforça

para compreender as características e limitações de seu pai. É bem possível

que não tenha conhecimento de algumas das experiências pelas quais seu

pai passou na fase de crescimento, as quais moldaram sua personalidade e

comportamento. Cada homem é diferente de várias maneiras.

A maioria de nós, pais, não é tudo que poderia ser. Não alcançamos

tudo que fomos criados para alcançar. Nossas fraquezas, fracassos e

limitações geram frustrações e machucam nossas filhas. Algumas filhas

feridas permitem que seu relacionamento negativo com o pai prejudique

seus outros relacionamentos. Outras mulheres, porém, decidem prosseguir

e não deixam que uma relação pai-filha imperfeita limite ou distorça a sua

perspectiva dos outros homens em sua vida. Essa é uma decisão que cada

filha deve tomar.

Quem é seu pai? Sei que esta pergunta parece estranha, mas na

verdade não é. Conversei com inúmeros homens e mulheres que conhecem

o pai, mas que jamais se aprofundaram na vida e no passado deles para

descobrir a sua história pessoal. Você talvez não tenha muita informação a

respeito. Se fizesse um esforço especial para investigar sua história

passada, poderia compreender melhor porque ele é como é e porque o seu

relacionamento seguiu na direção que seguiu.

A maneira mais direta para conhecer melhor seu pai é fazer perguntas

sobre a vida dele. Um método é sentar-se com seu pai e folhear o álbum de

fotografias da família. Enquanto vai virando lentamente as páginas,

pergunte a ele sobre as pessoas e lugares nas fotos.

Outro método é uma entrevista pessoal planejada, usando a lista de

perguntas apresentada aqui. Marque uma entrevista com seu pai, escolha

um lugar onde não sejam interrompidos pela TV, telefone, etc. Separe pelo

menos uma hora para o primeiro encontro, sabendo que talvez seja

necessário mais de um encontro para completar todas as perguntas.

Não se limite às perguntas listadas. As respostas de seu pai podem

levar a outras indagações. Vá em frente e pergunte. Você talvez queira usar

um gravador para guardar todos os detalhes das respostas dele. O propósito

deste encontro (você pode querer fazer o mesmo com sua mãe numa outra

ocasião) é conhecer seu pai como um indivíduo único.

Se for impossível entrevistar seu pai deste modo, ou se ele já morreu,

você pode usar estas perguntas para entrevistar outros parentes, a fim de

preencher os vazios em seu conhecimento dele.

Trabalhei recentemente com uma mulher que aprendeu muito sobre o

falecido pai indo a reuniões familiares e conversando com os irmãos, irmãs

e amigos de infância do pai. Essa foi uma experiência iluminadora e

agradável para ela.

Você se sente embaraçada em entrevistar seu pai desta forma? Pode

estar ainda se recuperando de feridas passadas infligidas por ele. Pode ter

medo dos sentimentos que surgirão durante a sua conversa. Você não sabe

prever o que seu pai dirá ou como ele vai reagir. Você não pode controlar

as respostas de seu pai, mas pode controlar as suas. Meditar sobre esta

passagem da palavra de Deus talvez a prepare para sua conversa e ajude

você a manter tudo na perspectiva adequada.

Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com

o seu próximo, pois somos membros uns dos outros. Irai-

vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa

ira;nem deis lugar ao Diabo...Não saia da vossa boca

nenhuma palavra torpe, mas ó a que seja boa para a

necessária edificação, a fim de que ministre graça aos

que a ouvem. E não entristeçais o Espírito Santo de Deus,

no qual fostes selados para o dia da redenção. Toda a

amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmia sejam

tiradas dentre vós, bem como toda a malícia. Antes sede

bondosos uns para com os outros, compassivos,

perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos

perdoou em Cristo.(Efésios 4.25-27,29-32)

ENTREVISTA COM O PAI

Que lembranças especiais você tem da sua infância?

Como se dava com cada um de seus pais? Como eles eram?

Do que você gostava e não gostava em seus pais?

Quais as suas mágoas e desapontamentos quando criança?

Quais as suas diversões e jogos favoritos?

Como você geralmente entrava em dificuldades?

Como geralmente tentava sair das dificuldades?

Do que gostava da escola e das suas atividades?

Que animais de estimação teve? Quais eram os seus favoritos e por

quê?

O que sonhava fazer quando fosse mais velho?

Você gostava de si mesmo quando criança? Porque?

Gostava de si mesmo quando era adolescente? Porque?

Quais os seus talentos e habilidades especiais?

Que prêmios e medalhas ganhou?

Você tinha apelido?

Quem eram seus melhores amigos? Onde estão hoje?

O que você faria numa tarde quente de verão?

Descreva a região em que cresceu – pessoas, vizinhança, etc.

Do que tinha medo? Ainda tem esses medos hoje?

Como se dava com seus irmãos? Se não tinha irmãos, com que

parente se dava mais?

Quem você namorou e por quanto tempo? Onde ia nos encontros?

Como você se sentia quando gostava de alguém e essa pessoa não

gostava de você?

Como era a sua vida espiritual quando criança? Como

adolescente?

Como o fato de ser adulto mudou a sua vida?

Qual a diferença que nota hoje em você, comparando com 20 anos

atrás? Dez anos?

Quais foram as suas maiores decepções? Como lidou com elas?

O que aprendeu delas que gostaria que eu aprendesse?

Se pudesse viver novamente a sua vida, o que faria de modo

diferente?

Pelo que você quer ser lembrado?

Como conheceu minha mãe?

Qual a sua primeira impressão sobre ela?

O que estava acontecendo nas suas vidas na época em que se

conheceram?

Como seus pais reagiram ao seu namoro e noivado? Como os pais

dela reagiram?

Como você tomou a decisão de se casar? Quem fez o pedido e

como?

Quais têm sido os pontos fortes e fracos do seu casamento?

Como se dava com seus sogros no começo?

Como se sentiu quando minha mãe engravidou de mim?

Como foi ter filhos? Como isso mudou a sua vida?

Do que gostavam e não gostavam como pais?

Quais suas impressões gerais de mim como pessoa?

Quais as suas esperanças e sonhos para mim?

O que lhe deu a maior satisfação a meu respeito? A maior

decepção?

De que forma mudei como adulta?

Como gostaria que eu crescesse e me desenvolvesse neste estágio

da minha vida?

De que forma sou mais parecida com você? De que forma me

pareço menos com você?

4. POR QUE MEU PAI ME ABANDONOU?

Meu pai não constava na lista telefônica da cidade;

não estava dormindo com minha mãe em minha casa;

não se importava se eu estudasse piano;

meu não se importava com o que eu fazia;

e eu achava meu pai bonito e o amava

e me perguntava porque ele me deixava tanto tempo sozinha, tantos anos;

de fato, meu pai me fez o que sou,

uma mulher solitária sem um propósito,

assim como sou, uma criança solitária sem qualquer pai.

Vivi com palavras, palavras e nomes, nomes.

Pai não era uma de minhas palavras.

Pai não era um de meus nomes.

Como pai, viajei freqüentemente durante dois ou três dias, enquanto

minha filha Sheryl estava crescendo. Todas as noites, quando fora de casa,

eu telefonava para falar com minha esposa Joyce e com Sheryl. Eu sabia o

que Sheryl ia me perguntar toda vez que ela pegava o telefone: – Papai,

quando você volta? – Sabia também o que iria ouvir ao chegar em casa.

Ela vinha correndo encontrar-me na porta da frente, gritando, – Papai

chegou! – Ela estivera esperando por mim, aguardando a minha volta.

Muitas filhas esperaram em vão pelo retorno dos pais, porque alguns

pais vão embora e nunca voltam. Os pais deixam a família por várias

razões. Alguns apenas abandonam a mulher e os filhos irresponsavelmente

e desaparecem. Outros se divorciam, mas continuam a visitar

ocasionalmente os filhos. Outros ainda são removidos da família por uma

morte precoce. E alguns pais permanecem fisicamente no lar, mas desertam

emocionalmente da família.

Na peça de Tennessee Williams, “The Glass Menagerie” (“À

Margem da Vida”), o pai de Laura abandonara a família há alguns anos e

nunca mais se ouviu falar dele. O irmão de Laura, que é o narrador da

peça, aponta para o retrato em destaque na sala, de tamanho natural, do pai

sorridente e galante. Seu comentário mostra a enorme influência

inconsciente que o pai distante ainda exerce sobre os filhos.

Este é nosso pai que nos deixou há muito tempo. Ele era

um técnico de telefones que se apaixonou pelos

interurbanos; saiu do emprego com a companhia

telefônica e fugiu depressa, com a velocidade da luz,

desta cidade... A última notícia que tivemos dele foi

através de um postal enviado de Mazatlan, na costa do

México, contendo uma mensagem de duas palavras: “Olá

– Adeus!” e sem endereço.

A Filha Que É Deixada Para Trás

O que acontece com a filha quando pai vai embora, seja por

abandono físico ou emocional, divórcio ou morte? Seu pai talvez tenha

deixado você por alguma razão, durante sua infância ou adolescência. Você

pode ter amigas mulheres que foram abandonadas pelos pais. Você já

examinou seus sentimentos com relação a essa perda? Suas amigas

descreveram seus sentimentos para você?

Veja o que disse uma mulher cujo pai morreu quando ela tinha três

anos:

A maioria das mulheres tem um homem que foi embora,

um homem que elas amaram e perderam. Para nós, esse

homem era meu pai, o primeiro homem que amamos.

Com sua presença ele nos fez conhecer a felicidade de

ser o recipiente feminino do amor masculino. Com o seu

desaparecimento, ele nos ensinou a precariedade do

amor. Quer tivesse morrido ou nos abandonado, nos

sentimos rejeitadas.

Para muitas mulheres, a partida do pai foi uma traição. Ela continha

as sementes dos sentimentos de abandono. Desde que o pai não estava

presente, a filha que sobreviveu muitas vezes o idealizou, aumentando seus

pontos fortes e esquecendo-se das suas fraquezas. O pai idealizado tornou-

se o padrão contra o qual todos os outros homens da sua vida foram

medidos. O pai havia partido, mas a sua “presença” ainda afetava a sua

vida.

Uma jovem professora conta o que aconteceu com ela quando o pai

deixou o lar após o divórcio:

Sempre achei que era importante ficar perto de meu pai.

Ele era um homem extrovertido, alegre. Jamais pude

entender o que tinha visto em minha mãe. Quando eles

se separaram eu tinha nove anos e estava absolutamente

certa de que a culpa era dela. Se pudesse, teria preferido

viver com meu pai. Mas ele viajava muito – e era gerente

regional de vendas para uma firma de bebidas – e não

teria condições de viver na companhia dele, mesmo que

minha mãe permitisse.

Minha mãe tentou fazer com que eu e minha irmã mais

moça nos voltássemos contra meu pai. Nunca aceitei

isso. Ele enviava dinheiro para nos sustentar e isso

significava que nos amava.

Quando minha mãe dizia alguma coisa contra ele, eu

simplesmente fechava os ouvidos. Dizia à minha irmã

que mamãe era mentirosa.

Quando meu pai nos levava para passar um dia ou um

fim de semana com ele, eu sentia como se estivesse no

Natal. Sonhava em crescer e cuidar dele. Tomaria conta

da casa para ele, cozinharia e nunca cometeria os erros

de mamãe que o fizeram ir embora.

No geral, são necessários alguns anos para que uma

filha possa fazer uma avaliação realista do pai ausente.

Quando um pai sai da vida da filha por alguma razão, ele deixa um

vazio dos papéis mais significativos que deveria desempenhar na vida dela:

o desenvolvimento da sua autonomia e independência.

À sua própria maneira, o pai ajuda a filha a desligar-se da mãe. A

jovem quer ser independente, mas mostra-se hesitante e insegura em deixar

a barra da saia da mãe. O pai, a maior influência em sua vida além da mãe,

encoraja a sua independência, afirmando a sua importância como

indivíduo. Ele a encaminha para a autonomia, mediante sua atenção com

ela, seu interesse nela e seu estímulo verbal quanto aos seus pontos

positivos e singularidades.

Este é o ideal, o modo como as coisas devem ser, o modo como são

para muitas filhas. Mas, para muitas outras cujos pais partiram, este papel

vital não é suprido. Você se identifica como ideal – um pai em casa, que a

encorajou amorosamente a encontrar o seu lugar no mundo? Ou o

desenvolvimento da sua identidade e independência foi prejudicado porque

seu pai deixou a família durante a sua infância ou adolescência?

Quando o Pai Morre

O que acontece com a menina que só conhece o pai por pouco tempo

e depois ele é arrancado dela pela morte? Quem pode realmente

compreender o impacto causado pela morte do pai sobre uma criança?

Se a morte foi trágica ou totalmente inesperada, o sofrimento pode

parecer insuportável. Se a morte foi um processo demorado, é igualmente

difícil para a criança compreendê-la e aceitá-la. A tristeza, a perturbação

mental que sofremos com uma perda, é a emoção mais agonizante, penosa

e deprimente que o ser humano pode experimentar. Ela é amedrontadora

para nós como adultos. Como deve ser então para uma criança

experimentar algo tão traumático, que está além da sua compreensão e

controle?

A criança entre três e seis anos está no estágio da vida chamado de

anos mágicos. Quando o pai de uma menina morre durante este estágio, ela

pode se utilizar de jogos e responder a perguntas sobre a morte indicando

considerá-la reversível. Ela pode dizer algo como “Vamos levar o papai

para o hospital para fazer com que viva” ou “O papai vai descansar um

pouco e depois ele acorda”. Uma menina de quatro anos, cujo pai dirigia

um Camaro vermelho quando morreu, corria atrás de todo Camaro que via

gritando: “Papai! Papai!”

A filha desta idade pode pensar que o seu mau comportamento ou

pensamentos negativos sobre o pai causaram a morte dele. Uma mulher me

disse: “Durante anos eu acreditava ter causado a morte de meu pai porque

estava zangada com ele. Essa crença falsa me prejudicou muito no decorrer

da minha vida”.

Se a filha é mais velha – entre seis e onze anos – quando o pai morre,

ela pode fazer inúmeras perguntas detalhadas sobre a morte dele na

tentativa de superar a sua perda. A criança deve ser encorajada a lidar com

o impacto emocional da partida do pai ou continuará na confusão expressa

por esta poesia.

Você perguntou para onde ele foi

E disseram:

para o céu.

E te levaram a um campo de sepulturas e flores

Dizendo:

É aqui que seu corpo perfeito está.

Isso deixou você confusa.

Agora havia dois dele

e nenhum para você

Pat, uma mãe de 30 anos, sentou-se em meu escritório, contando a

sua história de ter perdido o pai aos dois anos e meio. Eu lhe perguntei o

que ela lembrava da experiência.

– Eu na verdade não compreendia a morte naquela época –

respondeu ela – Mas reagi à partida do meu pai. Pelo que minha mãe diz,

comecei a agir como uma pestinha. Ficava perguntando para onde meu pai

tinha ido e minha tia me respondia: “Ele foi fazer uma viagem muito

comprida”. Pensei então que ele voltaria para a casa.

– Felizmente, minha mãe a ouviu falando essas coisas e disse: “Não,

o papai não foi viajar. Ele morreu”. E ela me contou sobre a morte.

Ajudou-me também a expressar todos os meus sentimentos durante os

meses ou até anos que se seguiram. Não reprimi meus sentimentos.

Agradeço realmente a ajuda de minha mãe em deixar que manifestasse a

minha dor.

Pat foi de fato feliz. Ela pôde trabalhar na sua perda. Na sua tentativa

de impedir o sofrimento dos filhos, algumas mães não mascaram apenas os

seus próprios sentimentos, mas também os deles, escondendo a verdade

sobre a morte do pai. Suas tentativas de proteção, porém, geralmente

falham.

No livro, A Child's Parent Dies (Morte dos Pais de Uma Criança),

Erna Furman afirma: “As crianças são tão observadoras e sensíveis à

disposição e nunaças de comportamento dos pais que, em nossa

experiência, é impossível poupá-las de saber a verdade ou enganá-las sobre

a verdadeira natureza dos eventos”.

Por ser doloroso para a mãe ver a angústia da filha, mas não dizer a

verdade sobre a morte do pai é ainda mais devastador. As crianças

percebem facilmente quando um dos pais está escondendo algo. A tentativa

de ocultar a verdade por parte da mãe, só irá aumentar os sentimentos de

rejeição e abandono da filha nessa fase. Ela já se sente abandonada pelo pai

e agora passa a sentir-se abandonada pela mãe – totalmente abandonada!

Algumas crianças não sentem nada quando o pai morre. Este é no

geral o caso quando o pai era um fator de força e estabilidade na casa, mas

deixava de suprir o contato físico e emocional com a filha. Esta filha está

prejudicada emocionalmente. Ela aprende bem cedo a evitar o medo do

abandono e isolamento, negando os sentimentos e a dor. Por ter

disciplinado a si mesma desta forma, sente pouco ou nada quando o pai a

deixa através da morte.

A morte de um dos pais, especialmente do pai, é traumática. Mas é

ainda mais traumática quando o pai sobrevivente deixa de responder aos

filhos com empatia ou não discute abertamente com eles a perda mútua. O

luto reprimido na infância é um fator negativo que continua afetando o

indivíduo até a idade adulta.

Você está abrigando tristeza incompleta ou luto reprimido pela morte

de seu pai (ou de outro parente próximo?) durante sua infância ou

adolescência? Você conhece mais alguém que possa não ter lidado

adequadamente com seus sentimentos sobre uma perda pessoal

importante? Você pode estar então sofrendo conseqüências dessa repressão

que não precisa sofrer?

Quais os resultados do luto reprimido? A experiência de René reflete