Sintomas depressivos em escolares de uma escola municipal de Maringá por Jacira Monteiro Carvalho; Kléia Matos Dutra - Versão HTML

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SINTOMAS DEPRESSIVOS EM ESCOLARES DE UMA ESCOLA

MUNICIPAL DE MARINGÁ

Jacira Monteiro Carvalho1; Kléia Matos Dutra¹; Umbelina Justo Vieira¹; Rute Grossi Milani2 ; Keila Mary abriel Ganem3

RESUMO: O diagnóstico de depressão é mais difícil nas crianças, pois os sintomas podem ser confundidos com birra ou falta de educação, mau humor, tristeza e agressividade. O objetivo dessa pesquisa é detectar a prevalência de sintomas depressivos em escolares de 3ª e 4ª séries de uma escola municipal, na cidade de Maringá, buscando identificar os sintomas depressivos mais freqüentes. Utilizo u-se como instrumento de coleta de dados o Inventário de Depressão Infantil CDI (Children’s Depression Inventory). Participaram da pesquisa 93 alunos, com idade entre 8 e 12 anos. Desses 93 alunos, 41,94%

eram do sexo masculino e 58,06% do sexo feminino. O presente instrumento foi aplicado em sala de aula em grupos de, no máximo cinco crianças, e em uma única sessão, conduzida em horário escolar. As alternativas do CDI foram apresentadas através de CD gravado na voz da avaliadora, evitando, assim, variações de leitura quanto a entonações e pausas. As crianças foram orientadas sobre como preencher as escalas e, caso tivessem dúvidas, que levantassem a mão para que as mesmas fossem esclarecidas. Para verificar o rendimento escolar da amostra solicitamos à direção da escola os conceitos dos alunos nas diferentes disciplinas referentes ao primeiro bimestre. O

presente estudo encontra-se em fase de apuração e análise dos dados.

Considera-se que os dados coletados junto às crianças poderão instrumentar práticas remediativas e psicoprofiláticas em relação à população envolvida.

PALAVRAS-CHAVE: Depressão Infantil; Idade Escolar; Rendimento escolar.

INTRODUÇÃO

Apesar dos avanços, o diagnóstico da depressão ainda precisa de uma

base científica sólida e continua a ser um exercício clínico com bases nos sintomas. Sua prevalência, sua cronicidade e o grande sofrimento e

incapacitação que produzem tornam os transtornos depressivos uma das doenças humanas mais importantes.

Traçando um paralelo entre a depressão e o rendimento escolar, alguns estudos sugerem haver uma estreita relação entre os mesmos. Sabe-se que 1 Discentes do Curso de Psicologia. Departamento de Psicologia do Centro Universitário de Maringá – Cesumar, Maringá – Paraná. Programa de Iniciação Científica do Cesumar (PICC).

jaciramonteiro@hotmail.com; kleia_dutra@hotmail.com; umbelinajusto@hotmail.com.

2 Profª Dra. Orientadora e docente do Curso de Psicologia do Centro Universitário de Maringá –

Cesumar, Maringá – Paraná. rute@cesumar.br

3 Co-orientadora e docente do Curso de Psicologia do Centro Universitário de Maringá –

Cesumar, Maringá – Paraná. keilagabriel@cesumar.com

há uma prevalência de sintomas depressivos maior entre aquelas crianças que apresentam alguma dificuldade escolar (CRUVINEL; BORUCHOVITCH, 2004).

Em um estudo realizado por Martins e Graminha (1989, apud

CRUVINEL; BORUCHOVITCH, 2004) sobre as características das crianças encaminhadas a um serviço de atendimento psicológico, constatou-se que a queixa mais freqüente relatada pelos pais referia-se à dificuldade de aprendizagem. Analisando as queixas posteriormente, constataram que apenas 33% das crianças apresentavam o problema escolar como queixa única, o que equivale a dizer que a maioria das crianças encaminhadas a esse serviço de atendimento psicológico manifestava também problemas emocionais e

comportamentais, e não apenas as dificuldades escolares. Isso significa que apesar de a queixa mais freqüente ser dificuldade de aprendizagem, esta normalmente vem associada a outros problemas, inclusive dificuldades psicológicas e distúrbios de comportamento.

Segundo Cruvinel e Boruchovitch (2004), o baixo rendimento escolar

normalmente é resultado da depressão em si e não de um problema de

inteligência ou mesmo intelectual. Nesse caso, os problemas escolares estariam atuando como uma possível expressão da depressão, diretamente relacionada à falta de interesse e desmotivação da criança depressiva em participar das tarefas escolares e em função dos sentimentos de auto-desvalorização apresentados por ela.

Em um estudo realizado por Batista e Golfeto (2000) sobre a prevalência de sintomas depressivos em crianças de 7 a 14 anos em uma escola particular da cidade de Ribeirão Preto, aonde foi aplicado o CDI (Childrenś Depression Invenctory), em um total de 135 crianças, 44% do sexo masculino e 56% do sexo feminino. A prevalência de sintomatologia foi de 1,48%.

Os dados mostram ainda que a criança ou adolescente que sofreu de

depressão grave tem mais chances de apresentar futuras crises depressivas.

Convém lembrar que as diferenças regionais, econômicas e culturais existentes entre as populações estudadas no Brasil podem ser um dos fatores envolvidos na diferença dos resultados.

No Brasil, ainda são escassos os estudos sobre a depressão na criança, os estudos epidemiológicos brasileiros mostram que a incidência de depressão, na criança, tem se revelado bastante variável. A depressão é um distúrbio orgânico, de natureza psiquiátrica, que envolve variáveis biológicas, psicológicas e sociais. Biologicamente falando, a depressão é encarada como uma possível disfunção dos neurotransmissores devido à herança genética, as anormalidades e/ou falhas em áreas cerebrais específicas são classificadas como endógena, ou seja, aquela geneticamente transmitida. Do ponto de vista psicológico, a depressão pode estar associada a algum aspecto comprometido da personalidade, baixa auto-estima e autoconfiança. Já no âmbito social, a depressão pode ser vista como uma inadaptação ou um apelo ao socorro, bem como uma possível conseqüência da violentação de mecanismos culturais, familiares e escolares (ANDRIOLA; CAVALCANTE,1999).

No contexto escolar a percepção do aluno influencia a escolha das

atividades, a motivação, a quantidade de esforço a ser dispendido e investido, a tolerância aos obstáculos e a persistência, promovendo ou não o bom desempenho (BORUCHOVITCH,1994).

Ressalta -se que o desempenho acadêmico, o ajustamento ao ambiente

escolar e a capacidade de estabelecer relações sociais gratificantes são importantes indicadores dos recursos de adaptação da criança (JACOB; LOUREIRO, 1996). ,

Considerando que a depressão infantil pode influenciar o rendimento

escolar dos alunos e a necessidade de estudos no contexto brasileiro acerca das variáveis que estão associadas ao desempenho escolar, pretende-se, no presente estudo detectar a prevalência de sintomas depressivos em escolares de 3ª e 4ª séries de uma escola municipal, na cidade de Maringá, buscando identificar os sintomas depressivos mais freqüentes.

Entendemos, portanto, que há necessidade da realização de novos

estudos e pesquisas junto a crianças em idade escolar, pois há um número crescente de psicopatologias que vem se desenvolvendo na infância e na adolescência e que podem ser atribuídas, muitas vezes, a profundas

transformações familiares e socioculturais.

MATERIAL E MÉTODOS

Selecionaram-se alunos de 8 a 12 anos da rede pública de ensino de

Maringá, configurando uma amostra até o presente momento de 93 crianças de ambos os sexos, sendo 41,94-% do sexo masculino e 58,06% do sexo feminino O presente estudo foi desenvolvido em uma escola municipal do Município de Maringá. Após a autorização da Secretaria Municipal de Educação, foi agendado um encontro com o diretor da escola com a finalidade de apresentar os objetivos e procedimentos adotados na pesquisa. Foi solicitada aos pais ou responsáveis pelas crianças uma autorização por escrito para a participação das mesmas na pesquisa, esclarecendo a forma de participação. Esta carta foi encaminhada por intermédio do próprio aluno. Foram informados também que a participação será voluntária e que a pesquisadora estará disponível para o esclarecimento de dúvidas. Aos participantes foi assegurado o caráter confidencial do estudo e foi informado que suas respostas não influenciarão de forma alguma suas notas ou desempenho na escola. Esclareceu-se que para aquelas crianças que apresentarem sintomas depressivos será agendada uma devolutiva com os pais ou responsáveis, com o objetivo de encaminhar a criança para atendimento especializado.

Em um primeiro momento foram coletados dados referentes à

identificação dos sujeitos. Em seguida, aplicado o Inventário de Depressão Infantil – CDI. O instrumento foi aplicado em pequenos grupos de, no máximo cinco crianças, e em apenas uma única sessão conduzida em horário escolar.

As alternativas do CDI foram apresentadas através de CD gravado na voz da avaliadora, evitando, assim, variações de leitura quanto a entonações e pausas. As crianças foram orientadas sobre como preencher as escalas e, caso tivessem dúvidas, que levantassem a mão para que as mesmas fossem esclarecidas. Para verificar o rendimento escolar da amostra solicitamos à direção da escola os conceitos dos alunos nas diferentes disciplinas referentes ao primeiro bimestre. O presente estudo encontra-se em fase de coleta de dados, ainda serão integrados os dados coletados em uma segunda escola da rede de ensino municipal de Maringá.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

TABELAS

TABELA 1 Dados demográficos da amostra

SEXO

Masculino

39

41,94%

Feminino

54

58,06%

IDADE

96 a 108 meses

33

35,48%

109 meses a 132 meses

55

59,14%

133 meses a 144 meses

5

5,38%

TEM IRMÃOS

Sim

82

88,17%

Não

11

11,83%

TEMPO NESTA ESCOLA

Até 12 meses

8

8,60%

Acima de 12 meses até 24 meses

11

11,83%

Acima de 24 meses

74

79,57%

SÉRIE

3a

69

74,19%

4a

24

25,81%

REPETÊNCIA

Repetente

26

27,96%

Não repetente

67

72,04%

TOTAL

93

100,00%

Conforme Tabela 1, a idade dos sujeitos variou de 96 a 144 meses ( 8 a 12) anos, prevalecendo um número maior de crianças na faixa etária de 9 a 11

anos de idade. A média de idade dos sujeitos foi de 10 anos. Quanto ao gênero, eram 41,94% do sexo masculino e 58,06% do sexo feminino. A maioria dos sujeitos (74,9%) freqüentava a 3ª e 25,81 4ª série. Ressalta ndo que 72,4%

dos alunos não haviam repetido nenhuma série anterior e que 79,57% dos alunos já estudam há mais de 24 meses na mesma escola.

O número de alunos matriculados na 3ª série é 99, e na 4ª série 88

alunos. Dos alunos matriculados, 74,19% da 3ª série, 25,81% da 4ª série foram avaliados. O restante dos alunos não foram avaliados pelo fato de seus pais não autorizarem a participação de seus filhos ou pelo fato de não terem retornado o termo de autorização. Entre os alunos não autorizados 31,91% dos pais dos alunos de 3ª série e 68,9% de 4ª série não permitiram que seus filhos participassem da pesquisa

TABELA 2 – Número de sujeitos que ultrapassaram no CDI o ponto de corte 16

FREQUÊNCIA

PORCENTAGEM

CRIANÇAS COM SINTOMAS

3

3,23%

DEPRESSIVOS

CRIANÇAS SEM SINTOMAS

90

96,77%

DEPRESSIVOS

TOTAL

93

100,00%

.

Aproximadamente 3,23% dos alunos atingiram ou ultrapassaram o ponto

de corte, conforme ilustrado na Tabela 2.

Considera-se de extrema importância o reconhecimento e a identificação precoce de sintomas depressivos por professores e pela família, facilitando o encaminhamento adequado, bem como contribuindo para a criação de novos programas de intervenção, que poderão instrumentar os profissionais da área da saúde nas medidas preventivas em relação à população envolvida.

REFERENCIAS

ANDRIOLA, A.; CALVALCANTE, B. Avaliação da depressão infantil em alunos da pré – escola. Psicol. Reflex. Crit., v. 12, p. 419-428. 1999.

BORUCHOVITCH, E. As variáveis psicológicas e o processo de aprendizagem: uma contribuição para a psicologia escolar. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v.10, n.1, p.129-139. 1994.

CRUVINEL, M.; BORUCHOVITCH, E. Sintomas depressivos, estratégias de

aprendizagem e rendimento escolar de alunos do ensino fundamental. Psicol.

Estud. Rio de Janeiro, v. 9, n. 3, p. 369-378. 2004.

MARTINS, M.A O & GRAMINHA S.S.V. Caracterização da população que procura o serviço de atendimento psicológico infantil ligado à Universidade.

Programa e Resumos da XIX Reunião Anual de Psicologia da SPRP. 1989.

BAPTISTA, C. A e GOLFETO, J.H.. Prevalência de depressão em escolares de 7 a 14 anos. Revista de Psiquiatria Clínica vol. 27 (5), pp. 253-255, 2000.

BANDIM, J.M, SOUGEY, E.B., CARVALHO, T.F.R.. Depressão em crianças:

características demográficas e sintomatologia. Jornal Brasileiro de psiquiatria.

44 (1) pp. 27-32, 1995.

JACOB, A.V.; LOUREIRO, S. R. Desenvolvimento Afetivo: o processo de

aprendizagem e o atraso escolar. Paidéia: Cadernos de Psicologia e Educação, Ribeirão Preto, n. 10/11, p. 149-160, fev./ago. 1996.

KOVACS, M. Children Depression Inventory CDI: Manual. New York: Multi-Health Systems, Inc., 1992.

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