Sobre a Expressão por Guilherme Mello Barreto Algodoal - Versão HTML

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS

DEPARTAMENTO DE LETRAS CLÁSSICAS E VERNÁCULAS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS CLÁSSICAS

GUILHERME MELLO BARRETO ALGODOAL

Peri\ (Ermenei/aj ou Sobre a Expressão

São Paulo

2007

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS

DEPARTAMENTO DE LETRAS CLÁSSICAS E VERNÁCULAS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS CLÁSSICAS

Peri\ (Ermenei/aj ou Sobre a Expressão

Guilherme Mello Barreto Algodoal

Tese apresentada ao Programa de

Pós-Graduação em Letras Clássicas

do departamento de Letras Clássicas

Vernáculas da Faculdade de Filosofia,

Letras e Ciências Humanas da

Universidade de São Paulo para a

obtenção do título de Doutor em Letras

Orientador: Prof. Dr. Henrique G. Murachco

São Paulo

2007

Serviço de Biblioteca e Documentação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da

Universidade de São Paulo

Algodoal, Guilherme Mello Barreto.

A396

Peri\ (Ermenei/aj ou Sobre a expressão / Guilherme Mello Barreto

Algodoal ; orientador Henrique G. Murachco. -- São Paulo, 2007.

377 p.

Tese (Doutorado - Programa de Pós-Graduação em Letras Clássicas. Área de

concentração: Letras Clássicas) - Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

1. Aristóteles, 384-322 a. C. 2. Filosofia da linguagem. 3. Língua grega. 4. Filosofia

antiga. 5. Filosofia grega. I. Título.

21ª. CDD 149.94

480

180

FOLHA DE APROVAÇÃO

Guilherme Mello Barreto Algodoal

Peri\ (Ermenei/aj ou Sobre a Expressão

Tese apresentada ao Programa de

Pós-Graduação em Letras Clássicas

do departamento de Letras Clássicas

Vernáculas da Faculdade de Filosofia,

Letras e Ciências Humanas da

Universidade de São Paulo para a

obtenção do título de Doutor em Letras

Aprovado em:

Banca Examinadora

Prof.Dr......................................................................................................

Instituição: ................................................Assinatura..............................

Prof.Dr......................................................................................................

Instituição: ................................................Assinatura..............................

Prof.Dr......................................................................................................

Instituição: ................................................Assinatura..............................

Prof.Dr......................................................................................................

Instituição: ................................................Assinatura..............................

Prof.Dr......................................................................................................

Instituição: ................................................Assinatura..............................

Ao querido Prof. Dr. Henrique Graciano Murachco que com seu

inestimável amor, conhecimento, sinceridade e bondade ilumina a

todos os que estudam as Letras Clássicas. Tudo o que houver de

bom neste trabalho é devido à sua orientação e sabedoria.

À Glorinha, minha esposa querida e amada, luz da minha vida sem a qual

para mim nada teria sentido.

À minha mãe Dora e aos meus irmãos e irmãs.

Aos meus sobrinhos e sobrinhas, em especial à Clara, Pedro, sua esposa

Luciane e sua filhinha Júlia.

Ao meu pai e a minha irmã que já se foram.

Ao vovô Fausto e a vovó Bebê que já partiram.

Agradecimentos

A todos os Brincas, em especial aos queridos Jairo e sua

esposa Eloah, à Cristina, Cabé e seus filhos Manuela e

Isabela à Carla e Sérgio pela bondade, gentileza e pelos

grandes momentos de aprendizado e convivência.

À Maria Helena Bresser, pela sua generosidade.

Ao Blaidi Sant’Anna e família, por serem bem mais que

amigos queridos.

À Gaia Pard’ellas, pela alegria e vivacidade.

À Íris Pard’ellas, pela alegria e muita vivacidade.

Aos meus alunos e alunas porque se não existissem, eu não

teria feito este trabalho.

À Prof. Dra.Mariana Lacombe Loisel por ser uma pessoa que

se dedica ao saber e não ao poder.

RESUMO

ALGODOAL, G. M. B. Peri\ (Ermenei/aj ou Sobre a Expressão. 2007.

377 f. Tese (Doutorado). Faculdade de Filosofia Ciências Humanas e Letras,

Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.

Este trabalho traduz e comenta o texto aristotélico Peri\ (Ermenei/aj assim

como, trata das relações desse texto com as obras Peri\ Yuxh=j e

Kategori/ai, também de Aristóteles. As unidades simples são investigadas

por Aristóteles no livro do Organon, Kategori/ai, e as unidades

declarativas no livro do Organon, Peri\ (Ermenei/aj. A alma é investigada

com mais detalhe no livro Peri\ Yuxh=j. Buscar como se constituem as

relações entre esses livros significa delimitar e especificar os campos de

intersecção e de ordem. Este trabalho visa fundamentar a noção semântica,

lógica, orgânica e funcional da língua a partir da apreciação do conceito de

incerteza aristotélico e da noção de transposição da primeira essência para a

segunda essência. A maneira escolhida envolveu de modo paralelo uma

leitura linear dos textos gregos e ao mesmo tempo uma investigação da

relação entre a alma e a unidade: voz, pensamento e coisa na sua forma

simples e declarativa. Deixando o texto falar, - ao contrário da análise formal-,

esse pensamento envolve uma visão ética e social que tem em primeiro plano

a visão do bem comum e da preeminência do social em relação ao individual.

A valorização da língua de forma integrada como voz, pensamento e coisa

permite que a significação como parte preponderante seja constituída como

formação humana e dessa maneira impede que a língua seja vista como um

conjunto de regras que tem por fim alcançar fins utilitários e mercadológicos.

A visão aristotélica da língua é estabelecida não por relações gramaticais, mas,

por meio de uma visão que integra a alma ao pensamento, a voz e as coisas. A

questão do conhecimento inesgotável dentro de um processo da língua que

começa e termina estabelece como principal objetivo mostrar que o ser

humano é dotado de apetite de saber e tem como finalidade a atualização de

suas contradições que como uma teia se manifestam no local do humano: a

totalidade da alma. Essa por sua vez é inexoravelmente ligada ao corpo, mas

esse não está nem dentro nem fora dela, mas se traduz no espaço completo do

deslocamento, da mudança qualitativa, do crescimento e do perecimento.

Palavras-chave: Aristóteles. Filosofia da Linguagem. Língua Grega. Filosofia

Antiga. Filosofia Grega.

Abstract

ALGODOAL, G. M. B. Peri\ (Ermenei/aj or The Expression. 2007. 377 f.

Thesis (Doctorate). Faculdade de Filosofia Ciências Humanas e Letras,

Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.

The purpose of this thesis was to translate and to comment on the text from

Aristotles Peri\ (Ermenei/aj, and to demonstrate the relation of this text

with the following Aristotle’s books: Peri\ Yuxh=j and Kategori/ai. The

simple units are investigated in Aristotle’s book of the Organon: Kategori/ai

. The declarative units are investigated in Aristotle’s book of the Organon:.

Peri\ (Ermenei/aj The soul is investigated in more detail in the book: Peri\

Yuxh=j. Searches on how the relationship amongst these books are

constituted show the delimitation and specification of its intersection and

order fields. The Semantic, logic, organic and function of the language are the

fundament in this work for the appreciation of the Aristotelical concept of

uncertainty, and also from the notion of transposition from the first essence to

the second essence. The proposed way involved the linear reading of Greek

texts and the investigation of the relationship between the soul and the unity:

voice, thought and the thing in their simple and declarative form. The text

speaking for itself replaces the formal analysis – this thought involves an

ethical and social vision that takes into account in the first place the idea of the

wellness of the human being and the prominence of the social in relation to the

individual. To value the language in an integrated way as voice, thought and

thing allows the predominant meaning to be constituted of human formation,

this way preventing the language to be seen as a series of rules whose unique

purpose is to achieve utilitarian and mercadological ends. The Aristotelican

vision of language to establish a vision that integrates the soul to the thought,

to the voice and to the things. The question of the copious knowledge inside a

process of language that begins and ends establishing as its finality the

updating of its contradictions and that as a web manifests itself in the essence

of the human : the soul’s totality. That is inexorably linked to the body, but

not inside or outside it, it exposes itself in the complete space of transposition,

the qualitative change, growth and fading.

Key-words: Aristotle. Philosophy of Language. Greek Language. Ancient

Philosophy. Greek philosophy.

SUMÁRIO

1- INTRODUÇÃO

1

2- TEXTO EM GREGO

61

3- TRADUÇÃO

87

4- CAPÍTULO 1

110

5- CAPÍTULO 2

151

6- CAPÍTULO 3

194

7- CONCLUSÃO

362

8-

BIBLIOGRAFIA

371

Peri\ e(rmenei/aj1 ou Sobre a Expressão.

Introdução

Este é um estudo sobre o Livro de Aristóteles Peri\ (Ermenei/aj.

Desse estudo consta a tradução e o comentário do texto grego. Deixar o texto

falar é a metodologia de trabalho associada a essa tese.

Embora todos os grandes comentadores citem a dificuldade de

compreensão do texto em questão, pode-se supor que ela é tão significativa

porque é gerada por uma atitude de distanciamento para com o próprio texto2.

1 The Title of the De Interpretatione presents a puzzle. The English “On Interpretation” and

the Latin “De Interpretatione” are rough translations of the Greek (Peri\ (Ermenei/aj).

We should ask what this titel means, and whether it was the one originally intended by

Aristotle.The title first appears in the list of Aristotle’s works given by Diogenes Laertius.

(Lives of the Pholosophers S. p.26).

(Whitaker-Aristotle’s De Interpretatione-p05)

Mi sia lecito infine accenare in questa sede preliminare per non più tornarvi in seguito, al

problema del titolo del livro del Filosofo oggeto di questo studio. E’ noto infatti come da

um lato sai stata revocata in dubbio l’autenticità dell’intitolazione Peri\ (Ermenei/aj,

d’altro lato abia suscitato ampie e insolute perplssitá il significato stesso di tale enigmática

espressione, come pure della sua corrente traduzione latina De Interpretatione, che a sua

volta necessita di uma specifica esegesi.

1

Na verdade a aproximação com o texto se define segundo as palavras de

Aristóteles na Poética:

...pa=sai tugca/nousin ou)=sai mimh/seij to\ su/nolon:

...todas as que são obtém imitações junto ao todo.

(Aristóteles- Poética, página 01, linha 14)

É inegável que embora o texto seja simples, apresenta por causa da própria simplicidade

uma riqueza inesgotável. Segundo Boécio, este texto de Aristóteles é especial por sua

agudeza e brevidade de palavras e para Philoponos:

Sottraendomi, almeno formalmente, a tale annosa querelle, che nella sua probabile

insolubilità rischia di divenire futile, in questo studio mi sono senza eccezione uniformato

allá constante tradizione latina che almeno dall’età tardoantica (presso lo stesso Boezio, che

pure, in sede di commento, aveva segnalato la corrispondenza De Interpretatione, destinata

ad inopinata fortuna moderna) si valse quase esclusivamente dell’anodina transliterazione

Peri hermeneias (spesso univerbizzata e resa in forma itacistica). Tale giustificato, e quase

doveroso, disimpegno si riscontra per alto anche, in uma situazione sufficientemente

prossima, nel titolo Hermeneutik invalso nella cultura tedesca.

(Montanari- La Sezione Lingüística del PERI HERMENEIAS di Aristotele-p.20.)

2 In the present chapter, I shall examine Aristotle’s views on the statement and its structure.

The relevant material appears chiefly in the early chapters of On interpretation. These

chapters are quite sketchy and have obscurities for that reason alone if not for many others.

But too, some of those obscurities may follow from our trying to impose an uncongenial

theory upon our reading of the text. That uncongenial theory, I claim, is the copulative.

(Bäck- Aristotle’s Theory of Predication- p. 100)

2

Τὸ δὲ εἶδος τῶν ᾽Αριστοτελικῶν συγγραµµάτων πανταχοῦ ἀκριβὲς

κατὰ τὴν φράσιν (ἐκφεύγει γὰρ ἀεὶ ὁ φιλόσοφος τὰς ῥητορικὰς κοµψείας

καὶ µόνου γίνεται τοῦ τὴν τῶν πραγµάτων παραστῆσαι φύσιν), πολλαχοῦ δὲ

συνεσφιγµένον καὶ ἀσαφῶς πεφρασµένον, οὐ διὰ τὴν φύσιν τοῦ γράψαντος,

ἀλλ' ἑκουσίως τοῦτο πεποίηκεν· ἀµέλει τούς τε Τόπους σαφῶς διηγήσατο

καὶ τὰ Μετέωρα καὶ ἕτερα. ἐπετήδευσε τοίνυν τὴν ἀσάφειαν διὰ τοὺς

ἀναγινώσκοντας, ἵνα εὐφυεστέρους ἀποτελέσῃ εἰς τὸ συντεταγµένως τῶν

λεγοµένων ἀκούειν καὶ ἵνα τοὺς ῥᾳθύµους ἀκροατὰς ἀποστρέψῃ ἐκ

προοιµίων· οἱ γὰρ γνήσιοι ἀκροαταὶ ὅσῳ ἀσαφῆ ἐστι τὰ λεγόµενα, τοσούτῳ

σπουδάζουσι µᾶλλον καταγωνίσασθαι καὶ τοῦ βάθους ἐφικέσθαι. ὥσπερ οὖν

παραπετάσµατι τῇ ἀσαφείᾳ ἐχρήσατο διὰ τοὺς βεβήλους ἀµφιεννὺς τῶν

πραγµάτων τὸ σεµνὸν τῇ ἀσαφείᾳ.

E o aspecto das obras aristotélicas em toda a parte é preciso segundo a

expressão (pois o filósofo sempre escapa aos refinamentos e tem lugar

somente do dispor a natureza das coisas), e em muitos lugares condensado e

expresso de modo obscuro, não escreveu por natureza, mas fez isso de modo

voluntário. De modo descuidado claramente descreveu os pontos principais

da demonstração e os corpos celestes e outros. Ocupou-se da incerteza com

certeza através os que conhecem, a fim de escutar de modo mais engenhoso

para produção visando o ordenado das coisas que estão ditas e a fim de

desprezar os ouvintes indolentes a partir dos proêmios; pois os verdadeiros

ouvintes, para quanto às coisas ditas são incertas, eles aplicam ao desse tipo

mais o lutar contra e chegar à profundidade. De modo que cobrindo com

certeza com o pretexto da incerteza forneceu pelos profanos das coisas o

venerável pela incerteza.

(Philoponos- In Aristotelis Categorias Commentaria- p. 06)

3

Para Simplício:

πανταχοῦ δὲ ἐθέλει τῆς φύσεως µὴ ἐξίστασθαι, ἀλλὰ καὶ τὰ ὑπὲρ τὴν φύσιν

κατὰ τὴν πρὸς τὴν φύσιν θεωρεῖ σχέσιν, ὥσπερ ὁ θεῖος Πλάτων ἀνάπαλιν

κατὰ τὸ Πυθαγόρειον ἔθος καὶ τὰ φυσικὰ ἐπισκέπτεται καθὸ τῶν ὑπὲρ

φύσιν µετέχουσιν. οὐ µὴν οὐδὲ µύθοις οὐδὲ συµβολικοῖς αἰνίγµασιν, ὡς τῶν

πρὸ αὐτοῦ τινες, ᾽Αριστοτέλης ἐχρήσατο, ἀλλ' ἀντὶ παντὸς ἄλλου

παραπετάσµατος τὴν ἀσάφειαν προετίµησεν.

E em toda a parte não quis se colocar fora da natureza, mas contempla

também as coisas em favor da natureza segundo a disposição em relação à

natureza, como precisamente o divino Platão, em sentido contrário segundo o

costume Pitagórico também as coisas naturais examina as participantes

segundo as coisas em favor da natureza. Não com certeza, Aristóteles se

serviu, nem para os mitos nem para os enigmas simbólicos, como algumas das

coisas antes do intelecto, mas no lugar de todo outro pretexto honrou a

incerteza.

(Simplício- In Aristotelis Categorias Commentaria, p. 6)

Estabelece Aristóteles:

a)=ra d' e)nde/cetai tw=n kecwrisme/nwn ti noei=n o)/nta au)to\n mh\

kecwrisme/non mege/qouj, h)\ ou)/, skepte/on u(/steron. Nu=n de/, peri\ yuch=j

ta\ lecqe/nta sugkefalaiw/santej, ei)/pwmen pa/lin o(/ti h( yuch\ ta\ o)/nta

pw/j e)sti pa/nta: h)\ ga\r ai)sqhta\ ta\ o)/nta h)\ nohta/, e)/sti d' h( e)pisth/mh

4

me\n ta\ e)pisthta/ pwj, h( d'ai)/sqhsij ta\ ai)sqhta/: pw=j de\ tou=to, dei=

zhtei=n. te/mnetai ou)=n h( e)pisth/mh kai\ h( ai)/sqhsij ei)j ta\ pra/gmata, h(

me\n duna/mei ei)j ta\ duna/mei, h( d' e)ntelecei/a| ei)j ta\ e)ntelecei/a|: th=j

de\ yuch=j to\ ai)sqhtiko\n kai\ to\ e)pisthmoniko\n duna/mei tau)ta/ e)sti, to\

me\n %t&o\ e)pisthto\n to\ de\ %t&o\ ai)sqhto/n. a)na/gkh d' h)\ au)ta\ h)\ ta\

ei)/dh ei)=nai. au)ta\ me\n dh\ ou)/: ou) ga\r o( li/qoj e)n th=| yuch=|, a)lla\ to\ ei)=doj:

w(/ste h( yuch\ w(/sper h( cei/r e)stin: kai\ ga\r h( cei\r o)/rgano/n e)stin

o)rga/nwn, kai\ o( nou=j ei)=doj ei)dw=n kai\ h( ai)/sqhsij ei)=doj ai)sqhtw=n. e)pei\

de\ ou)de\ pra=gma ou)qe\n e)/sti para\ ta\ mege/qh, w(j dokei=, ta\ ai)sqhta\

kecwrisme/non, e)n toi=j ei)/desi toi=j ai)sqhtoi=j ta\ nohta/ e)sti, ta/ te e)n

a)faire/sei lego/mena kai\ o(/sa tw=n ai)sqhtw=n e(/xeij kai\ pa/qh. kai\ dia\

tou=to ou)/te mh\ ai)sqano/menoj mhqe\n ou)qe\n a\)n ma/qoi ou)de\ xunei/h, o(/tan

te qewrh=|, a)na/gkh a(/ma fa/ntasma/ ti qewrei=n:

E se admite, ou não, pensar algo que é dos separados não sendo ele mesmo

separado de grandeza, deve-se investigar mais tarde. E agora, tendo

recapitulado a respeito das coisas que foram ditas sobre a alma, nós dizemos

de novo, que a alma é de algum modo todas as coisas que são; as coisas que

são, ou possíveis de sentir ou possíveis de pensar, e a ciência é possível por

um lado, de algum modo, as coisas possíveis de conhecer, e a sensação e por

outro lado, as coisas possíveis de sentir. E como, é preciso investigar isso.

Divide-se certamente a ciência e a sensação em direção às coisas, uma pelo

ato do possível, em direção às coisas pelo ato do possível, outra pela

5

atualização em direção às coisas pela atualização; E são as mesmas coisas o

concernente de sentir da alma e o concernente a conhecer em possibilidade,

um o conhecível e o outro o possível de sentir. E é necessidade ou serem

coisas mesmas ou os aspectos. As coisas de fato não, pois a pedra não está na

alma, mas o aspecto. De maneira que a alma é como precisamente a mão.

Pois também a mão é um instrumento dos instrumentos e o intelecto, o

aspecto dos aspectos e, a sensação é aspecto dos possíveis de sentir. E uma

vez que nenhuma coisa em relação a nada é possível além das grandezas,

como parece, e separado em relação às coisas sensíveis, as coisas inteligíveis

estão nos aspectos sensíveis, tanto os ditos em abstração quanto quantos são

disposições e afecções dos sensíveis. E por isso não sentindo não aprenderia

nem comprenderia, e quando especular é necessidade contemplar ao mesmo

tempo alguma aparição;

(Peri\ Yuxh=j-431b16)

O trabalho se constitui a partir da idéia de que a obra de Aristóteles pode ser

notada como um desenvolvimento da teoria platônica3, também no que se

3 In Plato we find also the analysis of the Proposition, with the noun and the verb as its

constituent elements; the union of the two being necessary to every assertion. Dia/noia

and lo/goj correspond to each other as the o( e(/sw and o( e(/cw lo/goj of Aristotle; the

former being internal discourse without speech, the latter external, by the voice. Lo/goj is

divided into fa/sij and a)pofa/sij. In this passage, Plato has furnished the groundwork

of grammatical researches of the De interpretatione.

(Aldrich-Artis Logicae Rudimenta- p. xxiii)

6

refere à linguagem e segue uma evolução na sua própria obra como indicou

Jaeger.

Logical doctrines clearly have central importance in Plato’s dialectic. In the Sophist,

through his account of the interweaving of Forms, Plato offers a way of bridging the Eleatic

gap between being and not-being, and providing an intermediate position for the world of

becoming. In this way he systematizes the two Routes of Parmenides. [258c-d] In the

course of these ontological efforts, Plato gives a theory of statement and predication,

indeed, the very theory that Aristotle continues to develop in On Interpretation. [262b-

264a] The other Forms have to combine with Being in order to have being or exist, if not in

re, at least in intelllectu: for we have to be able to say that not-being is not, and to do so

requires that not-being be in a certain respect [256d-e;257b-258d]

(Bäck- Aristotle’s Theory of Predication- prefácio-xii)

In the Sophist Plato attacks Parmenides, and claims that it is consistent, to speak of what is

not and to aplly many descriptions, both positive and negative, to the same subject. In

doing so, Plato develops a theory of statement (lo/goj). He distinguishes names and verbs,

and considers how the two may interweave and combine to make a single statement.

Aristotle also attacks Parmenides’ arguments mainly in Physics I. He accuses Parmenides

of eristic. Thus he criticizes both the truth of the Eleatic premises, and the validity of the

arguments. Moreover, mostly in On Interpretation, Aristotle develops Plato’s theory of

statement, begun in the Sophist.

(Bäck- Aristotle’s Theory of Predication- p. 31)

Plato argues here by analogy: just as one subject does not become many through having

many different names predicated of it, so too it does not become “negative” through having

negative names predicated of it.

(Bäck- Aristotle’s Theory of Predication- p. 38)

7

Diz Simplício:

δεῖ δὲ οἶµαι καὶ τῶν πρὸς Πλάτωνα λεγοµένων αὐτῷ µὴ πρὸς τὴν λέξιν

ἀποβλέποντα µόνον διαφωνίαν τῶν φιλοσόφων καταψηφίζεσθαι, ἀλλ' εἰς τὸν

νοῦν ἀφορῶντα τὴν ἐν τοῖς πλείστοις συµφωνίαν αὐτῶν ἀνιχνεύειν.

Eu julgo que é preciso pensar também das coisas ditas em relação a Platão

não diante somente o desacordo aos que lançam o olhar para condenar dos

filósofos em relação à palavra, mas visando ao pensamento que contempla

descobrir a voz conjunta em muitas coisas deles.

(In Aristotelis Categorias Commentaria, p. 07)

Peri (Ermenei/aj também é o ponto culminante de uma trajetória

grega de um modo de pensar a linguagem4. Em primeiro lugar, este trabalho

não tem como objetivo um ponto específico do texto, mas visa a sua

totalidade, deixando de lado a especificidade de análise uma vez que são

múltiplas as possibilidades que ele oferece5. O objetivo desta investigação está

4 Erst rückwirkend wird damit auch die gültigkeit der logischen Gesetze als erwiesen

betrachtet.

Somente retroativamente torna-se também a validade das leis lógicas com isso considerada

como provada.

(Hafemann- Aristoteles’ Transzendentaler Realismus- p.49)

5 My approach will be examine the De Interpretatione as a whole, rather tha detaching

passages of supposed greater interest. By reading it carefully chapter by chapter, we shall

see that the work forms a coherent unity, and that even the passages which are so often

considered in separation are integral to the work, and cannot be fully understood in

isolation from it.

(Whitacker-Aristotle’s De Interpretatione- p.2)

8

associado à discussão que se instaura entre a relação da incerteza e a

possibilidade da “ativação” da essência primeira que assim se torna essência

segunda e assim possibilidade de reflexão e conseqüentemente a múltipla

expressão do ser6 e a questão do sentido em relação ao discurso declarativo e

por sua vez esses, relacionados com a alma7 Na verdade, dentro da ordem

6 Pollaxw=j tem por oposto a(plw=j.

7 Das “Primäre” (to\ prw=ton) definiert Aristoteles in Phys. VI.5 als “dasjenige, dem seine

Bestimmheit nicht aufgrund desses zukommt, daB etwas anderes [auch] so beschaffen

ist.”An anderer Stelle nennt Aristoteles es dasjenige, welches ohne anderes so-und-so

bestimmt sein kann, jenes aber nicht ohne dieses. Primär ist etwas also insofern , als es

nicht Prinzipiat eines Gleichbestimmten ist, sondern durch-sich-selbst bzw. Unmittelbar so

ist, wie es ist. Aufgrund dieser Definition erscheint es miBverständlich, das aristotelische

prw=ton durch den Deutschen Terminus “Erstes” zu übersetzen; statt dessen soll der

Ausdruck des “prw=ton o)/n” im folgenden als “unmittelbares Seiendes” im Deutschen

wiedergegeben werden.

Wenn das Seiende von sich her demzufolge auch (secundo modo) Quantitatives bzw.

Quantitatives-bestimmtes-Seiendes etc. sein mag, oder gar als Nicht-anders-Seiendes etwas

Negatives (1003b7ff., 1069a22ff.), sind diese Bestimmungen immer bereits sekundär, d.h.

abgeleitet: ein “Quantitatives” bzw. eine “eigenschaftliche Quantität” meint z. B. lediglich

ein Seiendes, welches quantitativ bestimmt ist. Das Seiende per se secundo modo kann

folglich definitorisch nur von formalen Begriff der Substantialität abgeleitet werden.

O “primário” (to\ prw=ton) define Aristóteles na Física VI.5 como “aquilo” para o qual sua

determinação não vem com base nessa coisa, que é criada como alguma coisa outra

[também]. Em outro lugar nomeia Aristóteles isso a aquilo o qual sem outro tal e tal pode

ser determinado, mas aquele não sem esse. Primário é alguma coisa também tal que não é

principiado por uma mesma determinação, mas através de si mesmo respectivamente.

Imediatamente é tal como é. Com base nessa definição parece erroneo o prw=ton

aristotélico ser traduzido através do termo alemão “primeiro”, ao invés dessa deve a

9

expressão “prw=ton o)/n” subseqüentemente como “o ente imediato” ser retomada em

alemão.