Software anatomia em radiografias panorâmicas: avaliação do método de ensino-aprendizado em ... por Maria Amelia Gonçalves de Ávila - Versão HTML

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MARIA AMÉLIA GONÇALVES DE ÁVILA

SOFTWARE ANATOMIA EM RADIOGRAFIAS PANORÂMICAS:

AVALIAÇÃO DO MÉTODO DE ENSINO-APRENDIZADO

EM ODONTOLOGIA

São Paulo

2004

Maria Amélia Gonçalves de Ávila

Software anatomia em radiografias panorâmicas: avaliação do método de ensino-aprendizado em Odontologia

Tese apresentada à Faculdade de Odontologia da Universidade

de São Paulo, para obter o título de Doutor pelo Programa de

Pós-Graduação em Odontologia.

Área de Concentração: Diagnóstico Bucal (Subárea: Radiologia)

Orientador: Prof. Dr. Cláudio Fróes de Freitas

São Paulo

2004

FOLHA DE APROVAÇÃO

Ávila MAG. Software anatomia em radiografias panorâmicas: avaliação do método de ensino -aprendizado em Odontologia [Tese de Doutorado]. São Paulo: Faculdade de Odontologia da USP; 2004.

São Paulo, ______/_____/2004

Banca Examinadora

1) Prof(a). ___________________________________________________________

Titulação: ___________________________________________________________

Julgamento:___________________________Assinatura ______________________

2) Prof(a). ___________________________________________________________

Titulação: ___________________________________________________________

Julgamento:___________________________Assinatura ______________________

3) Prof(a). ___________________________________________________________

Titulação: ___________________________________________________________

Julgamento:___________________________Assinatura ______________________

4) Prof(a). ___________________________________________________________

Titulação: ___________________________________________________________

Julgamento:___________________________Assinatura ______________________

5) Prof(a). ___________________________________________________________

Titulação: ___________________________________________________________

Julgamento:___________________________Assinatura ______________________

Educar é sempre educar para a vida. E essa é a única maneira concreta,

tangível, visível de ensinar que o impossível é possível: aprisionar no finito de uma forma, o infinito de uma idéia.

Cesare de la Rocca

Agradeço em especial,

Ao meu Orientador, Prof. Dr. Cláudio Freitas,

Por dedicar momentos preciosos de sua vida na orientação desse trabalho, pela amizade demonstrada em todas as etapas do Curso, e por seus atos e palavras, que sem duvida, contribuíram para nosso amadurecimento como pessoa e profissional, e À Família que me acolheu,

Cláudio, Áurea, Roberto e Rafael,

Pelo carinho, contribuições valiosas a execução desse trabalho, e pelos momentos tão felizes divididos.

Ao Prof. Tit. Jurandyr Panella,

Pela acolhida e oportunidade ímpar que proporcionou em minha vida, pela atenção e cuidados dispensados a mim durante todo o Curso, e pela disposição constante em colaborar para aumentar nosso conhecimento .

Meu reconhecimento, gratidão e admiração.

À Profa. Marlene Fenyo, por sua dedicação, por seu exemplo pessoal e profissional, pelo estímulo, apoio e amizade demonstrada em todos os momentos.

Aos Docentes da Disciplina de Radiologia e Semiologia da Faculdade de

Odontologia da USP, Profs. Drs. Cláudio Costa, César, Emiko, Evângelo, Jéfferson, Israel e Marcelo, pela acolhida, conhecimentos recebidos e colaboração em minha formação.

Aos amigos, colegas e companheiros, Ana Lúcia, Alessandra, Sibele, Eric,

Adriana, Jorge, Cláudia, Felipe, Márcio, Roberto e Roberto Mansini, por serem amizades que trarei junto a mim por toda uma vida.

À Edeleine, Cecília, Nina e Luizete, que excederam todas suas funções, demonstrando antes de tudo, consideração, carinho e amizade.

À Pós-graduação da FO/USP, nas pessoas do Prof. Antoniazzi e da Sra. Cátia, que não mediram esforços para sempre colaborar em toda minha permanê ncia

nesse Curso e, principalmente pelo apoio incondicional nos momentos difíceis.

À Biblioteca da FO/USP, nas pessoas das Sras. Luzia, Vânia, Aguida, Cidinha e Gláucia, por sua competência, seriedade e solicitude ímpares.

À FO/USP Bauru, base de minha formação, na pessoa do Prof. Dr. Orivado Tavano, pela amizade demonstrada em todos os momentos de minha vida, e por estar sempre pronto a colaborar em minha formação acadêmica.

À FO “Júlio de Mesquita Filho”, na pessoa do Prof. Luiz César, pelo atenção e consideração com que fui recebida, e pela colaboração inestimável a conclusão desse trabalho.

À Profa. Adalsa Hernandez , exemplo de competência aliada a sinceridade e amabilidade.

À FOUFG, minha Instituição de origem, meus sinceros agradecimentos, À Profa. Terezinha, minha amiga querida, pessoa de sorriso generoso e sincero, por estar presente, acompanhando e orientando meus passos, desde a graduação.

À Prof. Ilka, da PROAD/UFG, incentivadora e entusiasta incondicional de todas as iniciativas que venham a acrescentar a nossa Instituição.

Ao Prof. Willian Taveira, exemplo de conduta pessoal, profissional, integridade e dignidade.

Ao Diretor da FOUFG, Prof. Dr. Gersinei, pela amizade e apoio incondicionais a qualquer iniciativa de ensino e pesquisa em nossa Faculdade.

Aos Chefes do Departamento de Ciências Estomatológicas, Profs. Drs. Marcos Arruda e Carlos Estrela, exemplos de conduta administrativa, pessoal e profissional, por sempre defenderem com convicção os interesses de nosso

Departamento.

Aos Profs. Drs. Seraphin – Instituto de Matemática e Estatística/UFG, João

Anatomia e Morfologia e Tomé – UFG Virtual, pela disposição permanente de colaborar com a execução desse trabalho.

Á Prof. Luisa Taveira e Sra. Marilene Bueno, do Colegiado de Cursos da FOUFG, incentivadoras e entusiastas de qualquer iniciativa em prol da qualidade do ensino em nossa escola.

Aos Técnicos Administrativos da FOUFG, Juscelino, Almir e Ieda, sempre solícitos, amigos e prontos a cuidar de meus interesses, melhor do que eu mesma.

À PRPPG, nas pessoas das Sras. Fernanda e Juraci, e ao Departamento Pessoal da UFG, em nome do Sr. Winston, pela competência e carinho com que cuidam de nossas de nossas atividades junto à pós-graduacão.

A todos os avaliadores dessa pesquisa (Professores e Alunos) por terem despendido de seu tempo com intuito único de colaborar e enriquecer esse trabalho Há pessoas que entram em nossas vidas para só fazer o bem, e enriquecem nossa existência mais do que podemos expressar, meu muito obrigada à ,

Tessa e Leandro,

Carla e Antonio Carlos,

Simone e Marcos,

Daniel e Elisa,

Leandra por ser minha irmã e, por ter demonstrado ao longo de vinte anos de amizade, seu caráter e índole irrepreensíveis,

e,

Dayler, que desenvolveu este software, e comigo dividiu tantos momentos de esperança, frustração, euforia, desânimo e vitória, sempre com serenidade,

disposição, competência e dedicação incansáveis, viu como nós conseguimos?

E não se esqueça jamais, que você é o melhor no que faz.

Dedico este trabalho à minha Família.

Simplesmente tudo para mim.

.

Ávila MAG. Software anatomia em radiografias panorâmicas: avaliação do método de ensino -aprendizado em Odontologia [Tese de Doutorado]. São Paulo: Faculdade de Odontologia da USP; 2004.

RESUMO

Objetivos: Desenvolver um programa de computador sobre anatomia em

radiografias panorâmicas; analisar a opinião de peritos a respeito do software como método de ensino-aprendizado; analisar a aceitação do método proposto, pelos alunos do 20, 30 e 40 anos de graduação da Faculdade de Odontologia da

Universidade Federal de Goiás. Métodos: O software elaborado resultou em um programa tutorial multimídia interativo, estruturado em módulos, compostos dos seguintes temas: formação da imagem na técnica panorâmica, seqüência para

interpretação radiográfica, anatomia radiográfica em panorâmicas, jogos e avaliação.

Após a conclusão do programa, aplicou-se um questionário a 56 entrevistados (10

professores Doutores em Radiologia, denominados peritos, e 46 alunos de

graduação) com a finalidade de avaliar o software como método de ensino-aprendizado. Resultados: As respostas foram analisadas por meio de análise estatística descritiva e verificou-se que: 100% dos avaliadores não fariam qualquer modificação no layout, navegação e conteúdo do módulo de anatomia radiográfica, objetivo central do software; 98% dos alunos e 60% dos peritos aprovaram as

imagens desse mesmo módulo. 100% dos entrevistados gostariam de ter mais

acesso a softwares educacionais e afirmaram que o programa apresentou-se explicativo e de fácil entendimento. 100% dos peritos declararam que o programa atingiu todos os objetivos propostos e se constitui de um método de ensino-aprendizado válido. Conclusão: O programa foi amplamente aceito pela população 13

pesquisada, tornado sua aplicação factível e pertinente como método de ensino-aprendizado.

Palavras-Chave: ensino assistido por computador em odontologia; softwares educacionais em radiologia odontológica; anatomia radiográfica em panorâmicas.

Ávila MAG. Panoramic radiographic anatomy software: evaluation of the teaching and learning method in Dentistry [Tese de Doutorado]. São Paulo: Faculdade de Odontologia da USP; 2004.

ABSTRACT

Objectives: To develop a software about panoramic radiography; to analyze professors opinions about the software as a teacher and learning method; to analyze graduation students - 20, 30 and 40 levels / Dentistry Scholl of Goiás / Brazil -

acceptation of the method. Methods: The software was developed, resulting in a multimedia tutorial containing pages about panoramic technique, interpretation sequences, panoramic radiographic anatomy, games and tests. After the completing said program, a questionnaire was applied to ten professors PhDs in Radiology, denominated experts, and 46 dental graduating students, with the purpose to analyze their opinions about the program as a teaching and learning method. Results: The answers was analyzed descriptively, and it could be observed that, 100% of experts wouldn’t make any alteration on the layout, navigation and texts in the most important part of the program, that is panoramic radiography anatomy; 98% of the students and 60% of the experts approved the images of the refereed modulus . 100% of the interviewed would like to have more educational software , and declared that the program was clear and easily understanding. 100% of the experts affirmed that the program reached all objectives proposed and can be considered as a valid teaching and learning method Conclusion: The program interested and was great accepted by the interviewed population, becoming completely feasible and pertinent the application of the said instrument as a teaching and learning method.

Keywords: computer-assisted learning in dentistry; educational software in oral radiology; panoramic radiographic anatomy.

SUMÁRIO

p.

1 INTRODUCÃO ...................................................................................................................15

2 REVIS ÃO DA LITERATURA ...........................................................................................20

2.1 A informática e o processo educativo .........................................................................21

2.2 Ensino a distância ..........................................................................................................45

2.3 Validação de métodos educacionais...........................................................................51

3 PROPOSIÇÃO ...................................................................................................................54

4. CASUÍSTICA E MATERIAL E MÉTODOS ...................................................................56

4.1 Material .............................................................................................................................57

4.2 Métodos ...........................................................................................................................59

5 RESULTADOS ...................................................................................................................66

6 DISCUSSÃO ................................................................................................................... 108

6.1 O ensino assistido por tecnologias de informação e comunicação e o

software anatomia em radiografias panorâmicas ................................................ 109

6.2 O software anatomia em radiografias panorâmicas ............................................ 115

6.3 O software anatomia em radiografias panorâmicas e os resultados

das avaliações por peritos e alunos........................................................................ 120

6.4 O software anatomia em radiografias panorâmicas, os comentários e

sugestões dos avaliadores e a questão da validação do método.............. 123

7 CONCLUSÃO.................................................................................................................. 128

REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 130

ANEXOS............................................................................................................................... 139

15

1 INTRODUÇÃO

16

1 INTRODUÇÃO

A utilização de computadores na educação tem aumentado significativamente

nos últimos anos. As Universidades têm adotado esse recurso, tanto para

complementar o ensino tradicional, quanto para substituí-lo. Apesar dos poucos estudos em Odontologia, a respeito do ensino assistido por tecnologias de

informação e comunicação, a maioria destes atesta que esse método de ensino-

aprendizado é tão ou mais efetivo do que o ensino clássico.

Entre as vantagens do ensino assistido por computador poder-se-ia enumerar

o fato dos alunos estarem ávidos pela utilização das tecnologias da informática, a possibilidade da interatividade, uma utilização mais efetiva do tempo de estudo e um menor tempo despendido no aprendizado. Outros aspectos que favoreceriam o

ensino assistido por tecnologias de informação e comunicação, em comparação com o convencional, são: o ensino assistido por computador se adequaria ao compasso do usuário ao invés de ser direcionado por um instrutor; o programa poderia ser interrompido a qualquer instante e repetido quantas vezes fosse necessário (autodirecionamento do estudo); a partir do momento que o computador não se

apresentasse como um juiz, o aluno poderia aprender com seus erros sem

embaraço; nas avaliações, haveria a possibilidade de correlacionar questões de múltipla escolha com imagens clínicas e radiográficas com feedback imediato; modelos de animação tridimensional possibilitariam um melhor entendimento das relações anatômicas; fornecer bases para cursos de educação à distância e, a

possibilidade de um melhor aproveitamento do tempo do professor, uma vez que, caso os estudantes estejam aptos a aprender por meio do ensino assistido por

17

computador, as Instituições poderiam utilizar o tempo de determinadas aulas para apresentação de material complementar (BACHMAN et al., 1998; DERMIRJIAN;

DAVID, 1995; FARR, 1997; GRIGG; STEPHENS, 1998b; MERCER; RALPH, 1998;

MILLER et al., 1998; STEPHENS; GRIGG, 1994; TOLIDIS et al., 1998; YIP;

BARNES, 1999).

Preston (1997), em uma análise sobre o impacto dos computadores no ensino

em Odontologia, afirmou que, embora fossem inúmeros, os dois principais motivos para a não adoção do ensino assistido por computador, nas Instituições de ensino superior, seriam o alto custo inicial e de manutenção dos programas, e a relutância de algumas Faculdades em aderir ao conceito do ensino complementado pelos

recursos da computação. Devendo-se levar em consideração também, a resistência de alguns docentes que tiveram sua formação profissional clássica, quando, ainda, essas ferramentas não estavam disponíveis. O autor complementou afirmando que, a maior vantagem do ensino assistido por tecnologias de informação e comunicação seria a utilização dos recursos de multimídia, os quais auxiliariam o aluno na elaboração do diagnóstico e favoreceriam o ensino multisensorial.

Entretanto, a veloz transformação tecnológica que a microinformática está

processando, com o surgimento de equipamentos mais rápidos, de maior

confiabilidade e capacidade de processamento de dados, tem feito do

microcomputador um instrumento mais acessível e indispensável à formação e à

capacitação individual. Recursos multimídia, realidade virtual e inteligência artificial, são capazes de fornecer aos educadores instrumentos eficientes e céleres de

comunicação com os alunos, proporcionando maior liberdade de manuseio de

materiais auto-instrucionais amigáveis, a um custo muito menor se comparado com décadas anteriores.

18

No ensino a distância, em se tratando de alunos educados em processos que

pouco estimularam a iniciativa individual, seria imperativo que os cursos fossem precedidos ou incorporassem em seus estágios, módulos que ensinassem como

estudar, como utilizar o tempo e estimulassem o estudante a tomar iniciativas e construir sua autonomia. Os cursos que pretendem ser auto-instrucionais, mediante a elaboração de materiais para o estudo independente, deveriam conter objetivos claros, auto-avaliacões, exercícios e textos complementares, fomentando a

capacidade de observação crítica e o pluralismo de idéias. Contribuindo assim, para o fortalecimento de uma mentalidade analítica e criativa, rompendo a barreira da passividade muitas vezes provocada por processos educacionais convencionais,

aspectos especialmente valiosos nos estudos universitários, sendo que o centro do processo de ensino passaria a ser o estudante.

Ao se pretender desenvolver um programa de ensino a distância em uma

Instituição presencial, não se deve conduzi-lo em conflito com a cultura existente, ao contrário, devem-se estabelecer mecanismos de cooperação e convívio entre as

duas modalidades de ensino. A fim de possibilitar que a educação a distância possa, inclusive contribuir para melhorar os processos de ensino presenciais.

Em um mundo que vive sob a égide das transformações e mudanças, o

acesso à informação e às formas de capacitação para tomada de decisões

independentes e autônomas, requisita ações que vão além das fronteiras da

educação formal. O fundamental do processo de aprendizado é a observação e a

experimentação. Neste momento, mais do que nunca, o professor deve exercer sua vocação de inquietar e não de apaziguar.

A proposta desta pesquisa é desenvolver um software de anatomia em

radiografias panorâmicas, com o intuito de se estabelecer bases para análises e 19

discussões acerca do ensino assistido por tecnologias de informação e

comunicação, em Radiologia bucomaxilofacial, e para posteriores estudos

comparativos sobre sua efetividade em relação aos métodos convencionais de

ensino.

20

2 REVISÃO DA LITERATURA

21

2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 A informática e o processo educativo

Os primeiros computadores foram desenvolvidos durante a segunda guerra

mundial. No Reino Unido, um computador denominado Colossus, desenvolvido

pelos laboratórios de pesquisa dos correios em 1943, foi utilizado em Bletchley Park, para auxiliar a quebra do código alemão Lorenz (Enigma). Dois anos mais tarde, nos Estados Unidos da América (EUA), o Eniac (integrador numérico eletrônico e computador) foi empregado a serviço da artilharia americana. Mesmo com o avanço da tecnologia, e conseqüentemente da velocidade, extensão da memória e

capacidade de armazenamento das informações dos equipamentos, ainda se

passaram quase 30 anos até que a terceira geração de computadores fosse utilizada no ensino assistido por computador. Na realidade, foi somente nos últimos 10 anos, com o surgimento de microcomputadores mais acessíveis, é que o ensino assistido por tecnologias de informação e comunicação em Odontologia se tornou uma

realidade (GRIGG; STEPHENS, 1998a).

A utilização de computadores, como instrumento de ensino, nos campos da

Medicina e Odontologia, remonta aos anos 70. Em 1971, o Centro de Estudo em

Ciências Odontológicas da Universidade de Kentucky (EUA), inseriu o ensino

assistido por computador como parte de um currículo odontológico mais flexível. Na Medicina, esta modalidade de ensino foi introduzida ao currículo médico para o 22

clínico geral, pela Universidade de Glasgow (Escócia), em 1975 (GRIGG;

STEPHENS, 1998a).

Com o intuito de comparar a efetividade e a confiabilidade dos métodos de

auto-ensino (manuais de auto-ensino, auto-ensino digital) na preparação do aluno de graduação, no desenvolvimento de um pensamento crítico em relação ao

diagnóstico em Endodontia, Puskas et al. (1991) constituíram um grupo de alunos do 10 ano de Odontologia representando o grupo controle. Aos alunos do 20 ano,

divididos em dois grupos, foi aplicado o auto-ensino por meio de um manual e o auto-ensino digital e com em relação aos de alunos do 30 ano, o objetivo foi comparar o auto-ensino por meio do manual com o método aula-convencional.

Todos os grupos realizaram pré e pós-testes e, de acordo com a aná lise dos

resultados, concluiu-se que não houve diferenças significantes no desempenho entre os grupos que utilizaram manuais de auto -ensino, com os que foram submetidos ao auto-ensino digital (20 ano), do mesmo modo com que não houve discrepâncias nos resultados dos alunos do 30 ano em que o auto-ensino por meio do manual foi

comparado ao método aula-convencional.

Ao avaliarem o panorama internacional a respeito da aplicação da tecnologia

digital nas Faculdades de Odontologia dos Estados Unidos e Canadá (91% das

Instituições abrangidas), Cohen e Forde (1992), observaram que, embora as

administrações das Faculdades fossem favoráveis ao desenvolvimento da tecnologia institucional, houve pouco incentivo financeiro ao desenvolvimento de novos

métodos. Das modalidades de ensino assistido por computador, os mais utilizados foram os testes seguidos do registro de dados.

Com o propósito de determinar os diferentes graus de experiência com os

computadores, de três turmas de estudantes de Odontologia da Universidade da

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Pensilvânia (EUA), Feldman (1992) aplicou questionários nos quais os alunos foram instruídos a atribuir valores tais como: 1 - não conheço a 5 - pleno conhecimento, para aferir o conhecimento dos mesmos a respeito da tecnologia da informática, e 1

- não muito útil a 5 - extremamente útil, sobre suas opiniões a respeito da utilização dos computadores na Odontologia. Os resultados demonstraram que os alunos se consideravam pouco informados sobre computadores, que acreditavam

que os computadores seriam úteis principalmente em áreas administrativas da

Odontologia, mas não na anamnese e nas decisões clínicas. Os resultados

sugeriram haver uma discrepância entre a difusão da informática e a percepção da tecnologia digital. Em conclusão a autora propôs que, antes que os computadores fossem integrados aos currículos Odontológicos, cursos de computação básica

deveriam ser oferecidos, uma vez que um quarto dos alunos respondeu que se

sentiam ansiosos ou temerosos em utilizar os computadores.

Lang, Green e Jacobson (1992) conduziram um trabalho semelhante ao

acima citado, na Universidade de Michigan (EUA), onde pesquisaram o

conhecimento, as opiniões e comportamento dos estudantes em relação à

informática na Odontologia e as aplicações do computador no ensino. De acordo com os dados obtidos, os autores concluíram não haver diferenças significantes nos depoimentos dos alunos do 10 e 40 anos, uma vez que , as turmas possuíam pouco conhecimento e experiência sobre a aplicação da informática no ensino, porém, manifestaram desejo de maiores informações a respeito do ensino digital e opiniões favoráveis a respeito do assunto.

Devido a questões financeiras e demográficas, as Faculdades de

Odontologia, em um futuro próximo, deveriam considerar diferentes tipos de

estudantes e flexibilizar a estrutura curricular para melhor acomodá-los. Ao

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analisarem resultados de estudos comparativos prévios, a respeito do ensino

assistido por computador e do ensino convencional, Dacanay e Cohen (1992), constataram que, embora o ensino assistido por tecnologias de informação e

comunicação fosse um auto-estudo, houve melhores resultados quando

supervisionado por um instrutor, e que os cursos individualizados, em média,

requeriam três quartos do tempo necessário ao ensino convencional.

Cohen e Forde (1992), definiram e conceituaram como cinco as modalidades

de ensino assistido por computador:

q

tutoriais / exercícios e prática – no tutorial o computador apresentaria um material novo e não familiar ao aluno, e auxiliaria o estudante a utilizar a informação adquirida por meio de exercícios práticos e repetições.

q

simulações / resolução de problemas – o computador utilizaria como

modelo uma situação real, na qual o aluno teria a oportunidade de manipular

variáveis para determinar suas relações.

q

testes / registro de dados – o computador funcionaria como banco de

dados e forneceria resultados para os testes realizados.

q

vídeo / videodisco interativo – programas de computador com

recursos de multimídia.

q

inteligência artificial

– computadores programados para

“pensamento, razão e aprendizado” de acordo com seus arquivos “memórias”.

O número crescente de pacientes geriátricos, que necessitavam de uma

abordagem mais completa em relação aos fatores psicossocial, socioeconômico e de saúde global, motivou Mulligam e Wood (1993) a repensar o modelo tradicional de ensino. Para tanto um programa de ensino assistido por computador foi

desenvolvido, para simular a interação entre o cirurgião-dentista e o paciente 25

geriátrico, e preparar os alunos no que se referia à conduta clínica em relação a esses pacientes. Vinte alunos do 30 ano foram divididos em dois grupos (1 e 2), sendo que ao primeiro foi aplicada apenas a literatura pertinente ao assunto e, ao segundo o ensino assistido por computador. Ao se comparar o pré ao pós-teste, concluiu-se que ambos os grupos adquiriram mais conhecimento a respeito do

assunto e que não houve diferenças significantes entre os grupos 1 e 2, porém o grupo que testou o ensino assistido por computador considerou o novo método mais interessante e motivador do que o tradicionalmente empregado. Os resultados

sugeriram que o método digital representava uma alternativa efetiva ao método convencional.

O termo “interativo” aplicar-se-ia a simulações de casos em computadores

devido: ao acesso imediato do usuário a um glossário de termos e definições

bastando “clicar” na palavra; às inúmeras páginas de ajuda que estariam disponíveis para acesso de informações; possibilidade de feedback imediato; ao acesso do usuário a todos os dados a respeito de um caso, podendo “navegar” no programa da maneira que julgasse necessária, e finalmente quando o aluno já tivesse

informações suficientes para elaboração do diagnóstico poderia fazê-lo, e caso optasse pela resposta incorreta, receberia informações adicionais e seria estimulado a tentar novamente. Ao analisarem a resposta de estudantes a um software com simulações de casos sobre dor orofacial e desordem temporomandibular, Clark,

Koyano e Nivichanov (1993) concluíram que , houve um melhor desempenho dos

alunos à medida que aumentou a intimidade dos mesmos com os recursos

multimídia do programa e que o modelo atingiu os objetivos educacionais propostos.

Os alunos envolvidos na pesquisa, ao avaliarem o programa, afirmaram que o

26

mesmo era de fácil utilização, atraente do ponto de vista dos recursos de multimídia e estimulante quanto ao feedback imediato.

Com o objetivo de avaliar a capacidade dos alunos de graduação em

interpretar radiografias panorâmicas (identificar estruturas anatômicos, apontar erros de técnica), Razm us, Williamson e Van Dis (1993) envolveram 29% das Faculdades de Odontologia norte-americanas e 311 alunos nesta pesquisa. Um membro do

corpo docente de cada Instituição preencheu um questionário relatando o tempo despedido no ensino da radiografia panorâmica, bem como a experiência prática proporcionada ao aluno. O mesmo professor aplicou, nos alunos, um instrumento de avaliação com testes de múltipla escolha. Os resultados demonstraram que, nas escolas que administravam de 1 a 2 horas/aula sobre radiografias panorâmicas aos alunos, a média de respostas corretas foi de 71.0%, ao passo que , nas Faculdades que propiciavam pelo menos 3 horas/aula, o desempenho foi superior atingindo 78.9% de acertos. Outro dado interessante aferido na pesquisa foi que , nas escolas nas quais o aluno teve acesso à execução da técnica, o índice de acertos foi maior, 76%, contra os 68.9% de respostas corretas dos alunos, os quais que não tiveram contato com a prática clínica.

Ao apresentarem uma experiência bem sucedida de cinco anos com CD-

ROMs ( compact disc ready only memory), para o ensino de casos do Laboratório de Patologia, Kumar e Khilnany (1994), ressaltaram que o método era extremamente valioso para o estudante como instrumento de revisão independente dos casos de enfermidades.

Stanford et al. (1994) se propuseram a avaliar um software para ensino da anatomia cardíaca. Para tanto, 175 alunos do Curso de Medicina foram divididos em 4 grupos, obedecendo a seguinte sistemática: o grupo controle não recebeu

27

nenhuma informação; ao grupo 2, foi administrada uma aula sobre dissecação

cardíaca; o grupo 3, utilizou o software sobre o tema e ao grupo 4 foi ministrada aula sobre dissecação associada a estudo com o software. Os resultados demonstraram que o grupo 4 obteve as melhores médias, permitindo concluir que a aula sobre dissecação cardíaca associada à utilização do programa melhorou

consideravelmente o desempenho dos alunos, porém o software não deveria substituir a aula convencional de dissecação no ensino da anatomia cardíaca.

Com o propósito de determinar a aceitabilidade de três softwares (Ortodontia, técnicas de biópsia e Endodontia) de ensino assistido por computador para o

cirurgião-dentista, Long et al. (1994) administraram questionários auto -aplicáveis aos participantes da pesquisa, ao término do estudo. Os resultados demonstraram que os programas eram fáceis de serem utilizados, mais interessantes quando

comparados a teipes, livros e revistas, porém menos consistentes do que os vídeos-teipes.

Ao desenvolverem um software interativo sobre anatomia seccional do fígado, Calhoun e Fishman (1994), afirmaram que, em comparação com este programa, os livros texto eram autolimitados, dispendiosos, difíceis de serem atualizados e pouco ilustrativos.

Fung, Ellen e McCulloch (1995) propuseram um software para o ensino do diagnóstico em Periodontia baseado em princípios clínico / epidemiológicos,

alegando que o ensino assistido por computador facilitaria o processo de

aprendizado interativo de conteúdos, os quais não seriam tão atrativos se

ministrados por métodos convencionais. Um questionário foi utilizado para avaliar a resposta dos alunos ao programa, sendo que os resultados foram altamente

28

favoráveis, com os estudantes demonstrando interesse por futuros programas de ensino assistido por computador.

Schatz, Stouder e Joho (1995) cientes de que, os avanços na tecnologia dos

computadores e o advento da internet ofereceriam uma oportunidade crescente de divulgação de conhecimentos práticos e teóricos, a respeito dos traumatismos

dentofaciais, divulgaram um site ( The DENTal TRAUMA Server) com intuito de possibilitar um diagnóstico mais acurado e a troca de informações entre cirurgiões-dentistas e Instituições, no campo da traumatologia dentária.

Ao pesquisarem as opiniões e atitudes das Faculdades de Odontologia

européias e norte-americanas [Manchester - Reino Unido (RU), Nijmegen (Holanda), Lexington (EUA)] e dos estudantes a respeito do ensino assistido por computador, Plasschaert et al. (1995) constataram que ainda havia poucos programas de ensino assistido por tecnologias de informação e comunicação disponíveis nas Instituições estudadas e como conseqüência poucos alunos tiveram contato com o método. No

entanto, a maioria dos alunos foi de opinião de que o uso de computadores como auxiliares ao ensino não seria impessoal, nem difícil, mas desafiante e motivador.

Partindo do pressuposto de que o ensino assistido por computador significaria novas possibilidades de disseminação de informações práticas e teóricas sobre trauma alveolodentário, Schatz e Joho (1995) desenvolveram um livro multimídia a respeito do assunto. Este modelo de livro seria similar em forma e função ao livro convencional, porém com as vantagens de um estudo não linear, o qual permitiria atingir tópicos específicos em uma seqüência individual, somado a recursos de imagem, movimento e som.

Ao analisarem softwares disponíveis para o ensino em Ortodontia, Benson, Stenphens e O’Brien . (1996) também traçaram um panorama do ensino assistido por 29

computador nas Faculdades de Odonto logia do Reino Unido. Por meio de

questionários enviados aos Coordenadores dos Cursos de Graduação, os autores

constataram que todas as escolas à exceção de quatro, empregavam alguma forma de ensino assistido por computador em seus currículos, sendo que, no entanto, havia uma deficiência de horários específicos para esta modalidade de ensino, mesmo havendo quantidade suficiente de computadores na maioria das Instituições.

Ariji et al. (1996) descreveram de maneira detalhada, o desenvolvimento de

um software de Radiologia Bucomaxilofacial, para ser acessado via internet. O site desenvolvido pelos autores continha 106 casos, com 279 imagens de 94 lesões

acometendo a região bucomaxilofacial.

Ao desenvolverem e avaliarem uma proposta de ensino assistido por

computador, cujo conteúdo seria as manifestações bucais da Síndrome da

Imunodeficiência Adquirida, Porter et al. (1996) ressaltaram a importância dos softwares serem acessíveis aos usuários (alunos, cirurgiões-dentistas) não familiarizados com os computadores. Segundo as respostas dos profissionais, que utilizaram o programa e responderam um questionário auto -aplicável, o software era de fácil acesso, as informações foram dispostas de uma maneira clara e, no que se refere à atualização, mostrou-se mais instrutivo do que vídeo e áudio-teipes, revistas, livros e tão efetivo quanto os cursos de educação continuada.

Preston (1996), em uma análise perspectiva sobre o ensino em Odontologia

no terceiro milênio, analisou que, embora as Universidades fossem um reduto de

“indivíduos pensantes”, esses ainda se mostravam reticentes em estruturar

programas digitais nas áreas do ensino teórico e da prática clínica. Parte das dificuldades advinha da falta de programas específicos para a Odontologia e da deficiência no suporte financeiro por parte das Instituições. O autor afirmou ainda 30

que, a partir do momento que houvesse uma consciência da evolução da prática e do ensino em Odontologia, em contraste do que foi no passado, os educadores

assumiriam sua responsabilidade em ensinar novas tecnologias. O autor concluiu afirmando que, a Odontologia por ser uma especialidade visual em que a percepção das relações tridimensionais sempre foi fundamental, seria favorecida pela utilização dos recursos digitais, e que os adjuntos eletrônicos deveriam ser sempre “servos” e nunca “mestres”.

O ensino em Odontologia não deveria seguir padrões de décadas atrás. A

tecnologia digital teria a possibilidade de oferecer melhores métodos de obtenção, transmissão e assimilação do conhecimento. Os estudantes iriam exercer suas