Soneto da puta assombrosa por Manuel Maria Barbosa du Bocage  - Versão HTML

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Soneto da Puta Assombrosa

Bocage

Soneto localizado em um caderno onde poemas de Bocage e de Pedro José Constâncio estavam misturados, não tendo se chegado em nenhuma conclusão definitiva sobre a autoria do mesmo.

Pela rua da Rosa eu caminhava

Eram sete da noite, e a porra tesa;

Eis puta, que indicava assaz pobreza,

Co'um lencinho à janela me acenava:

Quais conselhos? A porra fumegava;

"Hei de seguir a lei da natureza!"

Assim dizia e efeituou-se a empresa;

Prepúcio para trás a porta entrava:

Sem que saúde a moça prazenteira

Se arrima com furor não visto à crica,

E a bela a mole-mole o cu peneira:

Ninguém me gabe o rebolar d'Anica;

Esta puta em foder excede à Freira,

Excede o pensamento, assombra a pica!

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