Soneto (des)pejado por Manuel Maria Barbosa du Bocage  - Versão HTML

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Soneto (Des)pejado

Bocage

Num capote embrulhado, ao pé de Armia,

Que tinha perto a mãe o chá fazendo,

Na linda mão lhe fui (oh céus) metendo

O meu caralho, que de amor fervia:

Entre o susto, entre o pejo a moça ardia;

E eu solapado os beijos remordendo,

Pela fisga da saia a mão crescendo

A chamada sacana lhe fazia:

Entra a vir-se a menina... Ah! que vergonha!

"Que tens?" — lhe diz a mãe sobressaltada:

Não pode ela encobrir na mão langonha:

Sufocada ficou, a mãe corada:

Finda a partida, e mais do que medonha

A noite começou de bofetada.

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