Soneto do pregador pecador por Manuel Maria Barbosa du Bocage  - Versão HTML

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Soneto do Pregador Pecador

Bocage

Bojudo fradalhão de larga venta,

Abismo imundo de tabaco esturro,

Doutor na asneira, na ciência burro,

Com barba hirsuta, que no peito assenta:

No púlpito um domingo se apresenta;

Pregas nas grades espantoso murro;

E acalmado do povo o grão sussurro

O dique das asneiras arrebenta.

Quatro putas mofavam de seus brados,

Não qu'erendo que gritasse contra as modas

Um pecador dos mais desaforados:

"Não (diz uma) tu padre não me engodas:

Sempre, me hé-de lembrar por meus pecados

A noite, em que me deste nove fodas"!

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