Tormenta - Série Fallen - Livro 2 por Lauren Kate - Versão HTML

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SUMÁRIO

PRÓLOGO - ÁGUAS NEUTRAS

CAPITULO 1 – DEZOITO DIAS

CAPITULO 2 – DEZESSETE DIAS

CAPITULO 3 – DEZESSEIS DIAS

CAPITULO 4 – QUINZE DIAS

CAPITULO 5 – CATORZE DIAS

CAPITULO 6 – TREZE DIAS

CAPITULO 7 - DOZE DIAS

CAPITULO 8 – ONZE DIAS

CAPITULO 9 – DEZ DIAS

CAPITULO 10 – NOVE DIAS

CAPITULO 11 – OITO DIAS

CAPITULO 12 – SETE DIAS

CAPITULO 13 – SEIS DIAS

CAPITULO 14 – CINCO DIAS

CAPITULO 15 – QUATRO DIAS

CAPITULO 16 – TRES DIAS

CAPITULO 17 – DOIS DIAS

CAPITULO 18 – DIA DE AÇAO DE GRAÇAS

CAPITULO 19 – A TRÉGUA FOI QUEBRADA

EPÍLOGO - PANDEMONIO

PRÓLOGO

AGUAS NEUTRAS

Daniel olhava para a baia. Seus olhos eram tao cinzas quanto a pesada nevoa

envolvendo a o litoral de Sausalito, com a agua agitada lambendo a praia de cristais

abaixo de seus pés. Não havia nenhuma violeta em seus olhos, ele podia sentir. Ela

estava tao longe.

Ele se preparou para o toque da tempestade fora da agua. Ele puxou o grosso casaco

preto mais perto, mas soube que seria inutil. Caçar sempre o deixava com frio.

Apenas uma coisa poderia aquece-lo hoje , e ela estava inalcançavel. Ele sentia falta de

como o alto de sua cabeça fazia o lugar perfeito para descansar seus labios. Ele

imaginou seus braços preenchidos pelo corpo dela, se enclinando para beijar seu

pescoço. Mas era bom que Luce não podesse estar aqui agora. O que ela veria a deixaria

aterrorizada.

Atras dele, a lamúria dos leões-marinhos caindo pesadamente ao longo da costa de Angel

Island sooava o modo como ele se sentia: solitariamente abalado, sem ninguem por

perto para ouvir.

Ninguem exceto Cam.

Ele estava agachado na frente de Daniel, amarrando uma âncora enferrujada ao redor de

uma notável figura molhada aos seus pés. Mesmo envolvido em algo tão sinistro, Cam

parecia bem. Seus olhos verdes brilhava e seu cabelo preto estava cortado curto. Essa

foi a trégua; sempre trazia um rubor mais intenso nas bochechas dos anjos, um brilho aos

seus cabelos, e até mesmo uma definiçao mais acentuda nos musculos impecaveis de

seus corpos. Dias de trégua são para os anjos o que as férias na praia são para os

humanos.

Mesmo que doia a Daniel cada vez que era forçado a interromper uma vida humana,

para qualquer outra pessoa ele parecia como um cara voltando de uma semana no Havaí:

relaxado, descansado, bronzeado.

Apertando um de seus complicados nós, Cam disse “Tipico Daniel . Sempre se afastando

e me deixando com o trabalho sujo”

“ Do que voce tá falando? Eu que acabei com ele.” Daniel olhou para o homem morto,

para seu firme cabelo cinza emaranhado na testa pálida, para suas maos nodosas e suas

baratas galochas de borracha, para o rasgo vermelho escuro no seu peito. Fez com que

Daniel se sentisse frio de novo. Se matar não fosse necessário para garantir a segurança

de Luce, para salvá-la, Daniel nunca levantaria outra arma. Nunca lutar em outra briga.

E alguma coisa no que diz respeito a morte desse homem não parece estar certo. Na

verdade, Daniel tinha uma vaga e preocupante sensaçao de que algo estava

profundamente errado

“Acabar com eles é a parte divertida” Cam enrolou a corda ao redor do peito do homem e

apertou em baixo dos braços deles . “O trabalho sujo é joga-los no mar.”

Daniel ainda segurava o galho de arvore com sangue em suas maos. Cam riu da

escolha, mas não importava para Daniel o que ele usou. Ele podia matar com qualquer

coisa.

“De pressa”, ele rosnou, enojado pelo evidente prazer que Cam teve no derramamento de

sangue humano. “ Voce está desperdiçando tempo. A maré está descendo.”

“ E a menos que façamos desse modo, a maré alta amanha vai trazer Slayer de volta a

costa. Voce é muito impulsivo, Daniel, sempre foi. Voce sempre pensa mais que um passo

a frente?

Daniel cruzou os braços e olhou para as cristas branca das ondas. Um catamarã turístico

vindo do pier de San Francisco estava deslizando em direçao a eles. Outrora, a visao

daquele barco poderia ter trago de volta uma enchente de memorias. Milhares de viagens

felizes que ele havia feito com Luce através de milhares mares de vidas passadas. Mas

agora – agora que ela pode morrer e nunca mais voltar, nessa vida onde tudo era

diferente e não haveria mais nenhuma reincarnação – Daniel sempre esteve ciente o

quanto a memoria dela era vazia. Essa era a ultima tentativa. Para os dois. Para todos, de

verdade. Entao era as memorias de Luce, e não a de Daniel, que importavam, e tantas

verdades chocantes teriam que ser cuidadosamente trazidos à superficie se ela

sobreviver. O pensamento do que ela tinha que aprender fez com que todo seu corpo

ficasse tenso.

Se Cam pensava que Daniel não estava pensando no próximo passo, ele estava errado.

“ Voce sabe que só há um único motivo de ainda estar aqui,” Daniel disse. “ Nós

precisamos conversar sobre ela.”

Cam riu. “ Eu ia.” Com um gemido, ele ergueu o corpo encharcado por cima do ombro. O

terno marinho do homem morto amontoado em torno das linhas da corda que Cam havia

amarrado. A pesada âncora repousava em seu peito ensanguentado.

“ Este era valentão, não era?” Cam perguntou. “ Estou quase insultado que os Anciãos

não mandaram um pistoleiro mais desafiador.”

Entao -como se fosse um lançador de peso olimpico – Cam dobrou os joelhos, e rodou

três vezes no vento, e lançou o homem morto para agua, a claros cem mil metros no ar.

Por alguns longos segundos, o corpo boiou na baia. Entao o peso da âncora o arrastou

para baixo... para baixo...para baixo. Esguichou para dentro da agua. E,

instantaneamente, afundou até perder de vista.

Cam limpo as maos. “ Acho que acabo de bater um record.”

Eles eram parecidos em tantas formas. Mas Cam era algo pior, um demonio, que o fazia

capaz de atos desprezíveis sem nenhum remorso. Daniel estava devastado pelo

remorso. E agora, ele estava devastado pelo amor.

“ Voce lida com a morte humana muito superficialmente,” diz Daniel.

“ Esse cara merecia,” disse Cam. “Voce realmente não leva tudo isso no esporte?”

Foi quando foi na cara dele e cuspiu, “ Ela não é um jogo para mim.”

“ E é exatamente por isso que você vai perder.”

Daniel agarrou Cam pela gola de seu casaco cinza-aço. Ele considerou arremessá-lo na

agua da mesma forma que ele arremessou o predador.

Uma nuvém acumulou-se além do sol, sua sombra escureceu os rostos deles.

“Calma,” disse Cam, erguendo as maos. “ Voce tem varios inimigos, Daniel, mas agora eu

não sou um deles. Lembre-se da trégua.”

“Alguns estao em trégua,” disse Daniel. “ Dezoito dias de outros tentando matá-la.”

“Dezoito dias de voce e eu pegando eles,” Cam corrigiu.

Era uma tradiçao angelical que uma trégua dure dezoito dias. No Céu, dezoito era o mais

divino e sortudo número: um registro de afirmaçao da vida de dois setes ( as virtudes dos

arcanjos e cardeais), equilibrados com a advertência dos quatro cavaleiros do Apocalipse.

Em algumas linguagens mortais, dezoito tinha vindo a significar a própria vida, embora,

nesse caso, para Luce, poderia facilmente siginificar morte.

Cam estava certo. Como as notícias da sua imortalidade escorreu as camadas celestiais,

as fileiras de inimigos dobraria e redobrariam cada dia. Senhorita Sofia e seus companheiros, os Vinte-Quatro Anciães de Zhsmaelin, ainda estavam atras de Luce.

Daniel havia vislumbrado os Anciães nas sombras mandados pelos Anunciadores bem

nessa manhã. Ele havia percebido algo a mais, uma intensa e obscura astúcia, uma que

ele não havia reconhecido no começo.

Um raio de sol furou as nuvens, e algo brilhou no canto da visao de Daniel. Virou-se e

ajoelhou-se para encontrar uma única flecha plantada na areia molhada. Era mais fina do

que uma normal, de cor prata fosca, e com desenhos gravados ao redor dela. Estava

quente ao toque.

A respiraçao de Daniel ficou presa na garganta. Tinha havido eras desde que ele visto um

starshot( tiro de estrela). Seus dedos tremeram quando ele gentilmente tirou-a da areia,

tomando cuidado para evitar sua ponta mortal.

Agora Daniel soube de onde aquela outra escuridao veio nessa manhã de Anunciadores.

A noticia foi ainda pior do que ele temia. Ele se virou para Cam, a flecha com plumas

luminosas equilibrada em suas mãos “ Ele não estava agindo sozinho.”

Cam enrijeceu ao ver a flecha. Ele se moveu até ela com reverência, chegando a tocar da

mesma forma que Daniel. “ Uma arma muito valiosa para ser deixada para trás. Os Exilados devem ter tido muita pressa para fugir.”

Os Exilados: uma seita de anjos errantes e covardes evitados tanto pelo Céu quanto pelo

Inferno. Sua única grande força era o recluso anjo Azazel, o único “starsmith”

remanescente, que ainda sabia a arte de produzir “starshots”. Quando solto do seu arco

de prata, uma “starshot” poderia causar menos do que uma ferida num mortal. Mas , para

os anjos e demônios, era a arma mais mortal de todos.

Todos queria ter uma, mas nenhum estava desposto a se associar aos Exilados. O

comércio de troca das “Starshot” sempre foi feito clandestinamente, via mensageiro. O

que significava que o cara que Daniel matou não era nenhum pistoleiro enviado pelos

Anciães. Ele era apenas um negociante de mercadorias. Os Exilados, o verdadeiro inimigo, haviam desaparecidos a primeira vista de Daniel e Cam. Daniel estremeceu. Esta

não era uma boa noticia.

“ Nós matamos o cara errado.”

“ Como errado?” Cam o ignorou. “ O mundo não está melhor com menos um predador? A

Luce não está melhor?” Ele olhou para Daniel, e depois para o mar. “ O único problema

é...”

“ Os Exilados”

Cam assentiu. “ Entao agora eles querem ela também.”

Daniel podia sentir as pontas de suas asas eriçadas sob seu suéter de caxemira e seu

casaco pesado, uma coceira ardente que o fez recuar. Ele ficou parado, com os olhos

fechados e seus braços junto ao corpo, esforçando para dominar a si mesmo antes que

suas asas possam irromper violentamente como as velas desfraldadas de um navio que o

levaria para fora da ilha por sobre a baia para longe. Imediatamente na direçao dela.

Ele fechou os olhos e tentou imaginar Luce. Ele teve de se afastar daquela cabana, do

sono tranquilo dela na pequena ilha a leste de Tybee. Agora estaria noite lá. Será que ela

estava acordada? Será que ela estaria com fome?

A batalha na Sword & Cross, as revelaçoes e a morte de sua amiga – causou muitos

danos a Luce. Os anjos esperavam que ela dormisse o dia todo e durante a noite. Mas

amanha de manha, eles teriam que por um plano em pratica.

Essa foi a primeira vez que Daniel propôs uma trégua. Para definir os limites, fazer as

regras, e elaborar um plano de consequencias caso ambos os lados violem. Era uma

grande responsabilidade para arcar junto ao Cam. É claro que ele faria qualquer coisa por

ela ... ele só queria ter certeza que fez o certo.

“ Nós teremos que escondê-la em algum lugar seguro,” ele disse. “ Tem uma escola ao

norte, perto de Fort Bragg...”

“ A Escola Shoreline.” Cam assentiu. “ Tive pensando nela também. Ela ficaria feliz lá. E

educada numa maneira que não a poria em perigo. E , mais importante, ela estaria protegida.”

Gabbe já havia explicado a Daniel o tipo de camuflagem que a Shoreline podia proporcionar. Logo o suficiente, a informaçao que Luce estava escondida lá se espalharia,

mas por um tempo, pelo menos, dentro do perimetro da escola, ela estaria quase invisível. Lá dentro, Francesca, um anjo conhecido de Gabbe, iria tomar conta de Luce. La

fora, Daniel e Cam iria caçar e matar qualquer um que ousasse chegar perto dos limites

da escola.

Quem teria contado a Cam sobre Shoreline? Daniel não gostou da ideia de que o lado

dele saiba mais do que o seu. Ele já estava amaldiçoando a si mesmo por não visitar a

escola antes deles fazerem essa escolha, mas já tinha sido duro demais deixar Luce

quando ele o fez.

“ Ela pode começar o mais rapido amanha. Supondo” – os olhos de Cam atravessou o

rosto de Daniel – “ supondo que voce diga sim.”

Daniel apertou a mao no bolso da calça, onde guardava uma fotografia recente. Luce no

lago de Sword & Cross com o cabelo molhado brilhando. Um raro sorriso no rosto.

Normalmente , no momento que ele tinha uma chance de conseguir uma foto dela em

uma só vida, ele a perdia outra vez. Desta vez, ela ainda estava aqui.

“ Qualé , Daniel.” Cam estava dizendo. “ Nós dois sabemos o que ela precisa. Nós matriculamos ela e deixamos ela por si só. Não podemos fazer nada para apressar essa

parte além de deixar-la sozinha.”

“ Eu não posso deixar-la sozinha esse tempo todo.” Daniel jogou as palavras fora rapidamente. Ele olhou para flecha em suas maos, se sentindo doente. Ele queria arremessá-la no mar, mas não podia.

“ Entao.” Cam apertou. “ Você não contou a ela.”

Daniel congelou. “ Eu não posso contar nada a ela. Podemos perdê-la.”

“ Voce pode perdê-la,” Cam zombou.

“ Voce sabe o que quis dizer.” Daniel enrijeceu. “ É muito arriscado supor que ela absorva

tudo sem...”

Ele fechou os olhos para banir a imagem da agonizante chama da brasa. Mas estava

sempre queimando o fundo de sua mente, ameaçando se espalhar rapidamente. Se contasse a verdade e a matar, dessa vez ela nunca voltaria. E seria culpa dele. Mas

Daniel não podia fazer nada – ele não conseguiria existir – sem ela. Suas asas queimaram por causa do pensamento. Melhor mantê-la abrigada por mais tempo.

“ Que conviniente para voce,” Cam murmurou. “ Eu só espero que ela não esteja decepcionada.”

Daniel o ignorou. “ Voce realmente acredita que ela será capaz de aprender nessa escola?”

“ Acredito,” Cam respondeu devagar. “ Supondo que concordamos que ela não terá nenhuma distraçoes externas. Isso significa sem Daniel e sem Cam. Essa tem que ser a

regra cardeal.”

Não vê-la por dezoito dias? Daniel não conseguia entender. Mais do que isso, ele não

conseguia ver Luce concordando com isso. Eles acabaram de descobrir um ao outro

nessa vida e finalmente têm a chance de estarem juntos. Mas , como sempre, explicar os

detalhes podia matá-la. Ela não podia ouvir sobre as vidas passadas dela pelas bocas

dos anjos. Luce não sabia disso ainda, mas muito em breve, ela estaria sozinha para

descobrir ... tudo.

A verdade enterrada – especialmente o que Luce pensaria dela – horrorizava Daniel. Mas

Luce descobrindo sozinha era o único maneira de romper com esse terrivel circulo. Por

causa disso que sua experiencia na Shoreline seria crucial. Por dezoito dias, Daniel podia

matar muitos Exilados que surgissem em seu caminho. Mas quando a trégua terminar,

tudo estaria nas maos da Luce de novo. Nas maos de Luce sozinha.

O sol estava se pondo sobre o Monte Tamalpais e a nevoa da noite se enrolava a dentro.

“ Deixe que eu a levo a Shoreline,” Daniel disse. Esta seria a ultima chance de vê-la.

Cam o olhou curiosamente, se perguntando se cederia. Pela segunda vez, Daniel teve de

forçar fisicamente suas asas doendo para dentro da pele.

“ Certo,” Cam disse no fim. “ Em troca da “starshot”.”

Daniel entregou a arma e Cam a escorregou casaco a dentro.

“ Leve-a até a escola e depois me encontre. Não estrague; eu estarei observando.”

“ E depois?”

“ Voce e eu temos uma caçada pra fazer.”

Daniel assentiu e desfraldou suas asas, sentindo o intenso prazer de soltá-las por todo o

corpo. Ele parou por um instante, reunindo energia, sentindo a resistencia do vento áspero. Hora de fugir dessa maldita e feia cena, para deixar suas asas o levar para um

lugar onde ele poderia ser seu verdadeiro eu.

De volta pra Luce.

E de volta para a mentira que teria que conviver por mais um tempo.

“ A trégua começa amanha à meia noite,” Daniel gritou, chutando para trás um borrifo de

areia na praia, ele decolou e voou através do ceu.

CAPITULO 1 - DEZOITO DIAS

Luce planejou manter os olhos fechados por todas as seis horas do vôo de Georgia até a

California, até o momento em que as rodas do avião tocassem na pista de San

Francisco. Meio acordada, ela achou muito mais facil fingir que já estava junto de Daniel

de novo.

Parecia uma vida inteira desde que ela tinha visto ele, mesmo tendo sido a poucos dias.

Desde de que eles se despediram na Sword & Cross na sexta-feira de manha, todo o

corpo de Luce parecia grogue. A ausencia de sua voz, do seu calor, o toque de suas asas:

tinha penetratado em seus ossos, como uma doença estranha.

Um braço tocou nela e ela abriu os olhos. Ela ficou cara a cara com os olhos arregalados

de um rapaz de cabelos castanhos que era alguns anos mais velho que ela.

“ Desculpa”, ambos disseram ao mesmo tempo, os dois recuando alguns centimetros

cada lado da poltrona do aviao.

Lá fora, a visao era espantosa. O aviao estava fazendo sua descida em San Francisco, e

Luce nunca viu algo parecido com isso antes. À medida que olhou o lado sul da baia, um

sinuoso afluente azul parecia atravessar a Terra em seu caminho para o mar. O fluxo

dividido por um campo de verde vibrante num lado e de um redemoinho de algo vermelho

e branco do outro. Ela apertou a testa no painel duplo de plastico e tentou obter uma

visao melhor. "O que é isso?" , Ela perguntou em voz alta. "Sal" , respondeu o rapaz, apontando. Ele se inclinou mais perto. "Eles retiram do Pacífico." A resposta foi tão simples, tão ... humana. Quase uma surpresa após o tempo que ela passou com Daniel e

os outros, ela era ainda inexperiente no uso dos termos literalmente, anjos e demônios.

Ela olhou através da água azul meia noite que parecia se esticar eternamente. Sol-sobre-

água havia sempre significado manhã na costa da Atlântica, Luce levantou. Mas aqui, era

quase noite. "Você não é daqui, é?" seu colega de acento perguntou.

Luce balançou a cabeça, mas segurou a língua. Ela seguiu olhando pela janela. Antes de

deixar a Geórgia nesta manhã, o Sr. Cole tinha ensinado a ela sobre manter um perfil

discreto. Os outros professores haviam sido avisados que os pais de Luce haviam

solicitado uma transferência. Foi uma mentira. Até onde os pais de Luce, qualquer outra

pessoa sabia, ela ainda estava matriculada em Sword & Cruz. Poucas semanas antes,

isso teria enfurecido ela. Mas as coisas que tinham acontecido nos últimos dias em Sword

& Cruz, havia deixado Luce uma pessoa que passou a levar o mundo mais a sério. Ela

havia vislumbrado um retrato de uma outra vida, uma das tantas que ela compartilhou

com Daniel antes. Ela descobriu um amor mais importante para ela do que qualquer coisa

que ela imaginou ser possível. E então ela já tinha visto tudo isso ameaçado por uma

velha louca, com um punhal, a quem ela pensava que podia confiar. Havia mais lá fora,

como Miss Sophia, isso Luce sabia. Mas ninguém lhe tinha dito como reconhecê-los. Miss

Sophia parecia normal, até o final. Poderiam os outros parecerem tão inocentes quanto ...

tão inocentes como esse cara de cabelos castanhos sentado ao lado dela? Luce engoliu

seco, cruzou as mãos no colo, e tentou pensar em Daniel. Daniel estava levando ela a

algum lugar seguro.

Luce imaginou ele esperando por ela em uma dessas cadeiras do aeroporto de plástico

cinza, com os cotovelos sobre os joelhos, sua cabeça loira enfiada entre os ombros.

Balançando pra frente e para trás o seu tênis preto Converse. Levantando-se a cada

poucos minutos pra andar ao redor da esteira de bagagem. Houve um choque quando o

avião tocou o solo. De repente, ela estava nervosa. Ficaria ele tão feliz em vê-la como ela ficaria em vê-lo? Ela focou sobre o padrão bege e marrom sobre o assento de pano na

frente dela. Seu pescoço sentia-se duro de um longo vôo e suas roupas tinham um velho,

cheiro de avião entupido.

A equipe de terra da Marinha, fora da janela parecia estar levando um tempo

anormalmente longo para dirigir o avião ao Jetway. Seus joelhos cortados com

impaciência. "Acho que você vai ficar na Califórnia por um tempo." O cara ao lado dela deu um sorriso preguiçoso que só fez Luce ficar mais ansiosa para sair. "Por que você diz isso?" Ela perguntou rapidamente. "O que faria você pensar isso?" Ele piscou. "Com essa sacola vermelha enorme e tudo." Luce se afastou dele. Ela não tinha notado esse cara até dois minutos atrás, quando ele tinha abalado o seu despertar. Como ele sabia sobre

sua bagagem? "Ei, não se assuste." Ele atirou-lhe um olhar estranho. "Eu estava em pé atrás de você na fila quando você fez o check-in" Luce sorriu sem jeito. "Eu tenho um namorado" , fluiu de sua boca. Instantaneamente, suas bochechas ficaram avermelhadas.

O cara tossiu. "Entendi". Luce fez uma careta. Ela não sabia por que ela tinha dito isso.

Ela não queria ser rude, mas a luz do cinto de segurança foi desligado e tudo o que ela

queria fazer era passar por esse cara e sair direito do avião. Ele deve ter tido a mesma

idéia, porque ele se enfiou para trás no corredor e passou a mão em frente. Tão

educadamente quanto pôde, Luce empurrou-se para a saída limitada. Só para ficar

presos em um gargalo de lentidão agonizante sobre a Jetway. Silenciosamente xingando

todos os californianos casuais que se amontoavam em sua frente, Luce ficava na ponta

dos pés e passou de pé para pé. No momento em que ela entrou no terminal, ela própria

impulsionava meio louca com impaciência.

Finalmente, ela conseguia se mover. Ela se movimentou habilmente no meio da multidão

e esqueceu tudo sobre o cara que ela acabara de conhecer no avião. Ela esqueceu de se

sentir nervosa por que ela nunca tinha estado na Califórnia, nunca em sua vida foi pra

mais que o oeste de Branson, Missouri, naquela época, quando seus pais arrastaram-na

para ver de perto Yakov Smirnoff . E pela primeira vez em dias, ela até esqueceu

momentaneamente as coisas horríveis que ela tinha visto em Sword & Cruz. Ela estava

indo em direção a única coisa no mundo que tinha o poder para fazê-la se sentir melhor. A

única coisa que poderia fazê-la sentir que toda a angústia que ela tinha tido através de

todas as sombras, que a batalha irreal no cemitério, e o pior de tudo, o desgosto da morte

de Penn, talvez valesse a pena sobreviver.

Lá estava ele ...

Sentado exatamente como ela imaginou que estaria no passado, em um bloco de triste

cadeiras cinzas, ao lado de uma porta automática deslizante que abria e fechava por trás

dele. Por um segundo, Luce parou e só apreciou vê-lo. Daniel estava de chinelos e jeans

escuro, ela nunca tinha visto ele assim antes, e estendeu-a camiseta vermelha que foi

rasgado perto do bolso da frente. Ele parecia o mesmo, mas de alguma forma diferente.

Mais descansado do que estava quando eles se despediram no outro dia. E parecia que

ela tinha perdido tanto dele, ou sua pele estava ainda mais radiante do que ela se

lembrava? Ele olhou para cima e finalmente a viu. Seu sorriso praticamente brilhava. Ela

saiu correndo na direção dele. Dentro de um segundo, seus braços estavam ao seu redor,

com o rosto enterrado em seu peito, e Luce soltou uma respiração mais longa, mais

profunda. Sua boca encontrou a dele e afundaram-se em um beijo. Ela relaxou feliz em

seus braços. Ela não tinha percebido até agora, mas uma parte dela se perguntava se ela

jamais iria vê-lo novamente, que tudo poderia ter sido um sonho. O amor que ela sentia, o

amor que Daniel correspondia, tudo ainda parecia tão surreal.

Ainda presa em seu beijo, Luce ligeiramente beliscou seu bíceps. Não era um sonho. Pela

primeira, no qual ela nem sabia a quanto tempo, ela sentiu como se estivesse em

casa. "Você está aqui" , ele sussurrou em seu ouvido. "Você está aqui.", "Nós dois estamos aqui." Eles riram, ainda se beijando, alimentando-se de cada pedaço da doce estranheza de se verem outra vez. Mas quando Luce menos esperava, seu riso se

transformou em uma fungada. Ela estava procurando uma maneira de dizer o quão duro

os últimos dias tinham sido para ela sem ele, sem ninguém, meio dormindo e meio grogue

ciente de que tudo havia mudado, mas nos braços de Daniel, agora, ela não conseguiu

encontrar as palavras. "Eu sei" , disse ele. "Vamos pegar sua mala e sair daqui." Luce virou-se para o carrossel de bagagem e encontrou o seu companheiro de avião parado na

frente dela, as alças de sua mochila enorme que segurava em suas mãos. "Eu vi isso passar" , disse ele, um sorriso forçado no rosto, como se ele estivesse teimando em provar suas boas intenções. "É seu, não é?"

Antes de Luce ter tempo para responder, Daniel aliviou o cara da bolsa pesada, usando

apenas uma mão. "Obrigado, cara. Vou levá-la daqui " , disse ele, de forma decisiva o suficiente para terminar a conversa. O cara viu como Daniel deslizou a outra mão na

cintura de Lúcia e a conduziu. Esta foi a primeira vez desde Sword & Cruz que Luce tinha sido capaz de ver o mundo como Daniel o fazia, a sua primeira oportunidade para saber

se outras pessoas poderiam perceber, só de olhar, de que havia algo de extraordinário

nele.

Em seguida, eles andaram através das portas de vidro deslizantes e ela teve a primeira

respiração real da Costa Oeste. O ar de início de novembro estava fresco e vivo de

alguma forma e saudável, não encharcado e resfriado como o ar de Savanna, esta tarde

quando seu avião havia decolado. O céu estava azul brilhante, sem nuvens no horizonte.

Tudo parecia cuidado, limpeza até o estacionamento realizada fila após fila de carros

recém-lavados. Uma linha de montanhas emolduradas tudo, tawny marrom com pintas

scraggly de árvores verdes, um monte de rolamento para a próxima.

Ela não estava mais na Geórgia. "Eu não posso decidir se é uma surpresa" , brincou Daniel. "Eu deixo você sair debaixo da minha asa por dois dias e um outro rapaz

mergulha dentro" Luce revirou os olhos. "Vamos lá. Nós quase não nos falamos.

Realmente, eu dormi todo o vôo." Ela cutucou-o. "Sonhando com você." Os lábios franzidos de Daniel se transformaram em um sorriso e ele deu um beijo no alto de sua

cabeça. Ela parou, querendo mais, nem sequer percebendo que Daniel havia parado na

frente de um carro. E não apenas um carro qualquer...

Um Alfa Romeo preto. A mandíbula de Luce caiu quando Daniel abriu a porta do

passageiro. "Is-isso ..." , balbuciou. "Isso é ... você sabe que este é o meu carro dos sonhos?"

"Mais do que isso" , Daniel riu. "Este costumava ser o seu carro."

Ele riu quando ela praticamente pulou com suas palavras. Ela ainda estava se

acostumando com a parte da reencarnação de sua história. Era tão injusto. Todo um carro

que ela não tinha nenhuma memória. Uma vida inteira, que ela não conseguia lembrar.

Ela estava desesperada para saber sobre eles, quase como se seus ‘’eus’’ anteriores

fossem irmãos que tinha sido separados ao nascer. Ela descansou a mão sobre o pára-

brisa, em busca de um punhado de algo, por um déjà vu.

Nada. "Foi um presente de dezesseis anos de seus pais, um casal há vidas atrás." Daniel olhou para os lados, como se ele estivesse tentando decidir o quando podia dizer. Ele

sabia que ela estava com fome para os detalhes, mas pode não ser capaz de engolir

muitos detalhes de uma só vez. "Eu só comprei desse cara no Reno. Ele comprou-o

depois, uh ... Bem, depois de você ... "

Combustão espontânea, pensou Luce, preenchendo a verdade amarga de que Daniel não

iria falar. Essa foi a única coisa certa sobre suas vidas passadas: O final raramente

alterado. Exceto, ao que parece, desta vez. Desta vez, eles podem dar as mãos, se beijar,

e ela ... não sabia o que mais eles poderiam fazer. Mas ela estava morrendo de vontade

de descobrir. Ela se apertou.

Eles tinham que ter cuidado. Dezessete anos não foi suficiente, e nesta vida, Luce era

inflexível quanto a furar ao redor para ver como era realmente ficar com Daniel. Ele

limpou a garganta e deu um tapinha no capô preto brilhante. "Ainda dirige como um

campeão. O único problema é ... " Ele olhou para o pequeno porta mala do conversível, então para sacola de Luce, em seguida, de volta ao porta malas.

Sim, Luce tinha um péssimo hábito de excesso de bagagem, ela era a primeira a admitir.

Mas dessa vez, isso não era culpa dela. Arriane e Gabbe tinha embalado suas coisas de

seu dormitório na Sword & Cruz, todas as peças pretas e peças de roupa pretas que ela

nunca tinha tido a chance de vestir. Ela tinha estado muito ocupada dizendo adeus a

Daniel, e Penn, para fazer as malas. Ela estremeceu, sentindo-se culpada por estar aqui

na Califórnia, com Daniel, tão longe de onde tinha deixado a amiga enterrada. Não

parecia justo. Mr. Cole assegurou-lhe que a senhorita Sophia seria punida pelo o que ela

fez a Penn, mas quando Luce havia pressionado ele sobre o que exatamente isso

significava, ele puxou o bigode e torceu pra cima ...

Daniel olhou desconfiado ao redor do estacionamento. Ele abriu o porta malas, Luce com

uma mala Duffel enorme na mão. Foi um ajuste impossível, mas, em seguida, um som de

sucção suave veio de trás do carro e a bolsa de Luce começou a encolher. Um minuto

depois, Daniel pressionou o porta malas fechado.

Luce piscou. "Faz isso de novo!" Daniel não riu. Ele parecia nervoso. Ele deslizou no assento do motorista e ligou o carro sem dizer uma palavra. Era uma coisa estranha e

nova para Luce: ver que seu rosto parece tão sereno na superfície, mas conhecê-lo bem

o suficiente para sentir algo a mais por baixo.

"O que há de errado?"

"Sr. Cole te disse sobre manter uma postura discreta, não é? "

Ela assentiu com a cabeça.

Daniel se afastou do local, em seguida, virou-se para sair do estacionamento, tirando um

cartão de crédito na máquina em seu caminho para fora. "Isso foi estúpido. Eu deveria ter pensado "O que é o grande negócio?" Luce colocou seus cabelos negros para trás das orelhas quando o carro começou a pegar velocidade. "Você pensa que está atraindo a atenção de Cam enfiando uma mala em um porta malas?" Daniel tinha um olhar distante em seus olhos e balançou a cabeça. [o]"Cam Não.’ Um momento depois, ele apertou o

joelho. "Esqueça o que eu disse . Eu...Nós apenas temos que ser cautelosos. " Luce ouviu-o, mas estava muito sobrecarregada para ouvir com muita atenção. Ela adorava

assistir Daniel habilmente mexendo a alavanca do câmbio quando eles tomaram a rampa

de acesso para a rodovia e se compactando pelo tráfego; amava sentir o vento

chicoteando o carro, que acelerou em direção ao imponente skyline de São Francisco;

adicionando acima de tudo, bastando estar com Daniel.

Em San Francisco, adequadamente a estrada tornou-se muito ‘’Hillier’ . Cada vez que

uma crista de pico começava a ir para baixo, Luce tinha um vislumbre diferente da cidade.

Ela parecia mais velha e nova ao mesmo tempo: arranha-céus com janelas espelhadas

formando um contraste contra restaurantes e bares que pareciam ter um século. Carros

enchiam as ruas, estacionados em ângulos que desafiam a gravidade. Cães e carrinhos

por toda parte. O brilho da água azul em torno da borda da cidade. E o primeiro vislumbre

da doce-maçã-vermelha da Ponte Golden Gate à distância. Seus olhos dispararam a

cerca de acompanhar todos os locais. E mesmo que ela tivesse passado a maior parte

dos últimos dias dormindo, de repente ela sentiu uma onda de cansaço. Daniel esticou o

braço em volta dela e guiou a cabeça na direção de seu ombro. "Fato não conhecido

sobre os anjos: Somos excelentes travesseiros." Luce riu, levantando a cabeça para beijar sua bochecha. "Eu não poderia dormir" , disse ela, se enroscando em seu pescoço. Sobre a Golden Gate Bridge, multidões de pedestres, ciclistas e corredores ladeando os carros.

Lá embaixo estava a baía brilhante, pontilhado de barcos com suas velas brancas e as

notas do início de um por do sol violeta. "Se passaram dias desde que nós vimos. Eu quero aproveitar " , disse ela. "Diga-me o que você está fazendo. Conte-me tudo."

Por um instante, ela pensou que viu as mãos de Daniel se apertar em torno do

volante. "Se o seu objetivo não é ir dormir" , disse ele, abrindo um sorriso, "então eu realmente não deveria aprofundar as minúcias do Conselho, oito horas de duração da

reunião dos Anjos, eu estive preso todos os dia até ontem. Veja, a diretoria se reuniu para discutir uma emenda à proposição 362B, que detalha o formato sancionada a

participação angelical no circuito terceiro "

"Ok, eu entendo." Ela o cutucou. Daniel estava brincando, mas era um tipo novo e estranho de piada. Ele estava sendo aberto sobre ser um anjo, que ela amava, ou pelo

menos ela iria amá-lo, uma vez que ela tinha tido um pouco mais de tempo para

processá-lo. Luce ainda sentia seu coração e cérebro ambos lutando para alcançar as

mudanças em sua vida. Mas eles voltaram juntos a estar bem agora, então tudo era

infinitamente mais fácil. Não havia nada para separar um do outro mais. Ela puxou seu

braço. "Pelo menos pode me dizer onde estamos indo."

Daniel recuou, e Luce sentiu um nó de frio se desdobrar dentro do peito. Moveu-se para

colocar a mão sobre a dele, mas ele se afastou para reduzir a marcha. "Uma escola de Fort Bragg chamada Shoreline. As aulas começam amanhã. "

" Estamos nos matriculando em outra escola? " , Perguntou ela. "Porquê?" Parecia tão permanente. Isto era supostamente para ser uma viagem provisória. Seus pais nem

sequer sabiam que ela tinha deixado o estado da Geórgia. "Você vai gostar de Shoreline.

É muito progressivo, e muito melhor do que a Sword&Cross. Eu acho que você vai ser

capaz de se desenvolver ... lá. E nenhum mal acontecerá a você. A escola tem uma

qualidade especial de proteção. Um escudo de camuflagem semelhante. "

" Eu não entendo. Por que eu preciso de um escudo protetor? Eu pensei que vir para cá, longe de Miss Sophia, era o suficiente.’

" Não é apenas Miss Sophia " , disse Daniel em voz baixa.

"Há outros." "Quem? Você pode me proteger de Cam, ou Molly, ou seja quem for. " Luce riu, mas a sensação de frio no peito foi se espalhando para o seu intestino. "Não é Cam ou Molly, tampouco. Luce, eu não posso falar sobre isso. "

"Saberemos que não há mais ninguém lá? Quaisquer outros anjos? "

" Existem alguns anjos lá. Ninguém sabe, mas eu tenho certeza que você vai se dar bem.

Há mais uma coisa. " Sua voz era plana, enquanto olhava para a frente. "Eu não vou me matricular." Seus olhos não se desviaram nenhuma vez fora da estrada. "Apenas você. É

por pouco tempo.”

"Pouco quanto?"

“ Algumas ... semanas." Luce puxou o volante, enquando isso ela tentava pisar nos freios.

"Algumas semanas?"

"Se eu pudesse ficar com você, eu ficaria." A voz de Daniel era tão plana, tão firme, que fez Luce ficar ainda mais chateada. "Você viu o que aconteceu com a sua mochila no porta malas. Isso foi como se eu atirasse um clarão no céu para que todos soubessem

onde estamos. Para alertar quem está procurando para mim — e por mim, quero dizer,

você. Eu sou muito fácil de se encontrar, muito fácil para os outros rastrear. E aquilo com a sua bolsa? Isso não é nada comparado com as coisas que faço todos os dias que

poderia chamar a atenção de ... " Ele balançou a cabeça bruscamente. "Não vou colocar você em perigo, Luce, eu não vou." "Então, não." O rosto de Daniel parecia triste.

complicado."

"E deixe-me adivinhar:. Você não pode explicar" .

Eu gostaria de poder "

Luce puxou os joelhos para o peito, inclinou-se para longe dele e contra a porta do

pasageiro, sentindo-se claustrofóbica de alguma forma sob o grande céu azul da

Califórnia.

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Durante meia hora, os dois pemaneceram em silêncio. Dentro e fora das nuvens do

nevoeiro, subindo e descendo o terreno rochoso, árido. Passaram por sinais de Sonoma,

e quando o carro cruzou através do exuberante verde das vinhas, Daniel falou. "É mais três horas de Fort Bragg. Você vai ficar com raiva de mim o tempo todo? "

Luce o ignorou. Ela pensou e se recusou a dar voz às centenas de perguntas, as

frustrações, as acusações, e finalmente desculpas por agir como uma pirralha mimada.

No desvio para o Vale do Anderson, numa bifurcação ao oeste Daniel tentou novamente

segurar sua mão. "Talvez você me perdoe a tempo de desfrutar dos nossos últimos

minutos juntos?"

Ela queria. Ela realmente não queria estar lutando com Daniel no momento. Mas a

recente menção do tipo "passar poucos minutos juntos", dele deixá-la sozinha por razões que não ela conseguia entender e que ele sempre se recusou a explicar deixava Luce

nervosa, com medo, toda aquela frustração novamente. Num mar turvo, novo Estado,

nova escola, novos perigos em toda parte, Daniel era seu único porto seguro. E ele

estava prestes a deixá-la? Ela já não tinha o suficiente? Ambos não tinham tido o

suficiente? Foi só depois de eles passarem pelas sequóias, que saiu uma noite azul royal

estrelada, que Daniel disse algo que rompeu a atenção dela. Eles tinham acabado de

passar um cartaz que dizia BEM-VINDO AO Mendocino, e Luce foi olhando para o oeste.

A lua cheia brilhava sobre um conjunto de edifícios: um farol, várias torres de água, cobre e linhas das bem-preservadas velhas casas de madeira. Em algum lugar além de tudo

isso tinha um mar que ela pudia ouvir, mas não podia ver.

Daniel apontou para o leste, em uma floresta escura e densa de árvores pau-brasil e de

bordo. "Vê aquele parque de Trailers à frente?" Ela nunca teria visto se ele não tivesse apontado para fora, mas agora Luce piscou para ver um caminho estreito, num calcário

endurecido uma placa de madeira com letras brancas escrito MENDOCINO Casas

Móveis. "Você morava ali."

"O quê?" Luce prendeu a respiração tão rapidamente, que ela começou a tossir. O parque parecia triste e solitário, uma linha de maçante de teto baixo, as caixas do bolinho-cortador junto a uma estrada de cascalho baratos. "Isso é terrível."

"Você viveu ali antes, quando era um parque para Trailers" , disse Daniel, calmamente ao parar o carro ao lado da estrada. "Antes, havia casas móveis. Seu pai, numa outra vida levou sua família para fora de Illinois durante a corrida do ouro.” Ele parecia olhar para dentro em algum lugar, e, tristemente, balançou a cabeça. "Costumava ser um lugar muito agradável." Luce avistou um homem calvo, com uma barriga igual a de um cão sarnento laranja em uma trela. O homem estava vestindo uma camiseta branca e cueca de flanela.

Luce não se via ali.

No entanto, foi tão claro para Daniel. "Você tinha uma cabana de dois cômodos e sua mãe era uma cozinheira terrível, por isso todo o lugar sempre cheirava a repolho. Você

tinha umas cortinas de risca azul que eu usava uma parte para que eu pudesse escalar

através de sua janela à noite, após os seus pais dormirem." O carro estava parado. Luce fechou os olhos e tentou lutar contra as lágrimas estúpidas. Ouvindo sua história pela

boca de Daniel fez sentir o possível e impossível. Ouvi-lo também a fez se sentir

extremamente culpada. Ele preso a ela por muito tempo, sobre tantas outras vidas. Ela

havia esquecido o quão bem ele a conhecia. Melhor ainda, do que ela conhecia a si

mesma. Será que Daniel sabe o que ela estava pensando agora? Luce sabia, de certa

forma, era mais fácil pra ela nunca ter que se lembrar do como é para Daniel, que

passava por isso de novo e de novo.

Se ele disse que teria que sair por algumas semanas e não podia explicar por que ... ela

teria que confiar nele. "Como foi quando você me conheceu?" , Perguntou ela. Daniel sorriu. "Eu cortava a madeira em troca de refeições na época. Certa noite, na hora do jantar eu estava andando por sua casa. Sua mãe tinha um repolho em andamento, e

cheirava tão mal que eu quase pulei da sua casa. Mas então eu vi você pela janela. Você estava costurando. Eu não conseguia tirar os olhos de suas mãos."

Luce olhou para as mãos, pálidas, com os dedos afinados e pequenos, palmas

quadradas. Ela se perguntava se elas pareciam sempre as mesmas. Daniel alcançou-

as. "Elas são tão suaves quanto eram." Luce abanou a cabeça. Ela adorava a história, queria ouvir mais mil como essas, mas não era isso que ela quis dizer. "Eu quero saber sobre a primeira vez que me encontrou" , disse ela. "A verdadeira primeira vez. Como foi isso?"

Após uma longa pausa, ele finalmente disse, "Está ficando tarde. Eles estão esperando por você na Shoreline antes da meia-noite."

Ele pisou no acelerador, virando numa rápida esquerda em Mendocino no centro da

cidade. No espelho lateral, Luce assistiu ao estacionamento de caravanas tornarem-se

menores, mais escuras, até que desapareceu completamente. Mas então, poucos

segundos depois, Daniel estacionou o carro na frente de uma lanchonete 24 horas toda

em branco com paredes amarelas e janelas da frente do chão ao teto. O quarterão estava

cheio de estranhos, edifícios peculiares que lembraram Luce de uma versão menos

abafada do litoral da Nova Inglaterra perto de sua antiga escola preparatória de Nova

Hampshire, Dover. A rua foi pavimentada com paralelepípedos irregulares que brilhava à

luz amarela do alto dos postes.

Ao seu final, a estrada parecia cair diretamente no oceano. A frieza esgueirando-se sobre

ela. Ela tinha que ignorar seu medo reflexivo do escuro. Daniel tinha explicado sobre as

sombras, que eles não tinham nada a temer, eram apenas mensageiros. O que deveria

ter sido reconfortante, exceto que era difícil ignorar que isso significava que havia coisas mais importantes a ter medo.

"Por que você não vai me dizer?" Ela não se conteve. Ela não sabia por que sentia que era tão importante perguntar. Se ela estava tendo que confiar em Daniel quando ele disse

que teve que abandoná-la depois de deseja-la por toda a sua vida por esta reunião, bem,

talvez ela só quisesse entender as origens dessa confiança. Para saber quando e como

tudo tinha começado.

"Você sabe o que meu sobrenome significa?" , Disse ele, surpreendendo-a. Luce mordeu o lábio, tentando pensar de volta na pesquisa que ela e Penn tinha feito. [o]"Eu me lembro da Miss Sophia dizendo algo sobre Vigilantes. Mas eu não sei o que isso significa, ou se

eu devia mesmo creditar nela." Seus dedos foram para o seu pescoço, para o lugar onde

a faca de Miss Sophia tinha deitado.

"Ela estava certa. O Grigoris são um clã. Eles são um clã nomeado depois de mim, na verdade. Porque assistir e aprender com o que acontece quando ... quando eu ainda era

bem-vindo no céu. E antes quando você era ... bem, tudo isso aconteceu muito tempo

atrás, Luce. É difícil para mim me lembrar mais disso. " "Onde? Onde eu estava?" Ela pressionou. "Lembro-me de Miss Sophia dizendo algo sobre o Grigoris consorciar-se com mulheres mortais. É isso o que aconteceu? Será que você ...?" Ele olhou para ela. Algo mudou no seu rosto, e na luz da lua ofuscante, Luce não poderia dizer o que significava.

Era quase como se ele estivesse aliviado que ela tivesse adivinhado, então ele não teria

que soletrar.

"A primeira vez que eu vi você" , continuou Daniel, "não foi diferente de qualquer outro momento que eu te vi desde então. O mundo era mais novo, mas você estava do mesmo

jeito. Foi... "amor à primeira vista." Dessa parte ela entendia.

Ele balançou a cabeça. "Assim como sempre, a única diferença era que, no começo, você estava fora dos limites para mim. Eu estava sendo punido, e eu tinha caído para você no pior momento possível. As coisas eram muito violentas no céu.

Por causa de quem ... eu sou ... Eu deveria ficar longe de você. Você era uma distração.

O foco deveria ser vencer a guerra. É a mesma guerra que ainda está acontecendo." Ele suspirou. "E caso você não tenha notado, eu ainda estou muito distraído."

"Então você era um anjo de nivel muito alto" , Luce murmurou.

"Claro." Daniel parecia infeliz, parando em seguida, parecendo, quando ele falou de novo, as palavras dilaceradas. " Foi uma queda de um dos postos mais elevados ". Claro que sim. Daniel deveria ter sido importante no céu, a fim de ter causado um dilema tão

grande. Para que seu amor por uma garota mortal fosse tão fora dos limites. "Você