Tristezas Por Borboletas por Marcos De Oliveira - Versão HTML

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Marcos de Oliveira

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© by Marcos Antonio Santos de Oliveira Direitos autorais reservados

Revisão: André Magalhães

Editoração eletrônica e capa: Rafael Porto Arquivo digitado e corrigido pelo autor, com revisão final do mesmo, autorizando a impressão da obra

Editor: Rossyr Berny

Contato com a autora: poetamarcosdeoliveira@hotmail.com Para conhecer mais autores da Alcance acesse: www.youtube.com e procure por Editora Alcance Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) M729t Oliveira, Marcos Antonio Santos de.

Tristezas por borboletas / Marcos Antonio Santos de Oliveira.

– Porto Alegre : Alcance, 2012.

100p.

1. Literatura brasileira. 2. Poesias. I. Título.

CDU: 869.0(81)-94

CDD: 869.987

Bibliotecária: Simone da Rocha Bittencourt – 10/1171

ISBN: 978-85-7592-258-3

Rua Bororó, 5 - CEP 91.900-540 - Vila Assunção - Porto Alegre/RS

Fones: (51) 3346.5001 / Tim: 8233.7038 / Oi: 8437.9936

Claro: 9466.2858 / Vivo: 9616.9224

www.editoraalcance.com.br - atendimentoalcance@gmail.com Contatos MSN: editoraalcance@hotmail.com - Skype: editora.alcance Dedicatória

Dedico meu primeiro livro

à minha musa Rios de Mel.

Índice

Metamorfose / 11

Ou / 36

Tens que ir? / 12

Coisas lindas do mundo / 37

Primeiro olhar / 13

Passarinhos tão lindos / 38

Percepção / 14

Nunca sei nada / 39

Sapatos floridos / 15

Valorizar um presente / 40

Sou uma criança

O belo / 41

que envelheceu / 16

Tardinhas na praça / 42

Insanidades do amor / 17

Linda festa / 43

Toque do divino / 18

Simplicidade / 44

Inverno cômico / 19

O valor do que sou / 45

Alienados / 20

Aquarela de intenções / 46

Lugar errado / 21

Moldura / 47

Entre nuvens de algodão / 22

O do espelho / 48

Retardos / 23

Noturno de opostos / 49

Amor interesseiro / 24

Vida / 50

Vontade de mudança / 25

Inhos / 51

Manhãs enigmáticas / 26

Rosas / 52

Amor sem poesia / 27

Confiança / 53

Por onde andei / 28

Boa comédia / 54

Querido defunto / 29

Meus espelhos mágicos / 55

Presente / 30

Sonho é pra sonhar / 56

Nunca é tarde / 31

Quem sou? / 57

O amor é mais / 32

Outono / 58

Teu sorriso / 33

Aluno de faculdade / 59

Queridos do asilo / 34

Como puderam / 60

Um anjo / 35

Menino na chuva / 61

Fato / 62

Luz dos sonhos / 81

Sonhos de esperança / 63

Melhor dia / 82

Espelhou-se / 64

Linda minha / 83

Nosso mundo / 65

Libélula / 84

Realidades das

Se for amar, [então eu amo ] / 85

festas familiares / 66

Passeio de esquina / 67

Epitáfio da continuação / 86

Fantasma / 68

Orquídea / 87

Epitáfio do poeta / 69

Beijo noviço / 88

Bochecha cor de carmim / 70

O amor acontece

Comparações / 71

num dia inesperado / 89

Epitáfio o homem

Puxa vida! / 90

volta ao pó / 72

Do relacionamento

O tempo não para / 73

que chegou ao fim / 91

O tempo se encarregará / 74

Tesouro eterno / 92

Querubim / 75

Órfãos do tempo / 76

Do amor pela vida / 93

Sem rumo / 77

Presentes da vida / 94

Lembrado / 78

Passa-tempo / 95

Lugar colorido de nos / 79

Epitáfio da alegria na vida / 96

Poemeto da sogra

Poemeto do amor

atravancadora / 80

verdadeiro / 97

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Metamorfose

Era eu, agora quem sou?

O que sou é quem eu era?

Carrinhos, ciranda o “era”

adiante, um velho adaptado por consequência.

Menino se foi...

Rugas e falta de memória “predominam”

Quem escapa?

Há um rio que nos leva...

Às mentes, outrora ingênuas

o mundo deu seu “trato”

Do casulo da vida

(metamorfose é certa).

Tristezas por borboletas

11

Tens que ir?

Lá fora a chuva cai.

No quarto, fumaça de caracol.

Paredes se comprimem

diante de nós dois.

Face a face, deleito-me

no momento tão mágico

que deixa à deriva

os problemas do dia.

Por que tens que ir?

Se te quero só pra mim?

Se só você é meu sim?

Por que tens que ir?

Se ao coração não menti

e sempre te senti?

12

Marcos de Oliveira

Primeiro olhar

Passarinhos voam com sincronia

de maneira a querer me mostrar algo.

Até parece que estiveram lá em casa e me enxergaram a olhar para a fotografia.

Será que a nossa vida

é refletida de um jeito a compreendê-la mais?

Pois, às vezes, num primeiro olhar, não percebemos o quanto é que somos felizes...

Tristezas por borboletas

13

Percepção

Há caminhos de puro verde,

borboletas escoltando com seu colorido, chafariz de anjos, chorando água de felicidade.

Enquanto isso: os pombos aproveitam as pipocas no chão, e eu aqui... esperando por algo,

que na verdade está bem diante dos meus olhos...

14

Marcos de Oliveira

Sapatos floridos

A Mario Quintana (1906-1994) Quem sabe depois da certeza...

Meus sapatos coloridos

Sim! Aqueles das voltinhas na esquina.

Possam ser trocados por um par engraxado, para o tal casamento.

Eis meus sapatos coloridos...

os quais por muito usei,

para te encontrar no “Quintanas’bar”

Tristezas por borboletas

15

Sou uma criança

que envelheceu

Eu sempre quis meus brinquedos

mesmo que velhos e quebrados fossem.

Sou apenas uma criança

num corpo exausto de velho

que não resiste a uma boa gargalhada sou assim mesmo...

(uma criança cheia de sonhos)

16

Marcos de Oliveira

Insanidades do amor

Eu fui até o céu com um beijo seu, respirava num mundo só nosso,

onde tudo era uma grande festa,

anjos coloridos cantavam...

E eu te abraçava e ensaiava,

na presença do grande Deus o casamento.

Que paranoia foi essa minha!

Talvez precisei sonhar

pra acordar...

Tristezas por borboletas

17

Toque do divino

Antes de tudo, eu sou um alguém

apaixonado pela vida.

“Não me venderei por presentes de sorte”.

Ontem, uma luz penetrou pela janela do meu quarto.

A tal luz beijou-me o rosto,

não foi apenas um feixe

invadindo as frestas da humilde casa.

Seria, pois... um toque do divino?

Puxando-me pra viver o belo do dia...

18

Marcos de Oliveira

Inverno cômico

O inverno já começou cômico

sempre há aquele vozinho

que do fundo de seu roupeiro

tira seu terninho

fedendo à naftalina...

Tristezas por borboletas

19

Alienados

Uma pessoa alienada

é como abrir um guarda-chuva

em plena noite de um verão de janeiro.

E ainda tiram sarro dos boêmios

que fumam, cantam e namoram.

Até quando serão os postes caídos

da romântica Porto Alegre?

20

Marcos de Oliveira

Lugar errado

Certo dia eu adormeci

deitado num jardim

e fui despertado por uma formiguinha percorrendo meu nariz.

No começo senti aquilo estranho,

mas depois percebi que eu que estava no lugar errado.

Tristezas por borboletas

21

Entre nuvens de algodão

Se for me beijar, que seja

por um querer a mais.

Eu brigo todas as vezes

com meu eu...

Pois tu me querer por debaixo

das marquises e das pontes escuras, enquanto eu busco as mãos dadas pelas ruas.

Não digo um não, pois a verdade não é essa...

Só te peço pra rever tuas intenções.

Permita o sentimento mudar o teu dia, pois já me sinto

(entre nuvens de algodão)

22

Marcos de Oliveira

Retardos

Um jeito singelo de querer algo

é aplicar a serenidade em prol (...).

Deite na alegoria dos retardos

que despertaram em algum lugar de saturno.

Tristezas por borboletas

23

Amor interesseiro

Se o amor é cego...

O que me dizes dos interesseiros,

pois esses enxergam muito bem...

24

Marcos de Oliveira

Vontade de mudança

Sonhei que estava no céu

entre nuvens de algodão.

De repente... aproximou-se um anjo e disse-me:

– Você está perdido!

Acordei com vontade de mudança...

Tristezas por borboletas

25

Manhãs enigmáticas

Nada mais curioso

do que me sentar na sacada

pra vê-la virando a esquina

com o inquieto filho da patroa.

Que manhãs tão enigmáticas...

Pois nada decifrei...

O que me rouba a atenção?

A única certeza são as noites

de sono tranquilas

e uma manhã de sentires tão mágicos 26

Marcos de Oliveira

Amor sem poesia

Quero o sol do verão,

a brisa romântica do outono,

da primavera o tapete das flores,

do inverno quero os amores,

do dia quero os amores,

da noite quem me ama,

do amanhã a certeza da pessoa certa e do cafezinho a tarde da despedida...

(para um amor sem poesia).

Sou apenas um alguém carente,

que sonha ardentemente,

que fala da doçura da alma

e se fala mentira quer mudar.

Quero ser um livro do Vinicius de Moraes, aquele que vem, alguém lê...

E, às vezes, muda!

Tristezas por borboletas

27

Por onde andei

Abraçaram-me com imensa falta,

de modo a me banharem a face.

O que fiz com minha vida?

Por onde andei?

Deturpei ao longo do tempo

meus mais vitais sonhos.

28

Marcos de Oliveira

Querido defunto

No velório, nunca pode faltar

o que grita num desespero só...

Dizendo, eu quero ir junto... Deus, me leva...

Talvez, o único momento

em que o pobre do defunto

mais se sentiu importante e amado

em toda sua vida.

Tristezas por borboletas

29

Presente

Certa feita, levei-me a pensar

acerca do presente...

Pensei, fantasiei e até sonhei...

E como quem procura, encontra,

cheguei numa conclusão:

– O presente é o futuro do passado que em um certo tempo foi um futuro.

Na verdade, o presente é um dia

pra viver intensamente,

como não houvesse manhãs,

nem outroras.

30

Marcos de Oliveira

Nunca é tarde

Nunca é tão tarde.

Tarde é não fazer cedo

o que se pode acontecer...

Tristezas por borboletas

31

O amor é mais

Nunca houve uma despedida

apenas o medo interferiu

em nossas vidas.

E agora... que bom te beijar

e te mostrar o quanto

eu sentia tua falta.

Deslizo minhas mãos trêmulas

no teu rosto de uma delicada brancura.

O amor é bem mais...

e ninguém no mundo pode impedir.

32

Marcos de Oliveira

Teu sorriso

O vento vai cantarolando

suas poéticas serenatas,

e eu aqui te imaginando

em minha cama.

Tão lindas são tuas formas,

suaves suas maneiras...

Cata-ventos até tentam com seu colorido, mas nunca superam

as cores do teu sorriso.

Tristezas por borboletas

33

Queridos do asilo

Que dia tão mágico e especial.

Lindas músicas, acolhedoras!

Nem parece que o pouco sol

os incomodam...

Meus queridos do asilo,

esquecidos pelos seus...

Lembrados pelos estranhos...

(um sorriso pra enterrar a solidão) 34

Marcos de Oliveira

Um anjo

Chove torrencialmente lá fora...

Mas pra mim

que um anjo abraça

nem faço imagem.

Quantas vezes cegos, surdos e mudos agimos pelo amor?

Tristezas por borboletas

35

Ou

Quantas vezes noites boêmias

acabava-me no salão!

E no seguinte dia

persistia a ingrata solidão.

Ou a falta é evidente...

Ou outra é minha realidade...

36

Marcos de Oliveira

Coisas lindas do mundo

De não e não

a peteca alegra... é festa!

Criancinhas no balanço

disputando altura,

o tio das pipocas

arrodiado, muito confuso.

E eu a embriagar-me

das coisas lindas do mundo,

de repente, uma borboleta...

cruza em minha frente.

Será uma coincidência?

Ou a magia está presente?

Tristezas por borboletas

37

Passarinhos tão lindos

Passarinhos tão lindos hoje aqui...

Vieram não sei “donde”

nem sei pra onde.

Eles alegram-me

e isso já me basta.

Não preciso saber

importante é viver.

(lamento a partida)

38

Marcos de Oliveira

Nunca sei nada

Demorei muito pra notar

que minha vizinha era gorda.

E que aos finais de semana

seu filho na varanda ensaiava.

Até que foi preciso, não havia escolhas pois me sentia uma piada

nas rodas de fofocas.

Perguntavam-me tais coisas

e eu nunca sabia nada.

Tristezas por borboletas

39

Valorizar um presente

Não tenha medo da solidão,

pois ela nada mais é...

Que a antecipação

de valorizar um presente...

40

Marcos de Oliveira

O belo

Sentir-se distraído com muitos

a sua volta é fácil

especial mesmo é viver o belo

mesmo sem ninguém ao lado.

Tristezas por borboletas

41

Tardinhas na praça

Mal dá pra pagar o aluguel

mas nunca deixo de visitar

meus queridos pombos para alimentá-los Melhor beber o vazamento do apartamento de cima do que perder minha alegria

de todas tardinhas na praça

nesses altos e baixos de nossa jornada O importante é preservar o que vivifica 42

Marcos de Oliveira

Linda festa

Um dia de chuva pode ser uma história a música descompassada das telhas de zinco o pingo metalizado assustando o rato para um admirador da vida

o silêncio com uma pitada de alegria e imaginação faz uma linda festa

Tristezas por borboletas

43

Simplicidade

O melhor seria andar sobre as trilhas percorrê-las imaginando o que nos espera seguir as borboletas no campo

sem se importar com a hora de voltar observar uma velhinha

rindo sem parar

o porquê do amor não correspondido causar falso sorriso

há tanto pra se entender na simplicidade que o melhor mesmo é viver...

44

Marcos de Oliveira

O valor do que sou

Da janela até dá pra ver

o tio dos pastéis

o amigo de muitos grenais

a loira da banca de jornal

o que não faz um assalto!

Sensibiliza o mais individualista dos corações Obrigado por levar meu salário

e o cordão de ouro, herança de meu avô e me deixar com o valor do que sou Tristezas por borboletas

45

Aquarela de intenções

Tentei colorir do pouco o muito que fiz aquarela sem cores que inicio

nas mãos apenas um preto e branco

mas tão colorido!

46

Marcos de Oliveira

Moldura

Moldura não resistiu ao tempo

contrasta ao que ficou

quem sabe se não te aceitasse

hoje não me encontrasse

Tristezas por borboletas

47

O do espelho

Nas mais inesquecíveis frases

as mais importantes realidades

o que traz o respeito não é o medo e sim a humildade

para se colocar no lugar do outro

“você pode comprar os degraus,

mas nunca poderá comprar os dias que vieram”

o que te adianta um sofá novo

se à visita a cadeira de palha é o oferecido?

Acho que seria preciso tratar

nosso semelhante

como tratamos o do espelho

48

Marcos de Oliveira

Noturno de opostos

Por que te pões em dúvidas?

Se buscares o perfeito não acharás se amares espelhos a vaidade corroerá a moldura e os espelhos em mil pedaços partirão Opostos são pétalas e espinhos

distintos, embelezam os jardins da vida.

Tristezas por borboletas

49

Vida

Vida é um vozinho descansando na praça são criancinhas brincando com alegria vida é acordar e poder ver a luz do sol é acordar ao lado de quem se ama

A vida se torna vida quando a vida é bem vivida

está em cada um

é só vivificar e viver...

50

Marcos de Oliveira

Inhos

Sou suspeito em dizer-te

pois analisas tu:

Já percebeste a correria do dia a dia?

Reparastes os guarda-chuvas coloridos?

Os sapatos encharcados?

O pai de família que sai com esperança?

O pão da criança?

A fila que dá a volta no quarteirão?

E as mãos dadas pedindo em orações?

Será que ainda desperdiçarás o terno fino só porque tem um defeitinho?

Humilharás o motorista, pois, ao sair do carro mesmo cobrindo-o

molhou-te um pouquinho?

Os tais inhos, intoleráveis por alguns.

Tristezas por borboletas

51

Rosas

Rosas não encontramos nas esquinas de todas as ruas.

No melhor lugar se escondem,

e quando as encontramos nos apaixonamos.

Rosas são especiais

e num toque embelezam nossa vida

fazem do outono da solidão

a primavera do acreditar

52

Marcos de Oliveira

Confiança

Confiança é como sentir o vento tocar o rosto não o vemos, mas sabemos que está ao nosso lado.

Confiança é como aquela noite de verão límpido.

Amanheci, mas a noite sempre chega e é fascínio.

Tristezas por borboletas

53

Boa comédia

Venta muito lá fora

pelos vidros até dá pra enxergar

meus queridos cata-ventos

girando de maneira a encantar

o chapéu do vozinho levado

pela ventania.

A tia que deixou cair sua peruca

passarinhos voando contra as rajadas e não saindo do lugar

como negar tudo que é analisado

com bom humor

torna-se uma boa comédia

54

Marcos de Oliveira

Meus espelhos mágicos

No meu refletir

o meu sim

se não me sentir

pra que sorrir?

Meus espelhos mágicos!

Não retrucam e me entendem

e quando me ajeito

ainda mentem

Essa verdade que mente...

Tristezas por borboletas

55

Sonho é pra sonhar

O que valerá uma porta aberta

se sentires medo de adentrá-la?

O que ainda espera na insegurança

se o sonho é pra sonhar?

56

Marcos de Oliveira

Quem sou?

Quem sou que aclamava o bem

e hoje me perco entre o que rejeitava?

Quem sou que sabia o que fazia-me

e hoje me deixei trancado no baú do esquecimento?

Não sei se ainda sou

aquele alguém que em outra hora era pelo menos não me engano

fechando os olhos pra verdade das coisas Quem sou? Quem serei? Será que sei?

Tristezas por borboletas

57

Outono

O melhor das voltas nas esquinas

são as calçadas floridas

o tapete divino do outono

58

Marcos de Oliveira

Aluno de faculdade

Sempre existe aquele aluno de faculdade que num quarto alugado por seus pais passa horas entre um livro e outros muitos para retribuir a gratidão

Tudo que é feito com dificuldade

no final é bom

“melhor dois anos à luz de uma vela do que passar o resto da vida no escuro por desistir”

Diga: – Eu posso, sim!

Tristezas por borboletas

59

Como puderam

Até parece que foi ontem

que eu brincava pelo campo

onde agora os que brincam são os arranha-céus?

Como puderam extinguir aquele laguinho que fazia esquecer-me do mundo?

Como ousaram apagar o encanto mágico, que as coloridas flores me despertavam?

A natureza perdeu seu lugar e eu também perdemos pra os empreendimentos

Será que a pracinha particular

Recompensara o natural sem igual?

60

Marcos de Oliveira

Menino na chuva

Por debaixo da marquise

espero a chuva estiar

dou aquelas olhadinhas como a quem nada interessa

mas a verdade é que o invejo

o menino a brincar na chuva descalço bateu-me uma certa vontade de estar junto e pelo menos por hoje

esquecer do velho reclamão

que os anos tornaram-me

Tristezas por borboletas

61

Fato

O único fato concreto

é o amor.

O restante é um desafio

constante e melancólico...

62

Marcos de Oliveira

Sonhos de esperança

Que lindo o verde do campo

até parece da mesma tonalidade

dos meus sonhos...

Tristezas por borboletas

63

Espelhou-se

A argila revela nossos momentos

o casal de mãos dadas, entrelaçadas harmoniza o criado-mudo

como espelhou-se o prazer de quem ama...

64

Marcos de Oliveira

Nosso mundo

Vejo nos objetos mudo da casa

a triste viuvez.

Mas algo me chama a atenção

num canto da sala:

Um guarda-chuva colorido

Sim! Aquele mesmo dos passeios

das inesquecíveis tardes de domingo as lembranças de quando pulávamos

numa poça e outra

onde quebrar a rotina era nosso mundo um mundo só nosso.

Tristezas por borboletas

65

Realidades

das festas familiares

Uma das piores realidades

são as festas familiares

pois no fundo sabemos

que muitos nos abraçam

e no dia seguinte

reclamam de tudo e de todos

de barriga estufada

ainda dizem que faltou algo

66

Marcos de Oliveira

Passeio de esquina

Repare a assimetria entre eles;

Um reclama do vento,

De tudo... dos beija-flores, dos amores Já ela diverte-se ao ver;

A formiguinha

Nadando nas águas que sobraram nas flores Infelizmente nem todos usufruem

Das maravilhas

De um passeio de esquina.

Tristezas por borboletas

67

Fantasma

Vejo pelas vidraças da janela

Na antiga igreja

Um menino a brincar na chuva

Será ele um fantasma?

Pois só um morto

Consegue aproveitar a vida

Que os vivos mataram...

68

Marcos de Oliveira

Epitáfio do poeta

Ele escreveu o mais lindo soneto em seu velório...

Tristezas por borboletas

69

Bochecha cor de carmim

Os meninos das bochechas cor de carmim São as sensações entre as solteironas Ate parecem ver anjos neles

70

Marcos de Oliveira

Comparações

Vida é uma formiguinha

Preparando-se para o inverno

E a calça colorida de Ana

São pandorgas fascinando o céu

Virgens convictas do que esperam

Noivos afoitos questionando-se

Sou eu aqui, comparando...

Nem sei por quê?Ou pra quê?

Apenas vou notando

E quando me dou por conta

Estou num mundo

Gostoso demais pra acreditar...

Tristezas por borboletas

71

Epitáfio o homem volta ao pó

Liguem a luz, algo esta me mordendo...

72

Marcos de Oliveira

O tempo não para

Você esteve no meu passado,

Está no presente e estará no futuro; No passado quando procurei

Um grande amor.

No presente

Pois realizou um sonho meu.

E no futuro, pois não me imagino

Sem você...

Tristezas por borboletas

73

O tempo se encarregará

Descer as rampas do coração

Em muitas vezes é como dar de cara Com um precipício

Sem fim... sem nada....

Onde quem vê

É quem vê.

Há espantos escondidos

Nos escombros desta vida

Que melhor mesmo

É deixar o tempo se encarregar

De ajeitar as coisas...

74

Marcos de Oliveira

Querubim

Serafins formosos batem à porta

Divinas mensagens de meu querubim

Quanta falta de minha amada!

Ô Deus meu!Abra alguma porta aqui...

E faça de minha saudade

Doçuras de felicidade

Traga-me o sorriso celeste

Sim!Aquele mesmo anjo

O que transforma agente...

Tristezas por borboletas

75

Órfãos do tempo

Nos orfanatos do tempo

Eu era o mais velho

Pra mim só existia o amanha

E por isso a teimosia,

(onde estará a ventoinha? aquela pela qual eu abria as janelas) 76

Marcos de Oliveira

Sem rumo

Indago-me a saber você

Mas logo as realidades vão se fechando O que cultivas nos olhares?

Vejo-me sem rumo, aliviado.

Sou apenas um sumário de coisas grandes Sentimentos inocentes e inconstantes Sou na arte de conhecer-te

Uma alma inquieta... perambulante...

Tristezas por borboletas

77

Lembrado

A Claudia Tavares dos Santos Queria ser como esses navios piratas e velhos Os quais dão sentido aos contos...

Lembrados pelos livros de ficção

Aqueles náufragos... madeiras rangendo...

Hei... hei... ecoa um socorro ao vento...

Queria ser devorado pelo fascínio

Do mistério... do outro lado...

78

Marcos de Oliveira

Lugar colorido de nos

A Judite Tavares dos Santos No outro lado de nossos medos

Existem jardins floridos

Chafariz que jorra águas mágicas

De pura ternura.

Enfim... há um lugar bem mais colorido Dentro de nós...

Tristezas por borboletas

79

Poemeto da sogra

atravancadora

Ela escuta por entre as frestas...

A maquinar o divórcio.

80

Marcos de Oliveira

Luz dos sonhos

A luz de um sorriso às vezes

É capaz de clarear até aqueles

Sonhos que pareciam tão mortos antes...

Tristezas por borboletas

81

Melhor dia

Queria um segundo no teu vagaroso

E misterioso olhar

Queria ser um desses moribundos

Que espera a sua hora..

E quanto mais se aproxima da porta Mais sente as coisas...

Na verdade queria morrer

Num dia lindo de sol

Depois de muitas poesias jovens

Sonho apagar-me no abraço

De quem a vida toda me deu amor

Um último dia...

O melhor dia...

82

Marcos de Oliveira

Linda minha

Como está linda minha?

Por que duvidas do bem querer?

Se o amor sou eu

E eu sou você...

Tristezas por borboletas

83

Libélula

Adormeci entre alguns livros...

Aqueles indispensáveis de poesia cotidiana...

Sonhei com um dia perfeito

Rios de chocolate e nuvens de algodão doce De uma aproximação a tocá-las.

Praças floridas de um perfume

Que despertavam as mais lindas maravilhas E o tio das pipocas não vendia pipocas E sim uma maçã tão vermelha

Que se via a própria vida ali

Despertei e parecia que ainda

As libélulas brincavam em meu quarto...

Já eu brincava no encanto que despertava o curioso...

84

Marcos de Oliveira

Se for amar,

[então eu amo ]

Se quando estou com você

E não consigo mais deixar de estar For amar... então eu amo!

Tristezas por borboletas

85

Epitáfio da continuação

A vida não acabou, apenas apresentou-se num novo teatro...

86

Marcos de Oliveira

Orquídea

Ao lado de minha casa

Há algumas orquídeas espiando por entre o muro Essas sempre sabem enfeitar minhas manhãs...

Tristezas por borboletas

87

Beijo noviço

Beijo noviço

Acordar parece algo

Sem intenção às vezes.

Eu queria ser um livro de sonetos

Do anjo Quintana

Sonho com o dia em que voltarei

No tempo

Precisamente no encanto doce

Daquele beijo

Sim! O nosso beijo jovem

Cheio de desejos e gestos quentes

88

Marcos de Oliveira

O amor acontece

num dia inesperado

Quando me vi tão perdido

Senti a própria felicidade em mim

Como é bom namorar teus gestos

Como é divino o que sai dos rios

Doces de tua voz

Há segredos dentro de mim

Labaredas queimando em meio às noites frias Do coração

É como andar por uma floresta encantada Onde cada passo me revela um novo sentimento Nos espaços entre nossos abraços existem medos, Segredos, vontades, só não existe tempo para viver longe A razão do amor é sempre ignorar

Pois o amor é louco, doido, inesperado E acontece num dia... assim... sem esperarmos...

Tristezas por borboletas

89

Puxa vida!

Casas fantasmagóricas em minha rua Vizinhos necróticos dividem a mesma tumba E eu... sou igual em muitas vezes

Fico por horas relutando a cada novo amanhecer Puxa vida! o que levara o Sr.Tobias Esfaquear sua carne podre?

“borboletas são a parte que interessa nesse mundo de castelos de areias e sonhos embalados por utopias escarlates”.

90

Marcos de Oliveira

Do relacionamento

que chegou ao fim

Nunca disse que seria eterno

Apenas exaltava um carinho sincero Veja esse céu lindo de um azul celeste Pois ontem mesmo entre nevoeiros

Parecia um outro planeta

Eu a vejo tão inconformada

Eterna querida!

Entre o que foi e o que será?

Não me peças o motivo...

Há coisas que às vezes acontecem

Sem que possamos prever

Tristezas por borboletas

91

Tesouro eterno

A Rogério Ricardo de Mello

Não me venhas com suas gabolices

Eu sou como criança na praça

Um dia estarei por aí...

Soltando pipa de lona

Ver-me-ás e logo perceberá

O valor da simplicidade

(venha, venha.... trocai as breves alegorias por tesouros eternos da humildade)

92

Marcos de Oliveira

Do amor pela vida

Essa manhã foi diferente

Das demais...

Tirei o dia para visitar

Um amigo de tantas...

No quarto dividido de hospital

Querido Naldo.

A mercê nem se sabe do quê?

(nunca um abraço emocionado havia

me causado tanto amor pela vida)

Tristezas por borboletas

93

Presentes da vida

A Rossyr Berny

A vida às vezes aproxima pessoas

Para escrever certos poemas de vida.

O poeta nada mais é...

Senão o pulmão do mundo.

Desse mundo que nem acredita mais...

Poetas surgem, escrevem e sempre perduram No relógio de-li-ci-o-so do tempo...

94

Marcos de Oliveira

Passa-tempo

Passa-tempo, tempo passa...

E onde estará a casinha da árvore... à qual nos preenchia Vejo apenas um asfalto e esgotos

E nada mais...

(há certos momentos que às vezes só habitam o lado colorido de nossas lembranças) Tristezas por borboletas

95

Epitáfio da alegria

na vida

A José Eliones Peixoto Vieira Eu queria ser um pouco de você... só para sorrir por tudo...

96

Marcos de Oliveira

Poemeto do amor

verdadeiro

A I. Antônia Brum

(nadei num sentimento maior, afoguei-me no desejo inquietante)

Tristezas por borboletas

97

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