True Blood - Escravos do Amor - Primeira Temporada Completa por Anónimo - Versão HTML

ATENÇÃO: Esta é apenas uma visualização em HTML e alguns elementos como links e números de página podem estar incorretos.
Faça o download do livro em PDF, ePub para obter uma versão completa.

index-1_1.jpg

A primeira e única novela mexicana baseada em True Blood!

Por We Love True Blood

Escravos do Amor – Primeira Temporada

Sumário

Sumário.......................................................................................................... 2

Capítulo 01..................................................................................................... 3

Capítulo 02................................................................................................... 16

Capítulo 03................................................................................................... 30

Capítulo 04................................................................................................... 42

Capítulo 05................................................................................................... 53

Capítulo 06................................................................................................... 64

Capítulo 07................................................................................................... 79

Capítulo 08................................................................................................... 97

Capítulo 09................................................................................................. 111

Capítulo 10................................................................................................. 127

Capítulo 11................................................................................................. 143

Capítulo 12................................................................................................. 161

Capítulo 13................................................................................................. 180

Capítulo 14................................................................................................. 199

Capítulo 15................................................................................................. 219

Capítulo 16................................................................................................. 235

Trilha Sonora da Primeira Temporada (com link para download)...............252

index-3_1.jpg

Escravos do Amor – Primeira Temporada

Capítulo 01

Pagando bem, que mal tem!

EVERYBODY wants to see ANYBODY fuck

Escravos do Amor – Primeira Temporada

Começava mais um dia quente na agitada cidade Vale de Los Sanguijuelas.

Sookita estava sentada em sua cozinha com uma pilha de contas em cima da

mesa, enquanto Jason estava sentado na outra ponta com os pés para cima e

sua atenção voltada para o celular.

“Sook, deixe essas contas pra lá, não se estresse à toa...Por que não manda

seu noivo rico pagar? Larga mão de ser tapada. Nem parece que é minha

irmã.”

“Por Deus, Jason Ricky, eu já disse para você que o meu relacionamento com

Bill não está baseado em interesses. Eu não sou uma mulher mantida. Sou

uma pessoa saudável, e posso muito bem trabalhar para pagar as minhas

contas. Mas esse mês, as coisas saíram um pouco do controle...droga... eu

não sei o que fazer.”

Jason abre um sorriso irônico e responde:

“Não é sua culpa que nossa avó morreu e deixou essa hipoteca pra pagar.

Desculpe, Sook, mas eu não moro mais aqui e não posso te ajudar nessa...”

Sookita lançou ao seu irmão um olhar de choque, misturado com pura tristeza.

Ela sabia que Jason Ricky não ganhava uma fortuna como policial, mas o

mínimo que ela esperava dele, era pelo menos apoio, frente a situação. Ela

trabalhava desde os 16 anos, sempre tinha ajudado nas contas da casa, nunca

tinha faltado nada a eles. Mas depois que sua avó morreu, as coisas mudaram

drasticamente. Para Jason nem tanto, já o que ele mais sabia fazer era

galinhar e viver estupidamente.

“Sabe...por que você não procura outro emprego? Um que pague melhor?”

Sookita olhou chocada de novo:

“Outro emprego? E deixar Sam na mão? Eu não penso assim. Sam sempre foi

muito bom para mim, eu não posso simplesmente largá-lo desta forma.”

Sookita trabalhava como garçonete, no bar mais famoso da cidade, o

Tequil a’s. Sam era seu patrão, e foi quem deu o seu primeiro emprego, desde então eles haviam se tornado grandes amigos. O boato que corria na cidade

que ele era apaixonado por Sookita, mas ela não acreditava nisso, as pessoas

só estavam sendo maldosas como de costume.

“Então procure um emprego em outro turno. Sei lá, em um posto de gasolina,

agência funerária ou quem sabe você pode falar com o Lafayette Escobar.. Eu

soube que ele está contratando.” Ele disparou, e então soltou uma gargalhada.

“Eu gosto de trabalhar honestamente Jason, Lafayette é meu amigo mas não

estou disposta a ser mulher de vida fácil. Não estou tão desesperada assim.”

Respondeu irritada.

“Engraçado, eu conheço várias pessoas que gostam de levar essa vida fácil...

Escravos do Amor – Primeira Temporada

inclusive...” Jason se calou, e então mudou de assunto: “Bem, tenho que ir

agora. Eu posso vê se consigo algum emprego para você de estagiária lá na

delegacia.”

Ele se levanta da cadeira, acena um adeus e sai pela porta da cozinha.

Sookita balançou a cabeça em desaprovação, trabalhar com Jason seria a

última coisa que ela gostaria na face da Terra.

“Deus que me livre!”

Ela observou a mesa distraidamente, e quando os seus olhos passaram pelo

visor de seu celular, ela reparou que estava atrasada para o seu turno no bar.

E este não é um bom momento para faltar ao trabalho, ela pensou consigo

mesma. Jogou as contas rapidamente dentro da “Caixinha da Desgraça” como

ela gostava de chamar onde guardava os papéis importantes e correu para

colocar seu uniforme.

--------------------------

Chegando ao Tequil a’s, Sookita começa a atender as mesas completamente

desanimada. Era um dia comum e de pouco movimento no bar. O que era bom,

pois só assim sua mente telepática tinha um pouco de descanso. De repente

ela notou a presença de sua melhor amiga Tara, que estava atendendo outra

mesa. Discretamente Sookita acenou para que ela se aproximasse.

“Tara, você sabe se aquela padaria lá do Seu Alberto está contratando?”

Tara não segurou a risada comentado:

“Pelo amor de Deus, né? Trabalhar para aquele velho louco não dá. Ele adora

apalpar as moças que trabalham lá... se a jamanta da mulher dele tiver uma

crise de ciúmes, te coloca no olho da rua sem pensar duas vezes. Não acho

que fazer boquete naquele velho valha à pena...”. Tara fez uma cara de nojo.

Sookita balançou a cabeça tentando apagar a cena de sua mente. Que jeito

horrível de começar o dia.

“Tara, como você sabe de tudo isso? Por acaso fez isso quando trabalhou lá?

Nunca vi você reclamar do salário...”

“Eu tenho contatos Sook, não sou antissocial como você, tenho amigos.”

“Não precisa pegar pesado, Tara. Eu gosto de ser sua amiga e Bil já é todo o

conforto que preciso, não quero outras pessoas a minha volta.”

“No dia que eu encontrar um namorado e dizer ‘ele é meu conforto’ você pode

me internar. Quero alguém que faça direito. Isso basta!”

Sookita ficou sem graça lembrando-se de sua condição de virgem, pura e

Escravos do Amor – Primeira Temporada

casta... Será que ela nunca iria desenrolar com Bil ? Só beijar não a satisfazia como antes, Bill era respeitoso até demais. Só que Tara não precisava saber

disso.

“Tara, e aquela boate?”, ela perguntou envergonhada.

“Qual Boate?”

“Aquela do martelo... não sei bem o nome.” Sookita lançou um olhar confuso

para a amiga.

“Ah, claro... Santo Martillo?”

“Essa mesmo! Será que estão contratando garçonetes? Estava pensando em

dar uma passada por lá, sabe, como quem não quer nada...”

“Humm, não acho uma boa ideia, lá só trabalha mulheres lindas e perfeitas

como o dono.” Tara fez uma careta de desaprovação. “Não que você seja feia,

mas, não somos beldades. Uma vez eu tentei um emprego lá e não foi o

melhor dia da minha vida, não gosto de lembrar.

“ Ele não pode ser tão perfeito assim... E se for deve ser o nojo em pessoa,

diferente do meu Bill que é o homem mais doce que já conheci.”

Sookita suspirou na lembrança do seu amado e doce Bill.

Tara não é chegada em políticos e não suporta o envolvimento de sua melhor

amiga com o prefeito da cidade. Sookita é inocente demais e é um joguete fácil na mão de homens poderosos como Bil de La Veja, pensou preocupada.

“Sook, você precisa encontrar alguém que faça seu sangue ferver, sentir

comichão no meio das pernas...Até hoje não entendo como você foi se

envolver com o prefeito da cidade. Achei que sua avó tinha ensinado os fatos

da vida...”

Sookita estava sem paciência e nem perdeu tempo respondendo a amiga, ela

já estava cansada de escutar o fato de Bill não ser isso ou aquilo...ela sabia muito bem com quem estava se envolvendo, e não era com esse homem

terrível que a Tara tanto gostava de pintar.

“Tara, você está desviando do assunto. Então, não tenho chances nem na

padaria do velho e muito menos como garçonete. Obrigada pela ajuda, agora

não sei o que fazer.”

Tara olhou para os lados, deu uma olhada na amiga e pensou que está na hora

de Sookita se divertir um pouco.

“Pode ser que garçonete não seja seu futuro. Lá eles contratam dançarinas

para a noite, de repente você pode arriscar. E eles não são tão exigentes com

quem faz pole dance por lá.”

Escravos do Amor – Primeira Temporada

“Pole o que?”, Sookita ficou confusa por alguns instantes.

“Socorro, Sook...não sabe o que é pole dance? É segurar no pau e dançar até

o chão...”, Tara ficou exasperada com a ingenuidade da amiga.

“Isso foi obsceno! Vou fingir que não ouvi, achei que lá era diferente do local do seu primo Lafayette.”

“Meu Deus, Pole Dance é uma dança! Não falei pau tipo pinto, caralho. Um

mastro, pronto...melhorou?”

“Eu entendi perfeitamente, você sabe que não sou acostumada com essas

coisas. Minha avó era muito religiosa e devota da Virgem de Guadalupe. E

mais uma vez você sabe bem que estudei até em colégio de freira”

Sam se aproximou das duas, cruzou os braços e disse:

“Por acaso eu pago vocês para os clientes receberem magicamente os

pedidos?”

Sookita deu um pulo de susto, estava tão perdida em sua conversa com Tara

que nem percebeu a aproximação de seu patrão.

“Desculpe, Sam. Isso não vai mais acontecer, prometo.” Sookita respondeu

rapidamente.

Tara observou seu patrão e fez uma careta seguida de um “Dane-se o Sam”

enquanto o mesmo se afastava. Sookita perguntou pela última vez:

“Tara, você ainda não disse com quem eu preciso falar para tentar alguma

coisa na boate?”

“Eu vou falar, mas o que acontecer daqui pra frente, é problema teu, não venha me culpar depois. Eu avisei. Você tem que procurar a gerente, Pam Izabelita

Lerõnho.”

“Certo, vou procurá-la e depois te conto o que aconteceu.”

“Ah... vista algo sexy, coloque uma peruca, e uma maquiagem chamativa. Não

é bom aparecer com sua cara lá e depois ser reconhecida. Inventa um nome

de guerra. E é bom tentar ser outra garota também, porque esse seu jeito

Carola não atrairá nem o velho com o maior tesão desta cidade.”

Sookita deu uma tapa de brincadeira na amiga. Tara se assustou com o som

do seu celular, e o tirou rapidamente do bolso. Ao ver do que se tratava, ela

ficou imediatamente acuada e pediu que sua amiga cuidasse de suas mesas.

Ela já estava acostumada, toda vez que isso acontecia Tara ficava estranha e

logo dava uma desculpa para sair o mais rápido possível do recinto... Não

ousava ler a mente da amiga, achava que seria invasão demais.

Escravos do Amor – Primeira Temporada

“Ah... Tara já é bem grandinha, sabe se cuidar sozinha. Tenho os meus

próprios problemas agora.”

Ela murmurou se dirigindo até a cozinha, para pegar mais um pedido, agora

bem atrasado.

-----------------------------

Horas depois, Sookita limpou o suor da testa, tirou o avental e se ajeitou para deixar o bar. Finalmente seu turno estava chegando ao fim. Havia feito muita

confusão com as mesas após o papo que teve com Tara, não parava de

pensar em que roupa iria vestir, a peruca que iria comprar para ir até a boate Santo Martillo. Estava também nervosa por ter que falar com Pam mais tarde, a gerente da boate.

Jogou um beijo para Tara e outro para Sam, correu para a porta do bar dando

um encontrão em Jessica, a vampira cria de seu namorado Bill. Disse com

pressa após beijar o rosto da moça ruiva:

“Desculpe, Jessica, hoje não vou poder te atender. Depois nos falamos.”

Jessica olhou para Sookita a medindo de cima a baixo e retrucou:

“Não tem problema, não vim aqui para te ver.”

Lançou um olhar fulminante na direção de Sam. Enquanto Sook sai pela porta

sem entender nada. Jessica balançou os cabelos ruivos de um lado para o

outro avançando na direção do balcão onde Sam estava trabalhando. Deixou a

mostra o decote generoso, fazendo pressão com os braços nas laterais para os

peitos parecerem maiores do que realmente são.

“Boa noite, Sam. Está muito ocupado?”

“Boa noite... sim, estou muito ocupado.” Ele olhou em volta para os fregueses

que se amontoavam no balcão pedindo tequila e cerveja. “Não dá para

perceber?”, indagou irritado.

Jessica não se intimidou, jogou os cabelos para trás atraindo olhares de vários homens, deixando um pouco a mostra parte de suas presas de vampira.

“Não quero atrapalhar, mas o prefeito pediu para te entregar um recadinho.”

Obviamente era mentira, mas Sam só iria descobrir depois.

Ele estendeu para ela um bloquinho de notas: “Está bem, anote aí o recado,

depois eu vejo o que fazer.” E se afastou na direção de outros clientes.

Jessica soltou um suspiro de irritação jogando o bloco longe, sua tática não

estava dando certo. Esse idiota só tinha olhos para a tapada da Sookita

Escravos do Amor – Primeira Temporada

Montegenegro, o que aquela vaca tem que eu não tenho? Já chega o Bill

babando nessa loira aguada, pensou consigo mesma.

Tara que estava observando toda a cena e se aproximou da ruiva no balcão:

“Hey, toma um TruBlood aí para acalmar a piriquita” e jogou um frasco de

sangue sintético para a vampira que pegou rapidamente começando a tomar

em seguida. O celular de Tara tocou e ela atendeu:

“Oi, demorou para ligar. Eu vou, já falei...e eu tenho muita escolha? Sim....

Sook? Nem pensar, a pobre vai tentar lá no Santo Martillo. Eu avisei, claro que avisei...Eu estou esperando ela voltar chorando...o Eric? Espero que não cruze o caminho dela. Sim...sim...entendi.”

Tara se afastou caminhando na direção da cozinha ainda ao telefone.

“Eu escutei certo? Sookita e boate? Não posso perder isso de jeito nenhum.” A

vampira sorriu. Não demorou muito, a ruiva saiu correndo em velocidade

vampírica do bar.”

-------------------------------

Depois de comprar uma peruca vermelha como sangue numa lojinha de

Fantasias, Sookita voltou para casa completamente animada, ela tinha certeza

que o emprego estaria no papo. Talvez ela não fizesse tanto sucesso com os

homens, mas não era tão feia a ponto de assustar a clientela. Sem falar no

fator força de vontade, que não faltava neste momento.

Estava em seu quarto, ela se lembrava de outros momentos na sua vida que

foram complicados. Nem tudo tinha sido fácil. Teve a péssima fase da

adolescência, as incontáveis provas de matemática e trabalhar no bingo da

igreja tendo que ensinar velhinhos a jogar. Aquela boate não seria tão péssima assim, ela tiraria de letra, igual fez em tudo na vida. Pensou um pouco mais

animada.

Deu uma última olhada no espelho de seu quarto, balançou a cabeça e foi na

direção do banheiro.

Após tomar um longo banho quente, ter esfregado cada pedaço de pele com

uma esponja vegetal, ter feito esfoliação no rosto, raspado as pernas e axilas, Sookita partiu para uma das escolhas mais difíceis na noite, uma roupa para

arrasar na boate.

Quando reparou que não tinha nada para vestir que fosse apropriado para uma

boate, toda a alegria de antes sumiu. Será que Tara poderia emprestar?

Foi aí que a campainha soou, tirando-a de seu momento de crise.

“Sério? Isso é hora para aparecer aqui em casa? Se for o Jason Ricky eu vou

matá-lo...”.

Escravos do Amor – Primeira Temporada

Ao chegar à porta da frente, Sookita percebeu que seu visitante não era Jason.

Bill, o seu namorado tinha vindo visitá-la. Ela sorriu, respirou fundo e abriu a porta.

“Bill, que surpresa agradável! O que te traz aqui tão tarde, meu amor?”

“Eu sou um vampiro Sookita, eu só tenho a noite.” Que pergunta mais

estranha, ele pensou.

“Ah claro, que cabeça a minha! Então... a que devo a surpresa?”

“Ué, não posso visitar a minha bela e imaculada namorada? Faz tempo que

você não me faz agrados, eu sinto falta de ser mimado... Aliás, você não vai

me convidar para entrar?”

“Er.. desculpe querido, é que eu não estou me sentindo muito bem hoje, saí do

trabalho com dores de cabeça e um pouco tonta. Estava tomando um banho

quente para vê se melhorava, mas acho que não surtiu muito efeito. Você me

perdoa? Passo na sua casa amanhã, assim que anoitecer, prometo.”

“Tudo bem. Eu não ia demorar mesmo, tenho coisas importantes a fazer. Vejo

você amanhã.”

Com isso, Bill beijou Sookita na testa, e voltou para o seu carro. Em poucos

segundos tudo o que restou foi à poeira.

Ela não gostava de mentir para ele, sentia-se mal por conta disso, ainda mais

ele sendo tão bom para ela. O amava tanto, mas precisava muito do emprego,

tinha dívidas para pagar e não queria depender dele para isso. Subiu

novamente até o quarto.

Depois de vasculhar todo o seu guarda-roupa, ela desistiu de procurar a roupa

adequada e decidiu ligar para sua amiga Tara.

“Alô”, disse Tara do outro lado da linha.

“Tara? Sou eu, Sookita. Eu comprei a peruca que você disse, mas não tenho

roupa para bancar a dançarina de ‘pole dança”... Sei lá, aquilo que você disse hoje... nessa boate. Por favor, me ajude!”

“Claro que você não tem. Por que diabos não virou freira ainda?”, perguntou Tara com irritação.

“Também não é assim, simplesmente não gosto de roupas apertadas e

chamativas... não fazem meu estilo.”

“Venha na minha casa agora que eu vejo se tem algo apropriado para você

vestir, e que não pareça tão vulgar pro seu rostinho de Barbie”

Escravos do Amor – Primeira Temporada

Ouviu Tara gargalhando. Ficou irritada por alguns momentos.

“Estou indo, até daqui a pouco.”

“Ok, estou te esperando Barbie do Convento!”

---------------------------

A visita no apartamento de Tara foi rápida, já estava ficando tarde e a boate ia abrir em poucas horas. Voltou para casa, Sookita se vestiu rapidamente, fez

uma maquiagem que combinasse com a roupa. Colocou um sobretudo, pois

não ousava andar com aquela roupa na rua. Pegou a sua peruca vermelha e

partiu em direção ao centro da cidade onde se localizava a boate Santo

Martillo.

Será que Tara deu o endereço certo? Ou estava perdida? Era número 1.535 ou

1.355. Não se lembrava mais, pensou começando a se preocupar.

Após virar o carro numa rua, Sookita avistou um prédio de esquina, iluminado

com luzes neons e repleto de pessoas na entrada. Não tinha dúvidas de que ali

era a boate.

Ela também reparou na quantidade de carros no estacionamento próximo ao

local. “Ótimo...logo hoje a boate vai estar lotada!”, murmurou com irritação.

Estacionou numa rua ao lado. Não tinha dinheiro para pagar os

estacionamentos com preços abusivos do centro. Não tinha receio de seu carro

ser roubado, era tão velho.

Desceu do carro, tirou o sobretudo jogando no banco de trás. Respirou fundo e

caminhou de forma confiante até a entrada do local, pelo menos tentou, mas

torceu o pé algumas vezes por causa do salto alto. Olhou em volta esperando

que ninguém tivesse reparado. Enquanto esperava pacientemente na fila, ela

aproveitou e retocou sua maquiagem no espelhinho que trazia na bolsinha. De

repente ela percebeu que alguém estava falando.

“Olá neném! Você deve ser carne nova no pedaço, eu nunca vi uma carinha

mais angelical e um corpinho mais suculento do que esse seu por aqui. Tem

um ID com você boneca?”

Sookita ficou olhando perdida para o vampiro tatuado a sua frente, podia ver as presas dele, deveria ser um tipo de porteiro, ou coisa assim. Ela ia tirar sua carteira de motorista do bolso para mostrar, quando lembrou que não podia

relevar sua identidade, era muito arriscado. Então ela pensou rapidamente em

uma mentira.

“Infelizmente eu deixei na minha outra bolsa, percebi isso quando ainda estava no carro. Mas você não vai impedir de uma garota ter um pouco de diversão

vai?”

Escravos do Amor – Primeira Temporada

O vampiro barbudo e tatuado olhou a bela garota nos olhos, e percebeu que o

mínimo de problema que ela poderia criar lá dentro seria ficar bêbada e tirar a própria roupa. E isso ele não iria querer perder. Então disse:

“Ok, você pode entrar. Mas eu posso saber ao menos o seu nome, gostosa?”

“Claro, é Alice Fontenele. E obrigada. Você é um vampiro muito bom. Muito

bom.” Sookita sorriu o seu sorriso mais sincero.

Ao adentrar no recinto ela ficou completamente desnorteada, mas afinal, o que

era aquilo? Nunca em sua vida tinha presenciado algo tão obsceno. Homens

dançando de forma exagerada, cabelos exóticos, mulheres com saias

minúsculas, quase mostrando o útero e garçonetes extremamente lindas...

lindas não, perfeitas. Sookita estava chocada e fascinada ao mesmo tempo.

Não demorou muito para começar a ser notada pela multidão, os homens

lançavam olhares de cobiça e as mulheres de desdém. Alguma delas assim

como os homens, quase a comeram com os olhos.

Nesse lugar até as mulheres a desejavam, parecia o inferno na terra. Sua avó

jamais aprovaria essa sua conduta, pensou assustada.

Ela tentou despitar os olhares indo em direção ao barman que mais parecia um

ator de filmes eróticos.

“Olá moço, com licença?”, perguntou timidamente.

“Sim?”, disse ele medindo Sookita.

“Procuro por Pam, a gerente deste lugar. Sabe dizer onde posso encontrá-la?”

“Humm, melhor ir até o escritório. Ela vai te receber, eu acho. Mas do que se

trata a visita? Por acaso você é o jantar da minha chefe?”, soltou ele com

sarcasmo.

“Não, estou à procura de um emprego”

Neste momento Sookita começou a ficar nervosa, será que ela iria virar jantar

ao final do expediente?

“Ah sei, vai lá... aquela porta preta a sua esquerda”. Mais uma, meu Deus, o

que será que essas caipiras ainda tentam por aqui? Pensou o barman

balançando a cabeça.

“Oh, muito obrigada”, ela respondeu num fio de voz.

----------------------------

Escravos do Amor – Primeira Temporada

Pam estava irritada com Eric, mais uma vez ele iria se atrasar para a noite de hoje e sem dar maiores explicações. Passou a mão nos cabelos loiros

brilhantes tão bem tratados, e ligou novamente no celular de seu patrão.

E nada, a ligação teimava em cair na caixa postal. Pam não tinha a mínima

ideia de onde ele poderia estar. Será que estava comendo alguma mulher?

Pensou nervosamente, estava cansada de ter que lidar sozinha com os

problemas da boate.

Ouviu uma batida na porta.

“Entre”

Disse numa voz entediada, provavelmente era mais alguma chateação, tudo

para deixar a noite melhor ainda. Quando se deparou com uma moça usando

uma peruca vermelha ridícula, uma maquiagem pesada e uma roupa digna de

prostíbulo.

“Veio no lugar errado, querida”, Pam falou cinicamente.

“Não, senhorita... senhorita Lerõnho”. Sookita rezou para ter acertado o

sobrenome da vampira. “Estou aqui procurando emprego”

“Não fazemos programa aqui”

Pam chegou perto da moça e a conduziu para a saída da sala.

“Programa? Não entendi... estou aqui para dançar. Vocês contratam para

dançar a noite, não?”, perguntou esperançosa.

“Contratamos... e já encerramos por hoje”.

Pam balançou a cabeça e mais uma vez lembrou-se dessa péssima ideia de

terceirização de dançarinas.

“Senhorita, eu preciso muito do emprego.”,Sookita juntou às mãos como se

fosse rezar.

Pam observou a moça com atenção sorrindo por alguns instantes. De repente,

a noite não ficaria tão ruim, e iria se divertir com essa coitada tentando dançar e a futura irritação de seu patrão que odeiava caipiras dançando para os

clientes. E pior a moça nem conseguia caminhar direito com salto alto.

“Hum, podemos fazer um teste. Mas, se não der certo, não quero mais ver sua

cara por aqui.” E mostrou as presas para a jovem.

Sookita pulou de felicidade quase caindo em cima da vampira que a jogou de

encontro à porta com cara de nojo.

“Vá antes que eu mude de ideia”

Escravos do Amor – Primeira Temporada

Deu um sinal para acompanharem a moça até o lugar desejado. Fechou a

porta e soltou uma gargalhada.

“Eric irá ficar louco quando colocar os olhos nessa idiota!”

------------------------------

Jason dirigia a toda velocidade para o ponto de encontro com os traficantes de V. É ilegal, mas Jason nunca quisera ser policial, na verdade o que ele desejou era sair logo de casa. Até que a polícia pagava relativamente bem. Mas, a sua

vida desregrada começou a cobrar um preço alto e amigos espertos daqui,

uma propina ali.

Ele desceu do carro, ajeitou a arma na cintura. Gostava de sentir o peso dela, a arma o deixava mais poderoso. Só que Jason começou a suar frio, ele estava

com uma maldita dor de barriga, daquelas de virar as tripas, por isso queria

pegar logo o sangue e se mandar.

O galpão estava cheio de mesas espalhadas com vários vampiros deitados em

macas e praticamente secos de tanto sangue que retiraram. Acenou para um

dos seus amigos e perguntou ansioso:

“Está tudo pronto? Estou com pressa.”

“Quase pronto, cara. Senta aí, pega um pouco de V e relaxa.”

O rapaz franzino jogou uma pequena ampola para ele.

Jason apertou a barriga, se demorasse mais um pouco iria desmaiar. “Por

favor, bicho...Onde fica o banheiro? Preciso dar uma cagada urgente...”

O rapaz apontou para um conjunto de escritórios do outro lado do amplo

galpão. Jason foi em disparada. Abriu a porta do banheiro, mal viu a privada.

Abaixou as calças quase chorando de emoção.

“Maldita guacamole da barraquinha.”, falou em voz alta.

Minutos depois, uns gritos ecoavam pelo galpão, gritos de pavor, não era coisa de doidões viajando no V. Jason se aprumou, abriu uma frestinha da porta com

a arma empunhada e espiou. Seus olhos não acreditam no que viram. Um

vampiro alto, alto até demais, forte e com cabelos loiros quase na altura dos

ombros simplesmente estava estraçalhando as pessoas no local.

Era uma confusão de braços, pernas e cabeças para todos os lados, a

velocidade do vampiro era tanta que a cabeça de Jason começou a rodar. Não

sabia se era pavor ou uma simples tontura. Agarrou com força o cano da arma,

e rezou baixinho para o vampiro não reparar que ele estava no banheiro.

Escravos do Amor – Primeira Temporada

Nesse momento até ficou feliz pela dor de barriga e pelo cheiro que estava li, talvez isso desviasse o olfato do assassino cruel lá fora.

Quando a matança parecia ter chegado ao fim, e seus amigos estavam todos

em pedacinhos. Jason reparou que o vampiro estava de costas para o

banheiro, parado não muito longe dali, observando o local, procurando mais

uma vítima.

Jason pensou em atirar, já que ele tinha uma boa mira, por isso tinha passado

com facilidade nos treinamentos para policial. Arrumando toda a coragem que

ainda restava, nesse caso era matar ou morrer. Abriu a porta do banheiro

devagar, sem chamar a atenção do vampiro e o atingiu com um tiro certeiro na

nuca.

Jason beijou a arma dizendo aliviado:

“Sorte que essa belezinha tem bala de prata”

Passou rapidamente pelo vampiro caído no chão, pegou todo o suprimento de

sangue que tinha no galpão e se mandou para o carro. Saiu dirigindo como um

louco pela rua. Pegou o celular e falou numa voz desesperada:

“Lafa, acho que fiz merda”

index-16_1.jpg

Escravos do Amor – Primeira Temporada

Capítulo 02

Perto Demais

Lying's the most fun a girl can have without taking her clothes off

Escravos do Amor – Primeira Temporada

Eric passou a mão na nuca, onde o tiro havia acertado. Não viu quem fez isso

e soltou um urro enfurecido. Estavam procurando esses traficantes de V fazia

meses, o vampiro viking trucidou todos em segundos, ou melhor, quase todos,

um conseguiu fugir. Parecia até coisa de cinema ruim, pensou Eric.

Olhou em volta para toda aquela bagunça de corpos estraçalhados. Lambeu os

dedos da mão direita que estavam com sangue enquanto caminhava pelo local

procurando alguma pista do futuro morto que o atingiu com uma bala certeira.

O celular vibrou no seu bolso, Eric o pegou com a mão esquerda que estava

limpa depois daquela matança. Franziu o cenho diante das várias ligações não

atendidas de Pam. Chutou longe um braço, saindo em seguida do galpão.

Ligou para um número desconhecido dizendo:

“Podem vir limpar a bagunça.”

Desligou o celular. Não iria informar ainda que um humano espertinho escapou

de suas mãos, não queria ver o sorriso largo do prefeito com essa notícia, pois seria capaz de decepar a cabeça dele. E não valia a pena enfrentar uma pena

de morte por causa daquele imbecil. Já teve penas de mortes demais nesses

seus mil anos vagando por aí, e até o momento havia escapado de todas.

Trabalhava para a Autoridade fazia certo tempo. Não precisava de dinheiro e

nem de glória, fazia pela diversão e obviamente para fugir da rotina, estar em pé por tanto tempo tem seu preço. O lado ruim era lidar com políticos como Bill, e reis e rainhas pirados dos vampiros. Pensou que a idade deveria trazer junto um pouco de loucura. Ele ainda estava bem, pelo menos era o que acreditava.

Desde que os vampiros “saíram do limbo”, os negócios prosperaram, ainda

mais para um vampiro esperto como Eric. Montar uma boate de vampiros para

humanos ou vice-versa foi uma boa sacada para uma cidade tipicamente

religiosa e antiquada como Vale de Los Sanguijuelas. Afinal, cidades assim são perfeitas para vampiros se divertirem, onde tem muito puritanismo é onde tem

mais sacanagem por baixo. E ele gostava de uma boa sacanagem acima de

tudo.

Precisava trocar de roupa, estava cheio de sangue e miolos alheios. Levantou

voo literalmente até a sua boate. Pousou meia hora depois na entrada dos

fundos, não estava com vontade de chutar as cabeças de mulheres e homens

que se jogavam aos seus pés todos os dias, nem isso iria melhorar seu humor

hoje.

-----------------------------------

A moça apertava o braço de Sookita enquanto a conduzia até a pista de dança,

mal conseguia ficar em pé. Maldito salto alto, pensou com raiva. A boate estava lotada, tanto embaixo quanto no mezanino. O lugar era realmente grande e

decorado de maneira extravagante. A moça parou em frente de um pole dance

Escravos do Amor – Primeira Temporada

da casa, mandou a outra que estava dançando lá sair e jogou Sookita com tudo

na direção do mastro.

“Se vira, gatinha!”, após dizer isso saiu dando risadas.

Sookita ficou imóvel sentindo vontade de chorar, todo mundo era arrogante e

autoritário naquela boate. Observou a sua volta, várias pessoas estavam

paradas esperando ela dançar, inclusive no mezanino quase em cima de sua

cabeça. A moça ao lado em outro pole dance se esfregava no mastro, enrolava

as pernas nele, descia até o chão, subia, fazia mil coisas.

Ela apertou com força o mastro e não sentiu vontade de passar a língua

naquilo, ou muito menos se esfregar, parecia meio sem higiene. E se pegasse

alguma doença? Soltou um longo suspiro. Sua mente começou a ser invadida

pelos pensamentos dos humanos no local: “Essa aí é bonita, mas sem graça.”,

“ Tem celulite!”, “Quanto ela cobra por hora? Será muito?”, “Bem vagabunda”,

“Essa já agüenta!”, “Nem peito tem, como escolheram essa caipira?”, e outras

delicadezas. Não estava acostumada em ouvir coisas tão baixas sobre sua

pessoa, a maioria que frequentava o bar do Sam não pensavam essas coisas.

Esfregou as têmporas e levou um tapa na bunda, olhou assustada em volta. A

moça que a levou até lá estava gritando para que dançasse, e parecia bem

irritada. Sookita tentou ignorar os pensamentos alheios em sua mente.

Imaginou que todos estavam pelados, dizem que ajudava nos momentos de

tensão como falar em público, iria colocar a prova se era realmente verdade.

------------------------------------

Jessica entrou na boate sem problemas, era uma das vantagens de ser filha do

prefeito, pois fazia o que bem queria nessa cidadezinha patética. Menos

conseguir dar para Sam, esse ainda não tinha caído nas suas garras. Como

era metamorfo não podia ser hipnotizado, ela pensou.

Usava um vestido preto brilhante, colado no corpo que fazia um bonito

contraste com seus cabelos ruivos. Mas não estava lá para se divertir, queria

saber o que Sookita iria aprontar por ali.

Seus olhos observavam atentamente o local, fazia tempo que queria descobrir

alguma sujeira da preciosa loirinha e a colocar no seu devido lugar. De

preferência, bem longe da cidade, de Bill e Sam. Não gostava de concorrência

e Sookita era uma bastante irritante, uma barata que precisava ser esmagada

sem piedade. Perdida em pensamentos não reparou quando um rapaz forte,

alto e bonito conseguiu se aproximar e cochichar algo para a vampira. Jessica

fez uma cara de nojo, não gostaria de chupar esse babaca, o sangue dele

deveria estar cheio de anabolizantes.

Só que antes de empurrar o rapaz para longe, Jessica viu uma moça

totalmente desengonçada, usando uma peruca ruiva, saltos altíssimos e uma

roupa pra lá de chamativa. Se a vampira ainda tivesse um coração, estaria

disparado nesse momento. O que a louca da Sookita estava fazendo ali? Era

Escravos do Amor – Primeira Temporada

dançarina? Aquela ridícula? Pensou Jess num misto de confusão e

curiosidade.

A ruiva puxou o rapaz forte para um canto, precisava chegar o mais perto que

podia, mas sem ser vista. Queria descobrir tudo, até estava se sentindo uma

espiã. Achou uma poltrona vaga que dava perfeitamente para ela e o fortão. E

o melhor é que não estava longe de Sookita. Jessica conseguiria assistir e

ouvir perfeitamente. Sentou-se com o rapaz e fez um sinal para o garçom.

O idiota tomava uma bebida, e Jess se divertia com a falta de coordenação da

namorada de seu pai no pole dance, nunca tinha visto dançarina pior. Não

negava que a moça era bonita, mas parecia tão cafona ali em cima, tão sem

estilo, tão sem razão de existir. Sem dúvida era a primeira vez dela lá, não

poderia ser contratada e dançar daquele jeito, só se a boate virou casa de

Stand-up Comedy.

Olhou para o rapaz que a acompanhava, até que dava para o gasto, era bem

bonito. Puxou o braço dele com força, e cravou os dentes no pulso dele que

soltou um gemido, de medo ou prazer, não dava para definir. A vantagem da

boate era poder se alimentar sem censuras e não precisar ter que fugir para

algum beco escuro.

Jessica notou um volume na calça do rapaz. Parou de sugar, o sangue escorria

pela sua boca e pescoço.

“Está excitadinho...depois eu dou uma mordidinha aí e veremos se continuará

desse jeito”, ela deu um sorriso de canto em seguida mostrando as presas.

O rapaz se encolheu, não gostaria de ter aquela experiência. Bateu certo

arrependimento por ter abordado a vampira ruiva. Será que valia a pena

arriscar seu bem mais precioso por uma ruiva gostosa? Ele pensou infeliz.

--------------------------------------

Eric abriu a porta do escritório com violência, hoje nada acalmaria a sua

irritação, nem mesmo Pam conseguiria. A vampira se encontrava sentada na

cadeira dele atrás da mesa.

“Finalmente chegou, vejo que seu ânimo não está dos melhores!”, Pam tentou

amenizar o clima pesado após a chegada de seu chefe e maker.

“Não é nada demais, apenas mais burradas da Autoridade.”

“Ora, com aquele Bill de La Vega cuidando da cidade, você queria o quê?”

“O prazer dele é me ferrar, já sei disso. Adora me enviar para os buracos...

para limpar a sujeira.”

“Sim, isso eu já sei. E tudo sempre ocorre como o esperado. Eu te conheço, o

que houve dessa vez pra te deixar assim?”

Escravos do Amor – Primeira Temporada

“Sempre dá certo porque sou eficiente, porra.” Ele passou a mão nos cabelos

loiros, irritado. “Algum espertinho conseguiu me atingir um tiro na nuca, e se mandou com toda a mercadoria.”

“A pessoa que fez isso não sabe que será um homem morto amanhã? Como

ainda existe gente tão estúpida? Humanos...tsc...tsc”, Pam comentou com

desdém.

Eric caminhava de um lado para o outro no escritório, falando baixinho. Pam

nada entendia, mas sentia que ele estava prestes a explodir. E nesses

momentos era melhor ficar bem longe, geralmente era sangue para todos os

lados.

“Não é melhor trocar de roupa, Eric? Você está cheirando como se um

cachorro tivesse feito xixi em suas roupas...”, ela tampou o nariz com nojo.

Eric não pensou duas vezes, jogou a jaqueta em cima da mesa, tirou a camisa

preta colada ao corpo com um rasgo numa velocidade incrível. Com essa

mesma velocidade tirou as botas e a calça preta e antes de tirar a cueca

voltou-se para ela.

“Tem alguma cueca minha aí sobrando?”, perguntou com um sorriso sacana.

Pam tentou desviar o olhar. Já havia visto Eric nu antes, mas nada a preparava para aquela visão. Só de olhar para aquele corpo ela sentia tudo da mesma

forma.

Não adiantava se passar por lésbica, não adiantava transar com homens

gostosos e mulheres igualmente gostosas. Nada superava aquilo. Imaginava

passando a língua pelo peito definido, apertando as coxas grossas e brincando

com o todo-poderoso...

Ela procurou numa das gavetas, tentando recuperar a normalidade de antes.

“Aqui está sua cueca... vista logo antes que alguém entre nesta sala!”, disse

Pam enciumada ao imaginar alguma mulher vendo aquele Deus Viking Loiro.

Jogou na direção dele a cueca boxer preta.

“Desde quando ficou puritana, Pam? Já me viu pelado tantas vezes, já era

para estar acostumada.”.

“Eu estou, você sabe muito bem que não é dessa fruta que eu gosto”, ela

respondeu pensando como era boa mentirosa.

Pam virou-se de costas, não aguentaria fingir diante... diante...daquela

coisa...não estava preparada para esse tipo de emoção hoje. Ouviu a risada de

Eric, pelo menos ele ficou animado com a situação.

Escravos do Amor – Primeira Temporada

Voltou-se para ele após ter certeza de que estava vestido e, assim não correria mais risco de sucumbir.

“Vou dar uma olhada no que está rolando na boate e depois vou me preocupar

com o imbecil que me acertou”.

Pam ficou aliviada ao ouvir aquilo, e abriu a porta do escritório. Eric saiu em seguida cumprimentando o barman com um aceno de cabeça. Pelo menos a

casa estava cheia, pensou ele. Mas seu olhar foi para um canto da boate, perto do mezanino, havia uma aglomeração de pessoas e quando viu o que estava

acontecendo, a irritação que sentiu antes voltou em segundos.

Olhou raivoso para Pam que estava ao seu lado, ela balançou a cabeça e

disse:

“Não sei de nada...”, ela sabia, obviamente. Deixou a moça desengonçada

dançar ali propositalmente. No fundo adorava deixar Eric nervosinho, ainda

mais quando ele sumia e não dava sinal por horas.

“Você sabe como são essas coitadinhas? Elas sonham em dançar em sua

boate e para você.”, segurou o riso.

Eric observpu a moça extremamente perdida com o pole dance, não sabia se

segurava no mastro, se rebolava, se dançava. Além do que tentava se

equilibrar nos saltos altos. Fora a roupa de prostituta. Ali não era o puteiro da cidade.

A dançarina usava um shorts preto de couro bem curtinho, mais um movimento

e o útero poderia aparecer. Não que ele se importasse de vê algo mais, só que

não queria aquele tipo de gente dançando na sua boate. O top preto cheio de

brilhantes, mal segurava os peitos dela e formava um x do top até o shorts.

Ainda tinha a peruca ruiva toda despenteada. Será que ela havia se vestido no

escuro, ou coisa assim? E pior, como ousava dançar ridicularmente na frente

de todos? Ele balançou a cabeça raivoso.

“O que essa coisa está fazendo na minha boate?”, gritou para Pam. “Você sabe

bem que não contratamos qualquer uma para dançar aqui.”

“É só tira-la daí, se quiser eu mesma faço isso.” Precisava extravasar as

sensações que sentiu antes em alguma coisa, e de preferência machucando

alguém, pensou Pam.

“Não será necessário. Eu mesmo terei o prazer de fazer isso.” disse

caminhando na direção da moça.

------------------------------------

Ela sentiu vontade de matar e esquartejar Tara. Era totalmente culpa de sua

amiga por estar nessa enrascada. Mal conseguia parar em pé com aqueles

Escravos do Amor – Primeira Temporada

saltos enormes. A peruca deixava seus cabelos grudando e a maquiagem ardia

os seus olhos.

Não acreditava que pudesse ter sido tão burra. Sookita estava entrando em

desespero, as coisas não estavam saindo como ela havia planejado. E agora o

que ela deveria fazer? Sair chorando e correndo dali? Ou ficar e se humilhar

até o fim? Pensou confusa.

Ela olhava em volta e sentia que todo mundo estava rindo de sua cara. Jamais

imaginou que seria tão difícil dançar, ela até tentou imitar as outras dançarinas, mas nem chegou perto. Será que ela não conseguia ser sensual, pelo fato de

ser virgem? Ou por que não tinha feito nada mais sexy na vida, além de trocar

beijos castos com seu namorado Bill? Talvez estivesse mesmo no momento de

pensar seriamente em ir mais fundo com seu amado. Só depois do casamento.

Não iria contra a criação de sua avó, homens gostam de mulheres puras e por

isso os casamentos dão certo.

Tentou tocar no chão e empinar o bumbum, mas ficou ofegante. Sentia-se fora

de forma, estava tão arrependida de não fazer mais os exercícios matinais. E

no fundo ela tinha medo de que aquele shortinho rasgasse e ela ficasse nua na

frente de todos, claro que muitos ali comemorariam, os pensamentos deles

deixavam evidentes. Ela sentiu seu rosto queimar de vergonha, só de imaginar

Bill descobrindo que ela fez algo tão impuro.

Quando Sookita estava prestes a desistir, seus olhos já marejados de lágrimas.

Sentiu uma mão enorme e fria apertando fortemente seu braço e a puxando de

cima do pequeno palco como se ela fosse uma boneca de pano.

Não conseguiu entender o que estava acontecendo, as pessoas em volta

pareciam chocadas. Estava sendo puxada por alguém bem alto. Tentou se

desvencilhar sem sucesso.

“Por favor, não fiz nada!”, disse desesperada.

O homem alto, muito alto por sinal, parou olhando diretamente nos olhos de

Sookita. Ela se encolheu de medo diante daquele olhar, nunca tinha visto algo

assim antes, tão distante e com uma raiva profunda.

Ele se abaixou, pegou no pé direito dela com firmeza e jogou longe o sapato,

fez o mesmo com o outro pé, quase acertando um pobre cliente que dançava

feliz ali perto. Sem a mínima dificuldade a levantou do chão colocando nos

seus ombros.

Muita gente parou para observar a cena inusitada, um gigante loiro carregando

nos ombros uma mocinha indefesa, parecia algo direto do tempo das cavernas.

Sookita batia os pés no peito do vampiro com força e arranhava as costas dele

tentando sair.

“Me solta, me larga, seu animal!” gritou alto.

Escravos do Amor – Primeira Temporada

E nada. Ele continuou abrindo caminho entre as pessoas, até que escancarou

a porta do escritório em que ela esteve anteriormente. Ela bateu a cabeça no

batente soltando um gemido de dor. O vampiro não pareceu se importar, e a

jogou com força no chão.

------------------------------------------

Jessica estava tendo a noite mais divertida de sua vida, vendo Sookita dar

vexame e desse jeito ter algo podre para jogar na cara da princesinha de Bill.

Não poderia ser melhor.

Ainda sugava o sangue do musculoso gostoso, pelo menos ele só gemia e não

falava nada. Não aguentava papo de rato de academia, além do que muitos

tinham pinto pequeno, pensou maldosamente.

Ela quase engasgou com o sangue quando viu Eric pegando Sookita pelo

braço e a carregando pela boate, levantou de um pulo. Sua noite estava

ficando cada vez melhor. Eric Henrique Colunga era maldoso ao extremo,

adorava se divertir com a miséria alheia e com as mulheres que cruzavam em

seu caminho. Jessica o evitava quando ele encontrava Bill, admitia que sentia

medo daquele vampiro mais do que qualquer outra coisa. E ele não era nada

confiável, pois ela tinha certeza de que um dia ele mataria seu querido pai. E

não iria permitir isso, portanto apenas observava aquele monstro de longe.

Quando fosse o momento certo de atacar ele nem iria perceber.

“Deveria parar com as “bombas”, querido...seu sangue estava com um gosto

péssimo e sem dúvida nem iria ter espaço para eu morder no seu pintinho...”,

soltou uma gargalhada e largou o rapaz com um olhar apavorado no sofá.

Caminhou entre as pessoas, evitando ser vista por Eric e reparou no desespero

de Sookita sendo levada daquela maneira. Ele entrou no escritório, fechando a

porta em seguida. Jessica quase soltou um grito de raiva, daria tudo para saber o que estava acontecendo.

Por sorte, o bar ficava ao lado do escritório, bastava ficar por ali fingindo beber um Tru Blood. Escutaria a conversa e ninguém desconfiaria. Como era

inteligente, pensou feliz.

---------------------------------

Jason dirigia a toda velocidade, nem sabia direito o que estava fazendo.

Apenas sabia que estava apavorado com o que tinha acabado de acontecer.

Atirou num vampiro e isso não significava coisa boa, e o que iria fazer com todo aquele sangue que roubou? Os traficantes estavam mortos, aparentemente

não viriam atrás. Ele estava com medo daquele vampiro, não o tinha matado, e

isso era a pior parte. Toda aquela matança que ele fez estava gravada na sua

mente, tudo muito nítido.

Estacionou em frente ao La Puta Madre, Lafayette o estava esperando. Entrou rapidamente empurrando algumas mulheres que estavam no seu caminho. O

Escravos do Amor – Primeira Temporada

quarto de Lafayette ficava nos fundos. Jason queria se livrar logo da

mercadoria, por isso abriu a porta de uma vez. Lafayette que estava sentado

em frente à penteadeira deu um salto:

“Oh, meu pai do céu... quer me matar do coração entrando dessa maneira?”,

ele colocou a mão no peito ofegante.

“F...foi mal, Lafa! Eu não queria te assustar...é que estou com um pouco de

pressa, entende?”

“O que aprontou dessa vez, fofo? Espero que não tenha engravidado alguma

garota por aí. Não faço mais aborto, já vou avisando...”

“Não é nada disso. Sei me cuidar com essas coisas.”, Jason lançou um olhar

de pânico para Lafayette.“Eu trouxe o seu presente, hum? Aquele que você

estava esperando tem uma semana.”

De vez em quando Jason não confiava na “privacidade” da sala de Lafa, e

tentava falar em códigos só para prevenir.

Lafayette sentou novamente diante da penteadeira passando um pouco de

blush nas bochechas. Esperou Jason se acalmar por alguns minutos e disse:

“Querido, não lembro de presente nenhum. Só se for aquele anel de brilhantes

ou aquela Ferrari que você prometeu...”

“Oh... na verdade, eu acho que o quê eu tenho aqui para você, vale mais do

que isso!”. Ele tomou uma respiração funda e continuou: “Vamos direto ao

assunto. Trouxe aquele carregamento de V que você solicitou. E alguma coisa

me diz que este é dos BONS. Quase dei a minha vida por estas belezinhas

aqui.”

“Explica direito essa última parte. Você quase deu a sua vida? Fico até

emocionada. Você sabe que eu te daria algo também...só bastava pedir”,

piscou para Jason.

“Sei bem, mas no momento a minha agenda está meio lotada.”, forçou um

sorriso. “O que eu estou querendo te dizer, é que eu quase fui morto nesta

brincadeirinha. Acho que este sangue deve ser muito bom porque apareceu um

vampiro muito grande, e muito forte para me impedir de levá-los. Ou mexemos

com a gente dele, ou acordou realmente de mau humor hoje.”, disse de uma

vez recuperando o fôlego no final.

“Como é? O vampiro por acaso era loiro e gostosão?”, perguntou engolindo

em seco.

Escravos do Amor – Primeira Temporada

“Oh merda...vai dizer que ele é amigo seu? Sim, ele era loiro, alto, devia ser do tamanho deste armário aqui”, disse apontando para o armário ao lado. “Na

verdade ele parecia àqueles caras de cabelão e capacete de chifres, não

lembro o nome agora, parece aqueles de Heavy Metal...”

“Socorro, socorro...vou comprar uma passagem para Aruba ou um outro lugar

que tenha muito sol. Agora você nos meteu numa encrenca enorme, seu

idiota!”

Lafayette se aproximou de Jason dizendo:

“Senão fosse pelo seu pinto, eu já tinha te delatado pra me livrar do problema.

Você tem sorte.”

“Mas qual é o problema? Ele é um Rei, um policial ou coisa do tipo?”

“Você é um policial, tapado e nem sei como conseguiu esse cargo. Ele é o filho da puta do Eric Henrique Colunga, um dos vampiros mais velhos do país e se

ele está atrás de quem trafica V, estamos realmente ferrados.”

“PUTA QUE PARIU! Estamos ferrados, Lafa. Eu não quero morrer. Eu sou

muito novo e gostoso para morrer. E agora o que faremos com este V? O que

faremos com as nossas vidas?”

“Eu sou gostoso e muito jovem para morrer também. E você é policial, puta

merda, pense em alguma coisa. Só sei que não quero esse V aqui. Leve isso

embora, deixe a poeira baixar.”

“Cristo! Só se... só se eu escondesse na casa da minha irmã Sookita.”

“Tá doido? E se ela denunciar a gente? Você sabe muito bem que ela é bem

“certinha.”.

“Merda! Eu vou pensar em alguma coisa. Espere a minha ligação.”

“Quero isso bem longe daqui. Esconde bem o seu rastro.”

Jason saiu do Puta Madre com certeza de apenas uma coisa: estava fudido. E

no mau sentido da palavra.

----------------------------------------

Ela pensava desesperada no erro que tinha cometido. Jamais faria algo

escondida novamente. Nunca mais mentiria para Bill ou para qualquer outra

pessoa. Só queria sair viva daquele lugar. Ela se debatia contra o homem

grande e loiro que a carregava nos ombros, mas nada conseguiu fazer com

que ele parasse.

Escravos do Amor – Primeira Temporada

Eric a jogou no chão como se fosse um saco de batatas.Ele olhou com

desprezo para ela que agora estava com sua peruca despenteada, e com o

rosto manchado de preto. Pensou que seriam manchas de lágrimas misturadas

com o que as fêmeas chamam de rímel.

Ele andou lentamente até sua imponente e rica poltrona, se sentou. Olhou para

a moça ruiva e disse:

“Quem te deu permissão de se prostituir aqui na minha boate?”

“Pro...prostituir? PROSTITUIR? Olha senhor, eu não sei quem você é, mas

certamente o senhor não tem direito de me chamar de prostituta.”

“Eu sou o dono dessa boate.”, deu um murro na mesa.

Ela desviou o olhar, esse deve ser o cara que Tara falou, pensou

nervosamente.

“Eu não sabia que as coisas por aqui eram assim. Vim procurar emprego

porque estou realmente necessitada, tenho contas para pagar e...”

Eric não deixou Sookita terminar a frase e retrucou:

“Pode ir parando por aí, você pensa que a minha boate é o Retiro dos

Artistas? Eu não dou a mínima para os seus problemas pessoais.”

“Eu não estou pedindo nada demais. Só quero que você me dê um emprego.

Por favor, eu preciso muito disso.”

“Essa sua carinha de pobre coitada não vai me convencer a nada. Primeiro de

tudo, essa sua roupa vulgar não está ajudando nenhum pouco. Segundo que

aqui nós só contratamos pessoas qualificadas e pelo o que eu pude constatar

ao assistir a sua dança ridícula é que nem perto da academia de dança você

passou.”

“Senhor, por favor... já que não posso ser dançarina, me deixe pelo menos ser

garçonete. Neste serviço eu juro que tenho alguma experiência”, disse Sookita

pensando que talvez como garçonete pudesse dar certo.

Eric deu um risinho de sarcasmo e disse: “Não, minha cara, aqui não

contratamos pessoas da sua laia. Não gostamos de caipiras por aqui. Sem

falar dessa sua maquiagem toda borrada na cara... não quero meus fregueses

fugindo de medo.”

Escravos do Amor – Primeira Temporada

Nessa hora ele se aproximou de Sookita com uma velocidade incrível para

observá-la melhor. E foi exatamente neste momento que ela realmente viu com

quem estava lidando, que homem era aquele? Ela fitou os olhos absurdamente

azuis do vampiro.

“Tire essa maquiagem horrível, mulher!”

Sookita não escutou uma palavra do que ele disse, estava completamente

perdida olhando para o rosto dele. Santa Virgenzinha, Tara não estava

mentindo quando disse que Eric Colunga era um homem incrivelmente bonito,

ela pensou, imaginando a penitência que iria pagar mais tarde por achar outro

homem bonito que não o seu Bill.

“Você é surda também?”, perguntou um Eric já bem irritado: “Já disse, tire essa porcaria de maquiagem antes que eu mesmo faça isso sozinho. É isso ou você

terá que dançar para mim nesta sala.”, e soltou um sorriso que faria qualquer

mulher suspirar.

Ela saiu do devaneio onde se encontrava. Voltou-se para aquele homem com

olhar gélido e esbravejou:

“Não vou tirar coisa nenhuma, já disse qual foi a minha intenção ao vir aqui!

Não vou mais ficar escutando o senhor me humilhar desse jeito, estou indo

embora deste lugar, agora!”

“Como hoje estou bonzinho, resolvi te dar a chance de uma audição exclusiva

comigo. Prometo que vai doer só um pouco...” e mais uma vez o sorriso

matador de adolescentes, mulheres e idosas surgiu em seu rosto sacana.

Sookita entrou em pânico ao imaginar que estava muito próxima de ser

atacada por aquele vampiro, e por um momento até ficou feliz com isso. O que

está acontecendo com ela? Balançou a cabeça em negação.

“Não tenho medo de você, só porque é dono disso tudo aqui. Eu achei que

ainda existiam pessoas boas nesse mundo, e que os vampiros merecessem

uma chance também. Só que me enganei.”

“Chega de conversa fiada, vou sentar aqui e esperar o seu show particular. Se

eu gostar, de repente... te pago a noite de hoje. Mas pela última vez, tire a

maquiagem!”

Já não tinha conseguido dançar nada na frente daquelas pessoas, imagine na

frente deste vampiro. Pelo menos estava sem os saltos, uma pena que Tara

iria ficar sem eles. Mas, não iria perder a viagem e muito menos se deixar

intimidar dessa maneira, poderia não ser a perfeição das outras mulheres. Não

era a caipira que ele pensou que fosse. Sookita pensou ganhando confiança.

Escravos do Amor – Primeira Temporada

“Não dá para tirar a maquiagem, não tenho nenhum lenço aqui.”

“Use seu top, não se preocupe, eu não vou ficar tímido, já vi muitos peitos

antes.”

Sookita arregalou os olhos de susto, definitivamente não estava preparada

para enfrentar um ser daqueles. E não tiraria a roupa de jeito nenhum, só para o seu amado Bill quando chegasse o momento.

“Vai ter que me aturar com a cara toda borrada. Não vou tirar meu top por nada neste mundo.”

“Você definitivamente é a dançarina mais puritana que já apareceu por aqui, e

só por isso já perderia a chance do emprego. Não sei por que ainda estou

perdendo meu precioso tempo com você. Dance logo de uma vez, estou

entediado com essa conversa mole.”

Eric se sentou numa poltrona preta que ficava em frente a sua mesa e esperou.

Neste momento, ela viu um pequeno lenço em cima da mesa, o pegou antes

que o vampiro desistisse de ver sua performance. Não perderia a chance de

provar que tinha um pouco de valor. Limpou o rosto da melhor forma possível

enquanto Eric a observava com olhar de quem não estava esperando coisa

boa.

Ele se arrependeu de ter pedido tal coisa, pois o lenço ao invés de melhorar

acabou piorando o rosto da caipira. Agora ela estava parecendo uma integrante

da banda Kiss, pensou maldosamente.

O momento tinha chegado, não tinha para onde fugir. De certa maneira queria

impressioná-lo e quem sabe ele até pagasse alguma coisa. Não poderia pior

mais ainda.

Ela foi pro meio do escritório ficando de costas para Eric. Respirou fundo,

tentou se lembrar como as outras dançarinas da boate faziam e começou a sua

performance. Tentou girar sendo sexy, só conseguiu tropeçar torcendo o pé,

mas conseguiu disfarçar.

Passou a mão em seu decote, e as pulseiras ficaram presas no tecido do top.

No desespero ela puxou com tanta força que fez um pequeno rasgo. Agora ela

estava mancando, com o top furado e com a cara toda manchada.

Sookita se balançava para os lados, para trás e para frente, tentado rebolar.

Nem ousava fazer contato visual com Eric. Passava as mãos pelo seu corpo

timidamente, ensaiou alguns passinhos de ballet e de salsa. Até a dança do robô ela tentou, mas foi interrompida por um barulho vindo de Eric. O vampiro

Escravos do Amor – Primeira Temporada

estava rindo dela descaradamente, ele se dobrava em sua cadeira de tanto rir.

Ela nunca se sentiu tão humilhada em toda sua vida.

“Tudo bem, eu vou embora! Você já me humilhou o bastante aqui.” disse

Sookita entre lágrimas.

E saiu do escritório de Eric, sem olhar para trás...

index-30_1.jpg

Escravos do Amor – Primeira Temporada

Capítulo 03

O Poderoso Chefão

It's not personal. It's strictly business.

Escravos do Amor – Primeira Temporada

Já era tarde da noite, mas a reunião de Bill de La Vega com a Autoridade e

estava longe de ter seu fim. O vampiro, conhecido por sua tranquilidade, agora estava impaciente.

Será mesmo que esta reunião era tão urgente assim? Pensou com desgosto.

Ele batia com a caneta na mesa, vagava seu olhar pelo escritório, brincava

com os botões do paletó. Tudo isso tentado se entreter e não morrer de tédio.

Como seria se um vampiro tão poderoso feito ele, morresse de tédio? Riu com

este último pensamento.

Seus pensamentos foram interrompidos pelo toque do seu celular. Bill lançou

um olhar para Alcide, seu chefe de segurança, e fez um movimento com a

cabeça indicando para que ele o acompanhasse lá fora. Alcide rapidamente se

levantou e saiu. Bill pediu licença para os outros presentes na reunião:

“Desculpem-me, mas é minha filha ao telefone. Se eu não atendo, já

imaginam?!”, abriu um sorriso encantador se retirando da sala.

Voltou-se para o celular que piscava a foto de Jessica no visor. Ele atendeu

rapidamente, pois algo ruim poderia estar acontecendo à sua querida filha.

Tinha receio de sua menina estar solta pela noite da cidade, por sorte Jess era uma vampira, e a tequila não faria nenhum “estrago” a ela.

“Ohhh...Olá minha querida! O que você precisa? Qualquer coisa por você.”

“Bill, você não acre...ta...en...do”, a ligação parecia “picotada”.

“Como? Jessica, não consigo te ouvir direito! Você está bem?”

“Eric está com ela...vaga...b...da...kita”

Bill balançou a cabeça sem entender o que estava acontecendo. Ela não

parecia em perigo, mas também poderia estar em uma enrascada.

“Eric? Eu só conheço um Eric. O que você está fazendo com ele? Eu já disse

que lhe quero bem longe daquele vampiro!”, Bil apertou o celular com raiva.

Era obrigado a conviver com Eric, mas não admitia sua família envolvida com o

vampiro.

“Eu sabia...ela tá te....pai! Arghhhhh!”

“Ela? Ela quem Jessica? Eu exijo respostas!”

Mas já era tarde, a ligação tinha caído, deixando Bill ainda mais confuso.

“Mas que droga foi essa? O que esta menina estava tentando me dizer? Será

que ela está em perigo?”

Nesse momento, Alcide que estava um pouco afastado dando privacidade a Bil

se aproximou dizendo:

Escravos do Amor – Primeira Temporada