Um conto & Um Café por Fátima Abreu - Versão HTML

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Um Conto

&

Um Café

Por:

Fátima

Abreu

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O PODER

FEMININO

Realismo Fantástico

(Todas as imagens foram colhidas na web)

Em um mundo diferente, mas ao mesmo tempo, a

réplica do nosso, as mulheres eram toda a fonte

de poder. Graças a elas, a energia vital do orbe,

era regenerada de tempos em tempos, e a cada

2.500 anos, isso se fazia necessário...

A Senhora dos Cavalos, Filipa, chamou suas irmãs que faziam parte desse mundo paralelo, pois

detinham toda a magia em suas auras, assim como

ela, para a nova revitalização do orbe.

Nessa "Terra Pararela", ela habitava o Centro, o

'coração' desse lugar.

Havia uma cópia de cada um de nós, vivendo ali.

Os mesmos deuses antigos que foram cultuados

pelos Greco romanos, ali eram venerados. Mesmo

sendo uma cópia do nosso planeta, apenas a

civilização clássica permaneceu e eles não tiveram nenhuma outra forma de mudança, como a nossa

Terra passou no decorrer de sua História.

Era um mundo onde poderíamos nos sentir na

Antiguidade Clássica.

Não haviam prédios ou sociedade guiada por um

sistema, não havia tecnologia, carros ou aviões: Entretanto, era um mundo de guerras entre povos, tal qual o nosso.

Essas guerras vinham exatamente nesses períodos, quando a energia ficava fraca, e tinha de ser

restaurada pelas irmãs.

A primeira a chegar foi a Senhora dos Felinos, Taís (a que não pode ser fraca): de um cabelo loiro acobreado cheio e comprido, era esguia, mas muito temperamental, por ter o domínio sobre esse tipo de animal, ela possuía suas características: seus olhos mudavam no escuro, corria como uma cheeta dava

saltos de lince e podia dilacerar a carne de alguém com suas garras retráteis. Seu animal de estimação era um leão que a acompanhava por toda parte, e quem ela dera o nome de Fidêncio que quer dizer: confiante, fiel.

Geralmente ela era encontrada nas florestas e

pradarias. Mas tinha seu lar fixo, nas Terras Do Leste. Regia o elemento Terra.

Do alto de um monte, ela observava a chegada de

suas outras irmãs, enquanto a Senhora dos Cavalos providenciava a grande mesa de oferendas às

Deusas Afrodite e Palas Atena.

Das Terras do Norte ou Terras Altas, vinha a Senhora das Aves, Alessandra: uma bela ruiva de olhos extremamente verdes e seu animal de

estimação era uma ave de rapina a quem nomeara

de Fedon: "aquele que filosofa". Atuava com o elemento Ar.

Essa era uma mulher que detinha o conhecimento

dado por Palas Atena: era sábia e justa.

Para isso fora criada pela deusa e recebera esse nome, para lembrar-se sempre do que significava:

"resistente aos homens" . Era a juíza de todas as Terras de Gaia. Mas isso implicava em permanecer virgem para o resto da vida.

Phoebe

A Senhora do Fogo era a irmã mais velha. Foi a terceira a chegar, vinda das Terras do Oeste.

Fiel à deusa Ferônia tinha recebido o poder de criar fogo e detê-lo também, quando isso fosse

necessário. Seu nome significava radiante,

brilhante, assim como seu elemento: Fogo.

Já tinha seus cabelos inteiramente brancos, lisos e ralos. Mas não possuía rugas e seu corpo era como o de suas irmãs jovens: pois se banhava todos os dias, nas águas das fontes termais e regenerativas de Ferônia. Ela não gostava de animais e por isso não possuía nenhum.

A última irmã a chegar foi A Senhora das Águas

Azuis: Amanda (digna de ser amada).

Era uma nereida, de um cabelo loiro platinado,

belíssima! Foi escolhida diretamente por Poseidon para ocupar essa função.

Morava nas Terras do Sul ou Terras Baixas, à beira do Oceano, para poder entrar quando

precisasse.

Logicamente, ela era responsável pelo elemento

Água.

Em terra, ganhava pernas, mas apenas por 12 horas, depois teria que passar mais 12 horas na água,

voltando a ter sua cauda, para revigorar-se

novamente.

Tinha o poder da sedução, recebido pela deusa

Afrodite e podia criar água em um terreno seco,

com o toque de suas mãos.

Era muito vaidosa e adornava-se de pérolas. Vestia-se de azul quando estava em terra firme.

Reunidas depois dos últimos 2.500 anos, estavam

ali as maiores representantes do Poder Feminino, para o ritual de energia. Mas existiam agora, novos inimigos do 'equilíbrio', e elas teria de combater em breve...

Elas não sabiam, mas havia vários mundos

paralelos sempre com as mesmas cópias das

pessoas, a única diferença, é que em cada mundo, a sua cópia, existia de outra maneira: com gostos, hábitos, caráter, adquiridos em cada forma de

vivência...

Uma cópia de algum indivíduo, por exemplo, nos

mundos possíveis pode ser alegre, noutro

deprimido, uma pessoa gentil, noutro um

criminoso, e por aí em diante...

Apenas a aparência é igual. Mas mesmo assim,

podendo ser mudada: porque artificialmente pode-

se trocar a cor de cabelo, pode-se comer mais e

num mundo a cópia se gorda, noutro comer menos,

e ser magra.

Sendo assim, na nossa Terra, existiam as cinco

irmãs, não com os poderes das outras da "Terra Pararela de Gaia" , mas pessoas normais que viviam seu dia a dia, sem imaginar o que ocorria em todos os mundos possíveis.

Tinha também pelo capricho do Universo (que

projetara um único DNA, que era repetido para formar as cópias) o mesmo nome em todos eles.

Existe pelo menos um sósia para cada pessoa na Terra. Mas uma cópia é muito mais que simples aparência de um sósia:

Ela tem seu código genético, a Centelha Universal que foi dividida em muitas partes, tantas quanto forem os mundos possíveis...

*****************************************

Um "buraco de minhoca", que é o termo usado pelos nossos cientistas, para um corpo passar

rapidamente no tempo e espaço, sem ter que usar

qualquer máquina para isso, foi o que permitiu

essas cópias passarem para a Terra de Gaia.

As que passaram, vieram de um orbe atrasado em

evolução e saíram no meio da savana, do outro lado do buraco. Confundidas com as cinco irmãs, que

eram a chave do Poder Feminino, pelos

camponeses, foram então levadas até a Terra do Centro, onde as verdadeiras Senhoras estavam reunidas e tinham começado o ritual de

energização.

As auras brilhantes, com cores do arco íris das

Senhoras do Destino de Gaia, passavam um feixe

de energia em círculo, quando foram interrompidas com a chegada dessas suas cópias.

Os camponeses ao perceberem seu erro, quando

avistaram as verdadeiras Detentoras do Poder, ali, recuaram com medo. Como poderia ser aquilo?

Duas de cada?

As cinco Senhoras se entreolharam sem entender

nada, ao ver suas cópias frente a frente.

Nunca antes isso havia acontecido em toda história Universal. Era como ver seu reverso no espelho:

Elas tinham uma aparência gótica, noturna, bem

diferentes das originais.

As vestes eram escuras, variando entre o preto,

marrom e cinza.

O desequilíbrio estava começado. Pois sabiam de

ambos os lados: Alguma coisa muito errada havia

acontecido, para haver esse encontro. E se

houvessem outras, se mais e mais fossem

chegando?

O oráculo, a sacerdotisa Sofia, a sábia, teria de ser consultada.

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Diziam que ela morava no reino lendário de Ofir.

Era para lá que todas elas teriam de se dirigir.

Mas de uma coisa Filipa, que era o coração da sua Irmandade, sabia através da intuição que era o seu maior poder: Nenhuma cópia poderia ser tocada

pela sua igual. Isso geraria um feixe de energia ímpar, uma explosão anti matéria.

Assim começou uma aventura de forças além do

Bem e do Mal, para restaurar o equilíbrio do

Universo e as cinco cópias voltarem para seu

devido lugar, a Terra Pararela de Melanie (de aparência escura).

O grupo das dez mulheres seguiria para Ofir,

guiado pelas ninfas que eram as únicas que

conheciam a localização do oráculo.

Desconfiadas, as irmãs que vieram da Terra de

Melanie, aceitaram a proposta, por estarem sem

alternativa para regressarem ao seu próprio mundo.

Teriam que passar pelo rio lodoso: era uma

verdadeira armadilha para uma mulher, se fosse do nosso mundo. Mas para as Senhoras, que eram

munidas de magia e poder sobre os elementos, isso não seria problema. Entretanto, suas cópias nada tinham de especial. Quando a primeira passou, já se sentiu isso:

O rio lodoso tragava-a como areia movediça... Suas irmãs a puxaram com força para retirá-la dali.

Pheobe ergueu então seu cetro de poder para o rio, transformando-o através do fogo: o lodo tornou-se uma superfície petrificada, onde todas as outras puderam passar, depois do esfriamento da rocha,

pela água que Amanda fez surgir de suas mãos.

Depois de 3 horas de caminhada, pararam para

comer e procurar alguma fonte de água para

Amanda entrar e restaurar suas forças e poder. Já estava esgotando seu prazo de 12 horas: logo suas pernas dariam lugar a uma bela cauda azul

cintilante.

Somente 12 horas depois, poderia seguir viagem

com o grupo, ao ter suas pernas novamente...

Isso era um grande obstáculo para a viagem, mas tinha que ser assim, porque todas teriam de estar juntas, quando chegassem à Ofir.

O segundo obstáculo na viagem veio logo depois

de 2 horas que tinham recomeçado a caminhada:

uma cadeia de montanhas erguia-se à frente e não havia como passar, teria que achar outro caminho.

Taís, com sua sabedoria, ergueu sua ave e a enviou para procurar. Os olhos da ave tornavam-se seus: o que ela via era passado para sua dona.

Taís descobriu então, uma gruta. Essa passagem as levaria até o grande vale, que daria já bem perto da cidade de Ofir.

As três ninfas as guiavam cantando e dançando tão naturalmente, como era a caminhada para as outras.

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As Ninfas

De súbito, ouviram um barulho ensurdecedor, era

um dragão desgarrado de seus companheiros que

habitava as Terras do Oeste, onde Pheobe era a

Senhora.

O dragão era fêmea, procurando seu filhote que

havia saído do ovo, mas agora estava desaparecido.

Certamente alguém o havia levado do local onde

estava.

A fêmea agitada, somente parou com o som

temeroso, quando a Senhora do Fogo, ergueu seu

cetro na direção que vinha.

Telepaticamente domou o dragão fêmea, e soube o

porquê dela estar fora da sua terra de origem.

As cinco irmãs de Terra da Melanie, tomadas pelo medo do enorme dragão, ficaram escondidas atrás

de rochas e moitas.

Mas as ninfas cantaram em volta do dragão fêmea

acalmando seus instintos.

Pheobe então, lhe disse através da telepatia, que ajudaria a encontrar o filhote, desde que se

comportasse.

Uma promessa que seria cumprida com certeza,

pois para a Senhora do Fogo, seria fácil rastrear o pequeno ser que soltava seu elemento pela boca.

Filipa montada em um de seus cavalos seguia à

frente, pois estava preocupada: logo anoiteceria e os perigos noturnos eram grandes naquela região, além disso, as cinco 'cópias', eram muito lentas, resmungavam o tempo todo, visivelmente

aborrecidas com a demora.

Finalmente as ninfas apontaram para uma entrada, mostrando que ali era a Terra 'lendária' de Ofir.

Filipa desceu de seu cavalo e disse para todas as outras mulheres que ali estavam:

_ Vou à frente, o 'Coração' deve sempre ser aquele, que abre as portas para o restante.

As suas quatro irmãs detentoras dos elementos da natureza, esperaram juntamente com as demais, até que Filipa cruzasse o lago que separava o lugar onde aguardavam, da entrada (um portal) de Ofir.

Ali, Sofia, a sábia, daria a resposta para o que acontecia: o desequilíbrio no Universo gerado pelo encontro de pessoas que não deveriam ter contato em hipótese nenhuma...

Sofia já aguardava a visita de Filipa: havia tido uma de suas visões de tudo que ocorria. Não

tardaria e as Senhoras do Poder estariam a lhe

procurar para algum conselho.

Estava ornamentando seus belos pilares de

mármore na entrada do templo onde vivia, quando

a visita esperada chegou...

Filipa pediu licença para Sofia e foi adentrando o jardim paradisíaco. Foi quando Sofia voltando-se para ela disse:

_ Já a esperava Filipa. Sei do que se trata essa visita aqui. Tive a visão. Mas saiba: Não será fácil enviar essas mulheres vindas de outra Terra de volta! Elas vieram através de um portal, por uma distorção no tempo e espaço... E esse já se fechou. Terão que ir ao Olimpo pedir ajuda às deusas. Só elas podem

convencer Zeus a consertar tudo, pois foi ele quem criou esse portal.

_ Mas a troco de quê?

_ Zeus quer ser supremo, e venerado em outros

mundos. Como sabe, há mundos que já foi

esquecido, quer agora ganhar a devoção em lugares onde ainda não o conhecem... A Terra de Melanie é seu primeiro passo para isso. Seduzindo as

mulheres que trouxe aqui, fará com que elas se

tornem sacerdotisas e suas amantes. Depois,

quando estiverem preparadas, ele as envia de volta, e aí então será venerado também lá, pela

divulgação que elas farão para seu povo, dessa

viagem reveladora.

_ Então de alguma forma, elas voltarão, não é

necessário que eu e minhas irmãs interfiramos...

_ Com certeza que voltarão. O problema é que tem que ser logo. Não podem esperar pelos planos de

Zeus, pois demoraria muito. Essas mulheres tem

que voltar antes que o desequilíbrio no Universo seja visível: Pois haverá tormentas terríveis, em que todos nós poderemos perecer...

_ Compreendo agora... Sim, eu e minhas irmãs

iremos até o Monte Olimpo pedir ajuda às deusas.

Mulheres unidas no poder, sejam elementais ou

deusas, são a força maior do Universo!

Sofia deu um breve sorriso e a acompanhou até a

entrada do jardim. Nesse momento, Filipa deu-lhe uma moeda de ouro em agradecimento pela

consulta. Entretanto, Sofia a pôs de volta na mão da Senhora dos Cavalos, dizendo:

_ Fique com ela, não preciso. Mas será de valia no seu futuro próximo.

_ Sendo assim, com essas palavras, eu acredito.

Filipa voltou atravessando o lago onde todas as

mulheres tinham ficado. Para sua surpresa, as

ninfas estavam nuas e embriagadas pelo vinho que Pã (que havia chegado um tempo antes) lhes dera.

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Pã e as Ninfas

Rapidamente, Filipa recitou um poema que veio à

mente, para que todas ali ouvissem e se libertassem da sedução que estava no ar:

As árvores dançam com o vento.

Num bailar que é admirável!

As ninfas correm entre elas,

Brincando...

São guardiãs da floresta, esse é

seu papel

Gaia deixou filhas lindas, entre

mar e céu.

Um barulhinho vindo de não sei

onde,

Vinha tocar-lhes os ouvidos:

Era Pã com sua flauta encantada,

Trazendo vinho em sua garrafa,

Para oferecer as ninfas,

Mas elas sabiam: Nele, não

poderiam confiar,

Bastava tomar seu vinho,

Para a 'festa' começar...

Gaia ficaria transtornada,

Se suas filhas embriagadas,

caíssem em tentação:

A missão lhes fora dada,

Para que, com total

responsabilidade,

Cuidassem das florestas, rios e

mares

Com a devida atenção...

Baco chamou-o de volta,

Não queria problemas com Gaia,

Se suas filhas deixassem de

cumprir o trabalho,

Seria um verdadeiro caos!

A revolta da Mãe Natureza seria

tão grande,

Que não valia o desafio!

Assim Pã, foi embora,

Encontrando com Baco, na beira do

rio...

*************************

Pã foi embora relembrado pela poesia que Filipa

recitara se Gaia ficasse revoltada, seria realmente um caos total!

As ninfas melhoraram do torpor que vinho místico dava e colocaram suas vestes novamente. Assim,

como todas as outras mulheres que ali estavam

incluindo as Senhoras do Poder, que também

estavam sob o controle do vinho que Pã lhes dera.

Em seguida, Filipa contou-lhes da conversa breve que tivera com Sofia. As mulheres da Terra de

Melanie entenderam que teriam de ficar à espera

mais uma vez, enquanto as cinco irmãs elementais, fossem até o Olimpo falar com as deusas e pedir

que cuidassem do assunto. Uma das mulheres que

era a cópia de Taís, perguntou então:

_ Mas enquanto vão, o que faremos por aqui?

Foi Taís mesma a responder para sua cópia:

_ Arrume uma forma de escrever tudo que vê, para quando voltar ao seu mundo, não passar em vão,

essa experiência. Dessa forma, outras pessoas

saberão da pluralidade dos mundos.

_ No nosso mundo não há registro de nada.

_ Não há livros para as pessoas lerem?

_ Isso. Eles foram queimados há séculos.

_ Pois está aí a chance de mudar tudo... O povo que não adquire conhecimento, não evoluí. Passe

isso adiante, crie livros!

Taís a deixou pensativa. Mas plantou a semente da liberdade de expressão, na mente daquela mulher.

As ninfas trataram de trazer mais comida e água

para que todas pudessem estar bem. Elas eram

representantes das três estações do ano, da Terra de Gaia. Diferente de nosso mundo nesse particular, elas representavam: Verão, Inverno e Primavera.

A estação do Outono, ali, ainda não existia...

As Senhoras dos Elementos, seguiram então

viagem para o Monte Olimpo, juntamente com as

ninfas das estações.

Na entrada do grande jardim do Olimpo, onde

cresciam flores totalmente diferentes das que

conhecemos, estava Hermes. Assim que as viu,

veio com seu sorriso cordial recebê-las:

_ A que devemos a visita das Senhoras dos

Elementos por aqui?

Filipa adiantou-se como sempre:

_ Queremos falar com as deusas, assunto de

mulheres, Hermes. Mas já deve saber da ruptura no sistema normal dos Universos Paralelos, não?

_ Não, na verdade. Aqui nada se falou sobre esse assunto. Estranho...

_ Bem, é coisa de Zeus. Mas agora queremos que

nos leve até as deusas, por favor.

_ Por aqui...

Ele as levou até o centro do Olimpo, uma alameda com pilastras de mármore cor de rosa e branco, de onde saíam muitas plantas enfeitando o local.

No meio, havia uma fonte (a que Pheobe) se

banhava para manter-se jovem, cercada por bancos de mármore e estatuetas que representavam cada

um dos deuses que ali residiam.

Hera deitada em um divã as recebeu; afinal na

hierarquia do Olimpo, ela era a principal ali, por ser esposa de Zeus.

Hera estava acompanhada de Afrodite e Palas

Atena, que conversavam naquele momento.

Era sempre assim, não tinham muito que fazer, a

vida era ociosa para quem era imortal...

Mas ao notar todas as elementais ali, estranharam.

Pois apenas Phoebe vinha ao Olimpo:

(sendo do elemento fogo, ela tinha que usar a fonte termal da juventude, porque o fogo extingue tudo, e assim seria com ela mesma, se não fosse esse

artifício que a deusa Ferônia, lhe dera).

Aproximaram-se intrigadas. Hera perguntou:

_ Que surpresa Senhoras! O que as traz aqui?

As cinco elementais explicaram com detalhes o

plano de Zeus e tudo que isso implicava até mesmo a destruição daquele mundo onde habitavam, pois o desequilíbrio gerado com a presença das cópias ali era perigoso demais.

Palas Atena então munida de sua sabedoria, disse: _ Façamos o seguinte: Vamos dar uma beberagem

para Zeus e hipnotizá-lo durante o sono, fazendo com que ele crie um novo portal para essas

mulheres voltarem para o lugar de onde nunca

deveriam ter saído.

Hera disse então:

_ De acordo. É uma boa solução. Mas quem vai

dar? Ele desconfiará de mim, pois nunca faço isso, achará no mínimo estranho... Sabe que ele é bem

desconfiado!

Amanda então tomou à frente e disse resoluta:

_ Eu vou! Ninguém pode resistir aos meus

encantos, nem mesmo o maior dos deuses!

Afrodite concordou, pois a beleza de Amanda

podia ser igualada à sua, e realmente um homem

não iria deixar de querê-la para si. Restava preparar a bebida a se levada os lábios de Zeus.

Mas isso seria o caso de Alessandra enviar Fedon, sua ave de rapina, buscar os elementos necessários para juntar ao vinho, que Zeus sempre bebia.

Assim que atingisse a terra firme, Fedon

transformava-se em um belo jovem, dessa forma

poderia pegar tudo que seria preciso.

Alessandra lançou-o ao ar, e ele já sabia para onde ir. Enquanto isso, todas ficariam ali, aguardando seu retorno.

Artemis chegara naquele momento, com seu

unicórnio e rapidamente foi informada do que

acontecia.

Pensativa, ficou com medo do plano criado não dar certo. Se Zeus descobrisse que fora enganado de

alguma forma, teriam uma verdadeira tempestade

ali, e no resto da Terra de Gaia.

Amanda e Afrodite tranquilizaram-na. Tudo daria

certo: Mulheres unidas, é a força que rege o

Universo, lembravam sempre desse lema.

Fedon chegara enfim, ao local para onde fora

guiado pelo poder das deusas. Transformara-se na sua versão homem, pegando as "Dormideiras".

Mas, no instante que iria transformar-se novamente em ave, viu duas moças nuas, interessou-se em

chegar mais perto, para observá-las...

Nunca tinha visto tal beleza exposta daquela forma.

Sua dona Alessandra, nunca ficava nua perto dele, mesmo transformado em ave. Talvez para não cair

em tentação, porque assim quebraria os votos feitos para Palas Atena, de permanecer virgem.

A libido desperta, fez com que ele se esquecesse da missão.

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Foi ter com as dois moças... Vendo que ele se

demorava, Alessandra achou que alguma coisa

havia acontecido.

Não tardou em descobrir o que ele fazia:

Na fonte, que além de manter uma pessoa jovem,

também mostrava o que acontece na Terra de Gaia, ela olhou e viu seu fiel companheiro, a brincar com as moças.

De posse de uma raiva que desconhecia ter, ficou ruborizada.

Mas esse apenas era um dos problemas, porque

fora do Olimpo, as 'cópias' estavam em apuros:

O dragão fêmea voltara a atacar porque queria

saber onde Pheobe estava, pois até aquele

momento, ainda não estava com seu filhote.

A Senhora dos Felinos, Taís, camuflada em pele de uma tigresa, foi até onde o dragão fêmea estava

criando problemas, enquanto suas irmãs

permaneciam no Olimpo. Já estava a ponto de

dilacerar o dragão com suas garras, caso ele não voltasse de onde tinha vindo aguardando por lá o retorno de sua irmã, Phoebe, com o filhote para ser entregue de uma vez por todas, aquela mãe dragão desesperada!

Mas o problema estava para ser resolvido:

De conversa com Ares, instantes antes de sair para dominar o dragão, soube que não havia apenas um

dragão sumido, mas vários! Encontravam-se

presos por um homem que os tencionava expor,

em sua caravana de teatro e circo.

Ares era o deus da Guerra, e disse isso de propósito para ver o "circo (literalmente) pegar fogo! Sabia que Pheobe sendo a senhora do fogo

chegaria ao extremo se o tal homem não devolvesse os dragõezinhos que estavam presos por lá...

Taís passou a mensagem para o dragão, pedindo

que voltasse e que Pheobe estaria já para resgatar o seu filhote e o de outras fêmeas que estavam no

circo.

Caso oferecesse resistência, e pusesse em risco as cinco mulheres da Terra de Melanie, ela não

pensaria duas vezes e atacaria o dragão!

Mas o dragão foi embora na esperança de breve ter seu filhote consigo.

Pheobe desceu do Olimpo e foi cumprir essa outra missão.

Chegou ao circo/ teatro já ameaçadora. Mas o

homem que era dono, não se intimidou e mandou

seus servos prenderem a intrusa, que não sabiam

quem era.

Pheobe então pegou seu cetro e ateou fogo em uma tenda de artistas, a seguir aproveitando do caos que isso trouxera, pegou os dragõezinhos libertando-os da jaula onde estavam.

O menor deles, com certeza, era o filhote do dragão fêmea, pois cabia na mão, o que indicava ter saído do ovo há pouco tempo. Era menos um problema

agora.

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Ao voltar para as Terras do Oeste, onde a mãe

dragão esperava, Pheobe pode entregar com

satisfação os filhotes raptados. O que fez com que garantisse longos anos sem ataques dessas criaturas para os humanos.

Mas enquanto isso, no Olimpo, a reunião entre

deusas e elementais continuava.

Alessandra estava disposta a ir até Fedon, e

resgatá-lo dos encantos femininos daquelas duas

mulheres. Ele filosofava sobre a vida, e elas

encantadas, seduziam-no.

Suas irmãs concordaram que fosse, mas por outro

motivo: Precisavam urgente da 'Dormideira' para

ser usada no vinho a ser dado para Zeus. Já os

motivos de Alessandra, eram apenas ciúmes de seu fiel acompanhante. Enquanto ela ia, Pheobe

retornava ao Olimpo, feliz com sua missão

cumprida.

***************************************

As cinco mulheres da Terra de Melanie sentiam-se

presas em algo surreal. Aquele era um mundo tão

diferente do seu... Mas ao mesmo tempo instigante: Tudo era mais colorido, podiam sentir a VIDA,

respirando isso, em cada canto que fossem: lagos, praias, pradarias, florestas exuberantes...

Em seu mundo, predominavam os tons de cinza,

suas vestes eram sempre ' fechadas e pesadas', pois no mundo de onde vinham, havia a ausência de

cores vivas, o próprio céu era sempre nublado;

Era um mundo gótico. Mas outrora não havia sido

assim:

Nos tempos da Antiga Religião, os povos vestiam-

se em tecidos leves e transparentes, bem parecidos com os da Terra de Gaia, isso quando não andavam completamente nus. Seus deuses eram os dos

celtas, e seus rituais eram sempre em florestas e bosques de preferência perto de carvalhos, porque essas árvores eram sagradas.

Durante esses rituais ao seus deuses, eram servidos, pães, vinhos, frutas e hidromel.

Tal qual a Terra de Gaia, as mulheres também eram a fonte de poder.

O sagrado feminino era cultuado por todos. Uma

sociedade matriarcal, onde a mulher, fonte de vida, tinha o papel principal.

Nesse mundo, o ano tinha 13 meses, e o dia

começava a ser contado sempre à meia noite, os

rituais eram feitos a partir dessa hora, sob a luz da Lua, que era a fonte do poder feminino. Seu povo acendia enormes fogueiras nos bosques, para ter

boa colheita e fertilidade, que ficaram conhecidas como:

As Fogueiras de Beltane.

A Grande Deusa era a fonte de criação: da

natureza, mar e céu. Embora houvesse outros

deuses a quem ficava a cargo, cada uma das

expressões da Natureza... O Deus Masculino,

consorte da Deusa, era guardião do nascimento e

morte.

O 'Gamo Rei' era uma celebração nos bosques (tanto as virgens como as mulheres que tinham seus companheiros despiam-se e copulavam com os

rapazes na lua cheia) em que se guiavam

instintivamente, num ritual de fecundidade e vida.

Se crianças fossem concebidas nessa noite, seriam feitas sacerdotisas ou feiticeiros.

Mas existiam três características básicas a seguir: Cultuar os deuses, fazer o BEM, sem olhar a

quem, ser uma pessoa corajosa em todos os

momentos em que a vida tentasse enfraquecê-la.

Mas toda essa cultura tão vasta foi destruída por um novo sistema de coisas e o que era belo tornara-se feio. O que era puro e sem malícia, tornara-se aos olhos do 'novo sistema', pecado e deveria ser combatido na fonte. Quase nada se tinha mais dessa antiga religião e das coisas puras que ela trazia como adorar a natureza, animais, plantas e as

coisas simples da vida, como o próprio ato do amor sexual.

O céu, antes colorido pelos seus deuses, tornara-se cinza e nunca mais voltara ao normal...

Uma forma que eles acharam de punir, aos que não os queria como divindades. O 'novo sistema', impôs regras e as pessoas não poderiam, viver nuas nos campos e bosques, nem como pouca roupa. As

vestes tornaram-se pesadas e sem o colorido de

antes. As mulheres ainda tinham o poder sobre os homens, mas fora diminuído.

Eles já tomavam frente às decisões, coisa que antes cabia à matriarca de cada família ou do grupo

nômade.

Mesmo assim eram ouvidas em suas opiniões e

toda forma de Arte desenvolvida daquele período

em diante, era voltada para a beleza feminina.

Fazendo os homens se lembrarem que delas

vinham, por elas seriam criados e delas teriam que cuidar, caso chegassem a uma idade avançada...

Quando um homem tomava uma mulher por

esposa, teria que se comprometer a nunca cometer adultério, pois isso era imperdoável e o levaria à forca.

Os cabelos femininos na Terra de Melanie eram

sempre longos, pois assim guardavam dentro de si, a memória do passado, quando a Grande Deusa era

cultuada.

Os livros e a escrita surgida antes do novo sistema foram destruídos. Só era permitido a alguns

homens usar da nova escrita que fora implantada, e os livros só poderiam ser lidos por um pequeno

número de pessoas, que gerenciavam o sistema,

através de uma cidade onde se erguia uma

construção, na maior representação do estilo gótico.

Dali em diante tudo mesmo parecia sombrio e

tomara ares de tristeza. O povo então passou a

chamar seu mundo, de Terra de Melanie. Antes

disso, era chamado de Terra Céltica.

Na verdade, aquele mundo parecido como seu fora

antes, estava encantando as cinco mulheres recém chegadas. De certa forma, não queriam deixá-lo,

mas sabiam que seria extremamente necessário.

Cada Terra Paralela estava em determinado estágio cronológico da própria História da nossa Terra.

Na Terra de Gaia, estavam no período clássico, já na Terra de Melanie, era como se fosse a Idade

Média, na época mais tenebrosa, quando nenhum

avanço acontecia, as pestes devastavam os povos e tudo era como um grande dia nublado, as

crianças não tinham esperança de passarem dos 20

anos. Seu futuro era triste.

Mas Taís e suas irmãs fizeram brotar em seus

corações, a vontade de mudar o rumo das coisas...

Alessandra chegou até onde Fedon estava, abriu a porta da alameda onde as duas mulheres

continuavam a entretê-lo, bem devagar. Surpreso

com a vinda inesperada de sua Senhora ficou

totalmente desorientado, deixando as 'dormideiras'

caírem no chão. Tratou de pegar sem jeito.

Alessandra o censurava com seu olhar sem dar uma palavra se quer... As duas mulheres nuas que ali estavam vendo que 'algo estava no ar', saíram da mesma forma, sem nada dizer...

Fedon entregou a planta para sua dona que colocou em um saquinho e saíram dali. Mas antes,

Alessandra deu-lhe o direito da explicação, pois ela respirava justiça e sabedoria, esse fora o dom herdado de Palas Atena. Sabia que na sua forma

humana, Fedon poderia cair em tentação, por esse motivo perdoou sua falta de responsabilidade com a missão, afinal, como humano, era falho!

*****************************************

Voltaram ao Olimpo, onde todas as elementais e

deusas esperavam.

Para fazer com que o vinho preparado com a

‘Dormideira’, tivesse êxito e Amanda com seu

poder de sedução, desse para Zeus, Hera fez a

poção juntamente com Filipa garantindo assim dois tipos de poderes femininos: De uma deusa e de

uma Senhora dos elementos.

Amanda estava dentro da fonte termal durante todo esse tempo de espera, pois precisava recuperar suas forças na água.

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Amanda

Ao saber que a poção estava pronta, saiu então da fonte, e criando pernas, pegou o frasco e juntou ao vinho para oferecer à Zeus em seu aposento íntimo.

Hera estava disposta a aceitar um enlace sexual

(caso fosse necessário) entre Amanda e Zeus, pois seu ciúme era nada, perante o caos dos Universos Paralelos!

Sua própria imortalidade em jogo era mais do que motivo para aceitar uma nova traição de seu

esposo. Afinal, ele fazia amor com várias mulheres na Terra de Gaia, gerando vários semideuses.

O aposento íntimo era coberto de várias cortinas transparentes em tons pastéis, no centro uma

gigantesca cama, que daria para umas 10 pessoas

ali. Luzes azuis geradas diretamente do seu cetro em forma de trovão faziam do ambiente um lugar

bem aconchegante.

Amanda entrou e viu que ele estava ‘brincando

com seu ‘mundo’ em forma de maquete, de onde

ele fazia o que queria, com os humanos da Terra de Gaia. Ela tossiu para mostrar sua presença. Zeus voltou-se para olhar quem entrara sem pedir

permissão.

Ao perceber que se tratava de Amanda, segurou seu ímpeto de reclamar. Era a favorita de seu irmão

Poseidon, disso ele sabia bem.

Além de ter um desejo secreto de possuí-la: Pois tal beleza um dia teria que ser provada por ele, o

Supremo do Olimpo! Perguntou-lhe então:

_ O que a sereia mais bela de meu irmão, está

fazendo aqui no Olimpo?

_ Zeus, venho lhe fazer uma visita em nome de

minha irmãs. Trouxe vinho para que tome comigo.

Brindemos!

Zeus desconfiou daquilo, como era de se esperar.

Mas valia correr o risco dos artifícios de uma

mulher, que ainda não tinha sido sua.

Aceitou a taça que Amanda lhe oferecia, mas desde que ela bebesse primeiro. Ela sabia que ele

proporia tal coisa, então, a taça que dera em suas mãos, não era a poção. Bebeu tranquilamente,

mostrando para ele que não se tratava de nada

perigoso. E o que seria perigoso para um imortal?

Zeus então pegou a outra taça e sorveu o vinho

preparado. Demoraria um tempo para que a

‘Dormideira e as outras ervas, fizessem o efeito desejado.

Amanda aproximou-se, deixando o senhor do

Olimpo excitado, com aquele corpo bem delineado

e os lindos olhos que encantavam qualquer homem.

Zeus perguntou curioso:

_ Então me diga: Essa visita inesperada se deve a quê realmente?

_ Gostaríamos que colaborasse com certo projeto

nosso...

Amanda passou os dedos suavemente, pelo

contorno do rosto de Zeus, e mordiscando seu lábio inferior, atiçou-o...

Zeus a puxou para si e beijou-a ardentemente.

Despindo suas vestes, a colocou sobre a cama

enorme, e nos primeiros momentos Amanda

correspondia aos carinhos e beijos do soberano.

Mas o efeito da beberagem chegou e ele

subitamente fechou os olhos e dormiu

pesadamente.

Foi quando Amanda vestiu-se novamente e chamou

as irmãs e deusas, para que uma delas o

hipnotizasse.

Hera sugeriu que fosse Alessandra ou Palas Atena, pois eram as mais sábias entre todas.

Alessandra disse:

_ Que seja a minha protetora! Atena venha e diga ao ouvido de Zeus o que ele tem que fazer...

Palas Atena dirigiu-se para a cama e sussurrou ao ouvido de Zeus:

_ Zeus, quando acordar, abrirá um novo portal para que as mulheres da Terra de Melanie voltem para o seu mundo. E não lembrará depois que fizer isso.

Não se recordará também, de que um dia elas

estiveram aqui, por conta de seus planos. Esqueça a conquista de outros Universos Paralelos ao nosso, de vez!

As mulheres satisfeitas saíram dali antes que ele acordasse, porque o efeito nos humanos é longo,

mas para um deus olimpiano, não se sabia a

duração do efeito dessa beberagem.

As Senhoras dos Elementos, despediram-se das

deusas e voltaram com as três ninfas das estações, para onde estavam suas cópias.

No caminho, puderam presenciar aquilo que depois ficou conhecida na Terra de Gaia, como a lenda da criação do Outono:

Ferônia era a deusa grega dos bosques, florestas e fontes. Atribuíam-lhe também, o poder sobre o

fogo e vulcões. Os camponeses que a veneravam,

erguiam templos perto de lagos termais, onde a

água quente era usada como curativa, abençoada

pela deusa do calor.

***************************************

Ferônia veio dar uma olhada em seu templo, recém erguido pelos iniciados e camponeses da região.

Teria de ter uma pira ao centro, era sua exigência.

Satisfeita com o que viu, foi então até uma de suas fontes termais para banhar-se.

O calor que emanava nesses locais dava mais força para sua natureza divina e poderosa...

Despiu-se dos trajes brancos finos e entrou na água.

Não percebeu os olhares fixos, de alguns homens

humildes que sonhavam em tocá-la.

Glauco, um dos deuses marinhos, veio ter com ela ali. Eles se amavam em segredo.

Se sabia: Deuses tinham tantas virtudes quanto

defeitos de caráter, assim como os seres humanos que os veneravam. O ciúme era o principal

sentimento de discórdia entre eles.

Como Ferônia era muito linda e Glauco estava

apaixonado pela deusa, se alguém soubesse no

Monte Olimpo, seria um sério problema para

ambos, visto que eles já tinham seus cônjuges...

Hécuba, a deusa da fertilidade, passava por perto, (assim como as ninfas e as Senhoras dos

Elementos) e viu os dois amantes dentro das águas termais fazendo amor...

Sem pestanejar, pois esse era o momento certo para usar de seus poderes, ela enviou um jato luminoso sobre o casal, realizando assim, a profecia de

Heleno (seu filho e de Príamo):

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" Quando o calor gerado pela deusa, tocar o corpo frio, de um deus marinho, novo ser surgirá "

Estava feito: Ferônia geraria então um novo ser, um deus como os pais, mas com as características de ambos: O calor e o frio. No que daria essa mistura?

Um deus que seria chamado de Outono, semelhante

ao clima dessa estação, nem fria tampouco quente.

Ferônia

Mais uma ninfa da nova estação, então apareceu

enquanto o Outono fora concebido no ventre da

deusa. Agora a Terra de Gaia teria a partir daquele momento quatro estações do ano.

As Senhoras do Poder ficaram muito contentes com isso, pois agora teriam uma estação amena entre o calor do verão e o frio do inverno.

Ao chegar às Terras do Centro, onde o portal de

energia seria aberto, as irmãs da Terra de Melanie, aguardaram o momento da abertura do novo

‘buraco de minhoca’, que as levaria para seu

mundo novamente.

No Olimpo, Zeus já havia acordado e

estranhamente sentiu a vontade de criar o portal, mentalizando a Terra do Centro, lar de Filipa, ele o fez surgir. Notando isso, as cinco irmãs seguiram por ele, rumo ao lar de origem, acenando com as

mãos para a despedida.

As irmãs elementais não conseguiram esconder

umas das outras, uma pontinha de tristeza. Foi

interessante conhecer cópias suas e saber um pouco de um lugar que não imaginaram existir.

Taís nutria a esperança de que sua cópia mudasse o rumo da Terra de Melanie, juntamente com suas

irmãs, para que os livros e o colorido voltassem, além da linda cultura celta.

Palas Atena havia esquecido quando hipnotizou

Zeus, de mencionar que não era para lembrar que

Amanda tinha feito a visita ao Olimpo.

Dessa forma, depois que ele abriu o portal e

esqueceu no mesmo momento, que havia feito isso

também antes, Zeus se lembrou de ter estado com

Amanda em seu aposento íntimo. Sabia que quase

fizeram amor, não fosse o sono que ele teve, de um momento para o outro...

Só poderia ter sido o vinho que Amanda lhe

oferecera! Intrigado em saber o que ela realmente queria com isso, tomou a forma de um jovem rapaz e desceu do Olimpo, para investigar sem que

ninguém percebesse quem era...

Enquanto isso, as Senhoras dos Elementos,

recomeçaram a renovação das energias do orbe,

que haviam parado quando dois dias atrás, foram

interrompidas com a chegada de suas cópias.

Disseram as palavras que a primeira poetisa da

Terra de Gaia fez, em poema para ser recitado a

cada 2500 anos:

ELEMENTAIS

As elementais foram chamadas para equilibrar o

novo planeta que nascia.

Da aurora dos tempos, ele surgia...

Água, Terra, Fogo e Ar,

Vieram com seus poderes, criar:

Oceanos, Continentes, Vulcões e Ventos.

As suas filhas e filhos se encarregaram então,

De administrar os elementos, pelas mães.

E assim, as Ondinas, Sereias e Ninfas, povoaram o mar,

As Fadas e Elfos, o ar

Os Gnomos e Duendes, as florestas, jardins e

bosques.

E para o fogo, restaram as Salamandras e Dragões.

Quase não percebemos,

A obra que nos foi dada,

Mas é só olhar em torno e perceber,

Que o ser humano a quem tudo foi presenteado,

Nada faz para o planeta se curar,

Daquilo que ele mesmo fez para estragar...

Um coração fora dado de presente

E um novo elemento surgiu,

No planeta recente:

O éter, o ‘espírito’ de Gaia

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PENTAGRAMA DOS ELEMENTOS

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Ao terminar de recitar o poema, Gaia surgiu na

forma mais próxima do ser humano, agradecendo a

renovação do seu tratado com as elementais.

O equilíbrio voltaria e as guerras que se

encaminhavam entre os povos que habitavam a

Terra de Gaia seriam terminadas antes que

causassem maiores danos para a Humanidade.

Isso enfraquecia Ares, deus da Guerra, que nutria uma raiva sigilosa pelas Senhoras dos Elementos, justamente pelo poder que elas tinham de conseguir acabar com as guerras, quando se iniciavam.

Ares lembrou então das cinco irmãs da Terra de

Melanie, que vieram de um Universo Paralelo...

E se ele abrisse um portal e fosse para um desses mundos desconhecidos? Poderia iniciar suas

guerras à vontade, sem a presença das irmãs

elementais. Claro, teriam cópias delas em qualquer outro mundo, mas não com o poder que elas

tinham!

Estudou minuciosamente essa possibilidade e

sondando Zeus sobre como ele abrira o portal da

primeira vez, criando o “buraco de minhoca”,

sutilmente, como se fosse para elogiar seu feito, descobriu como criar um deles.

Ares despediu-se do Olimpo, dando uma boa

olhada pelas alamedas floridas, onde o mármore

imperava e disse para si mesmo:

“Esse mundo fica para trás, outro agora, eu

conquistarei com minhas guerras!”

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Abriu um novo portal com a imposição das mãos

entre duas grandes rochas e passou por ali.

Zeus sentiu um novo desequilíbrio devido à partida de Ares, do Olimpo. Sabia que ele estaria em

alguma parte agora... Iniciando novas guerras.

Irado, foi procurar as elementais, desistindo do plano inicial de se passar por um jovem rapaz.

Apresentou-se como era trazendo em suas mãos o

seu raio do poder. Ameaçador culpou-as de seu

filho ter ido embora:

_ Por sua culpa, Senhoras Elementais, meu filho

Ares, foi embora das Terras de Gaia. Não as

perdôo; as mandarei para onde ele tenha ido. Quero que o tragam de volta!

Zeus não percebia que dessa forma o desequilíbrio seria maior ainda: sem as Senhoras detentoras do poder, ali, aquele mundo estava condenado.

Mas não houve tempo para cogitações: Zeus abriu

um portal e as enviou através de uma ventania, que as puxou para dentro do “buraco de minhoca”.

Logo em seguida, aquele mundo que ficara para

trás, ruiu em milhões de pedaços. Quem segurava

toda a existência do planeta eram as irmãs

elementais. Dessa forma, todos os deuses

olimpianos sumiram para sempre, menos um: Ares,

o Senhor das Guerras.

E assim, surgiram as duas Grandes Guerras, em

nosso planeta Terra original.

Fim

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Diz-se que nossas cópias andam por

aí, nos Universos Paralelos: Tão

diferentes de nós, mas tão iguais na

genética... Vai se saber!

Café “Bem Me Quer”

Era entre um café e outro que ela pensava.

Algo assim, quase como uma meditação, por trás

de cada xícara.

Ria-se quando alguém lhe dizia que isso faria

mal.

Afinal café é estimulante!

Mas para ela, era seu grande companheiro.

Melhor que tentar dizer para as pessoas aquilo

que queria.

Ou revelar seu jeito de ser, que nunca iriam

compreender.

Certo que dessa forma não incomodaria ninguém.

Nem faria alguém ouvir coisas que a só ela

pertencia.

Para tal coisa, se quisesse, iria a um analista.

Profissionalmente, ele escutaria.

Mas sabia de antemão, que outros não fariam de

bom grado.

O ser humano de uma maneira geral, gosta de

falar de si para outros, mas quando é o próximo a

fazer isso, ele simplesmente não tem paciência e

tolerância (pelo seu egoísmo e egocentrismo,

talvez) para ouvir problemas alheios. Claro, toda

regra tem exceção.

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Nessa divagação, ela ficava...

E era feliz desse jeito: Com a xícara na mão,

comendo um biscoitinho amanteigado e pedindo

mais um cafezinho.

O tempo passava...

Ao sair dali, já voltava para o mundo real.

Onde seus segredos não eram partilhados,

Nem tão pouco os arrependimentos.

Mas dentro de si, havia o alívio.

O seu “Bem Me Quer" sem flor,

Que só a meditação do café lhe dava.

Fátima Abreu