Vampiros Emocionais por Albert J. Bernstein - Versão HTML

ATENÇÃO: Esta é apenas uma visualização em HTML e alguns elementos como links e números de página podem estar incorretos.
Faça o download do livro em PDF, ePub, Kindle para obter uma versão completa.

index-1_1.jpg

VAMPIROS EMOCIONAIS

Como lidar com pessoas que sugam você

Albert J. Bernstein, Ph.D.

Tradução: Jussara Simões

Ed. Campus

5ª Edicao

Para Luahna

Sumário

1. Filhos das Trevas

2. Maturidade e Saúde Mental

3. O estilo dos Vampiros

4. Poderes das Trevas

Parte 1. Os tipos anti-sociais: Adoráveis Trapaceiros

5. Vampiros Aventureiros

6. Vampiros Vendedores de Carros Usados

7. Vampiros Valentões

Parte 2. Os tipos histriônicos: Espetáculo ao Estilo Vampiresco

8. Vampiros Exagerados

9. Vampiros Passivo-Agressivos

Parte 3. Os tipos narcisistas: Egos Enormes, todo o resto pequeno

10. Vampiros que se consideram superiores a todos os mortais

11. Vampiros Astros

Parte 4. Os tipos obsessivo-compulsivos: Tudo demais enjoa

12. Vampiros Perfeccionistas e Puritanos

Parte 5. Os tipos paranóicos: Como ver o que os outros não vêem

13. Vampiros Visionários e Ciumentos

Aurora em Carfax Abbey

O Autor

1. Filhos das trevas

Quem são esses Vampiros Emocionais?

Carfax Abbey está iluminada novamente. Correm boatos de que as ruínas foram

compradas por um nobre excêntrico do Leste Europeu. Andam vendo criaturas

estranhas à noite, caminhando silenciosas em meio à neblina. Quem mora por perto

tem dificuldade para dormir devido ao uivo de cães e aos ruídos que parecem o

farfalhar de asas de morcegos batendo nas vidraças. Nas melhores famílias da cidade,

as jovens têm despertado de sonhos febris, esgotadas e apáticas. Algumas nem

acordam mais.

Há algo muito errado, mas a única explicação que se encaixa nos fatos parece

bobagem supersticiosa em plena luz do dia. Os vampiros são um mito, não são?

Haverá lugar no mundo atual para mortos-vivos que saem à noite para atacar os

vivos?

O moreno alto em traje de gala ri:

- Vampiros? Isso é conto de fadas que as solteironas transmitem às crianças para

assustá-las. - Os olhos dele cintilam, com uma luz interna, que atrai o interlocutor para

suas profundezas. - Eu gostaria de me apresentar: sou o Conde Drácula.

Os vampiros estão de tocaia, mesmo agora, enquanto conversamos. Nas ruas

em plena luz do sol, sob o tremular azulado das lâmpadas fluorescentes do escritório

e talvez até sob as luzes acolhedoras do lar. Estão por toda parte, disfarçados em

gente comum, até que suas necessidades internas os transformem em feras

predadoras.

Não é o nosso sangue que eles sugam; é a nossa energia emocional.

Não se engane, não se trata dos aborrecimentos cotidianos que fervilham à

sua volta como insetos ao redor da luz da varanda, facilmente enxotados com

declarações afirmativas e firmes. São as autênticas criaturas das trevas. Além de ter

o poder de importunar, também nos hipnotizam para nos anestesiar a consciência

com falsas promessas até sucumbirmos a seu encanto. Os Vampiros Emocionais nos

atraem e depois nos sugam.

A princípio, os Vampiros Emocionais parecem melhores que as pessoas

comuns. São tão inteligentes, talentosos e encantadores como um conde romeno.

Gostamos deles, confiamos neles, esperamos mais deles do que das outras pessoas.

Esperamos mais, recebemos menos e, no fim das contas, saímos derrotados. Nós os

convidamos a entrar na nossa vida e quase sempre só percebemos o erro quando eles

desaparecem na noite, deixando-nos exauridos, com dor na nuca, carteira vazia ou

talvez coração partido. Mesmo assim nos perguntamos: serão eles ou serei eu?

São eles. Os Vampiros Emocionais.

Você os conhece? Já experimentou seu poder sombrio em sua vida?

Já conheceu pessoas que pareciam maravilhosas à primeira vista, mas depois

se revelaram o oposto? Já se deixou cegar por explosões brilhantes de charme que se

acendiam e se apagavam como cartazes baratos de néon? Já ouviu promessas

sussurradas na calada da noite que foram esquecidas antes do amanhecer?

Alguém já o sugou completamente?

Os Vampiros Emocionais não se levantam de túmulos à noite. Moram ali na

esquina. São os vizinhos tão acolhedores e cordiais na sua presença, mas que

espalham boatos pelas suas costas. Os Vampiros Emocionais estão no time de vôlei;

são os astros do time até que algo se volte contra eles. Quando isso acontece, têm

acessos de raiva que deixariam envergonhada uma criança de três anos. Os

Vampiros Emocionais trabalham nos escritórios; ocupam cargos altos e bem-

remunerados, envolvem-se tanto em política e em intrigas mesquinhas que não têm

tempo para trabalhar. Os Vampiros Emocionais podem até dirigir uma empresa; são

os chefes que fazem palestras sobre outorga de poderes e incentivos positivos,

depois ameaçam demitir funcionários pelos mínimos erros.

Os Vampiros Emocionais podem estar à espreita em sua própria família.

Pense no seu cunhado, o gênio que não pára em emprego algum. E aquela tia quase

invisível que cuida de todo mundo, até que doenças esquisitas e debilitantes o

obrigam a cuidar dela? Será que precisamos falar daqueles parentes tão carinhosos e

irritantes que estão sempre pedindo que você faça o que lhe agrada, na esperança de

que você agrade a eles?

O vampiro pode compartilhar sua cama, ora como um parceiro amoroso, ora

como um estranho frio e distante.

SERÁ QUE ELES SÃO VAMPIROS MESMO?

Embora se comportem como criaturas das trevas, não há nada de sobrenatural

nos Vampiros Emocionais. A metáfora melodramática não passa de psicologia

clínica fantasiada para o Dia das Bruxas. Os Vampiros Emocionais são pessoas que

possuem características que os psicólogos chamam de distúrbios da personalidade.

Na pós-graduação, aprendi essa diferença básica: quando as pessoas

enlouquecem a si mesmas, têm neuroses ou psicoses. Quando levam os outros à

loucura, têm distúrbios da personalidade. Segundo o manual de diagnóstico da

American Psychiatric Association, distúrbio da personalidade é:

Padrão duradouro de vivência e comportamento interno que se desvia nitidamente

das expectativas da cultura do indivíduo. O padrão se manifesta em duas (ou

mais) das seguintes áreas:

1. Maneiras de perceber e interpretar a si mesmo, outras pessoas e fatos.

2. Extensão, intensidade, instabilidade e adequação de resposta emocional.

3. Desempenho interpessoal.

4. Controle de impulsos.*

*American Psychiatric Association: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4th ed. Washington, DC:

American Psychiatric Association, 1994.

O manual define padrões de diagnóstico de ideias e comportamento de onze

distúrbios da personalidade, dos quais vou tratar de cinco dos que mais

provavelmente provocam problemas na nossa vida cotidiana: o anti-social, o

histriônico, o narcisista, o obsessivo-compulsivo e o paranóico.

Cada um desses tipos, embora patológicos e extenuantes, também tem

características que as pessoas acham bem atraentes. Na minha vida profissional

tenho visto, constantemente, que tais distúrbios provocam sérios problemas para a

maioria das pessoas, em casa, no trabalho e em qualquer outro lugar.

A grande maioria dos Vampiros Emocionais de que trata este livro não

apresenta distúrbios tão graves a ponto de receber diagnóstico oficial de distúrbio da

personalidade, porém seu modo de pensar e de agir corresponde aos padrões

descritos no manual de diagnóstico. Considere esses padrões um catálogo de

maneiras como as pessoas difíceis conseguem criar dificuldades, de graves o

suficiente para hospitalização, a leves o bastante para que se comportem

normalmente até enfrentarem forte tensão. No mundo da psicologia, tudo está em

progressão constante.

Todos os padrões provêm do fato de que os Vampiros Emocionais vêem o

mundo de maneira diferente das outras pessoas. Suas percepções são distorcidas

pelos seus anseios de metas imaturas e inatingíveis. Eles esperam atenção total e

exclusiva de todos. Esperam um amor perfeito que se dê, sem nunca exigir nada em

troca. Querem uma vida repleta de divertimento e entusiasmo, e ter alguém que

cuide de tudo o que seja chato ou difícil. Os vampiros parecem adultos por fora, mas

ainda são bebês por dentro.

Assim como os vampiros do cinema recuam diante de crucifixos, alho ou

água benta, os Vampiros Emocionais sentem-se por demais ameaçados por

experiências adultas comuns como o tédio, a incerteza, a responsabilidade e ter de

dar além de receber.

A maneira mais fácil de classificar os Vampiros Emocionais é segundo os

distúrbios da personalidade com os quais suas idéias e seus atos mais se parecem.

Cada tipo vampírico é estimulado por uma necessidade imatura e impossível que,

para o vampiro, é o mais importante no mundo. Os próprios vampiros geralmente

não têm consciência das necessidades pueris que os estimulam. Mais um motivo

para que você tenha consciência disso.

VAMPIROS ANTI-SOCIAIS

Os vampiros anti-sociais são viciados em agitação. Não são chamados de anti-

sociais por não gostarem de festas, mas porque não se importam com as normas

sociais. Eles adoram farra. Também adoram sexo, drogas e rock'n'roll, e tudo o mais

que seja estimulante. Detestam mais o tédio do que uma estaca no coração. Da vida

só querem bons momentos, um pouco de ação e gratificação imediata de todos os

desejos.

De todos os vampiros, os anti-sociais são os mais sensuais, entusiasmados e

divertidos. As. pessoas se afeiçoam a eles rápida e facilmente e são enganadas na

mesma velocidade. Fora a diversão passageira, esses vampiros não têm muito a

retribuir. Ah, mas aqueles momentos! Assim como todos os tipos vampíricos, os

anti-sociais apresentam um dilema: são Ferraris em um mundo de Tovotas. criados

para a velocidade e as emoções. Você vai se decepcionar muito se esperar que sejam

dignos de confiança.

- O que houve, amor? - pergunta o Vampiro Adam.

Elise fica de queixo caído:

-Adam, é incrível você me perguntar isso. Acha que devo aceitar que você saia por aí

beijando outra mulher bem na minha cara?

Adam passa o braço sobre o ombro de Elise, mas ela o afasta.

- Meu amor - diz ele -, era uma festa e eu estava bêbado. Afinal, foi só um beijinho.

- Um beijinho que durou cinco minutos?

- Amorzinbo, você sabe que não significou nada. É a você que eu amo. Você é a única.

Por favor, benzinho, confie em mim.

Sem os vampiros anti-sociais não existiria música brega. Se você acha que é

a única pessoa suscetível aos encantos e romantismo ingênuo deles, ainda não os viu

em uma entrevista para emprego ou passando conversa de vendedor. A melhor

proteção contra esses vampiros é reconhecê-los antes que liguem o charme. Quando

os vir chegando, segure o coração e esconda a carteira até averiguar os antecedentes.

O que os vampiros anti-sociais fizeram no passado é o melhor prognóstico do que

farão no futuro.

VAMPIROS HISTRIÔNICOS

Os vampiros histriônicos vivem para receber atenção e aprovação. Fazer bonito é

sua especialidade. Tudo o mais é detalhe sem importância. Os histriônicos têm o que

é necessário para entrar nas empresas ou na vida das pessoas, mas tome cuidado.

Histriônico significa dramático. Tudo o que você vê é um espetáculo e, com certeza ,

não é a realidade.

Os vampiros não se vêem refletidos no espelho. Os histriônicos sequer

enxergam o espelho. São peritos em guardar para si mesmos suas motivações.

Acreditam que jamais fazem algo que seja inaceitável, como errar ou ter maus

pensamentos sobre alguém. São gente boa que só quer ajudar. Se você questionar

isso, é provável que eles sofram. É fantástico constatar quantos estragos as pessoas

boazmhas são capazes de fazer.

Liz corre para alcançar a Vampira Gail no saguão.

- Gail, espere um pouco. Você já aprontou aquelas projeções que pedi?

- Que projeções?

- Sobre a conta da Lawton. Não lembra? Conversamos sobre elas na reunião da

semana passada e eu lhe enviei um e-mail na terça-feira.

- Não recebi e-mail algum.

Liz sente uma pontada gelada na nuca.

- Quer dizer que você não aprontou as projeções da Lawton?

- Pensei que Jeff fosse fazer um resumo daquelas alterações nos custos de produção

para mim. Estava esperando que ele entrasse em contato comigo.

- Gail! - Liz ouve um tom esganiçado de pânico na própria voz. - Eu precisava

daquelas projeções para ontem. Volte para o escritório e comece já a trabalhar nas

projeções.

- Está bem - diz Gail. - Não tem problema.

Duas horas depois, Liz está no escritório tentando freneticamente elaborar uma

proposta plausível sem números concretos, quando recebe um telefonema do chefe.

- Liz, preciso falar com você agora. Uma das suas subalternas acaba de fazer queixa

de abuso verbal no departamento de RH.

No mundo dos vampiros histriônicos nada é exatamente o que parece. O

importante é entender que o comportamento deles se destina mais a enganar a eles

mesmos do que a você. Se tentar fazê-los admitir o que estão realmente fazendo,

você terminará sempre em situação pior do que a deles. Em vez disso, pode.

proteger-se aproveitando o talento teatral deles e criando-lhes um papel menos

destruidor. Os capítulos sobre os vampiros histriônicos vão mostrar como. Com um

pouco de criatividade, talvez você consiga evitar que o ajudem a cavar seu próprio

túmulo.

VAMPIROS NARCISISTAS

Já reparou que as pessoas que têm um ego enorme costumam ser pequenas em todo

o resto? O que os vampiros narcisistas querem é viver suas fantasias grandiosas de

ser os mais inteligentes, os mais talentosos e os melhores em tudo no mundo. Não é

tanto por se acharem melhores do que as outras pessoas, mas sim porque nunca

pensam nelas.

Os vampiros narcisistas acreditam que estão acima dos mortais. É claro que

você não ia esperar que eles vivessem segundo as normas dos meros mortais.

O Vampiro Lewis Hunter III, CEO, falando com sua equipe administrativa:

- Não gosto de chamar de downsizing. Está mais para right sizing. Não pode haver a

menor dúvida na cabeça de alguém de que as nossas despesas gerais são simplesmente

inaceitáveis nas circunstâncias atuais do mercado. - Faz uma pausa para permitir que

as palavras sejam apreendidas. - E com um peso no coração, portanto, que sou

obrigado a anunciar que cada um de vocês tem de apresentar um orçamento com urna

redução de 25% nos níveis atuais de despesas. Não existe alternativa viável. No espíri-

to de trabalho em equipe, acho que o justo é fazer ajustes iguais, em todos os

departamentos.

O que os gerentes do Vampiro Lew não sabem é que um pouco antes, naquele mesmo

dia, Lew pedira à presidência um aumento por seu empenho em tocar a empresa

durante o que chamou de "períodos que põem à prova a alma dos homens". Lew

conseguiu o aumento. O aumento no salário dele anulará 10% do total de reduções.

Os vampiros narcisistas apresentam um dilema difícil de resolver. Embora

exista muito narcisismo sem grandeza, não existe grandeza sem narcisismo. Sem

esses vampiros, não haveria ninguém com a cara-de-pau de liderar.

Digam o que disseram, os vampiros narcisistas quase nunca fazem algo que

não seja egocêntrico. Se você conseguir vincular seus interesses aos deles, eles vão

achar que você é quase tão maravilhoso quanto eles.

VAMPIROS OBSESSIVO-COMPULSIVOS

Os obsessivo-compulsivos são viciados em segurança, que acreditam poder alcançar

por meio de atenção minuciosa aos detalhes e controle, total sobre tudo. Você sabe

quem eles são: pessoas obstinadas que não conseguem ver a floresta devido ao

número excessivo de árvores supérfluas, superabundantes e redundantes. O que você

talvez não saiba é que toda essa atenção aos detalhes presta-se a manter o vampiro

anti-social contido por dentro.

Sem os obsessivo-compulsivos nenhuma das tarefas difíceis e ingratas seria

realizada, nada funcionaria como deve, e nenhum de nós faria o dever de casa,

jamais. Por bem ou por mal, os obsessivo-compulsivos são as únicas pessoas de olho

em nós, para não deixar que nos desviemos demais. Talvez nem sempre gostemos

deles, mas precisamos deles.

Para os vampiros obsessivo-compulsivos, os conflitos mais importantes são

internos. Não se alegram ao magoar os outros, mas não o deixarão de fazer se

ameaçarem seu instinto controlador. Para os obsessivo-compulsivos, as surpresas -

até as agradáveis - parecem um jato de água benta gelada. Não têm a intenção de

retaliar, mas sentem-se obrigados a dar sua opinião.

- Surpresa! - diz Keving, quando a Vampira Sarah entra pela porta da frente. - Depois

de tantos meses, finalmente pintei a sala!

Ele espera um minuto por uma reação de Sarah, mas ela não diz nada.

- E então, o que achou?

- Está maravilhosa. Mas...

- Mas o quê?

- É que... sabe, acho que ainda não tínhamos escolhido a cor.

A segunda maior espera do mundo é por uma decisão dos obsessivo-

compulsivos. A mais longa espera é por uma única palavra de elogio.

VAMPIROS PARANÓICOS

Na linguagem coloquial, paranóico significa pensar que está sendo perseguido.

Diante disso, é difícil imaginar algo de atraente em delírios de perseguição. O

fascínio dos paranóicos não está em seus temores, mas no que há por trás deles. A

paranóia é, realmente, uma simplicidade sobrenatural de pensamento que permite a

tais vampiros enxergarem o que os outros não vêem. Tem por meta saber a verdade

e banir toda ambiguidade de sua vida.

Os vampiros paranóicos vivem de acordo com normas concretas que

acreditam estar gravadas em pedra. Esperam que todos também vivam segundo

essas normas. Estão sempre alertas para os indícios de desvios, e geralmente os

encontram. Considere-os os policiais do mundo dos vampiros. Sentimos segurança

na certeza deles. Até nos tornarmos suspeitos.

O Vampiro Jamal entra, tranquilamente, na cozinha, esfregando as mãos com uma

toalha de papel:

-Acabo de trocar o óleo de seu carro e reparei que o tanque de gasolina está quase

vazio.

Theresa dá de ombros.

-E daí?

- Completei o tanque no sábado.

-Ah, é? Andei de carro a semana inteira.

Jamal joga fora a toalha de papel.

- Sabe - diz ele -, está esquisito. Não me lembro de já ter consumido um tanque inteiro

de gasolina em uma semana. O seu carro faz... Quanto? Dez quilômetros por litro?

Então você rodou uns 670 quilômetros.

Theresa sorri e dá de ombros.

- Semana movimentada, eu acho.

Jornal olha diretamente dentro dos olhos de Theresa.

- Aonde você foi?

A única coisa que os vampiros paranóicos não vêem é que seu

comportamento faz com que as pessoas os persigam.

Os vampiros paranóicos enxergam sentidos ocultos e as realidades mais

profundas. A maioria dos grandes moralistas, visionários e teóricos (e quaisquer

terapeutas que valham o que ganham) têm uma dose de paranóia, senão aceitariam

tudo de imediato. Infelizmente, a paranóia não faz distinção entre teorias de forças

invisíveis na física e as de alienígenas não reconhecidos que dominarão o mundo. A

mesma motivação que levou às grandes verdades religiosas de todas as eras também

leva a queimar hereges na fogueira.

Se você tiver algo a esconder, o vampiro paranóico descobrirá. Sua única

proteção é a verdade pura e imaculada. Diga a verdade uma vez e nunca se submeta

a interrogatórios intermináveis. E fácil falar e difícil fazer, mas os capítulos sobre os

vampiros paranóicos lhe mostrarão como.

2. Maturidade e saúde mental

Se os Vampiros Emocionais são crianças, o que é preciso para ser adulto?

Pelo que me consta, maturidade e saúde mental são a mesma coisa. Ambas

consistem em três posturas essenciais.

Percepção de controle

Para sermos psicologicamente saudáveis, temos de acreditar que nossas

atitudes têm consequências sobre o que nos acontece. Mesmo que a percepção de

controle seja ilusória, geralmente leva a atos mais produtivos do que acreditar que o

que fazemos não faz diferença.

Com o passar do tempo e com reflexão, as escolhas vão melhorando e

percebemos ainda mais controle sobre nosso destino. Essa é a principal vantagem do

amadurecimento.

Os Vampiros Emocionais jamais amadurecem. Durante toda a vida, se vêem

como vítimas do destino e da imprevisibilidade alheia. As coisas acontecem e eles

simplesmente reagem a elas. Em consequência, não têm a oportunidade de aprender

com os próprios erros e os repetem incessantemente.

Sensação de ligação

Os seres humanos são criaturas sociais. Só vivemos nossa humanidade em

plenitude no contexto da ligação com algo maior que nós. São as ligações e os

compromissos que dão sentido a nossa vida.

Tornar-se adulto significa aprender a viver segundo as normas sociais que

passam a participar tanto da nossa realidade que as obedecemos sem mesmo pensar.

As outras pessoas são iguais a mim. Quando as pessoas normais crescem,

passam a prezar cada vez mais a semelhança com as outras. Empatia é sinônimo de

maturidade.

Os vampiros simplesmente não entendem esse conceito. Para eles, os outros

são o suprimento de suas necessidades.

O que é justo é justo. Os sistemas sociais baseiam-se na reciprocidade em

tudo, de coçar as costas a falar a verdade. Os adultos desenvolvem uma noção de

justiça e a utilizam como régua para avaliar comportamentos. Os vampiros não

fazem isso; têm como justiça receber o que querem quando querem.

O que se recebe é igual ao que se dá. Os adultos compreendem que quanto

mais se dá mais se recebe. Os vampiros tomam.

As outras pessoas têm o direito de negar. Os relacionamentos humanos

dependem de uma percepção clara da divisão psicológica entre o que é meu e o que

é seu. Robert Frost definiu bem: "Boas cercas fazem bons vizinhos."

Os vampiros têm dificuldade de perceber esse limite tão importante.

Acreditam que devem receber imediatamente tudo o que quiserem, não importando

o que qualquer outra pessoa ache disso.

As criaturas sociais confiam que cada qual obedecerá a normas

fundamentais, mas os Vampiros Emocionais traem essa confiança.

A falta de ligação com algo maior que eles mesmos também é motivo de

sofrimento interior dos vampiros. O universo é um lugar frio e vazio quando não há

nada nele maior do que a própria necessidade.

A busca de desafios

Crescer é saber enfrentar momentos difíceis. Sem desafios, nossa vida se

recolhe a rotinas seguras, porém insatisfatórias. Há desafios de todos os tipos e

tamanhos. Os que mais ajudam nos obrigam a encarar nossos medos, a subjugá-los e

ampliar os horizontes da nossa existência. Os vampiros às vezes são melhores nisso

do que nós. Além de serem uma chateação, os Vampiros Emocionais são artistas,

heróis e líderes. Devido a sua imaturidade, conseguem fazer o que nós não

conseguimos. As forças das trevas sempre giram em turbilhão ao redor da

criatividade e das grandes façanhas. Um mundo sem vampiros seria menos tenso,

mas fatalmente chato.

Para lidar com eficácia com os vampiros, temos de ter novas idéias e agir de

maneiras como não estamos acostumados. Às vezes pode ser assustador, mas

encarar o medo é o tipo de desafio que nos faz amadurecer.

O QUE FAZ COM QUE AS PESSOAS SE TORNEM VAMPIROS EMOCIONAIS?

Assim como as histórias mais recentes a respeito de vampiros verdadeiros

atribuem sua situação delicada a um vírus que se instala no sangue, há muitas teorias

acerca de distúrbios da personalidade que afligem seus primos emocionais.

Atualmente, algumas das mais em voga falam em química cerebral desequilibrada,

trauma na infância, ou efeitos deletérios de longo prazo por ser criado em uma

família desestruturada.

Esqueça as teorias; elas prejudicam mais do que ajudam na sua tentativa de

entender os vampiros. Há dois motivos para isso. Em primeiro lugar, entender a

origem de um problema não é o mesmo que o resolver. Em segundo lugar, os

Vampiros Emocionais já se vêem como vítimas inocentes de forças que estão além

do controle. Se é assim que você os vê, o passado deles pode impedir que você

preste atenção nas escolhas que você e os vampiros estão fazendo no presente.

Muitos livros de auto-ajuda têm longos capítulos sobre a dificuldade que as

pessoas enfrentam para ser assim. Este não. Após anos no ramo da terapia, passei a

acreditar que é muitíssimo mais importante entender a mecânica dos problemas

humanos, como funcionam e o que fazer a respeito, do que especular sobre suas

causas.

IMATURIDADE VERSUS MATURIDADE

Os Vampiros Emocionais não são intrinsecamente maus, mas a imaturidade

faz com que ajam sem pensar se seus atos são bons ou ruins. Os vampiros encaram

os outros como possíveis fontes de qualquer coisa de que precisam no momento, e

não como seres humanos com necessidades e sentimentos próprios. Em vez de maus

em si, a distorção perceptiva dos vampiros é uma porta pela qual o mal pode entrar

com facilidade.

A finalidade deste livro não é ponderar sobre a moralidade dos Vampiros

Emocionais, mas ensinar como detectá-los na sua vida e lhe oferecer algumas idéias

sobre o que fazer quando estiver sob o ataque das forças das trevas.

Compreender a imaturidade dos Vampiros Emocionais é sua arma mais

importante. Muitos dos atos mais chocantes teriam perfeito sentido se realizados por

uma criança de dois anos de idade. Não se deixe enganar pela idade cronológica ou

pelos cargos de responsabilidade dos vampiros. São crianças de dois anos de idade,

pelo menos quando estão criando problemas. As estratégias mais bem-sucedidas no

trato com os Vampiros Emocionais são precisamente as mesmas a que você

recorreria com uma criança de dois anos para definir limites, preparar-se para

emergências, ser coerente, fazer o mínimo possível de sermões, recompensar o bom

comportamento e ignorar o mau e, algumas vezes, deixá-las de castigo.

Talvez você já conheça essas técnicas, mas não saiba que se aplicam a

adultos. Ou talvez tenha pensado que não teria de usá-las com adultos. Mas tem de

usar, pelo menos se quiser evitar que suguem suas energias. Já é bem difícil lidar

com os vampiros; não há motivo para ignorar estratégias eficazes só porque acha

que se destinam apenas a crianças.

A REGRA DE TODO MUNDO E DE NINGUÉM

Os seres humanos não se encaixam perfeitamente em categorias de

diagnóstico, por melhores e mais elegantes que sejam. Durante a leitura deste livro é

bem provável que você descubra que todos os seus conhecidos, até mesmo você,

têm algumas características de cada um dos tipos vampíricos. Todos têm algumas,

ninguém tem todas. As pessoas mais difíceis são uma mistura de dois ou mais tipos

vampíricos. Há grandes possibilidades de que você encontre o seu chefe brigão ou

seu arrogante ex-cônjuge espalhados por todas as páginas deste livro. Use à vontade

as técnicas que parecerem mais apropriadas, seja qual for o capítulo a que

pertençam. Muitas são apresentadas nos primeiros capítulos e aprimoradas nos

posteriores. Talvez você ache mais útil ler o livro inteiro para que, ao chegar aos

últimos capítulos, os tipos mais complexos de vampiros, possua um arsenal

completo de técnicas para escolher.

E SE VOCÊ VIR A SI MESMO?

Se você se vir entre os vampiros, anime-se: é ótimo sinal. Todos temos

algumas tendências a distúrbios da personalidade. Se reconhecer o seu próprio

distúrbio, ele é capaz de ser menos problemático do que se você não perceber nada.

Cada seção termina com uma descrição de métodos de tratamento para os

diversos tipos vampíricos. Devem ajudá-lo a cuidar sozinho dos seus problemas

vampirescos, ou a escolher o terapeuta adequado ou uma técnica terapêutica para

você ou para os vampiros da sua vida.

Os Vampiros Emocionais costumam preferir métodos terapêuticos que

pioram a situação, em vez de melhorar. As pessoas que têm acessos de raiva iguais

aos de crianças de dois anos de idade precisam de incentivo para expor os

sentimentos, ou, Deus me livre, entrar em contato com a criança que têm dentro de

si.

As opiniões relativas à terapia são minhas, é claro, e decerto nem todos os

psicólogos concordam com elas. Não existe opinião comum a todos os psicólogos.

Acredito que os Vampiros Emocionais podem amadurecer e se tornar seres humanos

saudáveis, mas é preciso um grande esforço da parte deles. E da sua.

Espero que você ache este livro útil, tanto em casa quanto no trabalho. Além

disso, eu não ficaria nem um pouco zangado se você desse uma risadinha de vez em

quando - e, caso não seja pedir demais, que tivesse o ocasional vislumbre de

esperança na condição humana que chega com o entendimento.

3. O estilo dos vampiros

Em que aspectos os Vampiros Emocionais são diferentes, e mais perigosos, do que as

outras pessoas incómodas.

O professor Van Helsing, ilustre especialista em ocultismo, foi convocado. Desembarca

do trem e penetra nas brumas em torvelinho da plataforma. Está trajando um casaco

de lã grossa e carrega uma surrada valise de couro que faz um ruído de chocalho

quando ele anda, como se estivesse cheia de estacas de madeira. Van Helsing sacode a

cabeça em reprovação.

- Você não sabe com quem está lidando.

Resmungando baixinho, põe a valise no chão e remexe dentro dela. Tira de dentro da

valise um livro antiquíssimo com um grande crucifixo em alto-relevo na capa.

- Você precisa conhecer o estilo dos vampiros. Leia isto antes do crepúsculo!

Em muitos aspectos, até pessoas com vagos traços de distúrbios da

personalidade são muito parecidas com os vampiros a respeito dos quais lemos nos

livros e vemos no cinema. Imagine que o presente capítulo é o volume empoeirado

que o professor Van Helsing lhe jogou nas mãos, dizendo "leia isto antes do

crepúsculo!". Para se proteger, você precisa saber com quem está lidando. Eis,

então, o estilo; dos vampiros.

OS VAMPIROS SÃO DIFERENTES

Este é o ponto crucial da questão. Nos filmes e nos contos de terror, ou na

nossa vida cotidiana, o erro mais perigoso que se pode cometer é acreditar que, no

fundo, os vampiros são pessoas normais, iguais a nós. Se você interpretar o que eles

dizem e fazem segundo o que estaria pensando se fosse você a dizer ou fazer a

mesma coisa, estará quase sempre enganado. E você acabará exaurido.

No último capítulo, enumerei as normas sociais às quais a maioria de nós

obedece desde a infância sem pensar muito. Os vampiros obedecem a normas

completamente diferentes. Não são justos, mas bem coerentes. Eis as normas sociais

às quais os vampiros obedecem. Estude-as bem para não ser atacado de surpresa.

Minhas necessidades são mais importantes que as suas. Os vampiros agem

com o egoísmo dos predadores e das criancinhas. Digam o que disserem, a

motivação de quase tudo o que fazem são os desejos do momento, e não princípios

morais ou filosóficos. Como veremos em capítulos posteriores, se você entender a

necessidade do momento, entenderá o vampiro.

Se suas necessidades coincidirem com as deles, os Vampiros Emocionais

sabem ser trabalhadores diligentes, companheiros amorosos e ótima companhia em

todos os aspectos. É por isso que a maioria das pessoas incômodas deste livro parece

relativamente normal durante a maior parte do tempo. Tudo muda quando suas

necessidades entram em conflito com as deles. É aí que eles mostram os dentes.

As normas se aplicam a outras pessoas, e não a mim. O termo técnico que

denomina essa convicção é presunção, e é uma das características mais irritantes dos

Vampiros Emocionais. No trabalho, na rua, nos relacionamentos, onde quer que

seja, as pessoas obedecem a normas fundamentais de justiça aprendidas no jardim da

infância. Revezam-se, esperam na fila, limpam o.que sujaram e ouvem enquanto

outra pessoa fala. No jardim da infância, os Vampiros Emocionais aprendem como é

fácil levar vantagem quando não há compromisso com as normas a que os outros

obedecem.

A culpa não é minha, nunca. Os vampiros não erram nunca, jamais se

enganam, e sua motivação é sempre pura. As outras pessoas implicam com eles

injustamente. Os vampiros não assumem responsabilidade pelo próprio

comportamento, principalmente quando gera consequências negativas.

Eu quero agora. Os vampiros não esperam. Querem o que querem quando

querem. Se você estiver no caminho, ou tentar atrasar a gratificação do vampiro, ele

vem rosnando atrás de você.

Se não conseguir o que quero, tenho um ataque. Os Vampiros Emocionais

elevaram o chilique ao nível da arte. Quando não conseguem o que querem, são

capazes de gerar uma suntuosa série de desgraças para as pessoas que lhes dizem

não. Como veremos nos capítulos a seguir, cada tipo vampírico se especializa numa

espécie de explosão emocional manipuladora. Muitas das coisas incômodas e

exaustivas que os vampiros fazem têm sentido quando as interpretamos como

acessos de raiva.

Os Vampiros Emocionais podem parecer gente comum. Podem até parecer

melhores do que as pessoas normais, mas não se deixe enganar. Os vampiros são,

antes de mais nada, diferentes. Para não se deixar exaurir, você precisa estar sempre

consciente de quais são essas diferenças.

OS VAMPIROS CONSOMEM OS SERES HUMANOS

Os vampiros que ficam de tocaia à noite sugam todo o sangue da vítima. Os

Vampiros Emocionais usam a vítima para satisfazer quaisquer necessidades do

momento. Não têm escrúpulos e roubam seu esforço, seu dinheiro, seu amor, sua

atenção, sua admiração, seu corpo ou sua alma, para satisfazer seus desejos

insaciáveis. Querem o que você quer, e não ligam muito para o que você pensa.

Quando os Vampiros Emocionais se oferecem para ajudá-lo ou para lhe dar

algo, geralmente têm segundas intenções. As criaturas das trevas são mais perigosas

quando você precisa de algo e está desprevenido. O que as outras pessoas talvez

vejam como um amigo que precisa de ajuda, os vampiros vêem como uma

oportunidade de ouro. Sempre tomam mais do que dão. Se já se aproveitaram de

você, seja cauteloso ao lhes dar uma segunda chance.

OS VAMPIROS MUDAM DE FORMA

Os vampiros da ficção conseguem transformar-se em morcegos, lobos, ou em

uma neblina fria e amorfa que entra pelas janelas abertas. Os Vampiros Emocionais

conseguem transformar-se no que você quiser ver, mas só durante um período

suficiente para seduzi-lo. Dizer que são perfeitos atores não lhes faz justiça. Não

raro, interpretam tão bem seus papéis que acabam se convencendo de que são quem

fingem ser.

Aos Vampiros Emocionais falta integridade. Não estou emitindo um juízo

moral; pelo contrário, é um comentário sobre a estrutura de sua personalidade. Os

vampiros são vazios por dentro. Não sabem muito bem quem ou o que realmente

são; só sabem o que querem.

Além de se confundirem com relação à própria identidade, os vampiros

também podem confundir a vítima quanto à própria identidade. Quem se envolve

muito com eles, mal se conhece.

OS VAMPIROS NÃO SE VÊEM NO ESPELHO

Para saber se uma pessoa é vampiro, segure um espelho em frente a ela e veja

se há reflexo. Se quiser saber se alguém é Vampiro Emocional, empunhe um livro

de auto-ajuda que descreva sua personalidade com perfeição e veja se haverá alguma

centelha de reconhecimento. Com ambos os tipos de vampiro, não acontecerá nada.

Os vampiros que fazem tocaia à noite não têm reflexo; os Vampiros Emocionais não

têm discernimento.

Os vampiros podem aprender a respeito de si mesmos e realizar verdadeiras

transformações, mas isso exige anos de trabalho árduo, e jamais acontece em um

momento de descoberta ofuscante. Se você acha que está vendo uma súbita chama

de auto-entendimento nos olhos de um vampiro, é bem provável que você acabe se

queimando.

OS VAMPIROS SÃO MAIS PODEROSOS NO ESCURO

Ambos os tipos de vampiros vicejam no escuro. Os vampiros sedentos de

sangue ficam de tocaia à noite. Os Vampiros Emocionais ficam à espreita no lado

mais sombrio da natureza humana. Seu poder provém dos segredos. Seu trato com

eles geralmente envolverá alguns detalhes que você não compartilharia com outras

pessoas porque elas não entenderiam.

A MORDIDA DO VAMPIRO TRANSFORMA A VÍTIMA EM VAMPIRO

No passar dos séculos o vampirismo tem sido contagioso. Após algumas

mordidas os vampiros conseguem fazer com que você aja de maneira tão imatura

quanto eles.

COMO PROTEGER-SE CONTRA OS VAMPIROS

A estratégia mais eficaz é saber quem e o quê são os vampiros. Prestar

atenção nas palavras e nos atos das pessoas .difíceis da sua vida para ver que

semelhança há com os padrões descritos neste livro. As listas de características para

identificação de vampiros de cada parte do livro o ajudarão. Quanto mais alta a

pontuação, mais perigoso o vampiro. As seções de terapia para vampiros no final de

cada parte oferecem métodos de auto-ajuda e de terapia profissional que talvez

sejam úteis.

As listas de características e as terapias podem ser úteis, mas a intuição é

essencial. Os Vampiros Emocionais sempre provocam reações fortes e imediatas,

tanto positivas quanto negativas. São os melhores ou os piores, raramente algo

intermediário. Ao conhecê-los melhor, as reações serão as dicas mais seguras para

identificar vampiros.

Quando lidar com gente chata, preste atenção no que está acontecendo com

seu corpo e com sua mente. Se tiver dor de cabeça, a pessoa com quem você está

lidando provavelmente é um vampiro. Se os pêlos da nuca se eriçarem, pode ter

certeza.

Lidar com Vampiros Emocionais requer muito esforço. Talvez valham o

esforço, talvez não. Só você pode decidir. Às vezes é melhor fugir, ou não se

envolver. Espero que este livro o ajude a escolher o melhor método para enfrentar os

vampiros com que você se depara na vida cotidiana. Cada capítulo oferece táticas de

combate e sugestões acerca de como bater em retirada.

4. Poderes das trevas

Os Vampiros Emocionais empregam a hipnose.

Veja como impedir que o façam pensar que é uma galinha.

- Hipnose? É, tá legal. - O vampiro sacode a cabeça chateado. -Vai deixar um idiota de

turbante fazê-lo pensar que você é uma galinha? Vá ver se estou na esquina! Nenhuma

pessoa inteligente acredita nessa bobagem. Esqueça esse papo de hipnose. Vamos falar

de algo importante. - Ele abre a maleta de executivo. - Já parou para pensar no seu

futuro financeiro?

Os vampiros só prejudicam se você os convidar a entrar; qualquer criança de

10 anos de idade sabe disso. Mas por que alguém diria a um vampiro "claro, entre e

venha me chatear"?

Se você precisa perguntar isso, não conhece os vampiros.

No cinema, eles flutuam diante da janela e o encaram com aqueles olhos

brilhantes que dizem "você está sob meu controle". Na vida real, são um pouco mais

sutis. Começam com uma primeira impressão espetacular. Parecem um pouco

melhores do que as outras pessoas - mais talentosos, mais interessantes, mais

competentes, mais carinhosos, mais glamourosos, ou simplesmente mais divertidos.

Também é fácil conversar com eles. Parecem compreendê-lo imediatamente, saber o

que você quer. Mesmo que desconfie de fumaça e espelhos, você quase acredita que

o que acha que vê é a realidade.

No cinema e na realidade é a mesma coisa; o negro poder que os Vampiros

Emocionais detêm sobre as pessoas normais é a hipnose.

A ESTRUTURA DA MAGIA

Não há nada de mágico na hipnose. Não é nada de sobrenatural e, quando

você presta bastante atenção ao que acontece, não é nem misterioso. As técnicas são

bem simples; funcionam porque são apresentadas de maneira a tornar difícil prestar

atenção no que está realmente acontecendo.

Os Vampiros Emocionais empregam muitas das técnicas dos hipnotizadores

de circo. Os vampiros não fizeram curso de hipnose; agem por instinto, quase

sempre sem compreensão clara do que fazem e por quê. Fazem o que fazem porque

funciona.

Para proteger-se, você precisa reconhecer os hipnotizadores quando os

encontrar, de preferência antes de entrar em transe. As estratégias que eles usam são

as mesmas, tanto para fazê-lo pensar que é uma galinha, comprar um carro usado,

quanto para ir para a cama com eles. Veja como eles fazem.

Desvio da atenção

Os hipnotizadores convidam as pessoas a concentrar a atenção neles, e não

no que estão fazendo. O desvio da atenção é o principal segredo da hipnose, seja

quando praticada no palco ou no escritório.

A comunicação hipnótica provoca confusão e desvio de atenção

propositalmente. Espera-se que você desista de tentar entender, desative seu

raciocínio crítico e se deixe levar.

O raciocínio crítico é a ferramenta mais importante que você tem para se

proteger contra os Vampiros Emocionais. Se você se sentir confuso, não faça nada

enquanto não descobrir o que está acontecendo. Nos próximos capítulos, veremos

como essa tática simples pode ser a salvação da lavoura no trato com todos os tipos

vampíricos. Por ora, não se esqueça de ficar de olhos abertos e de desligar o seu

piloto automático.

Identificação

Os hipnotizadores identificam as pessoas que provavelmente lhes darão o que

querem. O truque de fazer com que as pessoas submetidas à hipnose se comportem

como galinhas não é recitar encantamentos mágicos; é procurar pessoas que façam o

que se espera delas, mesmo que achem ser bobagem. As melhores vítimas são

sempre as que já se auto-hipnotizaram para acreditar que podem ser hipnotizadas.

Isolamento

Os hipnotizadores isolam suas vítimas. Os hipnotizadores de boate convidam

as pessoas mais influenciáveis da plateia para subir ao palco. Uma vez no palco,

cegas pelas luzes e ouvindo somente a voz do hipnotizador, é bem menos provável

que essas pessoas usem o raciocínio crítico. Ficam felizes ao acreditar que foram

chamadas ao palco porque o hipnotizador reconheceu seus talentos ocultos, e não

sua credulidade.

Os Vampiros Emocionais também gostam de manter suas vítimas próximas a

eles e longe de pessoas que possam fazer muitas perguntas constrangedoras. A

relação com o vampiro é sempre algo especial, e quase sempre envolve alguns

segredinhos que ficam só entre os dois, A hipnose pode fazê-lo acreditar que esses

segredinhos são tesouros, em vez de armadilhas.

Controle

Os hipnotizadores usam os desejos das pessoas para controlá-las.

Hipnotizadores e vampiros geralmente sabem o que as pessoas mais querem, mais

do que elas próprias. O mundo interpessoal que vêem é uma trama de desejos não

reconhecidos, tão fáceis de se ler quanto os mapas do metrô. Quando pessoas

normais reconhecem essas vulnerabilidades em outras, elas geram empatia e

compreensão. O que os Vampiros Emocionais vêem é um passe livre.

Realidade alternativa

Os hipnotizadores criam uma realidade alternativa. A hipnose, assim como

qualquer arte, faz com que as pessoas acreditem em algo que não existe. Os artistas

mais eficientes sempre usam o que há em sonhos secretos para construir suas

fantasias.

Os Vampiros Emocionais, com sua percepção instintiva do que as pessoas

querem, são peritos em criar realidades alternativas. Como veremos nos próximos

capítulos, cada tipo de vampiro apela a necessidades distintas, e se especializa em

criar determinados tipos de ilusões.

Outro motivo para os vampiros serem tão competentes na criação de mundos

de fantasia é o fato de viverem neles.

Falsas escolhas

Os hipnotizadores criam um dilema. O dilema parece ser a escolha entre duas

opções, mas não é, pois uma das opções é praticamente impensável. Os

hipnotizadores de palco oferecem uma escolha entre cacarejar como uma galinha ou

mostrar ao mundo que não têm talento para ser astro.

Os Vampiros Emocionais deixam suas vítimas em sinucas semelhantes. Nos

capítulos sobre cada tipo vampírico, vamos examinar de maneira minuciosa a

mecânica dessas falsas opções. Por ora, não se esqueça de que esses dilemas

funcionam porque uma das opções possíveis parece impensável. Os vampiros

exploram o fato de que o medo de consequências negativas costuma ser maior do

que as próprias consequências. Pensar nisso na hora certa pode salvá-lo de uma

chateação enorme.

COMO RECONHECER A HIPNOSE

Se um hipnotizador o convidar a subir no palco, esteja certo de que vai tentar

induzi-lo a fazer o que ele quer. No mundo real, quando um Vampiro Emocional

entra no seu escritório e começa a usar técnicas hipnóticas, pode ser um pouco mais

difícil identificar os truques. Um bom lugar para começar a análise de como os

Vampiros Emocionais usam a hipnose é examinar uma entrevista para emprego.

Quando Bill, o vice-presidente de operações, acompanha Jason até a sala para

entrevistá-lo, Jason instintivamente começa a procurar pistas sobre quem é BilI e quais

são suas necessidades.

Livros, fotos de BilI cumprimentando diversas pessoas importantes. Um deles se

parece com Stephen Covey. Atrás do balcão, em um local horrível, há uma fileira de

placas: prêmios de Aprimoramento Contínuo da Qualidade de 1992 até o presente.

- Grande coleção - diz Jason. - Parece que você é a pessoa certa a se derrotar no

tocante à qualidade.

Bill sacode a cabeça.

- Eu não. Na minha opinião, essas placas pertencem à equipe. - Aponta para os

funcionários em atividade na outra sala. - Eles são o pessoal cheio de coragem;

merecem toda a glória. Eu sou apenas o cara que mantém tudo organizado.

Jason reconhece pela humildade a retórica da administração. Imagina que o homem

da foto é realmente Stephen Covey.

- Sabe - diz Jason -, isso me faz lembrar de algo que li em First Things First. Ah, como

era mesmo... ?

-Ah, você é fã do Covey - diz Bill. - Você vai adorar isto - E aponta para a estante. -

Todas as palavras que Stephen Covey escreveu. - Bill puxa os Sete Hábitos e abre, com

reverência, na página de rosto. - Este está autografado.

- Então você o conhece? - Jason fica ofegante, criando uma realidade alternativa na

qual qualquer pessoa associada a Stephen Covey está sentada à mão direita de Deus.

Bill sorri irradiante.

- Eu não diria que o conheço, mas já conversei com ele algumas vezes.

- Deve ter sido maravilhoso - diz Jason. - Eu adoraria conversar com esse cara. Ele

deve ter tanto a ensinar!

Isso abre a porta para Bill lhe contar suas conversas com Covey.

Depois de algumas horas de conversa estimulante, Bill acha que será possível ter uma

relação com Jason compensadora para ambos. Bill oferece a vaga de imediato; nem

averigua as referências. Devia ter averiguado.

É claro que os Vampiros Emocionais são ótimos nas entrevistas para

emprego. Para o vampiro, quase todas as conversas são algum tipo de entrevista.

Jason tem vasta experiência no desenvolvimento de talentos instintivos. Quer você

diga o que disser, hipnose ou puxar saco, funciona.

Será que Jason pensa no que faz da maneira que descrevi? Provavelmente

não. Ele sabe que os entrevistadores costumam acreditar que o candidato de quem

gostam mais é o que trabalhará melhor. Na verdade, ele só precisa saber disso.

O segredo de Jason para fazer com que as pessoas gostem dele é induzi-las a

falar de si mesmas. É um bom plano, fundamentado em anos de pesquisa

psicológica da qual Jason não tem consciência. Ele simplesmente sabe o que

funciona.

Em sua tentativa de ser simpático, Jason depara-se com o fato de que Bill

tem dificuldade para reconhecer o próprio ego, pelo menos de forma direta. Jason

usa essa informação para criar um vínculo instintivo, mas elegante. Como pode Bill

rejeitar alguém que o considera um ser humano superior devido à associação com

um discípulo da humildade?

OS SINAIS DO RISCO DE HIPNOSE

Como reconhecer a hipnose quando ela é aplicada a você? Como uma pessoa

como Bill pode saber quando um vampiro está lançando um feitiço predador?

O importante é perceber que os sinais da hipnose são mais fáceis de detectar

nas reações do sujeito do que nos atos do hipnotizador. Eis o que procurar.

Desvio do método normal

A primeira pista para Bill de que havia algo errado devia ter sido o fato de

não estar seguindo o modelo típico de entrevista para emprego. Nas outras

entrevistas, Bill tentaria extrair informações; nessa parecia que só ele falava.

Se você se surpreender desviando-se do modo normal de fazer algo, em

especial na interação com uma pessoa que não conhece muito bem, pare

imediatamente e pergunte-se por quê. Ouça a sua resposta com muita atenção.

Pensar em superlativos

Se Bill tivesse se perguntado por que estava fazendo as coisas de maneira

diferente na interação com Jason, a resposta talvez contivesse algum superlativo.

Jason era o melhor, ou o mais promissor candidato que ele vira em 20 anos. Bill

devia ter perguntado a si mesmo como chegou a uma conclusão tão abrangente com

tanta rapidez. Se tivesse se perguntado, teria percebido que Jason não era o melhor

devido às próprias qualificações, mas porque viu Bill exatamente da maneira como

Bill queria ser visto.

Percepções distorcidas em geral envolvem superlativos. Se você se

surpreender pensando que alguém é radicalmente diferente de outras pessoas,

pergunte-se de imediato por quê. Não esqueça de que pior e o mais chato também

são superlativos.

Harmonia instantânea

Bill achou que Jason o entendeu de imediato, mas a sensação não estava

muito certa. O que Jason entendeu foi que Bill queria alguém que o visse da mesma

forma que Bill via Stephen Covey. Jason estava apenas dando a Bill o que ele

queria, na esperança de que Bill agisse de maneira recíproca. E foi o que ele fez.

Conhecer e admirar outra pessoa exigem tempo e esforço. Tome cuidado

quando a harmonia parece surgir muito rapidamente, por melhor que pareça a

experiência. A compreensão instantânea costuma resultar de alguém que reconhece

como você gostaria de ser visto e finge vê-lo assim.

Ver a pessoa ou a situação como especial

Além de enfeitiçar Bill para que lhe desse o emprego, Jason também

preparou o cenário para uma relação profissional com Bill que seria diferente da

relação de Bill com as outras pessoas. Jason se apresentou a Bill como pretendente a

discípulo, alguém que iria pedir conselhos e orientação, extraídos do amplo estoque

de conhecimentos administrativos de Bill. Além de conseguir um emprego, Jason

conquistou um lugar no coração de Bill.

Definir uma interação como um caso especial é um sinal claro de que o

Vampiro Emocional está acionando seu encanto predador. Vamos examinar em

detalhes esse processo nos capítulos a respeito dos tipos vampíricos específicos. Por

ora, não se esqueça de que os vampiros se destacam para fazer com que você preste

atenção a eles, e não no que está fazendo. Preste atenção!

Falta de interesse por ráforinaçÕes objetivas

Não se sabe por quê, Bill resolveu que não precisava saber muito sobre o

histórico de Jason. Talvez não quisesse saber. Se Bill examinasse bem os fatos,

descobriria algo que desfaria o agradável encanto.

As duas mais importantes informações objetivas a respeito de alguém são os

detalhes do histórico dessa pessoa e as opiniões de outras pessoas. Se, por algum

motivo, você perceber que está evitando essas fontes, ou achando que são

irrelevantes, cuidado!

Confusão

Se você perguntasse a Bill como ele chegou a tantas conclusões raras com

uma única entrevista, sua resposta talvez fosse bem vaga. A nebulosidade de Bill

com relação aos detalhes da conversa, e como o levaram às decisões que tomou,

talvez não afetassem a certeza de que tais decisões estavam certas. A última parte é a

dica mais óbvia.

A compreensão confusa dos motivos de suas próprias reações, conjugadas

com uma certeza absoluta, é sinal bem claro de que alguém andou mexendo com a

sua cabeça. A principal finalidade deste livro é ajudá-lo a descobrir quem foi, e

como o fez.

HIPNOSE E SEDUÇÃO

O que é a sedução senão outro tipo de entrevista de emprego? Como sempre,

a hipnose também funciona.

Leeanne chegou atrasada à reunião. Diante de todos, precisa contornar mesas,

quadros de gráficos e vários tipos de projetores. No canto da sala ela vê Alec, aquele

gatão do departamento de informática. Ele está olhando para ela! Ela queria saber o

que ele está pensando e se esforça para não tropeçar nos próprios pés.

Quando chega ao fundo da sala, Alec sorri e bate na cadeira ao seu lado.

- Fiquei olhando quando você entrou - diz ele. - Você tem um jeito só seu de andar.

É... Sei lá...

Leeanne olha para os pés traiçoeiros.

- Você acha que há algo errado no meu jeito de andar?

Alec dá um tapinha na testa.

- Eu nunca me expresso direito. O que eu queria dizer é que você caminha como uma

bailarina. Acho que é o seu modo de manter a cabeça erguida e de contornar as mesas.

Você fez balé, não fez?

Leeanne sente o sangue subir ao rosto.

- Tive algumas aulas de bale séculos atrás.

- Eu sabia - diz Alec ao puxar a cadeira dela. - Você sabe dançar tango?

Alec é tão talentoso que poderia ganhar a vida com um turbante a balançar

um relógio de pulso. Deve ter visto que Leeanne oscilava entre rigidez e elegância, e

com essa pequena informação descobriu tudo o que precisava saber. Ao admirar um

detalhe de Leeanne com relação ao qual ela é autocrítica, Alec gera uma realidade

alternativa na qual os dois já estão dançando juntos. Os anti-sociais, tão adoráveis

trapaceiros, são mestres na trama dos encantos eróticos. No Capítulo 5, vamos

continuar a história do malfadado romance de escritório entre Leeanne e Alec.

O QUE FAZER SE DESCOBRIR QUE FOI HIPNOTIZADO

Quando perceber que está dentro de um buraco, a primeira coisa a fazer é

parar de cavar. Se descobrir que foi hipnotizado, primeiro você tem de admiti-lo

para si mesmo - trazer o fato às claras. Não tente ocultar o fato de que você se

deixou levar.

Esqueça a ideia de tentar convencer os Vampiros Emocionais de que não

jogaram limpo com você. Eles vão rir e recitar as conversas, tintim por tintim, para

provar que não fizeram promessas ou, caso tenham feito, que não as cumpriram por

culpa de outra pessoa. Geralmente não é possível, nem com um bom advogado,

reaver o que os vampiros tiraram de você. Nem tente. Só não deixe que tirem mais.

- Jason, sente-se, por favor - diz BilI, puxando uma cadeira próxima da mesa e

virando o monitor para que ambos possam vê-lo.

- Algum problema? - pergunta Jason.

- Pode-se dizer que sim - Bill vai dizendo enquanto mexe com o mouse para abrir a

planilha do departamento de Jason. - Você viu estes números, não viu?

Jason suspira aliviado.

- Ah, isso? Não se lembra? Semana passada eu lhe disse que esses dados estão

incompletos. O software deu pau e ainda temos uma pilha de relatórios de produção

para digitar. É por isso que os números são tão baixos - e indica a última linha.

- Jason, você está aqui há sete meses e ainda não conseguiu me dar uma ideia exata

do que está acontecendo no seu departamento.

Jason ri.

- Bill, não gosto de bancar o dedo-duro, mas o modo como Tim Norton configurou

tudo quando era o gerente tornou quase impossível dizer o que está acontecendo.

Venho tentando fazer uma reengenharia. Sabe, como Hammer e Champy diziam. Fazer

a equipe questionar cada um dos processos para ver o que estamos tentando fazer e

como estamos tentando fazê-lo. Do modo como Tim deixou tudo, o que posso lhe dizer?

-E dá de ombros. - É coisa muito lenta.

Quando flagrados, os Vampiros Emocionais começam a criar realidades

alternativas mais depressa do que o Sci-Fi Channel. De que você deve lembrar-se

em uma situação assim? De duas palavras: dados objetivos. Escancare as cortinas e

deixe a luz do sol entrar.

Bill inclina a cadeira para trás e diz:

- Se está tendo muita dificuldade, acho que é melhor fazer dessa reengenharia a

prioridade suprema.

Jason faz o sinal do polegar para cima.

- É pra já, chefe!

- Ah, não espero que você o faça sozinho. Estou disposto a ajudar.

- Você já ajudou muito. O seu exemplo...

- Pretendo ajudar com mais do que um exemplo. Segunda-feira de manhã quero fazer

uma reunião com você e todo o departamento para ver se podemos trabalhar juntos a

fim de descobrir o que está acontecendo. Mande seu pessoal reunir todos os dados que

tiverem que nós vamos analisar tudo, linha por linha.

A melhor maneira de não se deixar hipnotizar pelos Vampiros Emocionais é

reconhecer seus truques e não cair neles. Como vimos até aqui, não é nada fácil.

Além de entender os vampiros, você tem de entender a si mesmo.

No restante do livro vamos examinar minuciosamente os engodos que os

vampiros podem lhe oferecer a fim de atraí-lo para sua dança tenebrosa e predadora.

Quando reconhecer seus passos sutis como hipnose, será muito mais fácil rejeitá-los.

Eis algumas regras finais sobre todos os tipos de entrevistas de emprego.

Podem parecer simples e óbvias, mas se você as seguir podem salvar seu pescoço:

1. Quando um negócio parece bom demais para ser verdade, é mesmo.

2. Repetição de padrões. A melhor maneira de prever o que uma pessoa fará no

futuro é o que fez no passado. Consulte sempre as referências.

3. Jamais altere as normas devido à empolgação momentânea. Em primeiro lugar,

comente sua decisão com algumas pessoas de confiança. Poucas coisas custam mais

e rendem menos do que as decisões impulsivas de que as normas que você sempre

seguiu são irrelevantes.

4. Qualquer pessoa pode ser galinha. Se você acha que não pode ser hipnotizado é

provável que já esteja hipnotizado.

PARTE 1

Adoráveis trapaceiros

OS TIPOS ANTI-SOCIAIS

Com ar despreocupado, o vampiro tira um cigarro do maço e põe entre os lábios; e

sorri. As covinhas do rosto o fariam parecer um menino, não fossem as presas. Ele

acende o cigarro e dá uma tragada profunda.

- A noite é uma criança - diz ele, batendo com a mão na traseira do banco da

Harley. - Vamos dar uma volta? Nas costas da jaqueta dele está escrito: "Viva em

alta velocidade, morra jovem e deixe um belo cadáver."

Os anti-sociais são os mais simples dos vampiros, e também os mais

perigosos. Da vida, só querem divertimento, um pouco de ação e gratificação

imediata de todos os desejos. Se lhes for possível usar você para atingir suas metas,

ninguém é mais empolgante, charmoso ou sedutor. Se você estiver no caminho, já

era! Os anti-sociais, assim como todos os vampiros, são imaturos. Em seus melhores

dias, agem como adolescentes. Nos piores, são páreo duro para as crianças - o que,

por falar nisso, também se aplica aos adolescentes.

Para ser tecnicamente correto, trata-se de pessoas com tendências para o

distúrbio da personalidade anti-social. Anti-social, neste caso, significa não-