Viagem astral:as aventuras fora do corpo por Rick Stack - Versão HTML

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VIAGEM ASTRAL

"Muitas e profundas aventuras o aguardam! Com este livro, você pode entrar

e sair de seu corpo quantas vezes quiser. Um excelente livro de um excelente

professor."

— Robert E Butts

Co-autor dos SETH BOOKS

Por mais surpreendente que pareça, você pode aprender a deixar o seu corpo!

Este simples programa, perfeitamente seguro, lhe mostrará como caminhar

através de paredes, sobrevoar o seu bairro, viajar através do tempo e experimentar a

maravilha de estar em outras dimensões. Com Viagem Astral, praticamente

qualquer um pode ter uma experiência extracorporal em 30 dias.

Rick Stack, um professor de metafísica que tem ajudado centenas de

estudantes a realizarem suas primeiras experiências fora-do-corpo, começa com uma

inovadora análise da metafísica envolvida e conduz o leitor num processo de

ajustamento de atitudes e de trabalho onírico que promove e favorece bem-sucedidas

viagens astrais. Apresenta em seguida técnicas comprovadas, etapa por etapa, para

"sair do corpo" que até principiantes têm usado com facilidade. Descrições do

fenômeno extracorporal, desde as perspectivas científicas e pessoal, ajudam o leitor a

superar o medo e a saber o que esperar de sua viagem. Capítulos sobre o que fazer

quando estiver fora — inclusive encontros com amigos, contatos com eus

reencarnacionais, prática de sexo astral e comunicação com guias e mestres — abrem

a porta para o divertimento e o valor dessa antiga forma de arte humana.

Com Viagem Astral, o leitor pode vivenciar a transbordante sensação de ver-

se flutuando ao sair de seu corpo no seu próprio quarto, algo que poucas pessoas

podiam fazer à sua vontade — até agora. Com essas extraordinárias técnicas,

qualquer viajante disposto a iniciar a viagem pode começar a explorar a verdadeira

natureza do nosso complexo universo.

RICK STACK, autor e educador, leciona metafísica e viagem astral nos

Estados Unidos e no estrangeiro.

http://groups.google.com.br/group/digitalsource

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RICK STACK

VIAGEM

ASTRAL

As Aventuras Fora do Corpo

Tradução de

Antônio Silva e Sousa

Do original:

Out-of body adventures

Copyright © by Richard Stark

© 1391, Editora Campus Ltda.

Capa

Otávio Studart

Composição

Forma

Copy-desk

Maira Parulla de Assis

Revisão

Antônio Rainha

Henrique Tarnaposk

Projeto Gráfico

Editora Campus Ltda.

Qualidade internacional a serviço do autor e do leitor nacional.

Rua Barão de Itapagipa 56 Rio Comprido

Telefone: (021) 233 6443 Telex: (021132606 EDCP BR

FAX (021) 2293-5683

20261 Rio de Janeiro RJ Brasil

Endereço Telegráfico: CAMPUSRIO

ISBN 85-7001-660-3

(Edição original: ISBN 0-8092-4560-4, Contemporary Books Inc, Chicago, Illinois)

Ficha Catalográfica

CIPBrasil. Catalogação-na-fonte.

Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.

Stack, Rtck

S773v Viagem astral:as aventuras fora do corpo / Rick Stack; tradução de Antônio Silva

e Sousa. — Rio de Janeiro: Campus, 1991.

Tradução de: Out-of-the body adventures.

Bibliografia.

ISBN 85-7001-660-3

1. Projeção astral. I. Titulo. II.Título: As aventuras fora do corpo.

91-0017

CDD - 133.9

CDU - 133.7

9694933291 9876543210

Impressão e acabamento

(com filmes fornecidos)

EDITORA SANTUÁRIO

Fone (0125) 36-2140

APARECIDA - SP

AGRADECIMENTOS

ostaria de agradecer à minha mulher e agente, Anne Marie

O'Farrell, por seu insondável coração e ilimitada energia.

G Gostaria de agradecer a meus antigos mestres, Jane Roberts e

Seth, por sua calorosa amizade, extraordinário discernimento e

sabedoria.

Gostaria de agradecer às pessoas que gentilmente me permitiram a

utilização de seus sonhos e experiências fora-do-corpo neste livro.

Pseudônimos foram usados para todas essas experiências.

Gostaria de agradecer ao meu editor, Stacy Prince, por seu humor e

lápis afiados.

E gostaria de agradecer a meu filho recém-nascido, Cody, por ter

esperado a conclusão deste livro antes de chegar.

PREFÁCIO

finalidade do presente livro é transferir o estudo e a prática das

experiências fora-do-corpo do domínio dos laboratórios de

A pesquisa e do misticismo esotérico para as salas de estar e os

quartos de dormir do mundo — que é o seu lugar apropriado. Fornece

uma abordagem simples e efetiva que qualquer pessoa pode usar para

aprender como sair deliberadamente do corpo. Também oferece

instruções sobre o modo como extrair o maior proveito de sua viagem.

As experiências fora-do-corpo (EFDC) são incrivelmente excitantes,

espiritualmente esclarecedoras e fáceis de realizar. Se você está disposto a

começar partindo do pressuposto de que as suas crenças atuais acerca do

universo podem não representar toda a verdade e de que o universo é,

na verdade, um mistério a ser explorado com a mesma excitação e

capacidade de compreensão que qualquer criança naturalmente possui,

posso prometer-lhe uma aventura de que nunca mais se esquecerá.

Mas se é tão fácil sair do corpo, por que é que esse tópico ainda é

relativamente esotérico? É muito simples. A grande maioria das pessoas

está na total ignorância de sua capacidade natural para sair do corpo

porque seus sistemas de crenças não permitem a existência de tais

experiências ou consideram-nas, na melhor das hipóteses, uma atividade

frívola e vazia. Para os que consideram as experiências fora-do-corpo

uma área digna de atenção, a experiência em primeira mão é o caminho

mais direto para exploração.

Entretanto, aqueles que desejam empreender uma experiência em

primeira mão podem descobrir que suas próprias atitudes são a chave

para progredir na aprendizagem de como tornar-se exploradores astrais.

Por essa razão, este livro fornece um procedimento passo a passo para

criar um clima mental propício à realização dessas extraordinárias

jornadas, antes de apresentar técnicas efetivas e descomplicadas que

induzem realmente às experiências fora-do-corpo. Esse trabalho

preliminar com crenças tem por objetivo alterar certas idéias restritivas e

habilitar o leitor a superar medos de — ou resistência a — viajar fora do

seu corpo físico.

Para muitas pessoas, o trabalho com crenças e o trabalho

preliminar com sonhos aqui apresentados serão um elemento crucial

para o êxito. De quanto tempo precisará para realizar o trabalho

preliminar só dependerá de você mesmo. Se já possui alguma

experiência de trabalho com os seus sonhos, isso significa uma boa

vantagem. Se os seus sistemas de crenças são relativamente positivos e

expansivos, nesse caso o trabalho com crenças requerido pode ser

mínimo.

Depois de ler este livro, executando o trabalho preliminar e

começando a utilizar regularmente as técnicas de indução de

experiências fora-do-corpo apresentadas, você pode esperar a realização

de sua primeira EFDC no prazo razoável de 30 dias, embora algumas

pessoas levem consideravelmente mais tempo. Qualquer um pode fazer

tal experiência mas nem todos conseguirão, porque algumas pessoas não

concordarão em soltar suficientemente suas crenças limitativas para se

permitirem esses tipos de experiências. No entanto, se você sente

realmente o desejo, este livro lhe fornecerá os meios.

Eu tenho tido muitas experiências fora-do-corpo e elas

enriqueceram minha vida de forma incomensurável. Espero comunicar a

importância e o valor dessa área menosprezada do potencial humano.

Entretanto, o leitor só poderá apreciar o verdadeiro valor desta forma de

arte quando tiver realmente conhecido a experiência de estar numerosas

vezes fora de seu próprio corpo. Portanto, o objetivo deste livro é

habilitar o leitor a ter não apenas uma mas muitas experiências fora-do-

corpo, e a torná-las uma parte freqüente e natural de sua vida. Então

começará realmente a entender o que elas significam.

Algum dia, numa cultura mais esclarecida, a arte da viagem

interdimensional fora do corpo físico desfrutará de uma posição mais

proeminente e respeitada. Algum dia as pessoas explorarão a realidade

interior com o mesmo fervor com que exploram a realidade exterior (isto

é, o universo físico) e darão assim um gigantesco passo na evolução do

entendimento da espécie humana. Como sempre, tais avanços serão

realizados por indivíduos cuja energia e curiosidade não serão sufocadas

por histórias da carochinha e preconceitos, e que insistirão em descobrir

as coisas por si mesmos. Embora eu talvez me veja impossibilitado de

responder a todos, adoraria ter notícias das experiências fora-do-corpo

dos leitores e sobre que técnicas funcionaram melhor em cada caso.

Também ofereço programas de audiocassetes e worksbops metafísicos em

várias cidades. Para informações adicionais, podem escrever-me para o

seguinte endereço:

Rick Stack P. O. Box l506

Gracie Station

Nova York, NY 10028

EUA

SUMÁRIO

Introdução

Capítulo 1

Fato Científico ou Ficção Científica?

Capítulo 2

Benefícios da Projeção Astral

Capítulo 3

Metafísica Essencial

Capítulo 4

Os ABCs do Uso do Poder

Exercício 1: Trabalho com Crenças em Geral

Capítulo 5

Libertando-se do Medo

Capítulo 6

Renovando o Seu Clima Mental para Experiências Fora-do-Corpo

Exercício 2: Examinando Crenças Pertinentes

Exercício 3: Identificando Crenças Restritivas

Exercício 4: Formulando Afirmações e Visualizações

Capítulo 7

Usando Afirmações e Visualizações para Experiências Fora-do-Corpo

Exercício 5: Usando Suas Afirmações e Visualizações

Capítulo 8

Trabalho com Sonhos

Capítulo 9

O Espectro da Consciência: Experiências Fora-do-Corpo e Sonhos

Lúcidos

Capítulo 10

Técnicas Infalíveis para Sair do Corpo

Técnica nº 1: Combinar Sugestões com Condições Favoráveis

Técnica nº 2: Flutuar a Partir do Estado Hipnagógico

Técnica nº 3: Estranho ao Estranho

Técnica nº 4: A Alegria de Voar

Técnica nº 5: Do Interior para o Exterior

Capítulo 11

O Que Fazer no Mundo Astral

Capítulo 12

Reencarnação e Viagem no Tempo

Exercício 6: Encontrar os Eus Reencarnacionais

Exercício 7: Viajar Através do Tempo

Exercício 8: Visitar o Seu Eu Infantil

Exercício 9: Encontrar um Você Mais Velho

Exercício 10: Vivenciar o Agora Eterno

Notas

Bibliografia

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INTRODUÇÃO

uando era um adolescente, entender o verdadeiro significado da

existência tornou-se para mim uma obsessão. Até onde posso

Q lembrar-me, estava curioso a respeito do universo mas, num certo

ponto de minha vida, essa curiosidade converteu-se numa insaciável

sede. Finalmente, o anseio tornou-se tão forte que eu tinha de obter

algumas respostas antes de continuar com o que pensava ser uma vida

"normal".

Antes disso, tentara aproveitar a ciência como possível fonte de

entendimento. Não foi preciso muito tempo para que a perspectiva

científica me desapontasse. Nunca esquecerei um certo dia durante o

curso de Biologia Avançada 1, no primeiro semestre do meu último ano

de colégio. Quando o professor expunha em minúcia algumas das

maravilhas da natureza, não pude resistir a perguntar-lhe qual era o

propósito maior subentendido no que ele estava descrevendo. O meu

professor apenas sorriu e virtualmente virou poeta ao explicar que a

minha pergunta era teleológica e, por conseguinte, imprópria para

discussão. Bem, eu ignorava o que teleológico queria dizer mas fiquei

bastante desconcertado ao ver que o meu professor agia como se a

pergunta sequer fosse importante. Ele prosseguiu com sua lição; eu passei

a reavaliar os meus planos para freqüentar Biologia Avançada 2.

(Finalmente optei por Escultura 1, uma classe com uma proporção de 20

estudantes do sexo feminino para um do sexo masculino — obviamente

um modo muito mais divertido de estudar biologia.)

Quando iniciei o meu primeiro ano na universidade, as sementes

do meu descontentamento já tinham atingido enormes proporções.

Achei que a explicação científica de como chegamos aqui beirava as

fronteiras do absurdo. Simplificando a coisa: A vida principiou em

algum oceano primordial há muito e muito tempo, quando, por acaso, a

combinação certa de substâncias químicas, elementos e condições se

uniu e puf! — nasceu a vida. Até mesmo a impressionante teoria da

evolução de Darwin eliminou a necessidade de uma superior inteligência

orientadora na equação, sugerindo que as mutações ocorrem unicamente

por acaso e que só os melhores de cada espécie sobrevivem e prosperam.

Esse "unicamente por acaso" era, com franqueza, demais para o

meu gosto. Estariam essas pessoas falando sério? Era realmente essa a

conclusão a que tinham chegado os maiores espíritos do nosso tempo?

Acreditavam eles realmente que todas as maravilhas incrivelmente

intrincadas e engenhosas da natureza eram realizadas sem QUALQUER

forma de inteligência cósmica inspiradora? Eu sabia que alguns dos

conceitos religiosos formulados pela humanidade ao longo dos anos

eram um tanto pueris, mas esse conceito parecia-me igualmente ingênuo

e simplista. A perspectiva científica era espetacular para fazer naves

espaciais e fornos de microondas, mas quando se abordavam questões

mais profundas, ela convertia-se num imenso desapontamento.

Comecei um intenso e, por vezes, turbulento período de estudo. A

minha pesquisa percorreu toda a gama desde psicologia, mitologia e

religião, até teosofia, gnose, egiptologia e as várias tradições esotéricas

de sucessivas eras. Envolvi-me no estudo dos sonhos. Aprendi que os

sonhos eram um recurso incrível para o conhecimento e a compreensão.

Aprendi que o mundo onírico era uma porta de acesso a outras

dimensões da experiência, tão válidas e importantes quanto o mundo

que conheço. Comecei praticando o sonho lúcido, a arte de ficar

inteiramente desperto dentro do estado onírico e manipular depois,

conscientemente, os eventos que ocorrem. Entretanto, não entendi

totalmente que estava pré-programando as minhas experiências

interiores de acordo com as minhas próprias crenças e convicções.

Foi em 1970 que me caiu nas mãos o meu primeiro livro de Seth.

Seth é a personalidade não-física e mestre que falava através da falecida

autora Jane Roberts quando ela estava em transe. O material comunicado

por Seth foi publicado em 10 volumes até o momento. (Ver a Bibliografia

para uma lista desses títulos.) Estava particularmente impressionado

com Seth e no começo de 1972 viajei para Elmira, Nova York, com um

casal amigo, a convite de Jane Roberts, a fim de assistir à sua aula

semanal de percepção extra-sensorial. Embora os livros de Seth

desfrutem hoje de um público razoavelmente vasto, nessa época o

interesse pela obra de Jane estava apenas começando, e sua classe

consistia em cerca de uma dúzia de estudantes. Jane entrava em transe e

"canalizava" Seth, que resultou ser um professor deveras impressionante.

Tornei-me um membro regular da classe de Jane, e fiz a viagem de

10 horas de ida e volta entre Nova York e Elmira praticamente todas as

terças-feiras durante vários anos. Dizer que fui afetado por estudar com

Jane e Seth é dizer muito pouco, pois como resultado dessas lições

comecei a compreender verdadeira e profundamente que cada indivíduo

cria sua própria realidade. Também aprendi a escutar a voz do meu self

íntimo e multidimensional, onde posso encontrar tantas respostas

quantas as questões que formulo.

Com o desenvolvimento da minha compreensão metafísica, passei

a estar cada vez mais intrigado com as experiências fora-do-corpo.

Estava decidido a ampliar os meus conhecimentos nessa área através da

experiência em primeira mão. No verão de 1972, descobri acidentalmente

um método que me habilitava a induzir experiências fora-do-corpo com

relativa facilidade (o leitor aprenderá esse método no Capítulo 12). As

minhas primeiras experiências foram tão espantosas que nunca mais as

esquecerei.

Estendi-me numa poltrona no meu quarto de dormir e dei a mim

mesmo algumas sugestões a respeito de ter uma experiência fora-do-

corpo:

Em seguida percebi que estava num jardim a uns 30 quilômetros do meu

apartamento. Costumava brincar nesse jardim quando era criança. Senti-me

incrivelmente exultante, cheio de uma energia que literalmente se propagava

através do meu corpo em sucessivas ondas. Havia árvores e campos a toda a

volta; eram, de algum modo, mais nítidos, mais vivos e mais coloridos do

que tudo o que eu já tinha visto. Era como se eu tivesse penetrado numa

floresta mágica, exultante de vida. As coisas não pareciam apenas reais, elas

pareciam super-reais. Eu estava vibrando de energia, sentindo-me em êxtase

mas também muito desorientado. Sabia onde estava mas não como ali

chegara. Tinha esquecido que acabara de sentar-me para fazer uma

experiência fora-do-corpo. Sentia-me totalmente arrebatado, e acabei por

concluir que alguém teria posto LSD ou alguma outra droga na minha

bebida. Baixei os olhos e vi que estava sem roupa. Comecei a ficar

preocupado.

Pensei comigo mesmo: "Muito bem. Estou no Alley Pond Park, viajando às

custas de alguma estranha droga e estou sem roupa. O que fazer? Como vou

regressar a casa? Nem mesmo tenho um trocado para o trem." Assim fiquei

perambulando por ali, vibrando, as árvores reluzindo, estranhamente não

muito perturbado pelo apuro em que me via. O sol estava começando a

despontar e eu não encontrara vivalma no jardim até esse instante. Passei

então por um play-ground e vi um garotinho brincando dentro dele. Pareceu-

me realmente estranho, pois a criança era muito pequena e estava sozinha.

Acerquei-me da grade que rodeava o play-ground e olhei para o garoto. Havia

nele algo de muito estranho. De súbito, ele encarou-me olhos nos olhos e

disse: "Este universo é para você!" Lembrei-me instantaneamente de que o

meu corpo estava a 30 quilômetros de distância. Eu simplesmente tentara

sair do meu corpo e conseguira. Eu estava fora. A excitação e o júbilo

apossaram-se de mim. Sem pensar, ergui as mãos para voar e decolei como

um foguete. Tivera antes numerosos sonhos de voar mas este era muito

diferente. Não parecia ser apenas fruto da minha imaginação. Eu estava

voando, revoluteando, pairando acima das árvores do Alley Pond Park. A

consciência do ego normal estava inteiramente presente e realizando a mais

estupenda jornada de sua vida. Fiquei voando por algum tempo e finalmente

aterrissei numa colina relvada. Senti que era tempo de voltar para casa.

Fechei os olhos, reclinei-me e disse: "De volta ao Bronx, de volta ao Bronx.'

Tive uma sensação de movimento e de tremenda velocidade. Vi-me de novo

no meu corpo físico. Meus olhos ainda estavam fechados mas eu podia ver

através das pálpebras. Estava impressionado! Finalmente, após examinar o

meu quarto através das pálpebras durante um minuto ou coisa assim, abri os

olhos. Tudo me pareceu algo estranho por uns momentos — como se eu

ainda não estivesse inteiramente sintonizado no canal apropriado. Mais um

ou dois minutos, e tudo se solidificou e voltou ao normal. Eu estava de volta

são e salvo!

Eu estava realmente empolgado com a experiência. Contudo, ainda

me sentia insatisfeito porque não tinha conscientemente testemunhado a

separação do físico e estava decidido a fazê-lo. Continuei praticando a

minha técnica recém-descoberta e, por algum tempo, tive experiências

fora-do-corpo quase dia sim dia não. Depois de duas semanas, ergui-me

do meu corpo no meu quarto de dormir embora retendo plena

consciência do que estava ocorrendo o tempo todo.

O meu corpo estava invadido pela sensação de que iria adormecer. Algo

insólito estava, porém, ocorrendo, pois sentia-me ainda totalmente desperto.

Eu estava literalmente observando meu corpo que adormecia. Pude sentir-

me percorrendo as várias fases do sono enquanto conservava plena

consciência. Era fascinante. Estava ainda no meu corpo mas já não

permanecia ligado a ele da maneira normal. Não podia mover os músculos.

Meus olhos fechados podiam perfeitamente enxergar o quarto através das

pálpebras. Seja como for, eu sabia perfeitamente o que fazer. Decidi que

queria mover-me para o alto. Vi com espanto a minha perna não-física,

astral, sair da minha perna física, logo seguida pelo resto do meu corpo

astral. Fiquei de pé no quarto, diretamente defronte da cadeira que continha

o meu corpo físico e logo cruzei a porta para o quarto contíguo. Como de

costume, sentia-me tremendamente energizado e exultante. Ocorreu-me que

já não precisava mais de portas para me deslocar de um cômodo para o

outro e, assim, caminhei através da parede até a sala de estar, sentei-me numa

cadeira e caí num acesso de riso. Custava-me crer no que estava

acontecendo. Nesse momento, soube, de um modo profundamente

intuitivo, que a minha existência era independente do meu corpo físico.

Desde essa época, tenho tido numerosas aventuras fora-do-corpo.

Assim como aumentou a minha compreensão da natureza da realidade,

o mesmo ocorreu com a qualidade das minhas excursões fora do corpo.

Logo comecei compartilhando os meus conhecimentos em cursos sobre

experiências fora-do-corpo, material Seth, sonhos e metafísica, os quais

administro agora há mais de 10 anos. Decidi escrever este livro quando

me apercebi de que a maioria das pessoas acha difícil induzir uma

experiência extracorporal, e de que eu poderia oferecer um método que

até os principiantes pudessem usar com relativa facilidade.

Para facilitar a aprendizagem de como induzir experiências fora-

do-corpo, é importante desenvolver um entendimento da metafísica e o

impacto de nossas próprias atitudes. As crenças fundamentais sobre o

modo como o universo funciona afetarão tanto a capacidade de induzir

experiências fora-do-corpo quanto os tipos de experiências que se terá.

Por essas razões, este livro deve ser lido estritamente na ordem em que

se apresenta; não salte logo para os exercícios, antes de ter concluído o

seu trabalho de crença.

Conforme mencionado antes, o tempo necessário para completar o

trabalho preliminar variará de acordo com o indivíduo. Quando o leitor

tiver concluído o seu trabalho preparatório, passe para as técnicas de

indução da experiência fora-do-corpo. Programe-se para fazê-las

diariamente durante um mês. Repito: é razoável supor que você terá a

sua primeira EFDC dentro das primeiras 30 provas práticas. Essa

expectativa, de fato, pode ajudá-lo a realizar a sua primeira experiência

fora-do-corpo. Haverá, porém, considerável variação nesse ponto.

Algumas pessoas podem sair depois de apenas meia dúzia de provas,

enquanto outras poderão continuar exercitando-se por várias semanas.

Se você for persistente e determinado, terá êxito.

Um outro fator a ter presente é o seu ambiente geral e estado de

espírito. Se o seu trabalho é de natureza estressante ou se está, de uma

forma ou de outra, envolvido num estilo de vida provocador de

ansiedade, isso poderá interferir no seu trabalho com a experiência fora-

do-corpo. Se for esse o caso, talvez seja aconselhável começar

trabalhando com as técnicas de indução durante as férias, a fim de que

possa praticá-las facilmente todos os dias num ambiente descontraído.

Uma outra alternativa para os que têm uma semana de trabalho febril é

praticar as técnicas de indução durante 15 fins de semana consecutivos, o

que lhes proporcionará um todo de 30 ensaios. Embora não seja ideal, é

uma opção para aqueles que a necessitem. Se o programa de fins de

semana não produzir resultados, poderá ter que criar um tempo extra

para praticar todos os dias durante um certo período, a fim de manter o

pique. Uma vez que tenha começado, não pare mais — tente incorporar

o trabalho EFDC em seu programa de atividades cotidianas numa base

contínua.

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CAPÍTULO 1

FATO CIENTÍFICO

OU FICÇÃO CIENTÍFICA?

crença de que todos possuímos alguma espécie de alma não-

física faz parte da grande maioria das religiões do mundo.

A Experiências extracorporais têm sido relatadas durante séculos

por todas as culturas no planeta. Há numerosas descrições de pessoas

que deixaram seus corpos e cujas "aparições" foram subseqüentemente

vistas por outras. Também há inúmeras descrições de experiências fora-

do-corpo em que pessoas puderam perceber objetos que estavam a

considerável distância de seus corpos físicos; tais percepções foram

depois confirmadas.

Oliver Fox descreveu um exemplo de tal experiência em sua obra

clássica, Astral Projection: A Record of Out-of-the-Body Experiences.1 Numa

noite de verão em 1905, uma amiga, Elsie, apareceu no quarto dele

enquanto ela estava fora-do-corpo. Pela manhã desse dia, Elsie

informara-o de que iria fazer isso. Fox, que pensava também estar

provavelmente em sua "contraparte astral" nesse dia, viu uma "grande

nuvem de formato ovóide e de uma luminosidade azulada intensamente

brilhante" com Elsie no centro. Elsie parecia perfeitamente sólida quando

correu os dedos ao longo da escrivaninha de Fox e o encarou. Na noite

1 Oliver Fox, Astral Projection: A Record of Out-of-the-Body Experiences (Secaucus, N. J.: Citadel Press, 1962), pp. 56-60.

seguinte, Fox encontrou-se com Elsie, que lhe disse em termos muito

claros que, na noite anterior, tinha ido dormir e decidido entrar no

quarto dele. Elsie pôde descrever com exatidão grande parte do

conteúdo do quarto, inclusive a localização dos móveis e de vários

objetos. Ela viu até que a escrivaninha dele tinha uma aresta dourada,

apesar da afirmação de Fox de que era um filete dourado, não uma

aresta. Ela insistiu em que tinha sentido a aresta, e Fox insistiu em que

conhecia a sua própria escrivaninha. Mais tarde, Fox examinou a

escrivaninha e descobriu a aresta que Elsie descrevera. Fox tinha a

certeza de que Elsie nunca estivera no quarto dele enquanto em seu

corpo físico, e de que tampouco lhe descrevera alguma vez o conteúdo

que afirmava ter visto.

Um outro exemplo provém de um indivíduo chamado Carl, que

freqüentou algumas das minhas aulas e workshops. Carl tinha acabado de

voar para a Califórnia, depois de concordar na manhã desse mesmo dia

em que tentaria reunir-se com um amigo nessa noite num sonho ou

numa experiência fora-do-corpo. Seu amigo vivia em Nova Jersey. Por

volta das 4 horas da manhã, Carl tentou induzir uma EFDC.

Meus ouvidos retiniram. Deixei o som aumentar até um certo

ponto e então ergui-me simplesmente do meu corpo. Ao ser içado, entrei

completamente numa outra dimensão. Já não estava no mesmo quarto, o

que me deixou confuso. No começo pensei: "Como é que vou chegar a

Nova Jersey ?" Tentei pensar em todos os modos normais e racionais de

fazê-lo. Ouvi então uma voz que disse: "Você não precisa fazer nada

disso. Concentre-se nesse seu amigo e o encontrará." Assim, fechei os

olhos e concentrei-me, e de súbito o rosto dele surgiu na minha frente.

Ele estava sentado com os olhos fechados, como que em meditação. Eu

tinha consciência de estar no quarto dele mas não podia ver as

circunjacências. Quanto mais me concentrava nele, mais pensava que ele

sabia estar eu ali. Mas o meu amigo não parecia ser capaz de voltar-se e

olhar para mim. Eu o chamava repetidas vezes em voz alta: "Veja, estou

fora-do-corpo, estou na Califórnia." Tentava fazê-lo entender.

Aparentemente, ele sabia que eu ali estava mas não podia voltar-se e

encarar-me. Fiz isso durante uns bons 30 segundos, tentando chegar até

ele. Finalmente, quando abriu os olhos e voltou-se na minha direção, a

cena dissipou-se e eu estava de volta na cama na Califórnia.

Falei com ele no dia seguinte e apurei que ele estivera realmente

sentado e meditando, tal como eu o vira, na mesma hora em que estive

fora do meu corpo. Eram 7 horas da manhã onde ele estava e 4 horas da

manhã onde eu estava. Ele disse pensar que eu estivesse adormecido a

essa hora e tinha o pensamento concentrado em mim.

As duas principais interpretações do que realmente acontece

durante uma experiência fora-do-corpo são a teoria extra-somática e a

teoria intra-somáticas. A teoria extra-somática postula que durante uma

EFDC alguma parte significativa do participante deixa realmente o corpo

físico e fica flutuando em algum lugar fora dele. Por seu turno, a teoria

intra-somática afirma que nenhuma parte significativa do participante

deixa o corpo físico durante uma EFDC.

Uma tendência popular na comunidade cientifica consiste em

explicar as experiências fora-do-corpo em que as pessoas afirmam ter

estado num certo lugar e ser capazes de descrever com exatidão o que ali

viram dizendo tratar-se "apenas" de ESP (percepção extra-sensorial). Mas

acontece que qualquer percepção realizada sem o uso dos sentidos

físicos normais é extra-sensorial. Portanto, aqueles que deixam seus

corpos e percebem acuradamente um lugar distante devem, por

definição, estar usando ESP, quer uma parte de sua personalidade deixe

realmente ou não o corpo!

Um estudo notável realizado por Osis e McCormick envolveu um

indivíduo fora-do-corpo tentando ver um alvo que estava contido num

dispositivo de imagem óptica e só podia ser observado de uma

localização específica.2 O alvo era um quadro composto de numerosos

elementos. Esses elementos não estavam fisicamente unidos em qualquer

lugar no interior do aparelho. Se olhássemos através do visor de um

ponto diretamente frontal ao aparelho, entretanto, os vários elementos

do alvo final juntavam-se como numa ilusão óptica. O sujeito EFDC,

Alex Tanous, foi instruído para projetar para dentro do quarto com o

alvo, que estava a muitos quartos de distância, e tentar vê-lo. Nesse meio

tempo, os experimentadores tentaram medir os efeitos físicos na

localização do alvo (efeitos que podem ser causados pela presença

extracorporal do sujeito). Eles colocaram discos sensores numa câmara

blindada no local de observação. Os sensores eram capazes de captar

movimentos ou vibrações muito pequenos que gerariam depois

2 K. Osis e D. McCormick, "Kinetic Effects at the Ostensible Location of an Out of Body Projection during Perceptual Testing." Journal of the American Society for Psychical Research 74 (1980): pp. 319-329.

impulsos elétricos em tensiômetros extremamente sensíveis. Portanto,

esses tensiômetros habilitaram os experimentadores a registrar cada

mudança minúscula na vibração dos discos sensores. Tanous foi

induzido a crer que os tensiômetros estavam sendo usados unicamente

para uma tarefa ulterior, a fim de reduzir a possibilidade de que ele

tentasse deliberadamente afetar os sensores enquanto procurava ver o

dispositivo de imagem óptica.

Osis e McCormick pensaram que a experiência fora-do-corpo

poderia ser um estado que flutuava no tocante ao grau de externalização;

quer dizer, podem existir graus diversos de clareza ou intensidade no

estado de fora-do-corpo. Os pesquisadores formularam a hipótese de

que, quando o sujeito EFDC estava mais totalmente fora e, por

conseguinte, apto a ver o alvo com maior precisão, haveria maior efeito

mecânico (físico) causado pela presença fora-do-corpo do sujeito do que

no caso deste estar menos fora e, portanto, menos capaz de ter uma visão

acurada do alvo.

Os resultados do estudo de Osis-McCormick corroboraram a

hipótese por eles formulada de que "podem ocorrer efeitos cinéticos

ostensivamente não-intencionais como subprodutos da visão fora-do-

corpo estreitamente localizada". Por outras palavras, movimentos ou

efeitos físicos aparentemente involuntários podem ocorrer quando

alguém vê alguma coisa num local específico enquanto experimenta a

sensação de estar fora-do-corpo. O nível de ativação do tensiômetro que

ocorreu quando o sujeito estava vendo o alvo e registrou "acertos" foi

significativamente superior ao de quando o sujeito "errou". Essa

conclusão fornece algum apoio ao conceito de que a maior vibração dos

discos sensores foi causada por alguma porção exteriorizada da

personalidade do sujeito.

Pelo que tenho entendido, a comunidade científica não tem

atualmente a menor pressa em dar continuidade a estudos como o que

acabei de descrever. Poder-se-ia pensar que o volumoso material

episódico relatando experiências fora-do-corpo, em conjunção com

estudos (embora relativamente poucos) que proporcionam algum apoio

à teoria extra-somática, era razão bastante para que a comunidade

científica começasse a acordar. Isso parece estar ocorrendo aqui e ali, mas

num ritmo muito lento.

Um outro estudo que eu gostaria de mencionar sucintamente foi

realizado por Morris, Harary, Janis, Hartwell e Roll.3 Os pesquisadores

queriam apurar se um indivíduo que tem uma experiência fora-do-corpo

poderá ser detectado num local remoto por intermédio de detectores

físicos, animais ou humanos. Num procedimento, os detectores humanos

foram informados de que seriam visitados duas vezes pelo sujeito,

enquanto fora de seu corpo, durante um período de 40 minutos. Os

detectores humanos mostraram uma tendência significativa para reagir à

alegada presença fora-do-corpo durante essa parte do experimento. O

outro procedimento que usou detectores humanos consistia em dois

curtos períodos durante os quais o sujeito visitaria no estado fora-do-

corpo e dois períodos de controle de extensão equivalente. Os detectores

humanos não reagiram significativamente mais durante os períodos

EFDC do que nos períodos de controle nessa parte do experimento.

Um dos detectores animais, um gato, estava significativamente

mais calado e menos ativo durante os períodos EFDC do que nos

períodos de controle. O sujeito, Harary, "foi instruído para 'visitar' o

gato, experimentando acariciá-lo e brincar com ele", enquanto fora do

seu corpo. O gato esteve ativo durante o período de base (as observações

preliminares) e nos períodos de controle, mas tornou-se extremamente

sossegado durante os períodos EFDC. O gato miou 37 vezes no decorrer

dos oito períodos de controle mas não vocalizou nem uma única vez

durante os períodos EFDC. Num segundo estudo com o gato, os

experimentadores desejaram ver se ele podia orientar-se para uma

direção específica onde Harary se encontrava de visita enquanto fora-do-

corpo. Os resultados gerais foram estatisticamente insignificantes, mas

um dos experimentadores, que estava observando o gato, informou ver

uma imagem do sujeito no seu monitor de televisão no trecho que o

sujeito estava visitando enquanto fora-do-corpo. O experimentador não

tinha conhecimento de que trecho se presumia que o sujeito iria visitar e

tampouco sabia qual era o período de controle e qual o período de

EFDC.

Menciono tais estudos apenas para enfatizar que já foi realizado

algum trabalho neste campo que é difícil invalidar, embora muitas

pessoas continuem ignorando-os deliberada-mente. A comunidade

científica, como um todo, é incrivelmente resistente ao conceito de

3 R. Morris, S. Harary, J. Janis, J. Hartwell e W. G. Roll, "Studies of Communication During Out of Body Experiences.'' Journal of the American Society for Psychical Research 72 (1978): pp.1-21.

existência não-física. A percepção extra-sensorial, tudo bem; mas as

experiências fora-do-corpo parecem realmente desafiar o modo como

muitas pessoas pensam.

Um outro fenômeno que corrobora a validade da experiência não-

física são os sonhos mútuos ou EFDCs mútuas. Duas ou mais pessoas

encontram-se num sonho ou experiência fora-do-corpo; após seu

regresso à realidade física, elas recordam as mesmas conversas e

experiências. Um exemplo de tal experimento está incluído no livro de

Fox.4 Fox e dois amigos, Slade e Elkington, decidiram encontrar-se em

Southhampton Common nessa noite em seus sonhos. Fox sonhou que se

reuniu com Elkington no local específico e ambos perceberam estar

sonhando. Comentaram sobre a conspícua ausência do terceiro amigo.

No dia seguinte, Fox perguntou a Elkington se tinha sonhado na noite

anterior. Elkington respondeu ter-se encontrado com Fox no local

combinado e ter compreendido que estava sonhando, "mas Slade não

compareceu ao encontro. Só tivemos tempo de nos saudar mutuamente e

de comentar sobre essa ausência, e o sonho logo terminou". Slade contou

mais tarde a Fox que não tivera nenhum sonho em toda essa noite. Aos

que levantam a questão de que o encontro dos sonhantes era esperado

de antemão, Fox lembra que todos os três esperavam encontrar-se.

Um exemplo de EFDC mútua pode ser lido no livro autobiográfico

de Richard Bach, The Bridge Across Forever.5 Após cerca de seis meses de

prática, Bach e sua mulher, Leslie, realizaram seu primeiro fora-de-corpo

mútuo. Bach viu-se sentado no ar acima de sua cama e vislumbrou uma

"radiante forma a flutuar" perto dele, à sua direita. Era Leslie, e podiam

comunicar-se em palavras. Ela lhe disse que já estava fora e que o tinha

persuadido a sair. Flutuaram juntos rente ao teto e continuaram

compartilhando de uma experiência memorável. Foram abruptamente

acordados por um de seus gatos e alguns instantes depois relembraram

simultaneamente sua viagem. Segundo Bach, "Depois da prática do

primeiro ano, podíamos nos reunir fora do corpo diversas vezes por mês;

a suspeita de que éramos visitantes no planeta avolumou-se até

podermos sorrir um para o outro, observadores interessados, no meio do

noticiário da noite."

O fenômeno de sonhos mútuos e de experiências fora-do-corpo em

4 Fox, Astral Projection, p. 47.

5 Richard Bach, The Bridge Across Forever (Nova York, William Morrow & Co., Inc., 1984) pp. 376-379.

comum proporciona uma pequena dose de apoio ao conceito de

experiência não-física objetiva. Como se trata de algo que não pode ser

facilmente realizado num laboratório, é freqüentemente varrido para

debaixo do tapete ou minimizado como sendo apenas uma forma de

telepatia ou de clarividência.

No presente livro, estudaremos a arte de deixar o corpo de uma

perspectiva mais subjetiva do que propriamente científica. Com todo o

devido respeito, a estrutura da pesquisa e investigação científica é,

simplesmente, restritiva demais para aspirantes a exploradores astrais. O

domínio da ciência ocupa-se de efeitos observáveis e mensuráveis

através dos sentidos físicos. Quando os cientistas investigam fenômenos

como as experiências fora-do-corpo, estão basicamente limitados a tratar

de experiências não-físicas desde uma perspectiva física. Eles só podem

registrar descrições daqueles que têm tais experiências, medir efeitos que

podem ser produzidos na realidade física, tentar detectar fisicamente o

"corpo" não-físico, etc.

Para investigar verdadeiramente as experiências fora-do-corpo,

deve-se estar disposto a transigir ou até mesmo a abandonar as regras da

investigação científica. Muito do que nós, seres humanos, podemos

aprender através da exploração da realidade interior não pode sequer ser

posto em palavras, e muito menos ser cientificamente provado. A

verdadeira exploração dessa antiga forma de arte está no fazer. Podemos obter

respostas. Podemos ter experiências culminantes de conhecimento e

sabedoria que enriquecerão as nossas vidas e os nossos seres. Mas para

conseguir isso, podemos ter que deixar para trás alguns dos antigos

quadros de referência.

O maior valor no estudo das experiências fora-do-corpo tem

pouquíssimo a ver com eletroencefalogramas, rápidos movimentos

oculares ou mesmo a habilidade para descrever uma montanha a muitos

milhares de quilômetros de distância. O maior valor está na imensa

satisfação de se estar fora do nosso próprio corpo, nas compreensões

intuitivas recebidas, e nos vislumbres dos mistérios do universo que

estão ao alcance do explorador audacioso.

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CAPÍTULO 2

BENEFÍCIOS

DA PROJEÇÃO ASTRAL

lguns dos leitores talvez nunca tenham tido uma experiência

fora-do-corpo. Quer nos apercebamos disso ou não, entretanto,

A todos nós já estivemos fora dos nossos corpos em numerosas

ocasiões durante o sono. Pesquisas realizadas por Hart, Green,

Haraldsson e outros, indicam que a experiência fora-do-corpo não é uma

ocorrência rara.1 De acordo com a minha própria experiência com

pessoas interessadas na metafísica, porém, parece que relativamente

poucas desenvolveram a capacidade de induzir essas experiências de um

modo voluntário.

Mas por que iria alguém querer aprender como deixar