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Viciado por Charlotte Feathertone - Versão HTML

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Sinopse

Amigos desde a infância, Anaís Darnby e Lindsay Markham guardaram por muito tempo

uma paixão secreta um pelo outro. Quando finalmente confessam seu amor, o futuro juntos

parece assegurado, selado com um abraço ardente. Mas quando o devasso Lindsay é seduzido

por uma dama calculista da sociedade, Anaís devastada busca refúgio na cama de outro homem

enquanto Lindsay retira-se para o exótico Oriente.

Lá, é seduzido novamente, desta vez pela sedutora fumaça vermelha e a sinistra beleza

do ópio. De volta para casa, o vício de Lindsay é alimentado pela moda por todas as coisas

orientais, especialmente os prazeres sensuais, tão em moda na sociedade de Londres. Em seus

momentos de lucidez, Lindsay ainda cobiça Anaís, que não pode permitir que ele se aproxime,

nem esquecer seu toque ardente. Torturado por duas obsessões, o ópio e Anaís, Lindsay deve

finalmente decidir com o que realmente não consegue viver sem.

Comentário Revisora Silvia Regina:

Esta foi minha primeira tradução e revisão do inglês e estou muito feliz por conseguir

concluí-la. Tornei-me grande fã de Charlotte Featherstone, pois seus personagens são muito

intensos e apaixonantes. Neste livro encontramos personagens muito complexos em uma

novela romântica e erótica muito intensa. Devo dizer que não é uma estória fácil, tipo água com açúcar, mais sim densa e real para uma época cheia de vícios e preconceitos. O nosso herói tem

os sentimentos mais intensos que já li em um personagem, devo dizer que por isso, e também

pelo seu vício, o pobre sofre o diabo e em dobro. Apesar de suas falhas é adorável. Já a heroína, que é fora do padrão mignon da época, acorda para a vida de forma bastante dolorosa em parte

devido a seu orgulho. As cenas hots são ótimas ao extremo. Há também personagens

coadjuvantes intensos que são apresentados neste livro e que estão presentes no livro “O

Pecador” (*). Resumindo, super-recomendo a leitura deste livro. E um conselho se não tiver um

coração de pedra prepare um lencinho, pois poderá precisar.

“Opium une as almas dos fumantes que se reclinam em torno de uma mesma

lamparina. É um banho em uma atmosfera densa, um encontro em uma cama com

capas pesadas, uma verdadeira ligação que não se pode resistir. Há, certamente, em

cada viciado em ópio um amante infeliz ou insatisfeito.”

Robert Desnos, O Vinho é em dose.

Prólogo

Escravo. Servo. Viciado. Os outros que vieram antes foram chamados de tais coisas, mas

eu prefiro pensar em mim como um discípulo, um devoto seguidor da minha amante

voluptuosa.

Dizem que minha amante tem uma beleza sinistra, e talvez eles estejam certos. Mas

quando me pego em seu abraço inebriante não há nada de sinistro nela. Como pode ser má,

quando ela inunda o meu corpo em mil êxtases? Como ela pode ser qualquer outra coisa senão

uma feiticeira radiante quando me leva às alturas nunca antes experimentadas?

Não, minha amante é muitas coisas, mas não é uma personalidade fraca em um manto

diáfano. Na verdade, ela exige muito de mim, mas eu sei como persuadir e mimá-la para que

sua pele negra responda às minhas mãos hábeis. Entre meus dedos, ela se derrete como uma

mulher no meio do clímax.

Eu a aqueço cuido dela, espero pacientemente que me cubra em seu abraço sensual e

suave. Eu a adoro.

O meu relacionamento com a minha amante é simples. Eu sei o que ela quer de mim, ao

mesmo tempo entende e satisfaz as minhas necessidades. Como qualquer amante é, às vezes,

exigente ao ponto da asfixia, sempre querendo e precisando de mais. Mas quando eu estou com

ela, me ama como se nada ou ninguém a possuísse.

Tudo que ela quer é o meu regresso, noite após noite, hora após hora. E eu volto com

grande expectativa. Sempre acolhe o meu regresso a casa com os braços estendidos e juntos

vamos fazer o amor mais doce e decadente, um amor em que dois se tornam um. Onde me

torno tão enrolado em seus poderes de onde nunca quero sair.

Ela está aqui agora, eu percebo como vejo os dedos cinzentos de sua chegada começar a

rodopiar a partir do altar que já preparei para ela. Logo estará enrolando os dedos no meu

cabelo, acariciando meu rosto, cobrindo a boca com a sua beleza evocativa. Vou sentir sua

fragrância inebriante na minha língua, inalar seu cheiro agridoce profundamente em meus

pulmões. Minha mente ficará embaçada, vai começar a vagar e flutuar. Voltarei a cair na minha

almofada de veludo vermelho, embriagado de expectativa enquanto eu observo os casais ao

redor fazendo amor. Eu os vejo como um voyeur desencarnado. Nem mesmo os sons e as

imagens de uma orgia em torno de mim pode me excitar tanto como o pensamento que minha

amante me invoca.

Luxuriantes traseiros femininos, nus e pálidos, estão diante de mim. Seios de todos os

tamanhos e cores me tentando e convidando. Bocetas, reluzentes, prontas para o acesso

tentando me seduzir, mas eu espero por minha amante, como qualquer amante dedicado faria.

E vale a pena esperar, porque quando eu estou excitado e ansioso, minha encantadora amante

vai me consumir com seu fogo e me satisfazer com seus cuidados e atenções habilidosos que

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são muito mais agradáveis do que ver o espectro sonhador dos casais nus se contorcendo

diante de mim. Enquanto eles desfrutam uns dos corpos dos outros, eu só posso encontrar

satisfação e prazer nos braços de minha feiticeira.

Entre os tentáculos tênues minha amante sobe como Vênus a partir de sua concha. Ela

me chama e eu lhe permito assumir, com suas mãos ávidas passando consecutivamente por

meu corpo e mente em um frenesi de tentações orgásticas.

Com um sorriso eu esqueço as mulheres que estão aos meus pés. Eu não mais ouço seus

gemidos, os sons do roçar de carne contra carne. Não mais as vejo cavalgando o grupo de

homens enquanto agitam os cabelos por cima dos ombros e lançam-me um olhar que me

convidam a me juntar a sua festa. Em vez disso, eu caio para trás e permito que minha amante

me cubra plenamente até que eu me sinta sufocado em seu perfume inebriante.

Logo sua névoa etérea vai começar a evaporar e partir como os galhos de uma árvore ao

vento, me revelando a mulher de carne e osso dos desejos de meu corpo. Esta mulher de carne

que nunca se encontrará aqui neste antro de prazer. Este é o momento em que eu vivo com a

minha amante. Este poder que tem de evocar minhas mais sagradas e privadas fantasias. O

deslumbramento me seduz acenando com o vislumbre da mulher que desejo, a mulher que

governa meu coração por tanto tempo que não vejo nenhuma outra, exceto a ela. Não desejo

ninguém mais além dela.

Através dos olhos de pálpebras pesadas eu vejo a minha amada de carne e osso, sua pele

pálida tingida da cor creme, seu cabelo longo, dourado e brilhante como uma seda da cor do

milho ao sol quando diante da vela no queimador de bronze. Através dos vapores, eu posso vê-

la se despir para mim, seus seios saltando de seu vestido. Não mais seguros eles são

exuberantes e cheios, os mamilos cor de rosa pálido e perolados, esperando por minhas mãos e

boca para mostrar seu prazer. Lentamente, como se a estender o meu tormento, ela espera

para revelar o resto de sua linda forma. Mas eu espero pacientemente, permitindo que minha

amante mantenha sua posse para mim até que a sua beleza possa percorrer os tentáculos que

torcem a fumaça e cair aos meus pés. Está sempre nua meu anjo, e ela sempre me deseja. O

meu verdadeiro eu. O homem que sou. Mesmo que minha amante esteja lá assistindo,

sussurrando em meu ouvido.

É sempre um ménage, essa aproximação. Sempre a minha amante fica entre meu amor

de carne e eu. Mas neste mundo de fumaça vermelha e sonhos, as duas me mantêm extasiado

e convivem harmoniosamente lado a lado. Não existe raiva. Nenhuma inveja mesquinha por

minha atenção. Não exigem que eu abandone nem a uma ou a outra. Porque eu não poderia.

Preciso de ambas como preciso de ar. Uma governa minha mente e minhas forças e a outra, o

meu coração, alma e corpo. Para uma sou um homem, um aristocrata com um segredo. A outra

conhece o que eu sou. Um viciado em ópio.

Escravo, servo, viciado. Suponho que o sou. Mas prefiro pensar em mim como um

discípulo. É muito mais aceitável acreditar que neste caminho que entro é baseado em devoção

e fé, não pelos laços da escravidão.

CAPÍTULO 1

Bewdley, Worcestershire, Inglaterra 1850.

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— Levante-se milorde.

A voz rouca de seu valete penetrou através da espessa neblina em seu cérebro,

perturbando o sono tranquilo e os efeitos prolongados da fumaça vermelha.

— Cai fora, Vallery, — Lindsay gemeu.

Seu valete, sempre o respeitoso cavalheiro dos cavalheiros, gemeu sob o peso de Lindsay

quando o puxou para cima do divã de brocado.

— Qualquer outra vez eu o faria, milorde, mas Lorde Darnby e seus familiares estarão

aqui dentro de uma hora e eu tenho de livrá-lo da devassidão de um dia.

Lindsay sentiu seu braço sendo jogado em torno do pescoço grosso de Vallery. Sua

cabeça pendeu um pouco, forçando-o a abrir os olhos. Estava em seu recanto de prazer, os

remanescentes da última noite de bacanal ainda estava em torno dele. Com a mão firme de seu

valete e algumas piscadas dos olhos ardentes, Lindsay se viu lentamente acostumando-se com o

mundo ao seu redor. Das janelas viu que o céu não estava brilhante com o sol, mas escuro, a cor do crepúsculo. Maldição, que horas eram?

— São quase sete milorde.

Vallery respondeu quando viu o foco confuso do olhar de Lindsay sobre o céu que

escurecia.

— Você dormiu o dia todo. Agora tem esse tempo para se limpar.

Sim. Um banho e fazer a barba iriam colocá-lo em ordem. Isso sempre resolveu.

— Agora, então, você vai se banhar nas águas ou quer que eu o leve para os seus

aposentos através das escadas dos criados?

— Minha mãe está por perto, então?

O rosto grosseiro de seu valete surgiu nitidamente na linha de sua visão. Vallery não era

um francês efeminado que cacarejava sobre ele e suas roupas. Sua formação pouco ortodoxa e

atualizada que trazia foi o que fez Lindsay desejá-lo como seu servo de maior confiança. Foi a

lealdade inabalável de Vallery que Lindsay apreciou mais, não as dobras intricadas de uma

gravata engomada.

— Será que estaria perambulando pelas escadas antigas transportando-o ofegante se a

marquesa não estivesse voando alto nos galhos?

Vallery resmungou.

Lindsay riu e tirou o braço de seu criado. Estava sóbrio como um monge agora, embora

pudesse dizer a partir do olhar de Vallery que sua aparência ainda permanecia com uma pitada

de devassidão.

— Acho que minha mãe, provavelmente, cacareja e cisca como uma galinha. Ela

geralmente faz isso quando espera companhia.

— Penso que você gostaria de saber que o Duque de Torrington já chegou.

— E Wallingford?

— Ainda não, milorde.

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Lindsay riu quando ele puxou a gravata já desamarrada do seu pescoço.

— Não estou surpreso. Wallingford tornou sua promessa solene de nunca estar em

companhia de seu pai. Por que as coisas mudariam, hoje?

Vallery não disse nada enquanto Lindsay continuou a retirar suas roupas. Como o servo

obediente que era seu criado estendeu a mão para pegar as roupas amassadas, dobrando com

cuidado sobre seu braço.

— Então é o banho, certo?

Com um aceno de cabeça, Lindsay envolveu suas calças sobre os braços de Vallery e se

dirigiu para o banho de água mineral. Ele entrou na água quente e permitiu envolver seu corpo

e mergulhar seus músculos. Com um suspiro, olhou para o teto em arco acima da cabeça, em

seguida, de volta para a água que borbulhava em torno dele. A fonte de água mineral quente

corria debaixo da casa, permitindo-lhe esse pequeno luxo. Naturalmente, ele havia projetado

aquele recanto de prazer ao redor dos banhos, que agora se assemelhavam a um banho turco

do Oriente Médio. Foi algo saído das Mil e Uma Noites. A única coisa que faltava era uma linda

odalisca.

Lindsay sorriu para si mesmo. Sabia exatamente quem gostaria que estivesse naquele

papel em particular. Ela iria estar ali em sua casa esta noite. O desejo já estava borbulhando em suas veias. Ele havia negado por muito tempo. Já era tempo, um tempo passado distante na

realidade, para ver se a senhorita o desejava da mesma forma.

— Precisa ser rápido com isso esta noite — Vallery disse por cima do ombro.

— Você não vai querer que sua Lady Anaís o veja nesse estado.

Lindsay fechou os olhos ao sentir a pontada de dor no peito. Não queria o nome dela

sujo com seu outro vício. Quão bem Vallery o conhecia, pois a última coisa que Lindsay desejava era que Anaís soubesse como ele se envolveu com o ópio. Anaís não entenderia.

— Você acerta suas flechas bem, Vallery.

— Tenho a intenção de feri-lo, milorde. Nunca matar.

— E na ferida que já existe.

Lindsay sabia o que pensava Vallery, mas seu criado estava errado. Ele podia parar. Não

era um frequentador. Poderia e deveria parar. Uma vez que tivesse Anaís em sua vida e em sua

cama, não teria mais utilidade para o ópio.

Afundou-se sob a água, não mais desejoso de ver o seu valete o olhando com o que

Lindsay sabia ser preocupação. Quando se levantou limpou a água dos olhos, sacudiu os longos

cabelos ondulados livrando-os da umidade e saiu da banheira. Vallery estava lá, segurando um

roupão preto.

— Eu quis dizer-lhe ontem à noite, antes da sua celebração, — Vallery disse sem jeito

como elaborando o discurso, — como sou grato por você me permitir essa venda de ações. Fiz

um bom dinheiro, e nem sequer seriam autorizados no câmbio, se você não tivesse feito o lance

para mim.

Lindsay deu um tapa no ombro de seu valete para acabar com seu longo sofrimento.

— Nós dois fizemos um bom dinheiro, meu amigo. Além disso, o conhecimento é para

ser compartilhado entre os homens, dentre todas as classes. Você está franzindo a testa agora,

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Vallery, mas marque minhas palavras, você vai ver em outros vinte e tantos anos como a classe

média substituirá a aristocracia. Como os dinossauros em exposição no Museu Britânico, a

aristocracia, um dia, enfraquecerá e se extinguirá.

— Se você está dizendo, milorde.

— Você duvida de mim, mas acredito no que digo.

— Seus pensamentos vão levá-lo a ser expulso do parlamento, uma vez que você ganhar

sua cadeira.

— Há outros como eu, Vallery. Há toda uma classe de homens que pensam como eu

penso.

— Isso era na universidade, quando você era jovem e idealista. Todo jovem nessa idade

quer mudar o mundo. Todo mundo acha que pode. Então saem para o mundo real, e, em

seguida, decidem que o privilégio do seu nascimento é mais importante do que lutar pelas vidas

miseráveis daqueles nascidos abaixo deles.

— A ociosidade e a indolência. Isso é o que sempre digo da minha classe.

— Eu não quero insinuar que você está sempre indolente, milorde.

Lindsay pegou a toalha que Vallery estendeu para ele e secou o cabelo.

— Mas você acha que a minha riqueza poderia ser mais bem gasta do que em casas de

ópio de luxo.

— Você tem sido conhecido por ficar desaparecido por dias, milorde.

— Deixe-me me preocupar com isso. Você se preocupa com o que eu disse. O mundo

está mudando, Vallery. Lenta, mas seguramente. Eu sei que isso pode mudar. Sei que isso irá

mudar.

— Os ricos continuarão a possuir, e os que não têm vão continuar a passar sem. É o

caminho das coisas. A base do nosso império.

— Eu vejo as falhas dos nossos antepassados nobres. Não é mais possível as nossas

grandes propriedades prosperar e sobreviver nas costas do trabalhador. Com o tempo, Vallery,

nós, os aristocratas estaremos trabalhando como os homens, também.

— Você já faz milorde. Ganhar dinheiro é a sua vocação de tempo integral.

Lindsay sorriu.

— Eu tenho um talento especial para isso, eu admito. Mas o que eu acho tão

emocionante é ensinar aos outros como dobrar, triplicar sua renda.

— Você tem o coração de um comerciante, acumulando seus tesouros e contando seu

dinheiro e tem a mente de um mercenário que usa de estratégia em cada movimento. Vai me

perdoar por dizer, milorde, mas você é diferente de qualquer aristocrata que eu já conheci.

— E é por isso que você aproveitou a chance para ser meu valete uma vez que seus dias

de soldado acabaram.

Vallery, taciturno, revirou os olhos. Lindsay jogou a toalha molhada para ele.

— Você pode me acusar de muitas coisas, mas nunca de negar conhecimento aos

homens simples. Eles também merecem uma chance. Só estou cuidando para que ganhem. Por

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que deveria ser apenas os sangues azuis, quem tem a oportunidade de aumentar suas fortunas?

Nós nascemos ricos, o homem sem nome não. É o único que precisa de oportunidades na vida.

— Você é um bom homem, milorde. Quando poderá vê-lo? Você não é seu pai, nem é

susceptível a se tornar como ele.

Lindsay fez uma careta.

— Meu Deus, Vallery, não fique todo sentimental comigo agora. Isso me dá urticária.

Prefiro que me trate como um asno estúpido pelo meu comportamento que falar nesse tom de

melodrama. Eu já lhe disse uma vez ou mais, sou um diletante. Um amador se quiser. Eu não

sou um viciado dependente.

— Claro milorde.

Lindsay sabia que o homem estava mentindo. Sabia que seu valete estava preocupado.

Mas não havia nada para se preocupar, porque ele poderia jogar fora o cachimbo sempre que

estivesse bem satisfeito. Não usava com frequência.

— Estou sempre disponível para você, Vallery. Deus sabe que você atura o suficiente das

minhas falcatruas desde Cambridge. O mínimo que posso fazer é cuidar para que sua

aposentadoria seja próspera.

— Não há como negar a sua habilidade para mudanças. Você certamente já salvou esse

lugar da demolição, — Vallery murmurou enquanto olhava ao redor da arquitetura mourisca

pródiga que os rodeava.

— Meu pai se revolveu em seu copo por muitos anos. Não vê o bom funcionamento

desse lugar há décadas.

— Espero que ele saiba a quem está devendo.

Lindsay riu enquanto ele amarrava a faixa em torno de sua cintura.

— Meu pai está muito ocupado bebendo e na devassidão para perceber o que se passou

ao seu redor. Inferno, as paredes poderiam desabar sobre nossas cabeças que ele estaria

bêbado demais para um aviso prévio. Não, meu pai se preocupa com seus cães e sua bebida,

minha mãe e seus confortos desapareceram de sua mente há muitos anos.

Deslizando dois dedos sobre o queixo, Lindsay sentiu o crescimento que entrou em

erupção desde a noite passada. Inclinou-se e olhou para o reflexo sombreado no espelho.

— O que você acha? Demais?

— Eu acho que você vai assustar as senhoras, milorde.

— Sério?

Duvidava que Anaís ficasse com medo de um pouco de barba. Não ela. Não era uma

menina boba. Possivelmente poderia até gostar. Sorriu, correndo os dedos sobre a barba. Talvez

Anaís não se importasse em saber as vantagens de um pouco de pelo facial. Com o professor

adequado, Anaís poderia muito bem receber essas lições. Certamente iria apreciar o raspar de

seu queixo contra suas suaves coxas carnudas. Sabia que sem dúvida gostaria.

— Não cabe a mim responder, milorde.

— Quando foi que você alguma vez se importou?

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Lindsay interrompeu quando ele pegou uma cadeira e permitiu que sua cabeça fosse

inclinada para trás, em preparação para barbeá-lo.

— Você me permite algumas liberdades, milorde.

— Sim, bem, sou um homem da Renascença. E continuo permitindo isso de você,

Vallery.

— E eu continuo dizendo a você que não sei o que isso significa.

Lindsay o viu alcançar a lâmina de prata e fazer redemoinho na água da bacia de

cerâmica azul.

—Isso significa que eu sou bastante liberal e minha maneira de pensar é nova e talvez

um pouco inconformista.

Vallery grunhiu e trouxe a lâmina contra a garganta de Lindsay.

— O que eu ia perguntar milorde, é se você queria o casaco azul e colete marfim esta

noite.

Lindsay podia praticamente ouvir seu valete terminar a pergunta.

— Você sabe os novos que você estava guardando apenas para a noite certa.

— Você deve ter encontrado a caixa que eu escondi no colete.

Vallery corou.

— Na verdade eu encontrei milorde.

— O que você achou?

— Eu penso que você deverá obter algum tipo de suporte para a mão da senhora. Essa

joia é a maior que já vi.

Lindsay sorriu.

— Veio por todo o caminho da Índia. Custou-me um bom montante, mas o que isso

importa quando terei o privilégio de vê-lo todos os dias em seu dedo. Eu penso nisso como

minha marca, Vallery. Espero reclamá-la com esse anel.

— Acho que qualquer mulher poderia ser reclamada por essa bugiganga, Milorde.

Lindsay riu. O diamante era muito grande, mas não extravagante. Esperava que

afirmasse devoção e amor eterno, não a ganância.

— Você acha que esta noite seria uma boa noite para perguntar a ela, Vallery? É isso que

você está sugerindo?

— Não me cabe sugerir, milorde.

Ele ria. Maldição, seu valete mandão estava sempre sugerindo. Na noite passada, sugeriu

que tinha o suficiente da fumaça vermelha. Lindsay havia cuspido nele, soprando outra nuvem.

Terminou com a barba, Lindsay se levantou e caminhou até o sofá onde Vallery havia

preparado suas roupas de noite. O novo casaco azul e o colete de brocado marfim estavam lá.

Lindsay se perguntava se seu criado foi gentil o suficiente para colocar a caixa marrom contendo o anel de esmeralda e diamante no bolso.

— Você tem o olhar do gato que acabou de comer o canário.

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Vallery murmurou enquanto limpava o material de barbear.

— Está óbvio, não é? E como posso evitar — ele perguntou.

— Vou pedir a mulher mais bonita do mundo para ser minha esposa.

— Que alívio, — seu valete zombou.

— Agora eu não vou ter mais que escutá-lo em cólicas falando sobre a garota. Uma vez

que é anormal você estar apaixonado por ela.

— Não, — Lindsay sussurrou enquanto a imagem de Anaís veio à mente.

— É a coisa mais normal do mundo amá-la tanto quanto eu a amo.

— Bem, é melhor você começar a sair desse seu recanto de prazer e fazer o caminho

para o salão de sua mãe. Você está atrasado.

Lindsay se vestiu rapidamente e deixou o recanto, que foi há algum tempo a mesma

gravemente negligenciada e degradada estufa de sua mãe. Quando entrou com o dinheiro de

seus investimentos empresariais, ele reivindicou a monstruosidade em ruínas para si e a

transformou em uma fuga. Concebido como o Alhambra, na Espanha, que foi o máximo da

decadência. Com a sua influência moura, e a sala de banho de fonte termal, era um mundo

dentro de um quarto. Um refúgio que ele ansiava no final do dia. Pensava nele como seu harém.

E o decorou como tal.

— Ah, aqui está ele, finalmente.

Seu pai, o Marquês de Weatherby disse em uma voz que já estava arrastada pela bebida.

— Boa noite, senhor.

Lindsay acenou com a cabeça na direção de seu pai, em seguida, estendeu a mão para a

mão enluvada de sua mãe.

— Mamãe, você está linda esta noite.

Seu olhar vagou sobre ele, como fazendo um balanço de sua aparência. Não havia mais

nada em seus olhos para ela pegar. Nada além do filho obediente e amoroso de pé diante dela,

beijando-lhe a mão. As manchas de sua amante foram lavadas de seu corpo. Ele estava limpo.

Por quanto tempo, não sabia. Não importava, essa noite não pensava nela, e nem quando seria

a próxima vez que iria necessitar de seus serviços.

Ele fez um trabalho rápido com as apresentações, ao mesmo tempo resistindo à vontade

de procurar Anaís. Era um jogo que gostou de jogar, para ver quanto tempo podia aguentar em

não vê-la.

Seu corpo estava agora tão tenso quanto um arco. Sua boca seca pela conversa. Seus

olhos famintos por um olhar em seu corpo maduro e rosto adorável. Como se os convidados do

jantar soubessem de sua necessidade, eles se afastaram, revelando Anaís de pé ao lado da

lareira, conversando com sua irmã mais nova.

Ela deve ter sentido seu olhar ardente, porque parou de falar e virou-se para olhar para

ele. Seu sorriso percorreu todo o caminho até o seu centro, batendo como uma corrida, como a

primeira grande inalação de ópio. Se o futuro de um homem era verdadeiramente

predestinado, o seu destino foi escrito quando ainda no ventre, pois estava olhando para a

mulher que era o seu destino, a mulher que sabia foi criada exclusivamente para ele.

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Sempre soube que algum dia Anaís pertenceria a ele. Ela seria mais do que sua amiga.

Sempre acreditou, mas nunca como neste momento enquanto seus olhares colidiram ao

mesmo tempo, e seus corpos se tornaram consciente um do outro.

Ela sempre o deixou sem fôlego. Sempre foram amigos, desde a infância, mas seus

sentimentos não eram mais castos ou platônicos. Não, seus sentimentos e desejos eram

quentes. Apaixonados. Eróticos. E os sonhos perfumados que teve de Anaís na noite passada

fora o mais erótico de todos. As coisas que o deixou fazer com ela. Um dia, eles não seriam

apenas sonhos e fantasias.

— Boa noite, Lindsay.

Sua voz suave tomou conta dele como uma carícia, e sentiu sua excitação crescer. Era

tão difícil de esconder seus sentimentos por ela. Ele duvidava que pudesse por muito mais

tempo.

Ele sentia sua mão enluvada tão bem enquanto levantava os dedos dela aos lábios. Seus

olhos, aquelas belas e hipnotizantes piscinas, capturaram sua atenção, observando os lábios

lentamente desceram para a ponta dos dedos. Permaneceu lá, inalando seu perfume,

observando a ascensão e queda de seus seios no corpete apertado. Ela se moveu apenas um

pouquinho, e a nuvem de seu rico perfume levantou-se como uma espiral em torno dele. Havia

perfumado seus seios com o perfume francês que comprou para ela.

O desejo apoderou-se dele e tudo se perdeu exceto a necessidade, fechou os olhos e

inalou o perfume inebriante. Em sua mente, podia ver o filete líquido dourado entre a fenda dos seios. Viu-a tirar a rolha do frasco de cristal e a mão dela arrastá-lo ao longo de seu decote. Um dia, ele prometeu, estaria largado com negligência em sua cama, amarrotado após seu ato de

amor, e a veria em sua toalete. Um dia, viria por trás dela e tiraria a rolha de sua mão e traçaria os seios com ela. Um dia, ela se olharia no espelho e o veria ali, o desejo em seus olhos.

— Lindsay?

Lentamente, suas pálpebras se abriram e lá estava ela. Sua cabeça estava inclinada, o

lábio pronto para roubar-lhe a boca. Não seria nenhuma provação, e sim altamente excitante

puxar as pequenas mangas bufantes de seu vestido para baixo expondo seus braços. Sabia que

ela estaria usando um espartilho, mas em seus sonhos, estaria nua por baixo, descoberta aos

seus olhos e mãos.

Seu olhar percorreu o rosto dela, que era tão adorável para ele, então baixou até sua

garganta, a qual ele ansiava pousar os lábios sobre, até sentir a pulsação que se agitaria como asas de borboleta. Cada centímetro dela era tão delicioso como um doce em uma doceria. E

Deus, ele estava além de querer apenas um gostinho dela.

— Boa noite, anjo — disse ele sobre a sua mão.

— Você está deslumbrante, como sempre.

— Você tem praticado sua lisonja, milorde — disse com uma pequena risada que soou

muito alta.

Nervosa? Excitada? Seu riso pareceu anormal.

— As senhoras em Londres devem desmaiar com sua habilidade, senhor.

— Não sei. Não compartilho qualquer elogio com outras senhoras exceto com você,

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Anaís.

Os olhos dela lhe disseram que estava em dúvida sobre sua sinceridade.

— É verdade, — ele sussurrou em seu ouvido.

Ela se arrepiou com o contato repentino de seus corpos. Ele se esqueceu de onde estava.

Esquecendo-se que na mente de Anaís eles eram amigos, não amantes.

No entanto, em sua mente foram amantes durante anos. Carnalmente, estava muito

bem familiarizado com cada centímetro de seu corpo atraente. Que homem não sonharia com

uma mulher como Anaís? Roliça e feminina se sentiria tão bem debaixo dele com seu cabelo

loiro, dourado e longo, envolto sobre seu peito. Seus seios grandes e firmes se amorteceriam

nele, convidaria a saborear e brincar e iria diverti-los por horas. Seu decote, que era sempre tão elegante, mas com muito bom gosto exibido em seus vestidos, nunca deixou de capturar sua

atenção, nem a sua imaginação. Inferno, não havia uma parte de seu corpo que não o seduzia.

Queria alcançar-lhe os quadris com as mãos e esmagá-la em sua pélvis, esmagando-se dentro

dela. Ele queria sentir seu ventre macio amortecer seu pênis, queria encher a mão com seu

firme traseiro, e apertá-lo enquanto mergulhava a língua entre seus lábios macios. Queria despi-la e estudar o corpo que o mantinha cativo por muitos anos.

Suas mãos, sabia, iriam adorar suas curvas, e se perderia naqueles olhos azuis

encantadores que lhe lembravam um céu claro. Seu sorriso tímido seria sua ruína, sempre

foi. Anaís foi criada para amar, o tipo de esporte de cama pra ser desfrutado. Com Anaís não se sentiria como se fosse quebrá-la. Não teria que tratá-la como uma frágil flor. Ele poderia entrar naquele corpo delicioso por horas.

Mas mais do que o corpo dela, Lindsay cobiçava seu coração, aquele pedaço que ela

guardava com tanto cuidado. Ele queria significar algo mais para ela do que apenas ser amigo.

Amante, confidente, queria de Anaís seu corpo, sua mente afiada, e a amizade que sempre

invocou. É claro que, vendo-a hoje à noite, a amizade não estava em sua mente. Seu decote e a

linha elegante de sua garganta coberta com seus lábios de repente correram a frente em seus

pensamentos. Um dia, ele sabia que iria vê-la nua, e que a visão seria cem vezes mais excitante do que era em seus sonhos.

— Acho que foi o sino para o jantar, — sua mãe anunciou durante o murmúrio de vozes

que enchiam o salão.

— Permita-me.

Lindsay estendeu o braço para Anaís. Ela enfiou a mão tão facilmente em torno de seu

antebraço e o apertou ao seu lado. Seu corpo enrijeceu quando sentiu seus quadris contra o seu

contorno. Ele desejou que pudesse arrastá-la para seu recanto e confessar tudo para ela. Mas

primeiro tinha que fazer bonito e ser um cavalheiro.

— Você parece diferente de alguma maneira, — ela disse, enquanto olhava para ele.

— Mesmo?

Ela assentiu e uma mecha ondulada de cabelo dourado deslizou de uma presilha, até a

área no cume de seus seios que estava exposto por seu corpete decotado. Que Deus lhe

ajudasse se aquele fio iria ficar ali a noite toda. Não poderia arrastar seu olhar para longe dele, nem vencer a imagem de seus lábios esfregando-o de lado.

— Eu não sei o que é. Você só parece diferente. Está em seus olhos.

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Calor. Saudade. Desejo. Ele sabia o que estava refletido ali. Não conseguia escondê-lo.

— Lindsay, você está bem? Você tem agido estranhamente desde que chegou de

Londres há duas semanas.

Sim, ele estava perfeitamente são. Apenas necessitado dela.

— Encontre-me hoje à noite, Anaís. Nos estábulos.

Ela inclinou a cabeça para o lado, estudou-o, e ele sentiu a compulsão de recuar em

horror e vergonha. Não foram seus sentimentos amorosos que ela viu refletido em seus olhos,

mas algo mais? O outro lado de que ele escondia do mundo.

— Estou preocupada com você.

Ele sorriu e apertou seus dedos.

— Não há nenhuma necessidade. Agora, depois da sobremesa, contarei a sua mãe que

você irá dar um passeio. Nós vamos andar na floresta e eu poderia até mesmo deixar você me

bater.

Ela riu em seguida, com os olhos brilhando.

— Oh, como você se ilude. Pois vou trucidar você. É só esperar e verá.

Se Deus quiser pensou, enquanto conduzia Anaís à sala de jantar. Apesar de ter a

sensação de que ambos estavam pensando duas coisas diferentes quando se tratava de

trucidar.

* * *

Algo estava acontecendo. Anaís deu outro olhar de soslaio para Lindsay, que estava

sentado à direita dela. Havia uma intensidade selvagem sobre ele nesta noite, que ela nunca viu antes em seu amigo de longa data. O que quer que tenha trazido esse comportamento bizarro

nessa noite, obviamente, o havia cercado pela última quinzena. Lindsay, simplesmente, não foi

ele mesmo essas duas últimas semanas.

Talvez tenha sido a extraordinariamente linda Lady Mary Grantworth que deixou seu

juízo aturdido. Mary certamente o fitava intensamente de seu lugar na mesa. Também havia o

envolvido em uma conversa durante a maior parte do jantar. Que homem não se tornaria

aturdido na presença dos olhos violetas de Mary e sua figura esbelta? Uma figura que era um

adorno, ao contrário do seu próprio corpo roliço.

Será que Lindsay preferia as esbeltas, seios menores e quadris estreitos? Se assim fosse,

Anaís sabia que não tinha esperanças, pois seus seios eram muito grandes, e seu quadril era

largo. O dela era um corpo que era macio e curvilíneo. O tipo que ela mesma tinha esperanças

que os homens desejassem em uma mulher a quem eles estavam prestes a fazer amor. Mas

talvez tivesse cometido um engano ao pensar que um homem desejaria essas coisas.

Não podia evitar a forma que era constituída. Sempre fora bem dotada, mesmo desde

jovem. Ela mesma havia aceitado seu corpo, e até engordou para admirar seus seios em um

corpete decotado, e o alargar dos quadris a partir da cintura, que caiam em forma de

ampulheta. Havia se passado eras desde que teve a intenção de mudar seu corpo. Até esta

noite. Até que viu e percebeu sua rival sentada do outro lado da mesa, olhando-a

presunçosamente. Mary era linda, esbelta e elegante. Anaís, apenas o suficientemente bonita,

com seu cabelo longo, loiro que era dado a enrolar, não era nem magra, nem na moda, graças à

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crença da mãe de que um corpo como o dela era melhor vestir roupas simples.

O que Lindsay pensava? Seria no pouco seio de Mary elevando-se acima do corpete

como duas maçãs firmes, que o seduzia? Ou era dela, macia, quente, convidativa em sua visível

e perfeita pele de pêssego, que tão cuidadosamente perfumou. Que mulher que Lindsay queria

sentir por baixo dele? Sempre sonhou que era ela quem ele desejava. Mas agora, sentada do

outro lado estava a perfeita Mary, e não tinha mais tanta certeza.

— Está franzindo o cenho, — Lindsay de repente sussurrou para ela, assustando-a.

— Apenas um pensamento, — ela respondeu, recusando-se a olhá-lo.

Seu rosto estava perto dela. Podia sentir sua respiração, a maneira como acariciou seu

pescoço. Não podia olhar para aquele rosto bonito e mostrar todos os sentimentos que possuía.

— São pensamentos desagradáveis, então?

Oh, eles eram! Eram pensamentos da bela Mary e Lindsay juntos. Não havia nenhuma

dúvida sobre isso, Mary Grantworth queria Lindsay, e mais do que apenas o título, queria tudo.

Anaís sempre o quis. Não se importava com seu maldito título. Era o homem que ela desejava.

O amigo de infância que havia se tornado um homem forte, de boa reputação e inteligente. Um

homem que não era um vagabundo ocioso à espera de receber seu título e herança. Lindsay era

muito mais do que um visconde e herdeiro presuntivo de um marquesado.

— Quando você faz biquinho, anjo, todo homem olha para você, desejando poder beijá-

la e afastar a tristeza desses lábios adoráveis.

No entanto, como ela ou qualquer outra mulher poderia resistir-lhe? Com sua pele

morena e boa aparência, era tudo o que uma jovem sonharia em um homem. Era alto, largo e

bem musculoso, e ainda caminhava com uma graça predadora, como a de sustentar o olhar de

uma mulher e capturar sua imaginação. Suas roupas eram imaculadas, sob medida para

acentuar seus ombros e pernas tonificadas. Seu cabelo era cor de ônix, e ele o usava longo até

os ombros, onde pendia em ondas soltas as quais desejava correr os dedos. Seus olhos, de cor

do musgo irlandês, tinham uma sombra longa dos cílios negros que não se via em outros

homens. Era bonito, o epítome de um poeta melancólico, mas com cabelos que usava longos

havia muito tempo. A curva pecaminosa de sua boca, que era normalmente sombreada por

uma barba à noite, recordava a Anaís não um poeta, mas um anjo caído, o tipo que tentaria

qualquer mulher a uma indiscrição com um sorriso e um brilho de seus olhos.

Isso era o que o fazia tão sedutor. Era uma mistura de sensibilidade romântica, com uma

aura de masculinidade subjacente pecaminosa. Havia uma parte de Lindsay, que chamava a

menina romântica, e outra parte que pedia às necessidades femininas que guardava tão

cuidadosamente escondidas dele. Seu olhar se desviou de suas mãos, longas, elegantes e

artísticas, estremeceu ao imaginar essas belas mãos percorrendo seu corpo, e seus lábios, meu

Deus, ela não conseguia olhar para aqueles lábios fortes sem estremecer quando pensava nele

beijando cada centímetro dela.

Não era de admirar que Mary voltasse sua atenção sobre ele. Se Anaís mal conseguia

desviar o olhar de seu perfil bonito, ou sequer parar de imaginar como seria sob o colete e o

casaco. Ela não tinha nenhuma dúvida, porém, que o que se escondia sob a roupa seria tão

perfeito como seu rosto. Não tinha dúvidas de que compartilhar a cama com Lindsay iria além

do que jamais poderia imaginar, mesmo quando dava prazer a si mesma. Como se conhecesse

seus pensamentos, ele olhou para ela, seu ardente olhar, os lábios levantando em um sorriso

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secreto. Sim, perverso.

Devassa, desejou que ele se inclinasse para ela e sussurrasse em seu ouvido todas as

palavras safadas que sussurrava para ela em seus sonhos. Em vez disso, engoliu em seco e

quebrou o encanto de seu olhar que se prendia ao dela. Seu olhar se levantou, e pousou como

ela suspeitava que fosse em seu rosto. Não houve provocação em seus olhos. Nem no sorriso.

— Você está tentando me lisonjear, — disse ela enquanto lançou um olhar para Mary

Grantworth. Que estava o observando com ousadia venenosa.

—Não, Anaís. Nunca falaria falsas palavras para você. Você sabe disso.

Claro que ela sabia. Eram amigos, antes de tudo. Amigos. Com essa palavra começou a

sentir como se tivesse um laço ao redor do pescoço. Não queria ser amiga de Lindsay. Ela queria mais. Queria as mesmas coisas que sonhava. Os mesmos sentimentos percorrendo seu corpo

como quando dava prazer a si mesma, ao sonhar que era ele a tocá-la.

Ela sentiu o rosto quente e desviou o olhar. Se Lindsay soubesse quais eram os

pensamentos que tinha com ele. Quão erótico. Quão impuros e não virginais esses

pensamentos eram, sairia correndo tão rápido quanto poderia na direção oposta.

Enquanto ele não pudesse falar falsamente a ela, certamente não poderia dizer nada

com suas palavras. Ele foi criado para ser gentil, para ajudar um amigo. Ela não devia mais

pensar neles, ou na cena que eles compartilharam no salão. Não devia achar nada de

importante, o modo como ele pressionou-se nela, como sua boca perdurou ao longo de sua

mão e ele parecia inalar sua essência dentro de seus seios.

Não! Estava sendo fantasiosa. Permitindo uma vontade de dormir e sonhar e tornar real.

Lindsay não a desejava da maneira que o desejava.

— Milorde, você estará presente na feira agrícola na próxima semana em Blackpool? —

Perguntou Mary Grantworth, chamando a atenção de Lindsay para longe do rosto de Anaís.

— Eu não havia considerado isso Lady Mary.

— Não? Você deveria. Meu tio inseriu seus Warmbloods belgas para ser julgados. Sei

que ele planeja vender alguns de seus garanhões. Como você é conhecido em torno da cidade

como um dos cavaleiros mais completos, bem como um conhecedor de corpos.

— Corpos? — Lindsay perguntou com uma sobrancelha levantada.

Mary ruborizou lindamente, mas estava longe de ser inocente.

— Um conhecedor de corpo de cavalo, Lorde Raeburn. Pensei que talvez você possa

estar interessado na compra desses garanhões, já que você está interessado em iniciar um

programa de criação aqui em Bewdley. Pelo menos, eu presumi que era o que você quis dizer

quando falou de reprodução durante a nossa caminhada na semana passada.

Mary disparou para Anaís um olhar de triunfo do outro lado da mesa, enquanto

esperava pela resposta de Lindsay. Com um aceno de cabeça cheio de pompa que beirava a

falta de educação, ele mudou seu foco para o prato e o pedaço de costela que se assentava

sobre ele. Não deu nenhuma resposta à pergunta de Mary e Anaís viu um olhar de pura ameaça

e uma nuvem na bela expressão de Mary.

O apetite de Anaís a abandonou imediatamente. Não poderia possivelmente digerir

qualquer coisa, não quando suas entranhas se reviravam. Anaís lutou por compostura, à calma

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interior contra os pensamentos tumultuados correndo com abandono em sua mente.

Justamente quando pensou que enlouqueceria com seus pensamentos, ela sentiu a mais suave

das carícias contra o dorso de sua mão enquanto a descansava no colo debaixo da mesa. Foi

seguido por outra, depois outra. O formigamento se espalhou por seu braço, cobrindo sua pele

arrepiada. A carícia chegou mais acima, — até que se envolveu em seu pulso. Lindsay.

Olhou para ele, viu a forma como o seu olhar escureceu, viu o jeito que olhou para ela.

Então juntou sua mão a dele, entrelaçando seus dedos com os dela, e colocou as mãos sobre

sua coxa. Com a mão livre, traçou seus dedos e as veias sob a pele de forma tão suave que ela

começou a tremer.

Foi singularmente a coisa mais erótica que já fez com ela. Estar segurando as mãos e

tocá-la por baixo da mesa de jantar, enquanto duas dezenas de pessoas se sentavam em volta

deles era a coisa mais escandalosamente perversa que havia feito.

— Quero beijar seus lábios, — murmurou para ela, enquanto seu olhar deslizou para sua

boca.

— Eu quero ter você só para mim, sozinho, — ele esclareceu.

— Você quer isso, Anaís? Quer ficar sozinha comigo?

Ele soltou sua mão e agora a descansava em sua perna onde seus dedos viajaram

levemente sobre a coxa dela. Mal conseguia pensar, não conseguia respirar, enquanto a mão

dele deslizava inexoravelmente para mais perto do ápice de suas coxas.

— Esteja comigo, Anaís.

Levantou de sua cadeira, retirando cuidadosamente a mão para que ninguém visse. Ao

fazê-lo arrastou a palma da mão em toda extensão do tafetá do vestido, com um movimento

lento e provocante. Fingiu se dobrar para baixo, a pretexto de pegar o guardanapo, mas ao

invés disso usou esse momento para sussurrar em seu ouvido.

— Venha até mim.

Ele endireitou-se, pediu licença e saiu da mesa. Anaís finalmente soltou a respiração.

Venha até mim. As palavras despencaram em sua mente durante a meia-hora seguinte.

CAPÍTULO 2

Olhos azuis brilharam por trás de um véu de cabelos dourados e ondulados. Seus lábios

se separaram, provocando-o com inocência. O olhar de Lindsay deslizou para os lábios

carnudos, vermelhos, dizendo-lhe das delícias pecaminosas que poderia ser encontrada em sua

boca. Doce inocência misturada com sensualidade proibida.

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Ela era uma Lady bem nascida e criada. Sua amiga de infância, embora não mais uma

criança. Era uma mulher, com mente e corpo de mulher. Mas ela teria o apetite de uma

mulher? Será que sentia a mesma fome por ele? Será que iria deixá-lo aplacar a sua dor, a

mesma maldita dor que corroeu seu interior durante anos?

A maneira como eles haviam se tocado, com as mãos escondidas debaixo da mesa, lhe

dissera que ela só poderia receber um tipo de avanço dele. Sentiu-a tremer quando fez a carícia mais íntima. Não havia dúvida de sua intenção. Não tinha mais como negar o que queria.

— Você está ficando para trás, Lindsay, — Anaís o chamou quando olhou por cima do

ombro através dos longos cachos que se moviam e se agitavam no ar frio da noite.

— Você deveria ter montado a castanha baia. Agora irei vencer você até os estábulos e

vai perder a aposta, — disse com uma risada. Incitando a égua para frente, se curvou sobre a

sela, seu cheio e exuberante traseiro estava arrebitado no ar enquanto cavalgava ousadamente

pela forma como havia montado.

O desejo ondulava nas entranhas de Lindsay quando seu olhar desviou para o

arredondamento do seu traseiro. Deveria ter ficado em Londres e ter se mantido enterrado no

ópio no antro de Tran, entorpecendo-se desses apetites devassos. Na verdade, não podia mais

manter distância de Anaís Darnby assim como uma mariposa não poderia deixar de voar em

volta da luz da chama. Uma dor familiar estabeleceu-se em suas entranhas e agarrou as rédeas

em suas mãos enluvadas, incitando sua montaria para frente enquanto cobria a distância entre

ele e Anaís.

Nunca deveria ter sugerido este passeio à noite. Nunca deveria ter tocado nela debaixo

da mesa. Maldição sabia que não deveria ter lhe pedido para acompanhá-lo sozinha. Sabia

muito bem disso. Foi incapaz de tirar os olhos dela durante o jantar. Viu-a comer, estudou a

brincadeira erótica de seus lábios e língua com o garfo. Estava faminto por ela e a desejou por toda a maldita refeição. Foi vergonhoso ficar ereto somente ao olhá-la, seu sangue aqueceu

devido ao desejo de fazer Anaís mais do que apenas uma amiga. Droga deveria saber que um

intenso passeio a cavalo pelo bosque não amenizaria o desejo perigoso que inundava suas veias.

Mais uma vez, ela o olhou por cima do ombro, com os olhos arregalados quando viu

como estava chegando firme em seus calcanhares, preparando-se para alcançá-la na égua. Ela

sorriu em desafio e seu sangue se esquentou mais. Não conseguia pensar, quando o olhava

como uma sedutora fazendo beicinho com lábios hábeis. Era sua amiga, melhor amiga.

Valorizava sua amizade desinteressada, uma raridade. O que estava pensando, o que desejava,

podia muito bem estragar todos os sentimentos que ela tinha por ele.

Mas precisava ter pelo menos uma amostra do prazer que ela poderia lhe dar. Um gosto.

Um simples, gostinho proibido...

Deveria ter se lembrado do anel que havia deixado no seu recanto. Achando que deveria

lhe propor casamento antes de tentar assumir uma relação mais íntima. Anaís era uma Lady,

afinal, não apenas uma imagem que se repetia em sua mente. Ele era um cavalheiro que sabia

como tratar uma mulher. Só que, neste momento, tudo o que conseguia pensar era o quanto

precisava de Anaís sexualmente.

O estábulo estava agora à vista e a égua de Anaís galopava a toda velocidade em direção

às portas abertas. Seu coração estava batendo em um ritmo furioso. Isso sempre acontecia

quando estava montando. Mas havia algo mais ali. Uma irregularidade, uma batida ignorada,

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quando pensou em transformar o seu relacionamento com Anaís de amizade inocente para uma

sessão íntima de prazer compartilhado. Rosada, pele corada. Lábios inchados, entreabertos de prazer. Seus dedos cravados em seus ombros enquanto seus corpos quentes brilhavam com

desejo... sim, era isso que queria a alegria compartilhada dos corpos.

Queria-a como companheira. A esposa. A amante. Não achava que podia aguentar a

agonia de suportar mais um dia, mais um mês, mais um ano de sonhos e saudades. Quanto

torturantemente e maldito era tê-la tão perto dele e não poder tocá-la. Teria ela alguma ideia

do que queria fazer-lhe quando se sentaram a pouco à beira do lago e girou as lâminas de

grama entre os dedos? Será que sabia o quanto se controlou para que resistisse e não se

deitasse sobre ela quando se estendeu sobre a grama e olhou para o céu?

Sua égua baía bufou fortemente enquanto rasgavam para dentro dos estábulos. Ouviu o

sopro ofegante da égua de Anaís e incitou sua montaria até as baias. Antes dele Anaís já estava desmontando, com a ponta de seu pé preso no meio do estribo. Uma rápida visão de seu

tornozelo que estava meio encoberto e o encontro de seus olhos fez seu pênis endurecer

novamente. A fome que manteve firmemente refreada durante o jantar se libertou de sua

repressão.

Em poucos segundos estava com as mãos em sua cintura, levantando-a e a livrando dos

estribos. Ela arfou de forma feminina, rouca, e então não se conteve mais. Não importava que

não o desejasse como ele a queria. Este era o momento que estava esperando. O momento da

verdade. O destino que havia sido traçado para eles.

— Já não posso mais, Anaís.

Sua respiração era profunda, suas palavras roucas quando a trouxe para si encostando-a

contra a parede rígida.

— Esta agonia de te observar de longe. Esta maldita tortura, pensando em você durante

a noite quando estou sozinho e querendo a sensação de tê-la contra mim. Já faz muito tempo

que preciso e desejo você.

Seus olhos se arregalaram. Choque? Paixão? Ele não sabia, mas a incerteza corroia suas

entranhas.

— Não posso mais vê-la apenas como uma amizade em minha mente. Quero seu corpo

debaixo de mim. Eu quero você corada e quente em meus braços. Quero estar dentro de você.

Não esperou pela resposta. Não queria ouvir ela lhe dizer que seus sentimentos e

desejos eram unilaterais. Só queria sentir seus lábios suaves se esfregado por baixo dos seus.

Um beijo. Ficará no beijo se ela lhe pedir isso. Mas negar isso a si mesmo, para resistir à

tentação, era um tormento que não podia suportar. Se ela lhe permitisse quaisquer liberdades,

iria confessar seu amor. Iria arrastá-la e casar com ela. Ele iria fazer amor com ela de todas as maneiras que conhecia.

— Sabe o que quero que me dê? — Perguntou, abaixando a boca para a dela.

— Sim, — ela sussurrou sem fôlego.

— Você vai me dar o que quero?

Ele tirou as luvas das mãos, soltando-as no chão. Desabotoando sua capa, deixou-a cair

dos ombros, antes de deslizar suas mãos nos braços dela por baixo da seda delicada de seu

vestido.

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— Se você disser não, Anaís, não vou pressioná-la.

Seus olhares se encontraram, e ele viu a guerra travada em seus olhos. À espera por uma

resposta foi uma lição de intensa agonia.

* * *

Um sopro frio do vento norte uivou furiosamente das colinas cobertas de neve. As

persianas da janela na parede atrás de Anaís rangeram contra os tijolos onde o vento soprou

mais uma vez, trazendo o ar gelado pelas frestas do antigo estábulo. O batente da janela resistia e o som que fazia a distraiu de seus pensamentos.

Ela deveria tremer de frio depois ter ficado fora por tanto tempo, mas não sentia o

tormento do ar rigoroso de inverno, apenas um calor arrasador que a envolvia de uma forma

febril.

— Anaís, enlouquecerei se me negar por mais tempo, — a voz profunda de Lindsay

sussurrou em seu ouvido.

Por favor, — suplicou, deslizando seu vestido e a camisa íntima para baixo de seus

braços, descobrindo a pele branca por baixo de sua roupa.

— Diga que sim, — ele implorava enquanto seus longos dedos procuravam os laços de

seu espartilho.

— Ou diga-me para interromper essas atenções antes que não possa mais parar.

O que devia dizer? Sabia o que deveria dizer, mas as palavras não saiam. Nunca achou

tão incrivelmente difícil falar como acontecia agora. Ela não queria pronunciar a palavra, pois sabia que Lindsay iria honrar sua recusa. Se recusar a ele era algo que não queria fazer. Queria isso, apesar de ir contra tudo o que a ensinaram. Queria esse ato de amor, independente do

fato de que pudesse arruinar-se, aos olhos da sociedade.

— Anaís?

— Não pare — disse em um arquejo.

— Oh, Lindsay, por favor, não pare.

Com habilidade magistral, ele desfez os laços em seu espartilho, puxando as cordas antes

de liberar os seios tensos para o ar fresco. Ela estremeceu, sentindo o despertar sexual inundar seu sangue quente como um copo de champanhe fino. Abaixando a boca para o vale de seus

seios, ele arrastou os lábios ao longo de sua pele, fazendo-a queimar e arder mais. Enfiando as mãos pelos grossos cabelos ondulados de Lindsay, Anaís fechou os dedos nos fios sedosos

quando os lábios dele se arrastaram entreabertos ao longo de sua pele. Sua respiração parou

quando sua boca desceu mais para baixo. Fechando os olhos, ela permitiu que sua respiração

suspensa passasse a um suspiro suave de anseio por um desejo que sabia ser proibido.

Nenhuma mulher de sua classe faria tal coisa sem o benefício do casamento, ou algo não menos

estável! Somente prostitutas ordinárias permitiriam a um homem tais liberdades, onde

qualquer pessoa podia encontrá-los. Mas o proibido era a mais suculenta das frutas,

especialmente quando era Lindsay que oferecia este sabor ilícito.

Ela não pensava, apenas sentia enquanto a boca dele seguia descendo em seu vestido.

Sendo seguida pela queda lenta de seus dedos que se enganchou sob a cintura nas suas anáguas

que foram puxadas de cima dos generosos quadris até que jaziam num monte de rendas ao

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redor de seus pés.

Ofegante, Anaís pressionou-se ainda mais contra a parede fria enquanto Lindsay caía de

joelhos e começava a acariciar a carne úmida entre suas coxas. Suas mãos em concha estavam

em seus seios enquanto sua boca se movia ansiosamente, faminta, sobre seu sexo molhado

conforme a lambia.

Como podia negar-lhe? Como negar-se a esse prazer pecaminoso, especialmente

quando o tinha desejado, não podia. Não amara este homem a vida inteira? Não era nem um

pensamento fantasioso ou melodramático no calor do frenesi sexual, mas a verdade. Tinha

amado Lindsay para... Bem, desde sempre. Só por isso estava ali com ele agora, no estábulo de

sua propriedade, para sentir a sua boca acariciando-a em locais proibidos e de formas exóticas e isto foi além do que jamais ousaria esperar. Esperou e ansiou por este momento havia muito

tempo...

O sangue martelou violentamente em seus ouvidos enquanto a boca quente de Lindsay

cobria cada centímetro de sua carne. Ela ouvia o pulsar rápido de seu coração se misturar com

os sons eróticos de sua língua lambendo-a. A maneira como lhe dava prazer à fez desejar que a

devorasse inteira e o incentivou com sua respiração rouca e a maneira como instintivamente

agarrou seu cabelo.

— Sabia que seria responsiva, — afirmou com voz gutural afundando o dedo dentro

dela, fazendo-a ficar mais úmida.

— Meu Deus, você é linda, — murmurou, de repente, ergueu-se e estudou seu corpo nu

enquanto estava vulnerável diante dele.

— Você sabe que não é verdade, — disse com os lábios trêmulos, embora desejasse que

fosse.

— É sim.

Sua voz soou poderosa enquanto acariciava com o dedo ao redor de seu mamilo

inchado.

— Você já reparou como não consigo deixar de te olhar? Nunca se perguntou por que

preciso estar perto de você? Você é um anjo, Anaís. É o meu anjo. Você é perfeita.

Lindsay estava olhando-a como um homem faminto, como um homem possuído pelo

poder da luxúria. Sabia que tinha que terminar o que haviam começado. Ela poderia pensar

depois nas coisas que acabou de lhe falar. Quando estivesse sozinha em seu quarto, poderia

tentar entender por que só agora, depois de anos de amizade, ele decidiu transformar seu

relacionamento em algo mais.

A sensação de suas mãos acariciando seus seios dispersou seus pensamentos. Ele rodou

o polegar ao longo de seus mamilos até que os botões se transformaram em seixos duros e seu

ventre se apertou com o desejo. Mais e mais brincou com os polegares em seus mamilos até

que pequenos tremores percorreram suas costas.

— Quero senti-la tremer assim quando estiver enterrado profundamente dentro de

você.

Ela encontrou seu olhar e ele lhe sorriu lentamente, sensualmente.

— Deixe-me fazer amor com você.

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— Sim, — sussurrou enquanto passava a língua ao longo de seu mamilo antes de deslizá-

los entre os lábios.

Sim. Eu quero muito isso.

Pegou-a como se fosse leve como uma pluma, e a levou para o canto do estábulo onde

fardos de feno estavam empilhados. Abaixou-a junto dele. Tirando a camisa dos ombros,

colocou-a em cima de sua cama improvisada. Pegou-a novamente, e a colocou sobre o linho,

que estava úmido de suor.

Eles tinham cavalgado intensamente em seu passeio pela floresta. Mesmo agora, ela

podia ver os fios de suor escorrendo por seu peito enquanto o luar de prata filtrado pela janela refletiu sobre seu tórax. Adorava a textura masculina de sua camisa úmida embaixo dela e o

cheiro dele. Homem e almíscar, em torno dela. Não se importava que estivesse sendo deitada

sobre um fardo de feno em um estábulo para sua primeira vez. Não se importava, porque era

Lindsay, este era o seu mundo, o mundo que eles sempre tinham compartilhado juntos.

Ele sentou e descansou sobre os calcanhares, a estudou, o tempo todo, passando as

mãos ao longo de seu corpo.

— Tão macio, belo e pálido — disse, parecendo impressionado.

— Quero me lembrar de você assim, tensa, esperando por mim para tomá-la pela

primeira vez.

Suas coxas tremiam. Colocou de lado o constrangimento. Agora não era o momento de

ser acanhada. Agora era a hora de saciar a sua mais profunda e privada fantasia, fazer amor com Lindsay.

Ele deslizou a mão sobre seus mamilos, em seguida, para baixo nas costelas, até que

chegou a seu quadril. Acariciou e apertou, observando sua resposta, ouvindo seus sons de

prazer, antes que percorresse as pontas dos dedos ao longo do interior de suas coxas,

provocando uma onda de arrepio ao longo de sua pele. Brincou ali por um tempo, tocando-a,

aumentando a expectativa até que estava segurando e apertando seus ombros, puxando-o para

baixo. Gostou de sua boca entre suas coxas, e da maneira de como estava ávida, e o queria lá

novamente.

Sabia o que ela desejava, e com um sorriso perverso que a fez encolher os dedos dos

pés, abaixou a cabeça e colocou sua boca contra o sexo dela. Ela arqueou sua intimidade,

esfregando sua carne úmida contra sua bochecha e lábios. Ouviu-o gemendo, um som de

aprovação e prazer, antes que passasse a língua contra ela.

Gritou o nome dele quando sentiu sua língua abrir suas dobras e cobriu a boca com as

costas da mão, silenciando suas súplicas devassas. Ele a provocou mais sacudindo a língua

lentamente por todo seu comprimento antes de circundar o botão sensível de carne. Ficou

tensa e olhou para baixo, só para vê-lo observando-a enquanto lentamente passava a língua ao

redor de seu clitóris. A visão pecaminosa foi suficiente para lhe parar o coração.

— Sempre quis saber como seria o gosto que teria na minha boca. Agora eu sei.

Perverso, era um homem perverso! Mas as palavras não vieram apenas, o tremor

incontrolável de seu corpo debaixo dele quando gozou em sua boca. Quando conseguiu emitir

um som, eram os arquejos abafados, gaguejando suplicou-lhe para parar. Ele não quis ouvir.

Puxou-a mais para perto. Sua língua com força e avidamente lambeu-a até que agarrou sua

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cabeça e se levantou sobre os cotovelos. Viu quando sua língua a atormentava.

Seus quadris se moveram na hora que sua língua a explorava. Ouviu-o grunhindo, viu

como seu olhar recaiu para os seios, que estavam balançando com seus esforços enquanto

subia a colina para o orgasmo mais uma vez.

Lindsay continuava a observar seus seios quando ela segurou um em sua mão,

acariciando o mamilo com o polegar assim como tinha feito nas noites, escondida debaixo de

seus lençóis, fingindo que era Lindsay fazendo todas aquelas coisas perversa ao seu corpo e não suas próprias mãos.

— Pequena atrevida, já fez isso antes, não é?

Ela deu-lhe um lento meio sorriso e continuou com a palma da mão em seu seio,

provocando-o, deleitando-se com seu grunhido rouco quando ela rolou o mamilo entre o

polegar e o indicador.

— Foi com você que sonhava quando me levava ao orgasmo, Lindsay. Mas nunca me

senti assim. Isso é inebriante.

Sentando-se, ele tirou as botas e atirou-as para o chão de pedra. Abriu as abas de suas

calças, puxando-as ao longo de seus quadris, permitindo apenas um vislumbre de cachos negros

e de sua ereção desenfreada antes que pressionasse seu corpo quente e úmido sobre o dela.

Estendendo os braços, levou as mãos até ele, permitindo que seu peito cobrisse o dela

quando enterrou seu rosto em seu pescoço e os cabelos dela se espalharam sobre o feno.

Pressionou em seu interior, enchendo-a tão completamente que ela só pôde deslizar para longe

da intrusão, mas ele estendeu a mão para seus quadris e segurou-o firme com suas mãos

grandes.

— Estou repleta de você, — ela sussurrou, sentindo a extensão grossa dele afundando

ainda mais para dentro dela. Ele gemeu, ainda segurando seus quadris, mantendo-a imóvel para

que pudesse se introduzir mais dentro dela.

A dor que esperava não veio. Uma breve, sensação de ardor a fez estremecer, mas foi

rapidamente ofuscado pela deliciosa sensação de Lindsay enterrado dentro dela. Eles eram um

agora. Não sabia dizer onde ela parava e ele começava.

Estendeu as mãos ao redor de seu traseiro, segurando-a com força, acariciando-a

profundamente, acelerando suas estocadas, enquanto observava seus seios dançar e balançar.

Arqueou as costas, sentindo a pressão crescendo dentro dela mais uma vez. Ele continuou

empurrando até que sentiu os ombros dele enrijecer sob seus dedos.

— Anaís, — ele gemeu.

— Anjo.

Sustentou o olhar firme no dele enquanto empurrava dentro dela lentamente no início,

depois cada vez mais fundo e mais rápido. Meu lindo, lindo Lindsay, como eu te amo...

* * *

Uma rajada de vento penetrou através das paredes do estábulo, acariciando seus corpos

nus. Anaís estremeceu, aconchegando-se mais no calor de Lindsay. Ele estendeu a mão e puxou

um cobertor de lã para baixo de um gancho de ferro.

— Você não se importa, não é? — Perguntou, cobrindo-os com a lã tartan.

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21

— Eu sei que não é brocado de seda, mas confesso que não estou pronto para deixá-la.

Quero sentir tudo isso contra mim, — ele murmurou, passando a mão sobre seu corpo.

Apertou-se contra ele, em vez de lhe dar um tapa em sua mão que sondava todo seu

corpo. Na verdade, não se cansava de seus elogios, ou da forma como as suas mãos parecia

continuamente acariciar seu corpo na mais reverente das maneiras.

— Quantas vezes mais você espera fazer isso esta noite?

Ele riu e apertou seu queixo contra o topo de sua cabeça.

— Não sei. Eu não me canso de você. Tenho uma vida inteira para compensar, você

sabe. Tantos anos de olho em você. Não sabe as torturas que me fez passar. Hoje à noite no

salão, quando a vi pela primeira vez em pé ao lado da lareira, quase a carreguei para fora, pois a queria muito.

Seus dedos se estenderam, capturando um cacho que estava por cima do ombro. Viu

quando ele estudou os fios loiros na luz dourada.

— Estou tão feliz por finalmente ter encontrado a maldita coragem de te levar para a

cama, — murmurou, antes de deixar cair os cabelos e deslizar os dedos por cima de seu ombro.

— Eu também.

Já estava na hora que a visse como uma mulher.

Ele segurou sua mão e, lentamente, entrelaçou seus dedos com os dele.

— Não quero que esse momento tenha fim, mas acho que está ficando tarde e vou ter

que deixar você ir. Sem dúvida, sua mãe e seu pai estão esperando para voltar para casa.

Estivemos montando, — disse ele com um sorriso, — por um tempo excessivamente longo.

Ela assentiu, sabendo que estava certo, mas desejando que não. Não queria que este

momento também tivesse fim. Tinha esperado demasiado tempo por um sinal de que Lindsay a

desejava como mulher, e não apenas como uma amiga.

— Você irá ao baile de máscaras de Torrington na terça-feira?

— Sim, — gemeu, odiando o próprio pensamento de precisar se vestir.

— Pensei que adorava o Dia dos Namorados. Que melhor maneira de comemorar do que

com um baile de máscaras?

— Amo o Dia dos Namorados. Eu apenas não me importo em me fantasiar.

— Por que não?

Ela sentou-se e o cobertor escorregou para baixo, expondo seus seios grandes.

— Você não gostaria se tivesse uma mãe que o obrigasse a vestir um traje de pastora.

Seus olhos verdes ficaram mais escuros. Estendendo a mão, circulou seu mamilo rosa

com a ponta do seu dedo.

— Acho que deve ir como uma odalisca. Não posso imaginar nada mais excitante do que

ver você vestida como se tivesse acabado de sair de um harém. Você faria isso por mim, Anaís

— ele perguntou, olhando para ela através de seus extraordinários cílios longos e negros. —

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Será que você se vestiria como uma houri1? Minha houri?

Anaís decidiu que iria mover céus e terra para fazer um traje que lhe agradaria. Ela se

entregaria a sua propensão para qualquer coisa que fosse Oriental. Faria o papel da garota do

harém se isso era o que desejava.

Ele sorriu e passou os dedos em seu pescoço, trazendo-a para mais perto dele.

—Você vai me deixar ter meu momento depravado com você, minha houri? Vai

encontrar uma maneira de vir a mim na noite do baile e fazer amor comigo?

O que poderia dizer? Isto era simplesmente um sonho.

— Sim.

Lindsay baixou a boca para a dela, beijando-a suavemente, embalando-a, quase a

drogando com seu beijo. Sua mão se moveu para seu peito e ele pegou-lhe a mão antes de

passar sua mão na lateral de seu corpo em um processo lento, de forma arrebatadora, de

maneira amorosa.

— Você pode sentir o quanto estou crescendo contra seu ventre quente? Apenas pensar

em você me faz isso, Anaís. A quero de novo, para estar dentro de você, mais uma vez, e para

que possa sentir-me dentro o resto da noite. Quero-a todas as noites para o resto da minha

vida.

Há quantos anos havia esperado por essa declaração?

— Você está me pedindo em casamento? — Perguntou incrédula.

Já tinha quase desistido de qualquer esperança de que Lindsay poderia retornar suas

afeições. No entanto, ali estavam, nus nos braços um do outro, falando do ‘para sempre’.

— Nós vamos nos casar. Mas quanto ao pedido, tenho planos. Quando propuser quero

que seja especial. Ter a certeza que é minha. Você vai ser minha esposa. Confie em mim com

relação a isto, Anaís.