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Viciado por Charlotte Feathertone - Versão HTML

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Um barulho ecoou do lado de fora da janela do estábulo. Anaís sufocou um grito quando

estendeu a mão para o cobertor, cobrindo sua nudez.

— Foram apenas alguns gatos do celeiro que ficaram dentro das velhas latas de estanho

de leite, é só isso, — murmurou.

— Não se preocupe querida. Agora que tal colocar suas pernas bonitas ao meu redor e

me montar como faz com sua égua.

Ele passou as mãos pelo seu traseiro e procurou seu sexo entre suas dobras.

— Vi você montando, e desejei que estas coxas adoráveis estivessem ao meu redor e

não em Lady.

Anaís levantou-se de joelhos e olhou pela janela, temendo que ver a sombra de alguém

correndo do estábulo.

— Talvez nós devêssemos voltar.

1 As houris, ḥūr ou ḥūrīyah (em árabe: ة يروح) (masc. árabe ‫روح‫, ḥūr, fem. árabe ‫ةيروح‫, ḥūrīya, pl. ḥūrīyāt) são, de acordo com a fé islâmica, virgens prometidas aos homens islâmicos bem-aventurados, isto é, que como gratidão por suas boas ações em terra, é premiado com o paraíso. Estas são personagens celestiais.

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— Como posso convencê-la a ficar comigo? — Perguntou, chegando por trás dela e

segurando-a firmemente em seus braços.

— Como poderia fazê-la mudar de ideia?

Pressionou pequenos beijos ao longo de sua coluna, enviando arrepios para baixo de

cada nervo enquanto segurava seus seios por trás.

— E se implorasse? Ou a coagisse com palavras bonitas? E se simplesmente a tomasse?

Sugeriu sombriamente.

— Acho este um pensamento interessante, penso que me basta tomá-la.

—Onde diabos eles estão?

Anaís se endireitou como se tivesse sido açoitada com um chicote. Era a voz estrondosa

do Marquês de Weatherby, pai de Lindsay.

—Vou chicotear meu filho se não manteve esse pau em sua calça.

— Se vista, — Lindsay ordenou, ajudando-a descer do fardo e a virando para que

pudesse amarrar as cordas do espartilho.

— Depressa, — sussurrou, ajudando-a com sua camisa.

— Agora, se esconda no feno.

— Lindsay...

— Faça isso, — ordenou quanto lhe jogou seu vestido para ela.

—Rapaz — seu pai chamou do lado de fora, sua voz alta e soando muito embriagada.

Anaís lançou para Lindsay um olhar nervoso antes de apressadamente entrar no vestido

de tafetá pesado. O marquês era um beberrão e estava embriagado. Tão inútil quanto um dia

longo, era nada mais que um bêbado devasso, seu pai sempre o disse. O homem era capaz de

qualquer coisa, enquanto estava com seus copos. Ela temia por Lindsay e o que seu pai poderia

fazer a ele.

A porta do estábulo se abriu. Uma fria rajada do ar de fevereiro, seguida pela agitação do

vento e da neve fez com que os cavalos relinchassem nervosos. Anaís espiou pelas frestas das

paredes do estábulo, vendo que o marquês apareceu grande na porta com as mãos cerradas ao

lado do corpo. Sua cabeça virou-se na sua direção e ela gemeu antes de abaixar ao lado de dois

fardos de feno.

— Onde estão vocês? — O marquês resmungou, vagando pelo estábulo antes de bater a

porta e fechá-la firmemente. Tropeçou em um banquinho devido sua embriaguez e com um

chute violento, enviou o banco voando por toda a extensão do estábulo.

— Ah, — Weatherby rosnou quando fixou seu olhar sobre Lindsay.

— Aí está você. Arrumando sua camisa, vejo. Este não é o momento para estar vadiando

com a criadagem, meu rapaz. Se quiser se divertir com uma das criadas, deveria esperar até que

os convidados partissem.

Lindsay vestiu a camisa e depois pegou as botas, ignorando o pai.

— Você não estava se divertindo com aquela garota Darnby, não é?

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Anaís viu os ombros largos de Lindsay ficar rígidos, mas não disse nada enquanto

alcançava sua segunda bota.

— Deus sabe que a garota...

— Anaís.

Weatherby bufou.

— Precisa de uma boa, trepada. Faz-se de superior. Sempre olhando por cima do nariz

para mim como se eu fosse nada mais que um verme. Mas sua mãe, você sabe. A ideia de que

você profanou a doce e inocente garota Darnby, nada pequena por sinal, teriam a mandado

para a cama por uma semana. E isso não pode acontecer. Tenho um grupo de cavalheiros que

vem no final de semana. Tenho um grande negócio planejado para isso e não posso ter a sua

mãe se escondendo aqui, confinada na cama. Quero que ela vá para Londres, com você. Então,

se já estiver se divertido esta noite com a garota Darnby, é hora de você colocar o seu pau de

volta em suas calças e fazer o caminho de volta para casa.

Lindsay finalmente voltou sua atenção para o seu pai, o rosto mostrando um desprezo

mal contido.

— Lady Anaís voltou para a casa imediatamente após nosso passeio.

Lorde Weatherby bufou.

— Não quis levantar as saias para tipos como você, hein? Sem dúvida pensa que é feito

da mesma forma que seu pai. Sabe que é gorducha, a pequena megera frígida. Não sei por que

só anda de nariz empinado. Sua mãe não era nada antes de casar com Lorde Darnby. Veio do

nada, isso sim. Só tinha sua aparência, e posso dizer-lhe — Weatherby riu — a mamãe dela não

foi para o leito de casamento virgem.

— Pai! — Lindsay explodiu, olhando na direção dela por um breve segundo antes de

voltar seu olhar para seu pai insolente. Mas Lindsay sabia tão bem quanto ela que a mãe estava

longe de ser uma santa. Na verdade, sua mãe não passava de uma hipócrita, pregando uma

coisa e fazendo exatamente o oposto. Anaís não abrigava grandes ilusões sobre sua mãe. Há

muito tempo chegara a um acordo com o comportamento da mãe.

Ela tinha oito anos de idade quando viu pela primeira vez sua mãe flertando com o

amigo de seu pai durante um piquenique. Naquela noite, quando escapou de casa em direção

ao lago para ver os vaga-lumes com Lindsay, vira sua mãe, vestida em uma capa branca,

correndo pelo gramado para o laranjal. O amigo de seu pai estava lá, esperando. Sua mãe tinha

caído em seus braços antes mesmo que a porta se fechasse atrás deles. A última coisa que Anaís

ouviu foi sua mãe suplicando a seu amante.

— Leve-me longe de todo esse inferno, — ela implorou.

— Apague o toque do meu marido, um homem que desprezo. Trate-me como uma

mulher, pois meu marido nunca o fez.

Mesmo com oito anos, Anaís já sabia o que sua mãe era. Uma alpinista social. Uma

fraude. Uma adúltera. Esse incidente, Anaís havia admitido, era improvável que fosse o primeiro de sua mãe. E certamente não foi o último. Anos mais tarde, quando Anaís estava no início da

adolescência, descobriu sua mãe no sótão com um jovem e bonito lacaio que tinha acabado de

ser contratado. Se Anaís não tivesse fugido como das outras vezes teria sido testemunha de sua

mãe traindo seu pai. Ela a confrontou.

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Foi quando sua mãe lhe tinha dito toda verdade que já suspeitava por muito tempo. Que

o casamento com seu pai haviam trazido riquezas e status social. Essa foi a única razão pela qual se casou com ele. Seu dinheiro trouxe-lhe felicidade e amantes. O seu afeto físico lhe fazia mal.

Assim, também, quando olhava para as filhas que teve que produzir, a fim de manter seu

marido satisfeito. Odiava suas filhas pelo que tinham feito a seu corpo. Detestava o tempo que

foi obrigada a passar com elas, mesmo que fosse o mínimo. E desprezava Anaís ainda mais, lhe

dissera, porque entre as três filhas era a que mais se assemelhava a seu pai, tanto na aparência quanto na personalidade.

Moralidade, sua mãe zombou, não era um traço que valia a pena. Isto somente lhe

trouxe miséria, e a sensação de uma corda fechando cada vez mais apertada em torno de seu

pescoço. Anaís deixou o quarto no sótão, que outrora tinha sido seu berçário, com um

pensamento que lhe enojava. Vendo sua mãe se envolver em tal deboche em um quarto onde

ela e as irmãs tinham dormido quando crianças a enojou e a fez perceber que tipo desumano e

amargo era sua mãe.

Ela não confiara a notícia a seu pai porque iria destruí-lo. Não tinha dito a sua irmã mais

velha, Abigail, porque na verdade, Abby era a mais parecida com sua mãe do que qualquer um

deles. Ann, a caçula, ainda era uma criança. Então se virou para a única pessoa em que confiava.

A única alma que ela já tinha confiado intimamente. E, como sempre, ele estava lá esperando

por ela no estábulo, o cavalo já tinha sido selado e tanto Lindsay quanto sua égua tinha

esperado pacientemente por sua chegada.

Anaís tinha caído em seus braços soluçando, assim como sua mãe havia caído nos braços

de seu amante durante todos aqueles anos atrás. Lindsay a manteve em segurança.

Aconchegou-a junto dele e lhe permitiu molhar a camisa com suas lágrimas. Ele tinha dezoito

anos então. Mais homem do que menino. Poderia tê-la deixado, afinal era ainda considerada

uma criança, mesmo aos dezesseis anos. Mas não a tinha abandonado, e ela agarrou-se nele

como a hera nas paredes de sua casa enquanto acariciava suas costas com a palma da mão, que

recordando a sentiu tão forte e quente ao longo de sua coluna.

Confidenciar a Lindsay havia tirado sua dor, mas a constatação de que o sangue frio e

cruel de sua mãe nadava em suas próprias veias era algo que sempre a aterrorizou. Ainda não

tinha feito as pazes com o conhecimento. Não queria se tornar sua mãe. Não se tornaria sua

mãe, jurou enquanto ouvia Lorde Weatherby vomitar seu veneno. Sim veneno, mas sabia que

era a verdade.

— O que exatamente você não quer ouvir, rapaz — seu pai provocava, desenhando seu

olhar longe do músculo que se mexeu na mandíbula de Lindsay.

— O que é que te deixa tão irado? O fato de que não suporto aquela vadia que você

chama de amiga, ou o fato de eu ter trepado com a mãe dela?

— Pare com isso — Lindsay exigiu.

Seu pai riu e deu um tapa no ombro de Lindsay.

— Não aja de forma tão honrosa, filho. Você não o é, sabe disso. Sei tudo sobre você e

seus hábitos. Então, me diga como é a sensação de ser uma peça do velho bloco, com vinte

nove anos e precisando da maldita ajuda de toda a casa?

—Trinta, — Lindsay retrucou antes de alcançar seu casaco de noite.

— Como assim?

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— Fiz trinta anos no mês passado. Mas de você não se pode esperar que se lembrasse

disso. Afinal, passou os últimos anos em uma neblina de embriaguez em Londres com suas

amantes e seus comparsas.

— Bem, trinta, então, — disse o pai sem remorsos.

— Como se sente em ser um homem, que teve alguma criadinha formosa aqui e lhe

dando com força contra a parede?

— Eu tenho sido um homem, com as responsabilidades de um homem há muitos anos,

pai, — Lindsay rosnou quando deu de ombros em seu casaco.

— Enquanto você esteve na devassidão se embebedando por anos, cresci. Eu me tornei

algo que você não é, um cavalheiro.

Seu pai se inclinou para frente e piscou não se afetando pela repreensão de Lindsay.

— Foi aquela pequena Sally a rechonchuda? Eu a tive no outro dia. Coisinha animada e

habilidosa, também. Boca linda. Oh, vamos agora.

Seu pai sorriu maliciosamente quando viu Lindsay fazer uma carranca.

— Estava fazendo o que é natural. Pelo menos, o que é natural para você e para mim, —

seu pai brincou, acotovelando-o nas costelas, em seguida, cambaleando para a esquerda.

— Que homem não gosta de uma boca de mulher em volta dele de vez em quando?

Droga é a melhor libertação que você pode encontrar meu rapaz, uma boca disposta e ansiosa

para agradar. Com a boca — seu pai zombou — você não terá que se casar e ser bombardeando

o resto dos seus dias.

— Você me enoja — Lindsay disse com um grunhido.

— Estou feliz rapaz, — seu pai declarou, sem se importar com a censura de Lindsay.

— Estou certamente satisfeito com os relatórios que tenho recebido da cidade. Parece

que é verdade, as maçãs realmente não caem tão longe da árvore.

Anaís observou a fuga da cor no rosto de Lindsay. Estava agora em um tom pálido

medonho. Nunca tinha visto Lindsay parecendo tão desconcertado. Foi porque seu pai havia

falado de suas conquistas anteriores, e ela estava presente para ouvi-lo? Lindsay estava

preocupado com seus sentimentos, especialmente depois do que eles tinham compartilhado?

Sabia que na idade de Lindsay, ele já tinha conhecido outras mulheres. Não era ingênua

para acreditar que tivesse se guardado para ela. Além disso, teve conhecimento de sua

habilidade ao primeiro toque de suas mãos em seu corpo. E embora sentisse ciúmes e mágoa,

acreditava que o que eles haviam compartilhado foi mais do que teve com outras mulheres.

Tinha que acreditar nisso, porque acreditar em qualquer outra coisa seria doloroso demais para

suportar.

— Bem, então, estou indo embora, volte para casa para dizer para o asno pomposo do

Darnby que a megera de sua filha não está aqui com você. Sabia que você não teria o mau

gosto de trepar com alguém como ela, mas sua mãe, — ele zombou cambaleando para longe, —

não ficaria sossegada até que eu deixasse a minha mesa e a mão de cartas para procurar você.

Aquela maldita mulher, não sei o que fiz para merecê-la. E, — Weatherby retrucou quando se

virou — você talvez possa considerar ser um pouco mais civilizado com a garota Grantworth. Ela

vale uma fortuna e é muito mais bonita do que a garota Darnby. Tem um dos maiores dotes no

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mercado de casamento deste ano e gosta de você. Vi vocês fazendo arranjos para participar da

maldita feira. Quero um herdeiro de você antes de morrer. Fiz-me entender?

Quando a porta do estábulo se fechou, Lindsay olhou para Anaís, com uma expressão de

pena estragando seu belo rosto.

— Está bêbado, — ela murmurou baixinho, puxando pedaços soltos de feno de seu

cabelo.

— Não sabia o que estava dizendo.

Foi a mesma desculpa que ouvira Lindsay usar para seu pai desde que eram crianças.

Desprezava aquelas palavras mesmo quando as disse agora. Não havia desculpa para tal

perdulário. O marquês estava sempre em estado de embriaguez grotesca. Já o tinha visto

caindo de bêbado e apalpando as mulheres que não eram sua esposa mais vezes do que queria

admitir. Mas, então, Anaís não poderia culpar Lindsay por tentar amenizar o constrangimento

de ter um pai assim. Ela fez a mesma coisa com sua mãe. Anaís tinha lidado com a vergonha,

não por defender as ações de sua mãe, mas para arrancá-la de sua vida. Anaís lidou com a

desgraça, fingindo que não tinha mãe. E a mãe dela não poderia ter ficado mais feliz por sua

ausência.

— Depois do que nós acabamos de compartilhar, deve saber que não gosto ou sinto

desejo por Mary Grantworth.

Anaís sorriu feliz por ouvir isso.

— Ela queria que você acreditasse que tínhamos saído para uma caminhada juntos e

falou comigo de modo intimo. A verdade, Anaís, é que a conheci saindo do boticário, e falei com ela por menos de um minuto.

— Obrigado por me dizer, Lindsay. Não que você precisasse.

— Sim, precisava. Fiquei preocupado o tempo todo, enquanto ele esteve falando sobre

as outras mulheres e Mary Grantworth, que você iria me odiar e acreditar no que meu pai

estava dizendo. Estava com medo de que quando finalmente fui capaz de chegar até você, não

iria acreditar em mim quando disse que foi e é a única mulher que sempre quis

permanentemente em minha vida.

O gelo que de repente haviam se formado dentro dela derreteu e estendendo a mão

para cima, ficou nas pontas dos pés e roçou a boca contra a dele.

— Acredito em você, Lindsay.

— Eu não gosto dele, Anaís. Não sou igual a meu pai. Não compartilho seus vícios.

Segurou o rosto de Lindsay, forçando-o olhar para ela. Ele disse que nunca iria

pronunciar uma palavra falsa para ela, e acreditava nele.

—Você não é?

—Não. Eu... — Seus olhos ficaram ilegíveis e ele tentou, tentou muito duramente, ela

sabia manter seu olhar firme. No final, já não podia e estava olhando por cima de seu ombro

para um ponto na parede atrás dela, quando disse:

— Eu juro. Não sou como ele.

Algo nela começou a doer, mas foi logo substituído pelo grande amor que sentia por ele,

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e da necessidade de acreditar nele. Podia lidar com qualquer coisa que estava com medo de

contar a ela. Nada poderia impedi-la de amar Lindsay, nada. Neste momento, tudo era muito

novo. Eles precisavam de tempo para se ajustar ao modo como as coisas estavam acontecendo

entre eles.

— Então, tudo vai ficar bem, não vai?

Ele balançou a cabeça enquanto corria a ponta de seu polegar ao longo de seus lábios.

— Isso é certo, — disse enfaticamente, como se estivesse tentando convencer a si

mesmo e não a ela. Segurou-lhe o rosto, olhando-a nos olhos enquanto descansava sua testa

contra a dela.

— Este vínculo que temos, nunca deve ser quebrado. Prometa-me, — disse, colocando

seu rosto em suas mãos.

— Prometa-me que esse elo que nos une nunca será quebrado.

— Sempre fui ligada a você. Meu coração sempre será seu, Lindsay. Nunca se esqueça

disso.

— Preciso de sua bondade na minha vida, Anaís. Eu preciso de você para que não me

transforme em meu pai.

— Você não vai, Lindsay.

— Prometa-me, Anaís. Jure que estará sempre comigo. Diga que você nunca vai mudar.

— Juro Lindsay.

— E você vai lembrar-se de mim esta noite?

— Sim, vou. E você vai pensar de mim, Lindsay?

— Tenho o seu cheiro na minha mão. O seu gosto na minha língua. Nunca te esquecerei,

Anaís.

CAPÍTULO 3

— Você está guardando segredos!

Anaís ergueu os olhos da seda púrpura e ouro que estava em seu colo. Rebecca, sua

melhor amiga em Bewdley, passeava no quarto, parecendo mais radiante do que era justo. Era

tão exótica, seus cachos ruivos e olhos âmbar eram amendoados e orlados por exuberantes

cílios de cor ferrugem.

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Anaís observou Rebecca se jogar na cama e apoiar a mão no queixo delicado de boneca.

Sua amiga era tudo o que não era. A única carência de Rebecca era a falta de fortuna e

conexões familiares. Mas esse fato não parecia deter os inúmeros pretendentes que haviam

tentado cortejar Rebecca ao longo dos anos. Aconteceram tantas vezes, enquanto Anaís ficava à

margem, sozinha e passando despercebida, observando a amiga sorrir encantadoramente. No

máximo somente os desonestos a perseguiam, e ela desejava possuir uma fração da beleza de

Rebecca. Anaís teria entregado seu dote por apenas uma ninharia em troca dos encantos de sua

amiga e seus ardentes olhares.

— Muito bem, — Rebecca a desafiou, levantando uma sobrancelha perfeitamente

moldada.

— Você esteve cavalgando por um tempo muito longo. Que diabo fez Lorde Raeburn

com você depois de tê-la roubado do salão?

Um pequeno sorriso ergueu os lábios para cima. Tinha quase esquecido completamente

que Rebecca esteve presente ao jantar.

— Vamos, Anaís, desembuche seus segredos! Sei que você deve ter tido um encontro

amoroso apaixonado no estábulo.

— E o que a faz pensar isso? — Anaís pensou e voltou ao momento em que ouviu um

estrondo do lado de fora do estábulo, e viu uma figura fugindo pela janela. Rebecca a tinha

espionando? Mas por quê?

— Anaís, temos sido amigas tempo demais. Todos os sinais de um abraço tórrido

estavam lá em sua pessoa quando chegou ao salão. Sua cor era radiante, e seus lábios, —

Rebecca brincou, — estavam tão rosa e inchados quanto qualquer outra coisa. Ou você foi

picada por uma abelha, em fevereiro, ou foi completamente e prazerosamente arrebatada!

Agora não me mantenha em suspense por mais tempo. Estou morrendo de curiosidade para

saber o que aconteceu entre vocês dois!

Anaís corada espetou a agulha através da seda roxa, tentando impedir que a mão

tremesse e a bainha saísse irregular. Queria que essa fantasia fosse perfeita.

— Anaís, — Rebecca disse provocando, — nós somos amigas há muito tempo, certo.

Você não pode esconder a verdade de mim. Ele beijou você, não foi?

—Talvez, — Anaís disse incapaz de esconder o sorriso enorme que abriu seus lábios.

—Você é um demônio — Rebecca gritou, saindo da cama e lhe arrancando o tecido das

mãos.

— Dois dias você guardou isso de mim! Diga-me tudo. Foi divino? Ele tem lábios fortes?

— Rebecca, tenho certeza de que você já sabe que isso é o paraíso. Afinal, você foi

beijada muitas vezes antes.

— Mas nunca por uma pessoa, deliciosamente perversa como Lorde Raeburn.

Por alguma razão Anaís não queria discutir Lindsay com Rebecca. Não que ela não

confiasse que sua amiga seria discreta e manteria o segredo. Confiava em Rebecca

implicitamente. Mas percebeu que o que tinha acontecido entre ela e Lindsay era para ser

mantido apenas entre eles.

— Bem — Rebecca cutucou.

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— Estou bem certa que Lorde Broughton é tão deliciosamente perverso, Rebecca. Na

verdade, estou certa que você deve descobrir, quando ele propuser casamento a você.

— Oh, meu receio é que Lorde Broughton seja o mais piedoso dos senhores.

Deliciosamente e perverso são duas palavras que eu não usaria para descrevê-lo.

Anaís franziu a testa e pensou no homem que estava cortejando Rebecca. Garrett, Lorde

Broughton, era um cavalheiro. Bonito e rico Garrett foi muito procurado para o casamento,

pelas garotas e suas mamães. Ele era um cavalheiro dado à introspecção e calmo, isso era

verdade, mas não havia dúvida que Rebecca tinha capturado sua atenção.

— O que você está fazendo?

Rebecca perguntou de repente, correndo o dedo ao longo do cordão de ouro que Anaís

estava costurando atentamente na seda roxa.

— O meu traje para o baile de máscaras de hoje.

— Você me disse que iria como uma pastora. Pensei que sua mãe já tinha o seu traje

pronto para você.

— Não vou usando essa monstruosidade horrível.

Anaís olhou para o traje que estava pendurado na porta de seu guarda-roupa.

— Vou parecer tão grande como uma fragata com essa saia arqueada.

O olhar de Rebecca percorreu o traje.

— É revoltante, não é?

— Não vou usá-lo.

— Então, o que você vai vestir?

— Vou como uma odalisca.

A boca de Rebecca estava aberta e antes que ela retrucasse a fechou novamente.

— Você sabe o que é uma odalisca, não é? Está ciente de que vai descobrir uma grande

quantidade de... — Rebecca engoliu em seco e olhou diretamente para ela.

— Você vai expor uma grande quantidade de sua pessoa, Anaís.

— Oh, vou integrar as alterações apropriadas que me permita ser apresentável na

sociedade, nunca tema isso. Mas tenho uma fonte segura que disse que ficaria bastante

atraente vestida como uma odalisca. Lindsay sugeriu a ideia e quero agradá-lo.

Os olhos de sua amiga reviraram com descrença.

— Não posso acreditar que Raeburn disse isto. Bem, não que não deveria achá-la

atraente, — disse rapidamente.

— É que depois de todos esses anos... depois de anos sem... bem, aparentemente

desinteressado nesse tipo de relacionamento... — murmurou Rebecca antes de sua voz sumir

totalmente.

— Mal consigo acreditar nisso. Oh, Rebecca, mas acredito que me ama. Ele diz que vai se

casar comigo.

— Tem certeza, Anaís? Odeio isso, pensar que você possa se decepcionar.

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Algo nas palavras de Rebecca fez congelar o sangue de Anaís. As sinistras serpentinas da

dúvida começaram a se desenrolar, lentamente sufocando sua nova autoconfiança, mas

empurrou-a de lado. Lindsay a queria. Ela tinha visto isso em seus olhos, ouviu em sua voz,

sentiu em seu toque.

— Agora chega. Não deixei-nos deter em pensamentos sombrios. É claro que ama você,

Anaís. Como não poderia? Você já tem estado perambulando em seu caminho desde sempre,

por anos. Era apenas uma questão de tempo antes de Lorde Raeburn tropeçasse em você e

tomasse conhecimento de sua presença.

É que o que tinha acontecido? Lindsay tinha apenas cedido? Estava cansado de sempre

tê-la perto? Se tivesse apenas se resignado ao inevitável e, finalmente cedido ao maior desejo

de sua mãe, o desejo que uma mãe o tinha levado sem nenhum esforço, sem disfarce?

— Anaís, — a voz de sua irmã Ann soou.

—Você recebeu uma carta.

— Rápido.

Anaís saltou de sua cadeira e pegou a saia roxa e dourada na cama.

—Ajude-me esconder isso.

Rebecca ajudou a dobrar a roupa em um saco de musselina grosseiro segundo antes que

a porta se escancarasse e sua irmã de quatorze anos de idade, entrasse correndo pelo quarto,

seus cachos saltando e suas bochechas rosadas de excitação.

Ela parecia uma pequena fada animada, com seu nariz levemente arrebitado e olhos

azuis cintilantes, pálidos. Ann era leve e delicada, seu cabelo era mais pálido, mais prateado do que ouro e mais liso do que as ondas de Anaís. Sua pele era como porcelana e seus atributos,

enquanto aristocrata, trazia certa fragilidade que a fazia parecer quase etérea. Mas sua

personalidade efervescente deixava de torná-la intocável.

Um dia, Ann Darnby seria belíssima e a mulher mais procurada na Inglaterra e Anaís de

repente não poderia esperar outra coisa a não ser que sua irmã encontrasse o homem dos seus

sonhos.

— Dia dos namorados, — Ann anunciou com a voz ofegante devido o esforço. Anaís

pegou o embrulho vermelho e arrancou-o da mão de sua irmã. Virando-se rasgou a embalagem

para encontrar dentro um pedaço de pergaminho no formato de coração dobrado

cuidadosamente.

“Seu paxá espera você. À meia-noite, no terraço.”

— Bem? — Rebecca perguntou animadamente.

— De quem é?

— Um admirador — Ann disse timidamente.

— Você tem um admirador secreto, Anaís?

— Ann, não deixa de ser uma praga, — sua mãe disse da porta. A expressão dela de

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repente ficou séria como o olhar fixo em Anaís.

— Claro que sua irmã não tem um admirador, a não ser que seja um ganso, Ann.

Os lindos olhos de sua mãe passaram por cima dela e Anaís viu a emoção familiar de

desagrado brilhando neles.

Anaís estava bem ciente que era uma decepção para sua mãe. Um nome tão lindo,

apaixonado, completamente desperdiçado com aquela criatura simples. Tinha ouvido esta

observação muitas vezes, mais do que queria ter ouvido sendo proferidas na voz amarga de sua

mãe. Quantas vezes Anaís ouviu alguém dizer que naquela esfera tinha de ter nascido pelo

menos uma comum entre todas as mulheres bonitas dos Darnby? No entanto, a verdade desta

afirmação não machucaria tanto se não tivesse a infelicidade de ser tão simples.

Sua irmã mais velha, Abigail, que tinha sido a bela da sociedade e agora era a condessa

de Weston, tinha sido a beleza delirante da família, para não mencionar a filha favorita de sua mãe. Sua mãe nunca deixou de lembrar Anaís da beleza ou do prestígio de Abigail na temporada

sendo a mais procurada pelos homens. Agora Ann, sua irmã caçula, estava preparada para ser

uma grande beleza, ainda mais bela do que Abigail, e muito menos vaidosa sobre isso, também,

graças a Deus.

— Agora então, meninas, é hora de se preparar para o baile de máscara Torrington. Você

precisar de mais tempo, minha querida se quiser ficar apresentável. Casamento, Anaís, — sua

mãe ensinou enquanto acenava o dedo perfeitamente bem cuidado diante o nariz de Anaís.

— Você deve se lembrar que um casamento vantajoso é o objetivo principal de uma

jovem e bem educada lady na vida. Você já está em desvantagem. Com sua idade, bem, vai ser

impossível encontrar alguém adequado, ainda mais com as debutantes saindo nesta temporada.

— Mãe... — Deus, odiava quando sua mãe falava isso na frente de Rebecca.

— Bem, é verdade. Você vai fazer vinte e oito anos na próxima semana e tem pouco para

lhe recomendar junto ao seu dote. Na minha época a mulher era firmemente presa na

prateleira com sua idade. Ora, eu já tinha meu marido e trazia dois filhos, aos vinte e cinco.

— Mãe...

— Olhe para Rebecca, aqui. Pobre como um rato de igreja e com pouco em termos de

conexões familiares. Se não fosse por seu pai e eu, assim como seu tio, ela teria ascendido a

nada mais do que uma governanta. Apesar de tudo isso, fez um respingo na sociedade, até

mesmo capturou as atenções de alguém que é famoso por ser mais exigente. O charme e beleza

de Rebecca fizeram Lorde Broughton esquecer que ela não tem dinheiro ou conexões

familiares. Você vai me perdoar por falar tão francamente querida — sussurrou a mãe sem

remorsos para Rebecca.

— Estou apenas tentando fazer Anaís entender, vendo você, que não é o suficiente ser

rica, é preciso ser bonita, também.

— Não se pode ajudar se são bonitas, ou não, — Anaís murmurou, torcendo os dedos

em seu avental.

— É verdade, — disse sua mãe, acariciando seus cachos louros.

— Mas pode-se, pelo menos, fazer uma tentativa de trabalhar com os atributos que

tiver.

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— Acho-a bonita, Anaís — Ann disse vindo em sua defesa.

— Chega Ann, — disse sua mãe com uma inclinação superior de seu queixo.

— Rebecca, querida, seu tio enviou sua carruagem para buscá-la. Está esperando no

pátio. Não me deixe esperando, Anaís, — sua mãe lhe avisou com um olhar aguçado quando

estendeu a mão para o trinco da porta.

— Acho que você é linda, Anaís, — Ann disse com orgulho.

— Além disso, ouvi Lindsay comentar com Lorde Wallingford que achava você uma

mistura perfeita de beleza e inteligência. Ele a chamou de seu anjo. Acho que ele vai te propor.

Realmente eu acredito.

— Chega Ann, — disse a mãe com um olhar.

— Meu Deus, não há mais nada que eu adorasse se ele casasse com ela e a levasse para

fora de minhas mãos, mas não teremos a chance agora para isso. Se não propôs depois de todos

esses anos, nada vai induzi-lo a fazer agora.

— Mas mamãe, eu ouvi.

— Chega deste absurdo. Não haverá nenhum pudim para você depois do jantar.

— Mamãe! — Ann choramingou.

— Você está ficando um pouco larga na cintura, Ann. Uma noite sem pudim de pão irá

fazer-lhe bem. Deve estar consciente agora de manter sua silhueta. Um homem vai percorrer

um longo caminho antes de ver uma silhueta como a sua. Você deve se proteger mais

cuidadosamente, — sua mãe ensinou como e prontamente deixou Ann, protestando em voz

alta sobre a perda de seu pudim.

— Bem?

— Ele quer me encontrar — Anaís disse emocionada, esquecendo-se da irritação com

sua mãe, e mostrou a Rebecca o cartão do dia dos namorados que Lindsay tinha escrito para

ela. Rebecca leu e olhou para ela, tinha uma estranha intensidade em seus olhos cor de âmbar.

— Como é lindo.

— O que você vai vestir esta noite?

Anaís perguntou animadamente enquanto seu olhar se desviava para o saco perto da

porta.

— Como vou saber quem é você no meio da multidão?

— Não tenha medo, você vai me encontrar, — Rebecca gemeu, alcançando o saco de

musselina, que ela cair no chão quando entrou.

— A Sra. Button informou meu tio que tinha o traje perfeito para mim. Claro, como você

sabe, meu tio se curva para cada um dos desejos da Sra. Button.

Rebecca tirou um pano velho marrom e estendeu para Anaís.

— Uma freira? — Anaís grasnou, rindo da imagem de Rebecca vestindo traje marrom.

— Humm. Estou certa de que essa fantasia não vai inspirar Lorde Broughton ousar entrar

no reino da maldade.

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— Nunca se sabe — Anaís brincou.

— A noite pode trazer qualquer surpresa.

— Com você já está tudo certo, Anaís, — Rebecca disse baixinho, reunindo seu saco que

estava em cima da cama. Ela empurrou a túnica marrom para dentro antes de sorrir

alegremente.

— É preciso trabalhar com o que o destino nos reserva.

* * *

Abaixando-se sobre o sofá de veludo vermelho, Lindsay abriu os braços na parte de trás

da estrutura de madeira enquanto inspecionava a pequena sala que havia se tornado um meio

de escapar das teatralidades do salão um andar abaixo. O ar na sala estava carregado de fumo

enrolado, pesado com o perfume de vinho tinto derramado e do tabaco turco. Numerosos

travesseiros haviam sido espalhados, enquanto braseiros foram acesos com incenso, emitindo

um forte aroma, quase sensual do qual já estava muito familiarizado. O perfume inebriante do

fino ópio turco nublava a sala, cobrindo-o em um aroma envolvente.

No centro da sala, vestido como um paxá sentava-se o Conde de Wallingford. O filho

mais velho do Duque de Torrington. Wallingford era um vagabundo indolente da mais alta

ordem, e também era um amigo muito bom.

— Eu me perguntava quando você iria escapar das garras dessas debutantes com o

pensamento em casamento que meu pai insistiu em convidar para seu baile de máscaras, —

Wallingford, disse com um sorriso.

— Virgens são tão malditamente insípidas e cansativas. Dê-me uma cortesã com o

conhecimento e o talento para despertar-me com um sorriso afetado, que isso faria corar uma

virgem.

— Foi um teste evitar suas armadilhas, mas consegui, — Lindsay disse, rindo enquanto

pensava nas inúmeras jovens ladies que tentaram encurralá-lo em um dos muitos recantos

escuros do salão. Virgens talvez pudessem ser inexperientes no quarto, mas são mestres em

manipular quando se trata de procurar um casamento vantajoso.

— Bem, então, o que você acha meu velho — perguntou Wallingford, fazendo um gesto

largo com a mão, indicando a decoração do salão que tinha sido recentemente redecorado no

estilo oriental. Um estilo que atualmente estava à última moda entre os artistas e poetas do

pensamento romântico à maneira de Byron e Shelley.

— Você conseguiu me converter enfim Raeburn me tornei um turco, — Wallingford disse

com uma risada satírica afiada.

— Oh, eu sei que não chega nem perto daquela sua sala, mas já é um começo, você não

concorda?

— É de fato, — disse Lindsay, inalando o perfume inebriante da vara de incenso que de

repente foi acesa ao lado dele. Inclinou-se e inalou a fumaça, suspirando, apreciando enquanto

afundou-se mais nas almofadas gordas do sofá, sentindo a fome roer na barriga lentamente se

desenrolar e diminuir.

— Fiquei bastante satisfeito com os resultados. Sem dúvida servirá adequadamente para

desfrutarmos de nossos prazeres. Claro, quando vi como isso enfureceu meu pai, fiquei ainda

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mais apaixonado por ela, — Wallingford falou lentamente com um sorriso de lobo.

— Resta-me saber o que farei com essa monstruosidade gótica assim que cumprir seu

objetivo. Confesso que gosto de torturá-lo com vislumbres do que pode vir a ser. Talvez

transformar o lugar em um bordel, ou melhor, ainda, um antro de ópio onde os ímpios e ociosos

podem esparramar e fumar até dormir. Claro que teremos damas metidas sobre eles, isso

tornará a cena muito mais devassa, você não acha? Deve fazer o velho bode se contorcer em

sua sepultura. Mas chega de meu pai, o duque. Venha tomar uma bebida, meu velho, —

Wallingford disse com voz pastosa pela embriaguez.

— Vamos não temos muito mais tempo antes de termos de voltar à esfera insípida do

meu pai. Vamos precisar de fortificação.

— Vou passar. — Lindsay observou Wallingford alcançar a mão de uma jovem que estava

servindo vestida de sedas e véus. Ele a puxou para cima de seu colo, seu Claret respingou sobre a borda de sua taça, aterrissando no decote expostos da jovem.

— Oh, olhe, — Wallingford falou lentamente, com os olhos brilhando maliciosamente.

— Uma nova maneira de saborear a sua bebida alcoólica à noite.

Um riso masculino irrompeu na sala enquanto Wallingford inclinou a cabeça para o seio

da moça e lambeu o líquido vermelho escorrendo e avançando entre os seios. Em vez de ficar

chocada, a garota, obviamente, uma cortesã profissional, riu e apertou o rosto em seu decote.

— Venha, vamos ver o que mais podemos achar entre eles, — Wallingford ronronou

enquanto levantava-se nos pés vacilantes, seu olhar nunca deixando os grandes montes de

marfim dos seios na cortesã.

Lindsay desviou o olhar para longe do casal que partia. Já tinha testemunhado a

devassidão de bêbado nas mãos de seu pai mais vezes do que queria contar. Não tinha nenhum

desejo de ver Wallingford fazer de si mesmo um asno, nem tinha o desejo de segui-lo no

caminho da embriaguez por nada.

Observando a sala percebeu que vários outros homens haviam se isolado com outras

mulheres dispostas, Lindsay suspirou e arrancou a palito de incenso do detentor de madeira e

latão. Agitando-o debaixo do seu nariz, deixou-o ondular e os tentáculos acariciarem sua pele

antes de inalar o cheiro, dissecando a fragrância pungente como um grande conhecedor. O

aroma era rico, de terra, com um toque de musgo e sândalo. Definitivamente turco. Nada

cheirava tão potente como o ópio turco.

Fechando os olhos, descansou a cabeça contra o sofá, olhando para o relógio. Não havia

ainda completado meia-noite. Tinha um pouco mais de tempo ainda, antes que se reunisse com

Anaís no terraço. Pensou nela e como a tinha observado em pé nua diante dele no estábulo.

Que beleza ela era com o cabelo loiro cor de mel solto e esparramado ao redor dos ombros e

seus grandes olhos azuis, olhos que estavam sempre cheios de vida e travessuras.

Mentalmente, evocou a memória de seus seios cheios, com os bicos rosados e o montículo

deliciosamente arredondado de seu ventre. Não tinha passado tempo suficiente adorando seu

ventre, nem havia se permitido perder tempo com o espaço macio de suas coxas.

Ele olhara fixamente para o triângulo macio entre as coxas e de forma exuberante

roçando juntas e conectadas aos caracóis aveludados de seu púbis. Era um espaço misterioso, o

lugar para onde foram atraídos, sua boca, os dedos e o pênis. Senhor, ainda estava com fome

dela. Teve-a duas vezes a duas noites atrás. Em vez de diminuir o seu desejo, só tinha

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alimentado a sua necessidade por ela. Quanto tempo já fazia desde que desejava tê-la em sua

cama? Estava com dezesseis anos. Esse era o tempo que esteve fantasiando com Anaís. Catorze

longos e angustiantes anos vendo-a, ouvindo-a, estando ao seu lado. Tantos anos de saudade,

de imaginar seu rosto no lugar das mulheres que havia dormido.

Tinha esperado tempo demais, suspirou, jogando o palito usado em cima da mesa. Ele

tinha perdido muitos anos. Mas não esteve certo dos sentimentos dela em relação a si mesmo.

Até duas noites atrás, não sabia o que realmente pensava sobre ele. Suas cartas para ele

enquanto estava ausente em Cambridge tinham sido sempre calorosas e pessoais durante a sua

permanência ali, estando mesmo dentro da probidade. Não tinha sido capaz de colher o que

realmente estava dentro de seu coração, embora tivesse passado muitas noites relendo todas

as cartas que lhe havia enviado, procurando o menor sinal de que retribuía sua afeição.

Por sua vez, tinha começado inúmeras cartas, declarando seu amor, sua necessidade

física por ela. Mas só fechou-as e a jogou-as no fogo, com medo de afastá-la de sua vida com

seus pensamentos e atos libidinosos. Então esperou o momento, tentando ter certeza de que

retornaria um pouco de sua consideração. Mas não só tinha ficado inseguro por ela. Estava

preocupado com o seu próprio merecimento.

Anaís podia ser uma mulher tímida e um pouco constrangida, mas também era uma lady

delicadamente criada que sabia o que desejava. Não era como as outras mulheres de seu

conhecimento, exageradas e preocupadas apenas com dinheiro e moda. Que tinham a mesma

beleza de Anaís. Ela não tinha qualquer ideia de como era malditamente desejável, ou como

usar seu corpo sensual para conseguir o que quisesse. Anaís não era esse tipo de mulher. Era

forte em suas convicções com lealdade inabalável. Anaís pensava apenas em preto ou branco,

bem ou mal.

Para Anaís, não havia nenhum tons de cinza em sua vida, e por isso grande parte de sua

vida não era nada além de um véu cinza de neblina. E ainda, que inflexível em suas opiniões de

certo e errado, era gentil, atenciosa e docemente inocente. Simplificando, Anaís era o anjo para seu demônio.

Sua amizade significava o mundo para ele. Guardava-a como se fosse a mais rara das

pedras preciosas. Dissera-lhe coisas que nunca disse a outra alma. Ela o conhecia mais

intimamente do que ninguém já fez, ou pensou que jamais faria com alguém. Havia algo em

Anaís que permitia a abertura e honestidade. Tinha um jeito de fazê-lo sentir-se calmo, pacífico e amado.

Não sabia se dava conta ou não, que tinha esculpido um lugar no seu coração, fixando-se

tão profundamente dentro de si que ficaria para sempre enraizada em sua alma. Ela ficou ao

seu lado nos bons e maus momentos, apesar de sua aversão óbvia por seu pai e seus modos

libertinos. Quantas vezes falaram de seu pai? Como temia pela maneira como poderia crescer?

Quantas vezes ela assegurou-lhe que não era como seu pai? Que os pontos fracos e os excessos

de seu pai não seriam o seu?

Ela tinha essa fé no homem que era, que sabia que poderia ser. Nunca faria nada para

prejudicar essa confiança, porque Lindsay sabia que se perdesse a fé de Anaís nele, não teria

mais nada. Sem Anaís, seria o filho de seu pai em mais do que apenas no sangue.

— Boa noite, Raeburn.

Lindsay abriu os olhos a tempo de ver Garrett, Lorde Broughton, agitar a cauda de sua

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fantasia atrás dele e sentar-se na almofada ao seu lado.

— Boa noite, Broughton.

— Uma pequena e interessante cena de libertinagem não é?

— Hmm, — Lindsay murmurou, antes de acender outro palito de incenso e passá-la para

o amigo, que balançou a cabeça. Lindsay deu de ombros e agitou o ópio debaixo de seu nariz,

inalando a fumaça ondulada.

— Não sei como você tolera essas coisas. — Broughton tossiu.

— Eu quase sufoquei no instante em que entrei na sala. Faz-me sentir minha cabeça

muito estranha e quase sempre limpo minhas entranhas no vaso mais próximo.

Lindsay fechou os olhos mais uma vez, permitindo que os seus sentidos abrandassem.

— Nada como um pouco de prazer turco de qualidade para facilitar a mente, Broughton.

Supõe-se que eleva os sentidos e transporta-o para outro lugar e tempo. É como viver um

sonho, — murmurou, lembrando-se todos os sonhos devassos que teve de Anaís ao longo dos

anos. Apaixonados, sonhos carnais de fazer amor com ela em todos os sentidos imagináveis.

Sonhos de fazer amor apaixonado e quente, pura foda carnal.

— Receio que as únicas delícias turcas que me permito estejam cobertas com açúcar.

— Deixe de levar tudo a ferro e fogo. Aspirar uma nuvem faria maravilhas a você sabia?

A névoa mágica dificulta a melancolia, gera confiança, converte medo em ousadia e faz com que

o silêncio se torne eloquente. Você ficaria espantado com as coisas que se pode imaginar

quando o fumo acaricia seu rosto. Inferno, você pode mesmo descobrir um poeta escondido

dentro desse seu peito obediente.

— Temo dizer, mas não quero esse tipo de imaginação. — Broughton resmungou.

Lindsay não era um poeta, mas certamente tinha uma imaginação saudável. Mesmo

agora, com o abrandamento de seu sangue e o engrossamento em suas veias, Lindsay podia

imaginar Anaís em seus joelhos, amando seu pênis com a boca. Ele queria ver aquela linda boca

rosada recolhendo-o em seu eixo de espessura. Queria vê-lo brilhando em sua boca molhada e

pulsando com o desejo de passar livremente ao longo de seus seios cheios e elevados.

— Não preciso de nada para facilitar minha mente, obrigado. Além disso, nem você, —

Broughton opinou.

— Já usou o suficiente? — Perguntou, de repente soando perturbado.

— Você tem o olhar de quem está prestes a cair no sono.

— Mmm, — Lindsay sorriu, sentindo-se lânguido e relaxado. Podia dormir certamente

nos braços de Anaís, e o faria, hoje, de fato, depois de ter cuidadosamente feito amor com ela.

Hoje à noite iria levá-la para sua casa, para o divã, que estava cheio de almofadas. Iria levar sua odalisca, para dentro de seu harém. Iria despi-la e lambe-la, devorando-a por horas.

Tinha planejado tudo isso, até o dia dos namorados que esteve esperando passar com

ela e a maneira que iria lhe propor. Imaginou segurando-a nos braços enquanto estivesse

deitada esperando sua libertação. Imaginou se inclinando para baixo e beijando-a suavemente,

enquanto lhe pedia para casar com ele. Mas, em seguida, a imagem mudou para seu corpo

aberto, esperando o seu corpo tomar conta dela. Podia ver-se empurrando para dentro,

reivindicando-a e olhando para seus lábios entreabertos de prazer. Iria afundar nela novamente

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e sussurrar sua proposta. Sim, definitivamente, pensou, sentindo seu pênis engrossar. Proporia

enquanto estivesse enchendo-a com seu corpo e ela estremeceria com sua liberação. Enquanto

passasse sua semente para dentro dela, e concordaria com um arquejar rouco que seria sua

esposa.

— Milordes? — Uma voz suave e feminina hesitou.

— Não, não, obrigado, — resmungou Broughton, enrijecendo ao lado dele.

Lindsay abriu um olho, olhando para baixo em um par de seios de marfim que estavam

se derramando para fora de um corpete frisado e requintado de uma houri pensou, levando o

brilho do ouro e os cordões de seda que enfeitavam seu decote transbordante.

— Experimente Raeburn, meu velho. Uma iguaria turca, — Wallingford zombou para

todos no quarto, enquanto o entretenimento de sua noite deslizava sua mão para baixo a frente

das calças de Wallingford.

Lindsay abrindo o outro olho reparou que a houri estendia uma bandeja de prata à sua

frente. Olhou-a nos olhos e os viu brilhando. Tinha visto aqueles olhos antes, mas onde, não

conseguia lembrar.

—Vamos, Raeburn, — Wallingford zombou.

— Tenha bom gosto. Os gregos têm suas folhas de uva, os turcos os lábios da paixão.

Com um dar de ombros, ele estendeu a mão para o círculo amarelo pálido que parecia

um bolo de semente de papoula.

— Acho que você acharia o vermelho mais a seu gosto, — a houri ronronou

sedutoramente.

— Muito bem, — disse, tomando um bolo vermelho de sua bandeja. Levou-o a boca e

mastigou a textura dura.

— Maldição está horrível, — ele murmurou para Broughton.

— Os turcos podem manter seus lábios de paixão. Gostaria de ter uma folha de uva

qualquer dia desses.

— Aquela garota parece muito familiar, — Broughton disse pensativamente enquanto

seu olhar seguia o progresso da houri pela sala.

—Talvez vá parecer ainda mais conhecida enquanto a noite avance? — Lindsay

perguntou com um sorriso.

— Lembra-se que estou cortejando a Srta. Thomas?

Lindsay deu de ombros e olhou para longe. Até onde lhe dizia respeito, Rebecca Thomas

não era boa o bastante para o seu amigo. Havia algo naquela garota que não lhe descia, mas

aquela sensação desagradável estava lá, no entanto. Nunca tinha se importado com Rebecca.

Era manipuladora e indiferente. A frieza calculista esteve sempre evidente em seus olhos. Além

disso, não gostava da maneira como a conivente Rebecca tinha insinuado seu caminho para

uma amizade com sua gentil Anaís.

Anaís, pensou, procurando através da fumaça espessa o relógio.

— Bem, estou indo embora, — disse ele, quando viu que estava se aproximando da

meia-noite.

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— E onde você está indo — Broughton perguntou quando ficou de pé, endireitando o

colete já imaculado.

— Estou indo para encontrar uma jovem encantadora no terraço.

— Cuide bem dela. — a voz de Broughton tinha uma pitada de aviso que Lindsay

particularmente não gostou.

— Eu a amo, Broughton.

— Eu sei, mas às vezes... — Lindsay sabia que seu amigo ia dizer. Às vezes, você não é

digno de alguém tão bom quanto Anaís Darnby.

— Meus dias de Cambridge ficaram para trás, Broughton. Não sou mais a carne de

pescoço ou o maldito jovem que você conheceu na universidade. Naquele tempo estava

procurando o que queria da vida e eu sei que fui imprudente. Não preciso de mais tempo para

saber disso. Sei o que, e quem eu quero.

Broughton estendeu a mão para seu braço e o segurou.

— Não cometa o erro de pensar que você é o único que se preocupa com ela. Anaís têm

sido minha amiga desde que era sua. Não quero que brinque com seus sentimentos.

— O que você está insinuando? — Lindsay perguntou com um brilho no olhar.

— Acho que você sabe o que quero dizer, Raeburn. Se suas intenções não são honradas

em relação a ela, então não a persiga.

Lindsay afastou a mão de Broughton de seu braço.

— Eu nunca a desonraria.

— Espero que não. Espero que se esforce, para sempre ser o tipo de homem que ela

precisa e merece.

Com uma inclinação rápida da cabeça e com o apertar dos dentes, Lindsay virou-se e fez

o seu caminho até a porta, um pouco desorientado pelo vapor pesado da fumaça pairando no

ar. Abrindo a porta, deixou-se sair, aspirando o ar fresco para limpar a teia de aranha que de

repente foram criando raízes em seu cérebro.

Anaís, pensou, atingindo a parede para se firmar. Não sou como o meu pai. Sou digno de

você. Posso ser o tipo de homem que precisa. Eu juro.

— Boa noite, Lindsay.

Virou-se. O corredor estreitou fortemente, fazendo-o passar por uma crise nauseante de

síncope. As chamas das velas piscaram loucamente, quase como se estivessem saltando de seus

estandes de cera e cambaleou para trás quando viu as chamas saltar para ele, ameaçando

pousar em suas roupas. A visão desapareceu assim que surgiu, substituído por um caleidoscópio

de cores que rodopiavam brilhantes nublando sua visão.

Piscando, Lindsay olhou para cima a partir do chão preto-e-branco que parecia ondular

como uma fita na brisa sob seus pés. E então a viu, Anaís, de pé no final do corredor, vestida

com um maravilhoso e sedutor vestido roxo e dourado.

— Anaís? — Perguntou com voz incrédula. Tentou dar um passo a frente, mas não

conseguiu. Mal conseguia enxergar direito ou concentrar seu olhar sobre ela.

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Maldição, qual era o problema com ele? Os lábios da paixão... de repente se lembrou. O

que a houri tinha lhe dado para comer? Certamente nada de que se lembrasse já ter usado

antes. Nunca havia consumido nada tão potente.

— Lindsay, — Anaís exclamou chamando seu nome e correndo em sua direção.

Pegou-a nos braços e apertou-a contra a parede. Passou as mãos ao longo de suas

curvas, deleitando-se em sua pele macia, no alargamento do quadril acima da saia de cintura

baixa. Seus dedos ficaram enredados no velado chiffon roxo e ele grunhiu apreciativo, de

repente, estava excitado como nunca tinha estado em sua vida.

— Beije-me, — sussurrou em voz baixa e hipnótica que fez seu pênis mais duro por trás

das calças.

— Beije-me, Lindsay — disse uma e outra vez, como se estivesse cantando um chamado

sedutor de uma sereia.

Ele procurou sua boca e a beijou, lenta no início, em seguida, mais carnal quando ela

deslizou a língua entre seus lábios. Gemeu quando esfregou seu monte contra sua ereção

latejante. Não conseguia parar. Seu sangue estava zumbindo. Sentia o corpo lânguido, como se

tivesse todo o tempo do mundo, como se eles já estivessem em seu quarto e não em pé em um

corredor, onde qualquer pessoa poderia vê-los.

Ela gemeu e alcançou sua calça protuberante, acariciando-o com ousadia. Maldição,

onde tinha aprendido isso?

—Toque-me, Lindsay. Leve-me em sua boca, como fez nos estábulos.

— Mmm, sim. — disse, sentindo a mudança de piso novamente.

Ele abaixou o corpete e segurou-a. Abrindo os olhos, lutou para se concentrar nos seios

pálidos em suas mãos. Mas em vez de dois seios fartos, redondos, visualizou quatro globos

borrados, com mamilos que dançavam e balançavam diante dele. Piscou, tentando firmar ainda

a imagem para que pudesse apertar os lábios sobre ela e chupá-la, mas quanto mais piscava,

mais sua visão parecia nadar.

— Prove-me, Lindsay, — ela incentivou, enchendo suas mãos com os seios, esses que

tinha achado senti-los muito maior a duas noites atrás. Mas neste momento, não estava agora

em sua mente. Algo o estava governando. Estava certo de que não era apenas o poder da

luxúria que sentia correndo em suas veias.

Tentou empurrar os pensamentos duvidosos de lado. Não era correto tomá-la assim.

Tinha tomado sua virgindade em um estábulo, pelo amor de Deus, ela não precisava ser tomada

contra uma parede. Mas não conseguia dizer isso a seu pênis. Precisava dela, enterrar-se

profundamente dentro dela. Precisava ouvir seu nome em seus lábios enquanto ela gritava de

prazer. Precisava saber que o amava.

Velhos medos penetraram em sua mente. Empurrou-os, mas eles voltaram mais

exigente, mais claros e convincentes. Não, não era como seu pai. Não iria destruí-la da maneira que seu pai destruiu sua mãe. Ele a amava. Iria amá-la para sempre. Precisava mostrar isso a

ela, abaixou a cabeça para os seios e tomou um mamilo em sua boca, sugando-o avidamente

até que ela passou as mãos pelos seus cabelos e arquejou dizendo seu nome de forma

desenfreada contra sua têmpora.

— Preciso de você, Anaís, — murmurou com voz áspera.

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— Eu preciso tanto de você.

Alguma coisa estava errada. Não conseguia manter esse pensamento serpenteando

dentro e fora de sua cabeça, apesar da magia do toque de Anaís. Havia definitivamente algo

sobre Anaís que não estava certo. Não sentia bem os seus dedos sob ela, era muito magra.

Queria senti-la do jeito que tinha sido naquela noite no estábulo, tudo macio, curvilíneo e

voluptuoso.

— Diga-me as palavras, — o estimulava, segurando seu pênis para que gemesse de

prazer e dor.

— Diga-me como agora é muito melhor do que a primeira vez.

Não podia negar-lhe, não com a forma como estava acariciando seu sexo através de suas

calças. Estava pronto para explodir, mas sua mente continuava resistindo. Mas queria agradá-la.

Queria malditamente ser o tipo de homem que ela desejava. E estava precisando se liberar.

Deus precisava disso. Derramar-se em sua mão e pressionar o rosto em sua garganta

docemente perfumada.

Ela desabotoou sua calça e colocou a mão na frente dele, encontrando seu pênis e

girando o dedo em torno da ponta molhada.

— Como você está excitado. Você está molhado e já vazando sua semente.

Seu pênis endureceu ainda mais e ele empurrou seus quadris para frente incentivando-a

a acariciá-lo. Era incapaz de acreditar que sua Anaís um pouco tímida estava sendo tão ousada.

Mas o excitava. Quanto mais ela o acariciava, mais excitado e imprudente se tornava.

— Você é uma pequena provocadora de pênis, — murmurou enquanto ela segurou seu

esperma na palma da mão.

— E você gosta de como provoco seu pênis?

— Acho que você sabe a resposta para isso, especialmente depois da outra noite.

— Eu sou melhor do que na outra noite — ela hesitou, inflamando-o ainda mais.

— Sou uma melhor provocadora de pênis?

Ele levantou sua saia e acariciou seu traseiro nu. Sua parte traseira sentiu muito

diferente do delicioso traseiro em forma de coração, que lembrava. Mas esta era Anaís. Senti-a

como sempre o fez. Era essa maldita coisa que tinha envenenado seu cérebro, fazendo-o ter tais

pensamentos enlouquecidos.

— O que quer que eu faça com isso — ela perguntou corajosamente, segurando seu

pênis na mão.

— Chupe, — ele gemeu as palavras saindo em uma longa onda de respiração enquanto

dava voz a sua mais profunda fantasia. E, em seguida, quase violentamente capturou seus lábios

com os dele e beijou-a, precisando dela num desespero que nunca havia sentido antes.

— Tenho que te dizer. Não posso esperar. Eu te amo — disse ele apaixonadamente entre

longos e duros beijos que o drogavam.

— Sempre estive apaixonado. Não posso esconder isso. Não quero esconder isso. E só foi

você, vai sempre ser apenas você.

Um ofegar angustiado quebrou o som de suas respirações. Ele olhou para a mulher em

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seus braços e piscou os olhos, sua visão ainda nadando diante dele. E, em seguida, a imagem

lentamente dançou em foco e sentiu o conteúdo do seu estômago ameaçar subir e derramar no

chão. Olhou para a mulher que estava pressionada contra ele, e depois em direção ao som da

respiração frenética que ouviu vindo ao seu lado. Sua mente girava com a impossibilidade.

* * *

Anaís ficou imóvel, chocada, horrorizada. As implicações do que estava testemunhando

girou com velocidade vertiginosa em sua cabeça. Seu peito começou a subir e descer muito

rapidamente e sentiu como se estivesse sendo sufocada pela fita azul em torno de sua garganta.

Com as mãos trêmulas, arrancou a touca de sua cabeça. Como poderia Lindsay ter feito isso

com ela? Como, depois do que eles tinham compartilhado um com o outro no estábulo, como

pode tão facilmente cair nos braços de outra?

— Jesus, faz quanto tempo que está ai? — Não tinha certeza se Lindsay sabia que disse

as palavras em voz alta.

— O suficiente para vê-lo com ela e saber que você a ama, — sussurrou, sufocando um

soluço. Desviou o olhar, enojada com a visão dele e viu, pela primeira vez, a mulher que estava pressionada contra ele.

— Por quê? — Ela perguntou no que era pouco mais que um sussurro meio

estrangulado. Mas não conseguiu terminar a frase. Não podia olhar para Rebecca pressionada

contra Lindsay, os seios brilhando na boca de Lindsay. Não podia ver a mulher que tinha sido

sua amiga de confiança vestindo seu traje, a única coisa que já tinha possuído que não tinham

sido concebido ou ordenado por sua mãe. A única coisa que sempre quis foi que Lindsay a visse

vestindo-o. Oh, meu Deus, que idiota estúpida e confiante tinha sido ao pensar que Rebecca

tinha pegado seu saco de musselina por engano. Não tinha sido por engano, mas por

premeditação, em um plano feio e cruel.

— Foi para você que disse aquelas palavras. Pensei que fosse você, Anaís, — ele

gaguejou.

— Deixe-me explicar.

— Não acho que as palavras sejam necessárias, querido — Rebecca ronronou,

lembrando a Anaís da cobra que sua amiga realmente era.

— Acho que o que viu Anaís fala por si. Não precisamos esconder mais.

— Não me toque, — Lindsay explodiu, sacudindo Rebecca segurando-a pelo braço.

— Maldita seja, o que fez?

— É o que você fez Lindsay, — Anaís respondeu.

— Você fez isso.

— Deixe-me explicar, — murmurou, cambaleando para perto.

— Eu estava com Wallingford. Estava... aconteceu alguma coisa... isto é, tomei algo que

me deixou confuso. Pensei que Rebecca fosse você. Acreditei Anaís, que era realmente você.

— Como pode pensar uma coisa dessas? Olhe-nos não somos nada parecidas.

— Também não somos do mesmo tamanho.

A voz de Rebecca destilava veneno.

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Lindsay disparou para Rebecca um olhar assassino enquanto se mantinha contra a

parede, apoiando seu corpo oscilante.

— Anaís me escute. Foi uma droga. Não estou bêbado. Eu juro. Foi um erro. Pensei que

era você. Acreditava que era você... acredite em mim, Anaís.

— Mentiras, — Anaís sussurrou trêmula com seus olhos fixos no olhar desfocado em

Lindsay.

— Tudo o que você diz tudo o que você me disse... não era nada além de mentiras. O

que nós fizemos foi uma mentira, também. Você estava apenas se divertindo comigo. Deus,

como deve ter rido de mim, caindo em suas seduções tão facilmente.

— Não diga isso, Anaís.

— O que foi você estava tão tolamente entediado naquela noite que pensou em me

tomar, a simplória, solteirona indesejável que sou, nos estábulos para um pouco de diversão?

Você provavelmente pensou que estava me fazendo um favor em se deitar comigo. Deve

realmente ter sentido pena de mim naquela noite para aguentar uma insignificante e

inexperiente como eu. Especialmente quando você poderia ter tido... — Anaís olhou para

Rebecca e sentiu o aperto na garganta fechando-a.

— Quando poderia ter tido alguém bonito, alguém tão desejável como ela.

— Queria você, eu quero você, — corrigiu com uma careta.

— Você sabe disso. Basta lembrar como foi, Anaís.

— Eu me lembro muito bem. Lembro-me de uma mulher que não é bonita, com um

corpo redondo, com quadris cheios e uma barriga grande, uma mulher que se achava bonita o

suficiente para alguém como você. Obviamente, fui apenas uma noite de lazer até que você

pudesse avançar para coisas melhores e mais bonitas.

Deus, e pensar na forma como tinha acreditado nele cegamente. Nunca questionando

sua sinceridade, na verdade, acreditando que ele não tinha proposto depois de fazer amor com

ela, porque queria que fosse especial, como alegou. E tinha caído nisso.

— Não, isso é um erro. Não é o que parece, — começou, dando um passo cambaleante

em direção a ela enquanto usava a mão contra a parede como apoio.

Anaís sentiu seus lábios se retorcer com nojo. Ele estava tão parecido com seu pai,

tropeçando em direção a ela, mexendo com o fecho das calças, com o cabelo ondulando em

desordem, sua cauda da camisa pendurada do lado de fora da calça. Mal conseguia olhá-lo sem

querer vomitar. Este não era o Lindsay de sua infância. Não era o homem com quem tinha

ficado a duas noites atrás. Este era um estranho, um perdulário dissipado que nunca tinha visto antes.

— Não, por favor. Não olhe para mim desse jeito, Anaís. Não olhe para mim como você

olha para ele. Não sou como ele, — gritou, cambaleando em direção a ela.

— Ouça-me e deixe-me explicar. Não quero Rebecca. Não quero ninguém além de você.

Anaís de repente ficou ciente de uma forte presença ao seu lado. Sem olhar, sabia que

era Lorde Broughton. Seu braço ao redor de sua cintura era forte e reconfortante e se afundou

ao seu lado.

— Broughton! Graças a Deus... diga a ela conte sobre a droga... — Lindsay pediu,

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cambaleando em direção a eles.

— Broughton sabe... Ele estava comigo.

— Por quanto tempo viver vou lembrar-me de você dessa maneira, — Anaís engasgou

com os lábios trêmulos, enquanto tentava conter seu choro de dor.

— Nada se assemelha com o que você fez agora. Você partiu meu coração.

Ela cobriu a boca mais uma vez, rezando para que fosse capaz de sair antes que se

quebrasse completamente.

— Gostaria de nunca tê-lo deixado me tocar.

— Não, Anaís, — disse ele, com a voz suplicante.

— Cristo, não, não diga isso!

Mas ela virou-se de costa para ele, e Garrett, que estava tão chocado com a traição de

Rebecca, estendeu a mão para ela e tomou-a nos braços.

— Sinto muito, — Lindsay chorava.

— Cristo, não a deixe ir!

Anaís fechou os olhos, bloqueando o som, odiando as palavras que tinha o ouvido dizer

muitas vezes antes. Tais palavras vazias, sem sentido. Tal ato sem sentido. Que idiota tinha sido.

Teve esperança, tola romântica.

— Não vou perder você — Lindsay gritou quando ela se virou e foi embora, ainda

segurando fortemente o braço de Garrett.

—Você não pode fugir de mim, Anaís. Vou encontrá-la. Anaís — O nome dela puxado das

profundezas da alma torturada de Lindsay ecoou por todo o corredor e Anaís estremeceu, ainda

ouviu-o chamando seu nome mesmo após as rodas da carruagem ter se colocado em

movimento.

CAPÍTULO 4