Sobre o livro
“As pessoas dormem tranquilamente à noite porque existem homens brutos
dispostos a praticar violência em seu nome.”
George Orwell
Civis inocentes são assassinados em ataques terroristas...
A ordem pública se desintegra em explosões violentas e saques após
desastres naturais...
Jovens vão às ruas para depredar o espaço público...
Neste apaixonante apelo à consciência, Slavoj Žižek pôe a nu as
“sociedades democráticas” em que vivemos. Articulando conhecimentos
nos campos de história, psicanálise, filosofia, sociologia e artes,
disseca a violência inerente à globalização, ao capitalismo, ao
fundamentalismo e à própria linguagem que são produtos de uma
violência oculta, profundamente arraigada nas bases do sistema
político, econômico e social vigente.
Em seis provocativos ensaios, o filósofo lança bases para a reflexão
acerca do fenômeno moderno da violência e se afirma como um dos mais
eruditos, incendiários (e baderneiros) pensadores radicais de nosso
tempo.
Sobre Violência
Jorge Luiz Souto Maior
Acusam as manifestações populares de violentas, mas, em geral, elas
são apenas reações a violências constantemente sofridas que não são
chamadas por esse nome. O problema é que a revolta, materializada em
ato coletivo, é muito mais facilmente visualizada.
Essa violência concreta acaba sendo o argumento para a repressão
institucionalizada, fazendo com que as vítimas reais sejam novamente
violentadas.
Apesar disso, reações populares pelo mundo têm cada vez mais aumentado
seu tamanho e sua consciência. Como explicar?
As respostas não são simples. Neste livro Slavoj Žižek analisa os
problemas de estagnação do modelo de sociedade atual, que multiplica
insatisfações e frustrações pessoais e coletivas. Aponta também para o
aumento da percepção das violências originárias, favorecido pelo
acesso à informação.
Compreender a origem da violência altera a avaliação sobre o contexto
histórico das relações sociais, permitindo-nos visualizar a essência
dos conflitos, caracterizada pelos inúmeros e às vezes sutis processos
de exclusão. É nesse sentido que Žižek busca delinear os aspectos
subjetivos e objetivos da violência, tanto sua expressão visível como
a invisível, indo desde a liberalização da sexualidade e o
comunitarismo, passando pela política do medo e o terrorismo