Vítimas da noite por L P Baçan - Versão HTML

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1ª Edição Eletrônica

L P Baçan

Auto

Edição Eletrônica: L P Baçan Novembro de 2009

All rights reserved

Copyright © 2009 do Autor Distribuição exclusiva através do SCRIBD

Autorizadas a reprodução e distribuição gratuita desde que sejam preservadas as características originais da obra.

VÍTÍMAS DA NOITE

Ou Apenas o Começo

Um dia, quando eu me sentei diante de mim mesmo Percebi que as vítimas da noite me acompanhavam.

Eu não era solidário a elas...

... era solitário com elas.

Então parei, mandei repetir a música e comecei a pensar: Quem eram as vítimas da noite?

Quem se escondia na escuridão das luzes abafadas Dos sons velados

Das esperas intermináveis?

Por mais que eu expulsasse de mim as vítimas da noite Exorcizando-as como demônios Elas estavam em mim

Em meu cheiro

Na fumaça de meu cigarro

Nas pontas das flechas perfurando meu couro Nos revólveres invertidos apontando para a minha cabeça Nos livros empoeirados e tombados na estante.

Quem sabe no meu cigarro oscilando no cinzeiro raso Na minha cachaça barata dentro do copo sutil e delicado Onde disfarço a minha embriaguez.

Doloroso momento:

Percebi que as vítimas da noite estavam em mim.

Eu era uma vítima

Da noite.

Eu era.

No entanto, não parecia.

Mas eu sabia.

O tempo todo eu sabia

Então...

Então comecei a esfolar a pele da primeira vítima.

E surgiu o poema dissecado.

A pele era minha.

O poema era meu.

Eu sempre havia sido a vítima.

E me descobria.

Da noite.

Na noite.

Meu Deus! Como eu adorava isso!

Cada palavra arrancada

Da solidão assustadora das companhias desparceiradas Da camaradagem dos que nada têm a perder Além da solidariedade dos garçons E das gorjetas

Então eu me percebi ali

Diante do espelho de mim mesmo Garimpando palavras

Buscando o significado que jazia indecifrável Dentro de minha busca.

Vi os olhares...

Vi as bocas...

Eu as vi!

Cada uma delas...

As vítimas fatais.

E elas choravam.

Até hoje não sei se choravam por elas.

Gosto, porém, de pensar que choravam por mim.

Apenas assim encontro o sentido da lágrima E compreendo a minha condição de Vítima da noite.

Como todas elas

Vítima de meus poemas.

Como todas elas

Vítimas de mim mesmo!

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