Zhong Yong. A doutrina do meio por Confúcio - Versão HTML

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ZHONG YONG - A DOUTRINA DO MEIO (Confúcio)

O MEIO DOURADO

CONFUCIO, por TSETZÉ

Introdução

Acho que foi o finado professor Herbert A. Giles quem descreveu o caráter de Confúcio como o

de um mestre-escola inglês típico. Nada mais agradaria Confúcio do que essa comparação. Na

verdade, o homem chinês educado, como o gentil -homem inglês, ou finalmente o homem perfeito,

é de uma impersonalidade indescritível e sem definição, e você não o reconheceria se por ele

passasse numa rua, tal como a perfeita pronúncia inglesa de uma pessoa não trai acento nenhum

que seja particular a alguma localidade. A essên cia do gentil-homem inglês é a habilidade de

passar diante de seus semelhantes sem ser reconhecido e a essência da cultura confucianista é

o esforço moral de aspirar a alcançar o lugar -comum. É abraçando a doutrina do Meio Dourado,

ou Caminho Médio, que se pode chegar a esse lugar -comum. Confúcio confessou - "Há os que

procuram o obscuro e o estranho e vivem vida singular a fim de legar seus nomes à

posteridade. Isso eu jamais faria". Certa vez também traçou uma aguda distinção entre o

homem famoso e o homem verdadeiramente grande e descreveu o homem "famoso" como o que

"se obriga a que lhe falem acerca do lar quando está no lar e se obriga a que lhe falem de fora

quando está fora". É esta doutrina do Meio Dourado que os estudantes confucianistas consideram

ser a filosofia fundamental de toda a conduta humana e pretendem com ela transformar o povo

chinês numa nação de mestres-escolas de aldeia.

O Meio Dourado representa provavelmente a melhor aproximação filosófica à moral filosófica

confucianista. Nesse livro são citados grandes ditados, tais como os seguintes: "O que é dado

por Deus é o que chamamos natureza humana. Cumprir a lei da natureza humana é o que

chamamos lei moral. O cultivo da lei moral é o que chamamos instrução". "Ser sincero

para consigo mesmo é a lei de Deus. Aprender a ser sincero para consigo mesmo é a lei do

homem". Há nesse livro o grande dito humanístico: "A verdade não se separa da natureza

humana. Se o que consideramos verdade se separar da natureza humana, não pode ser

considerado como verdade". Há a importante lição de Confúcio de que o homem se mede pelo

homem, e que o padrão da bondade humana não deve ser procurando no Céu e sim nos seus

semelhantes. Há mais adiante o reconhecimento um tanto místico da identidade da lei moral

inclusive e da lei do universo exclusive.

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O Meio Dourado é um dos "Quatro Livros" prescritos antigamente para o estudo nas escolas

elementares. Formava originalmente o Capítulo XXXI de Liki e como certos capítulos de Liki sua

autoria é atribuída a Tsesze, o neto de Confúcio e a quem citam como professor de Mêncio. Um

exame do estilo do livro revela que provavelmente ele consistia, no princípio, de duas partes

separadas, uma distinguia-se pela beleza do estilo e pelo espírito altamente filosófico do autor, ao

passo que a outra compunha-se de citações diversas de Confúcio sobre o Meio Dourado,

reunidas sem muita correspondência ou ordem. Reorganizei o texto e dividi -o dando-lhe

cabeçalhos, numa ordenação nova que respeita seu conteúdo.

Para conveniência dos que querem estudar seriamente e que desejam compará-lo com o texto

original, inseri, entre parêntesis, no começo das seções os números originais dos "capítulos". A

tradução foi feita pelo finado Ku Hungming, homem inteligentíssimo, com certas revisões por mim

feitas, a fim de corresponder mais de perto ao texto original.

Lin Yutang, 1941

O MEIO DOURADO DE TSESZE

I. A Harmonia Central.

(I) O que é dado por Deus é o que chamamos natureza humana. Cumprir a lei de nossa natureza

humana é o que chamamos caminho. O cultivo do caminho é o que chamamos instrução.

O Caminho é uma lei a que não podemos, por um só instante que seja em nossa existência, fugir.

Se pudéssemos dele escapar, não seria mais o Caminho. Por conseqüência, eis porque o homem

moral (ou homem superior) espreita diligentemente o que seus olhos não podem ver, receia e se

atemoriza com o que seus ouvidos não podem ouvir.

Nada há de mais evidente do que o que não pode ser visto com os olhos e nada de mais palpável

do que o que não pode ser percebido pelos se ntidos. Por conseguinte, o homem moral espreita

diligentemente seus pensamentos secretos.

Quando as paixões, tais como a alegria, a cólera, o pesar e o prazer ainda não acordaram, temos

nosso eu "central" ou ser moral (chung). Quando essas paixões acordam e cada qual, e todas,

atingem uma certa medida e grau, temos a "harmonia", ou ordem moral (ho). Nosso eu central, ou

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ser moral, é a grande base da existência, e a "harmonia", ou ordem moral, é a grande base da

existência, é a lei universal no mundo.

Quando nosso verdadeiro eu central e a harmonia forem atingidos, o universo então torna -se um

cosmo e todas as coisas chegam a seu completo desenvolvimento e grandeza.